Pulpit

"Destes Afasta-te"

Boyd K. Packer

Conferência Geral de Abril de 1985·Saturday Afternoon Session·1985-04-01

Irmãos e irmãs, eu tinha em mente falar hoje sobre outro assunto.

Contudo, durante os últimos dias, tenho sentido pesar sobre mim, por inspiração, segundo creio, o sentimento de que deveria apresentar alguns conselhos sobre outro tema.

Tenho aqui em mãos um documento muito interessante. Permitam-me citá-lo: "A quem interessar possa:

"Isto certifica que Parley P. Pratt foi recebido na igreja dos Santos dos Últimos Dias... e foi ordenado élder de acordo com as regras e regulamentos da referida igreja, e está devidamente autorizado a pregar o evangelho, conforme a autoridade desse ofício...

"Dado por direção de uma conferência dos élderes da referida igreja, reunidos em Kirtland, Condado de Geauga, Ohio, neste 26º dia de abril, no ano de nosso Senhor de mil, oitocentos e trinta e cinco. [Assinado] Joseph Smith Jr. ... Oliver Cowdery, Escrivão." (Coleção Parley P. Pratt, Arquivos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Salt Lake City.)

Para que vocês percebam a importância deste documento, cito a seção quarenta e dois de Doutrina e Convênios:

"Digo-vos que a ninguém será permitido sair a pregar meu evangelho ou estabelecer minha igreja, a não ser que tenha sido ordenado por alguém que tenha autoridade; e que a igreja saiba que tem autoridade e foi apropriadamente ordenado pelos dirigentes da igreja." ([D&C 42:11]; itálico acrescentado.)

Li aquele certificado de élder para mostrar que, desde o início mesmo da Igreja, procedimentos muito cuidadosos de autorização têm sido seguidos.

É importante que todo membro da Igreja compreenda isso.

O apóstolo Paulo escreveu a Timóteo a respeito de tempos perigosos e da apostasia que viria nos últimos dias.

Ele listou os muitos males que estariam espalhados naqueles tempos perigosos, coisas como falsos acusadores, desprezadores dos que são bons e traidores, e advertiu: "Destes afasta-te." ([2 Timóteo 3:1–5].)

"Os homens maus e enganadores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados.

"Tu, porém, permanece nas coisas que aprendeste... sabendo de quem as aprendeste." ([2 Timóteo 3:13–14]; itálico acrescentado.)

Essa frase, sabendo de quem as aprendeste, tem grande significado.

Paulo ensinou que o conhecimento das escrituras era nossa imunização contra esses males.

Repetindo o que o Senhor disse: "Novamente vos digo que a ninguém será permitido sair a pregar meu evangelho ou estabelecer minha igreja, a não ser que [primeiro:] tenha sido ordenado por alguém que tenha autoridade; e [segundo:] que a igreja saiba que tem autoridade e foi apropriadamente ordenado pelos dirigentes da igreja." ([D&C 42:11]; itálico acrescentado.)

A Igreja será sempre liderada por aqueles que foram chamados pelos dirigentes devidamente ordenados da Igreja.

Ora, isso não impede que nenhum membro compartilhe o evangelho numa atitude missionária; esse é nosso dever. Há deveres, como o ensino familiar, e ordenanças, como abençoar os enfermos, que acompanham o sacerdócio, e não requerem uma designação especial. Mas, para todo e cada ofício, há o cuidado de garantir que qualquer pessoa a quem seja dada autoridade a receba de alguém que tenha autoridade, e que isso seja sabido pela igreja.

Às vezes, causamos certa perplexidade a outros com os muitos títulos existentes na Igreja. Eles se perguntam por que temos tantos presidentes. Temos presidentes em estacas, missões, quóruns e organizações auxiliares femininas.

Cada um é apoiado pelas congregações antes de ser ordenado ou designado, e um registro dessa ação é mantido.

Os bispos recebem um certificado de ordenação. O mesmo ocorre com os presidentes de estaca e de missão, e com os élderes, setentas e sumos sacerdotes. É sabido pela Igreja que eles têm autoridade.

