Tomar sobre Nós o Nome de Jesus Cristo
Dallin H. Oaks
Neste Domingo de Páscoa, regozijamo-nos na ressurreição de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Este é um dia sagrado para toda a cristandade. Incontáveis cristãos comparecem a cultos de adoração neste dia para participar do sacramento da Ceia do Senhor, a que muitos chamam de comunhão. (Ver [1 Coríntios 10:16].) ¶
Os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias recebem o mandamento de participar do sacramento todas as semanas. (Ver [D&C 59:9, 12].) Ao fazê-lo, testificam a Deus, o Pai Eterno, conforme declarado na oração sobre o pão, que estão "dispostos a tomar sobre si o nome de teu Filho, e recordá-lo sempre e guardar os mandamentos que ele lhes deu". ([D&C 20:77]; [Morôni 4:3].) Devemos refletir sobre esses convênios sagrados durante o culto sacramental. ¶
Neste Domingo de Páscoa, é apropriado refletir sobre o que significa participar do sacramento. Concentrar-me-ei no primeiro desses solenes "testemunhos" a Deus, o Pai Eterno: de que estamos dispostos a tomar sobre nós o nome de Seu Filho. O que isso significa? ¶
Nosso testemunho de que estamos dispostos a tomar sobre nós o nome de Jesus Cristo tem vários significados diferentes. Alguns desses significados são óbvios e estão bem ao alcance da compreensão de nossos filhos. Outros só são evidentes para os que pesquisaram as escrituras e refletiram sobre as maravilhas da vida eterna. ¶
Um dos significados óbvios renova uma promessa que fizemos quando fomos batizados. Seguindo o padrão das escrituras, as pessoas que são batizadas "testificam perante a igreja que verdadeiramente se arrependeram de todos os seus pecados e estão dispostas a tomar sobre si o nome de Jesus Cristo, tendo o firme propósito de servi-lo até o fim". ([D&C 20:37]; ver também [2 Néfi 31:13]; [Morôni 6:3].) Quando participamos do sacramento, renovamos esse convênio e todos os outros convênios que fizemos nas águas do batismo. (Ver Joseph Fielding Smith, Doctrines of Salvation, comp. Bruce R. McConkie, 3 vols., Salt Lake City: Bookcraft, 1954–56, 2:341, 346.) ¶
Como segundo significado óbvio, tomamos sobre nós o nome de nosso Salvador quando nos tornamos membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Por Seu mandamento, esta igreja leva Seu nome. (Ver [D&C 115:4]; [3 Néfi 27:7–8].) Todo membro, jovem ou idoso, é membro da "família de Deus". ([Efésios 2:19].) Como verdadeiros crentes em Cristo, como cristãos, tomamos com alegria Seu nome sobre nós. (Ver [Alma 46:15].) Como o Rei Benjamim ensinou a seu povo: "Por causa do convênio que fizestes sereis chamados progênie de Cristo, filhos e filhas dele, porque eis que neste dia ele vos gerou espiritualmente." ([Mosias 5:7]; ver também [Alma 5:14]; [36:23–26].) ¶
Também tomamos sobre nós o nome de Jesus Cristo sempre que proclamamos publicamente nossa crença nEle. Cada um de nós tem muitas oportunidades de proclamar nossa crença a amigos e vizinhos, colegas de trabalho e conhecidos casuais. Como o apóstolo Pedro ensinou aos santos de sua época, devemos "santificar o Senhor Deus em [nosso] coração; e estar sempre preparados para responder a qualquer que [nos] perguntar a razão da esperança que há em [nós]". ([1 Pedro 3:15].) Nisso, guardamos o mandamento moderno: "Tomai sobre vós o nome de Cristo e falai a verdade com seriedade." ([D&C 18:21].) ¶
Um terceiro significado apela à compreensão daqueles maduros o bastante para saber que um seguidor de Cristo é obrigado a servi-Lo. Muitas referências das escrituras ao nome do Senhor parecem ser referências à obra de Seu reino. Assim, quando Pedro e os demais Apóstolos foram açoitados, regozijaram-se "de terem sido julgados dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus". ([Atos 5:41].) Paulo escreveu a certos membros que haviam ministrado aos santos que o Senhor não Se esqueceria do trabalho de amor que eles haviam "mostrado para com o seu nome". ([Hebreus 6:10].) Segundo esse significado, ao testificarmos nossa disposição de tomar sobre nós o nome de Jesus Cristo, sinalizamos nossa disposição de realizar a obra de Seu reino. ¶
Nesses três significados relativamente óbvios, vemos que tomamos sobre nós o nome de Cristo quando somos batizados em Seu nome, quando pertencemos à Sua Igreja e professamos nossa crença nEle, e quando realizamos a obra de Seu reino. ¶
Há também outros significados, significados mais profundos que os membros mais maduros da Igreja deveriam compreender e ponderar ao participarem do sacramento. ¶
É significativo que, quando participamos do sacramento, não testificamos que tomamos sobre nós o nome de Jesus Cristo. Testificamos que estamos dispostos a fazê-lo. (Ver [D&C 20:77].) O fato de testificarmos apenas nossa disposição sugere que algo mais deve acontecer antes que de fato tomemos esse nome sagrado sobre nós no sentido mais importante. ¶
Que evento ou eventos futuros esse convênio poderia contemplar? As escrituras sugerem duas possibilidades sagradas: uma relacionada à autoridade de Deus, especialmente exercida nos templos, e a outra — intimamente relacionada — à exaltação no reino celestial. ¶