Certa vez, em companhia do Élder Gene R. Cook e do presidente de missão, viajamos por uma região muito remota do Altiplano, ou planalto alto, na Bolívia. Havíamos viajado boa parte do dia num veículo com tração nas quatro rodas. Havíamos atravessado um braço do Lago Titicaca numa balsa antiga. Seguimos estradas de montanha construídas originalmente pelos antigos índios incas.

Certa vez, tivemos de construir uma rampa de pedras para sair do leito de um rio que formava uma espécie de estrada na estação seca. Erguer pedras a uma altitude de mais de treze mil pés não é tarefa pequena.

Chegamos finalmente a nosso destino, Huacuyo. Na verdade, não é bem um povoado, mas casas espalhadas pelas montanhas, tão alto, suponho, quanto os homens vivem em qualquer lugar da terra.

Ali encontramos o que buscávamos — uma pequena capela de adobe e pedra. Os poucos santos da região a haviam construído eles mesmos, sem nenhuma ajuda da Igreja.

A distância e o terreno inóspito tornavam este lugar, tenho certeza, tão remoto da sede da Igreja quanto qualquer outro lugar na terra.

A capela tinha piso de terra batida e bancos rústicos, talhados à mão. As paredes internas haviam sido caiadas. Penduradas na parede frontal, havia três fotografias: o Presidente da Igreja e seus dois conselheiros — a Primeira Presidência.

Repito as palavras de Paulo:

"Permanece nas coisas que aprendeste... sabendo de quem as aprendeste." ([2 Timóteo 3:14]; itálico acrescentado.)

Mesmo naquele pequeno ramo remoto, os membros conseguiam identificar aqueles que detêm as chaves da autoridade.

Não é incomum ver fotografias das Autoridades Gerais em prédios da Igreja ao redor do mundo. Essas fotografias aparecem em publicações da Igreja. Sempre que há uma mudança, novas fotografias aparecem. Agora, com o apoio de um novo Bispado Presidente e o chamado de outros Irmãos, suas fotografias aparecerão nas notícias e, eventualmente, em capelas ao redor do mundo.

Aqueles que me conhecem bem sabem que eu não gosto nada de ver fotografias minhas exibidas. Mas suporto isso, assim como os outros Irmãos, por uma razão muito boa.

Há um propósito em que os membros da Igreja em toda parte do mundo possam identificar as autoridades gerais e locais. Dessa forma, podem saber de quem aprendem.

Alguns anos atrás, a Irmã Packer e eu estávamos voltando da Nova Zelândia. Partimos de Auckland à meia-noite e pousamos em Papeete, no Taiti. Esperamos ali por um voo de conexão. Pouco antes do amanhecer, um avião pousou. Não era aquele em que embarcaríamos. Não sabíamos sua rota; era apenas um avião comercial pousando naquela pequena ilha no Pacífico Sul, na madrugada de uma segunda-feira.

Disse à minha esposa: "Vou conhecer alguém naquele avião." Fiquei de pé perto do portão e, à medida que os passageiros desembarcavam, quatro pessoas, nenhuma das quais eu já havia conhecido antes, se aproximaram de mim. "O senhor é o Irmão Packer?" E perto do final da fila havia um homem que eu conhecia.

O ponto é este: é manifestamente impossível, em Huacuyo, na Bolívia, ou na Terra do Fogo, na Argentina, em Kemi, na Finlândia, ou em Vava'u, em Tonga, ou em qualquer outro lugar da terra, que um impostor se apresente como membro do Quórum dos Doze Apóstolos sem ser detectado pelos membros como alguém que não foi devidamente ordenado pelos líderes da Igreja.

Há aqueles que reivindicam autoridade de algumas ordenações secretas do passado. Até mesmo agora, alguns reivindicam autoridade especial revelada para liderar ou ensinar o povo. Ocasionalmente, usam os nomes de membros da Primeira Presidência, ou dos Doze, ou dos Setenta, e insinuam alguma aprovação especial daquilo que ensinam.

Já se apresentaram nomes demais, já se realizaram votos de apoio demais, ordenações e designações demais, diante de testemunhas demais; já se mantiveram registros demais, prepararam-se certificados demais, e publicaram-se fotografias demais em lugares demais, para que alguém seja enganado quanto a quem detém a autoridade apropriada. As alegações de revelação especial ou autoridade secreta vindas do Senhor ou dos Irmãos são falsas à primeira vista e, na verdade, um completo absurdo!

O Senhor jamais operou dessa forma; essas coisas não se fizeram em qualquer canto (ver [Atos 26:26]); há luz em todo chamado oficial e em toda ordenação autorizada, e sempre foi assim.

Ora, o sacerdócio é estruturado de modo que homens, mulheres e jovens comuns sejam chamados para trabalhar na Igreja.

Certamente devemos, às vezes, parecer muito amadores quando comparados ao clero altamente instruído de outras igrejas.

A própria natureza do sacerdócio permite uma grande variedade no conhecimento do evangelho entre membros que se esforçam para aprender enquanto servem.

Um membro, em determinado momento, pode não compreender um ou outro ponto de doutrina, pode ter uma concepção equivocada, ou até mesmo acreditar que algo é verdadeiro quando, na realidade, é falso.

Não há muito perigo nisso. Isso é uma parte inevitável de aprender o evangelho. Nenhum membro da Igreja deveria se envergonhar da necessidade de se arrepender de uma noção falsa que possa ter acreditado. Tais ideias são corrigidas à medida que a pessoa cresce em luz e conhecimento.

Não é a crença numa noção falsa que constitui o problema, é o ensino dela a outros. Na Igreja, temos o arbítrio de crer no que quisermos acreditar sobre o que quer que seja. Mas não temos autorização para ensinar isso a outros como verdade.

Se alguém se aproximar de vocês individualmente, ou os convidar a reuniões muito particulares, alegando ter algum chamado especial, façam o que fizerem, sigam o conselho de Paulo — "destes afasta-te".

Podem alegar revelações e chamados especiais. Podem alegar visões e visitações. Mas onde, digam-me, podem alegar o voto de apoio dos membros? Na revelação sobre organização e governo da Igreja, dada em 1830, o Senhor disse:

"Nenhuma pessoa deve ser ordenada para qualquer ofício nesta igreja, onde houver um ramo devidamente organizado, sem o voto daquela igreja." ([D&C 20:65].)

Há outra área em que a cautela significa segurança. Há alguns que, motivados por uma influência ou outra, buscam, por meio de escritos e publicações de críticas e interpretações da doutrina, tornar o evangelho mais aceitável para as chamadas pessoas pensantes do mundo.

Fariam bem em ler com muita atenção a parábola da árvore da vida, no oitavo capítulo de 1 Néfi, e ponderar com muita seriedade o versículo vinte e oito:

"E depois" [ou seja, depois que já eram membros da Igreja] depois "de terem provado do fruto, ficaram envergonhados, por causa dos que zombavam deles, e desviaram-se por caminhos proibidos e perderam-se." ([1 Néfi 8:28]; itálico acrescentado.)

Se seu espírito for puro e seus motivos, dignos, não farão mal nem a si mesmos nem a outros. Se não forem, todos nós faríamos bem em seguir a admoestação de Paulo e "destes afasta[r-nos]".

Vi outra coisa na parede daquela pequena capela em Huacuyo. Era um cartaz impresso de modo rústico. Não pude conter as lágrimas ao ler o título "preparacion para ser estaca" — preparação para se tornar estaca.

Seguia-se uma lista de qualificações para uma estaca de Sião. Uma estaca de Sião ali, no povoado mais remoto no topo da Cordilheira dos Andes? Ah, sim! Isso acontecerá um dia. E, quando acontecer, um de nós estará lá para conferir autoridade aos líderes. Quando uma estaca de Sião for organizada em qualquer lugar da terra, um homem sentado nesta tribuna deverá estar lá para conferir as chaves de presidência. Somente daqueles que têm autoridade e de quem a igreja sabe que têm autoridade eles podem recebê-las. Há ainda outra testemunha. Qualquer alma que busca — qualquer membro — tem o direito de saber, pelo dom do Espírito, a respeito do chamado de nossos líderes.

Em certa ocasião, eu estava organizando uma nova estaca na Ilha de Upolu, em Samoa. Como é costume, estávamos conduzindo entrevistas com líderes locais do sacerdócio, pedindo a cada um que sugerisse alguns nomes de irmãos de estatura para serem considerados a um chamado.

Um digno presidente de ramo havia caminhado desde o outro lado da ilha. Ele se pôs de pé diante de nós, de camisa branca e gravata, com uma lavalava, ou saiote, amarrada à cintura. Não usava sapatos; nunca havia possuído sapatos.

Pedi nomes. Ele deu apenas um: "O Bispo Iono será nosso presidente de estaca." Ele estava certo, pois isso já havia sido revelado a mim. Mas eu não sentia que ele devesse fazer o anúncio.

Então pedi outros nomes, pois também precisávamos chamar conselheiros e outras pessoas. Ele respondeu, erguendo o dedo: "Apenas um nome." "Mas," eu disse, "suponha que ele não pudesse servir, o senhor não gostaria de indicar outros?" Este humilde presidente do sacerdócio então me fez uma pergunta: "Irmão Packer, o senhor está me pedindo para ir contra o testemunho do Espírito?"

Que maravilha! Este homem admirável me lembrara de que cada membro da Igreja, em oração, pode receber a confirmação de que o quinto Artigo de Fé foi honrado.

"Cremos que um homem [e isso se aplica igualmente às irmãs] deve ser chamado de Deus, por profecia, e pela imposição de mãos daqueles que estão em autoridade, para pregar o Evangelho e administrar em suas ordenanças."

Em certa ocasião, Karl G. Maeser liderava um grupo de jovens missionários através dos Alpes. Ao chegarem ao cume, ele olhou para trás e viu uma fileira de gravetos fincados na neve, marcando o único caminho seguro através da geleira, que de outro modo seria traiçoeira.

Detendo o grupo de missionários, apontou para os gravetos e disse: "Irmãos, ali está o sacerdócio [de Deus]. São apenas gravetos comuns, como todos nós... mas a posição que ocupam os torna o que são para nós. Se saírmos do caminho que marcam, estaremos perdidos." (Em Alma P. Burton, Karl G. Maeser, Mormon Educator, Salt Lake City: Deseret Book Co., 1953, p. 22.)

Embora nenhum de nós seja perfeito, a Igreja avança, liderada por pessoas comuns.

O Senhor prometeu:

"Se meu povo der ouvidos à minha voz, e à voz de meus servos que designei para guiar meu povo, eis que, em verdade vos digo, não serão removidos do seu lugar.

"Mas se não derem ouvidos à minha voz, nem à voz desses homens que designei, não serão abençoados." ([D&C 124:45–46].)

Testifico, irmãos e irmãs, que os líderes da Igreja foram chamados de Deus pela autoridade apropriada, e que é sabido pela Igreja que eles têm essa autoridade e foram devidamente ordenados pelos dirigentes regularmente ordenados da Igreja. Se os seguirmos, seremos salvos. Se nos afastarmos deles, certamente nos perderemos. Isso é verdade para os líderes de fileira ao longo de toda a hierarquia da Igreja, os dirigentes de quóruns e alas, de estacas e missões, e do profeta, que está à cabeça da Igreja.

Apoio o Presidente Spencer W. Kimball como profeta de Deus. Sei que ele é o profeta de Deus. Sei que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e por Sua ordem, e em Sua ordem, a Igreja avança em nossa geração. Em nome de Jesus Cristo, amém.

Como citar este discursoBoyd K. Packer, “Destes Afasta-te”, Conferência Geral de Abril de 1985, Saturday Afternoon Session (1985-04-01). Pulpit Vault, 1985-04-packer-from-such-turn-away. Tradução desta edição, por método de glossário, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).