O nome de Deus é sagrado. A Oração do Senhor começa com as palavras: "Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome." ([Mateus 6:9].) Do Sinai veio o mandamento: "Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão." ([Êxodo 20:7], [Deuteronômio 5:11].) A revelação dos últimos dias equipara isso ao uso do nome de Deus sem autoridade. "Portanto, que todos os homens se acautelem de como tomam meu nome em seus lábios", declara o Senhor numa revelação moderna, pois "muitos há que... usam o nome do Senhor e usam-no em vão, não tendo autoridade". ([D&C 63:61–62].) ¶
Coerentes com essas referências, muitas escrituras que se referem ao "nome de Jesus Cristo" são claramente referências à autoridade do Salvador. Foi certamente esse o significado transmitido quando os setenta relataram a Jesus que "em teu nome, até os demônios se nos sujeitam". ([Lucas 10:17].) Doutrina e Convênios emprega esse mesmo significado ao descrever os Doze Apóstolos desta dispensação como "aqueles que desejam, de todo coração, tomar sobre si o meu nome". ([D&C 18:27].) Os Doze são mais tarde designados como "testemunhas especiais do nome de Cristo no mundo todo", e como aqueles que "oficiam em nome do Senhor, sob a direção da Presidência da Igreja". ([D&C 107:23, 33].) ¶
A título de ilustração adicional, o Velho Testamento contém dezenas de referências ao nome do Senhor num contexto em que claramente significa a autoridade do Senhor. A maioria dessas referências diz respeito ao templo. ¶
Quando os filhos de Israel ainda estavam do outro lado do Jordão, o Senhor lhes disse que, quando entrassem na terra prometida, haveria um lugar onde o Senhor seu Deus "fa[ria] habitar o seu nome". ([Deuteronômio 12:11]; ver também [Deuteronômio 14:23–24]; [16:6].) Repetidas vezes, em revelações subsequentes, o Senhor e Seus servos se referiram ao futuro templo como uma casa para "o nome" do Senhor Deus de Israel. (Ver [1 Reis 3:2]; [5:5]; [8:16–20, 29, 44, 48]; [1 Crônicas 22:8–10, 19]; [29:16]; [2 Crônicas 2:4]; [6:5–10, 20, 34, 38].) Depois que o templo foi dedicado, o Senhor apareceu a Salomão e lhe disse que havia santificado o templo "para pôr ali o meu nome para sempre". ([1 Reis 9:3]; [2 Crônicas 7:16].) ¶
De modo semelhante, em revelações modernas o Senhor se refere aos templos como casas edificadas "para o meu santo nome". ([D&C 124:39]; [105:33]; [109:2–5].) Na oração dedicatória inspirada do Templo de Kirtland, o Profeta Joseph Smith pediu ao Senhor uma bênção sobre "teu povo, sobre quem se colocará teu nome nesta casa". ([D&C 109:26].) ¶
Todas essas referências a templos antigos e modernos como casas para "o nome" do Senhor obviamente envolvem algo muito mais significativo do que uma mera inscrição de Seu nome sagrado na estrutura. As escrituras falam de o Senhor colocar Seu nome num templo porque Ele concede autoridade para que Seu nome seja usado nas ordenanças sagradas daquela casa. Esse é o significado da referência do Profeta ao Senhor colocar Seu nome sobre Seu povo naquela casa santa. (Ver [D&C 109:26].) ¶
A disposição de tomar sobre nós o nome de Jesus Cristo pode, portanto, ser entendida como disposição de tomar sobre nós a autoridade de Jesus Cristo. Segundo esse significado, ao participarmos do sacramento testificamos nossa disposição de participar das ordenanças sagradas do templo e de receber as maiores bênçãos disponíveis por meio do nome e pela autoridade do Salvador, quando Ele escolher concedê-las a nós. ¶
Outro acontecimento futuro que podemos antecipar quando testificamos nossa disposição de tomar sobre nós esse nome sagrado diz respeito ao nosso relacionamento com nosso Salvador e às incompreensíveis bênçãos disponíveis para aqueles que serão chamados por Seu nome no último dia. ¶
O Rei Benjamim disse a seu povo: "Não haverá outro nome dado, nem outro caminho ou meio pelo qual a salvação possa vir aos filhos dos homens, senão em e por meio do nome de Cristo, o Senhor Onipotente." ([Mosias 3:17]; ver também [2 Néfi 31:21].) Pedro proclamou "o nome de Jesus Cristo, o Nazareno" aos líderes dos judeus, declarando que "em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos". ([Atos 4:10, 12]; ver também [D&C 18:21].) ¶
As escrituras proclamam que o sacrifício expiatório do Salvador foi por aqueles que "creem em seu nome". Alma ensinou que Jesus Cristo, o Filho, o Unigênito do Pai, viria "para tirar os pecados do mundo, sim, os pecados de todos os que creem firmemente em seu nome". ([Alma 5:48]; [9:27]; [11:40]; [Helamã 14:2].) Nas palavras do Rei Benjamim: "Aquele que fizer isto se encontrará à mão direita de Deus, porque saberá o nome pelo qual é chamado; porque será chamado pelo nome de Cristo." ([Mosias 5:9].) ¶
Assim, aqueles que exercem fé no nome sagrado de Jesus Cristo, arrependem-se de seus pecados e entram em Seu convênio e guardam Seus mandamentos (ver [Mosias 5:8]) podem reivindicar o sacrifício expiatório de Jesus Cristo. Aqueles que assim fizerem serão chamados por Seu nome no último dia. ¶
Quando o Salvador ensinou os nefitas depois de Sua ressurreição, Ele se referiu à declaração das escrituras de que "deveis tomar sobre vós o nome de Cristo". Ele explicou: "Porque por esse nome sereis chamados no último dia; e todo aquele que tomar sobre si o meu nome e perseverar até o fim, será salvo no último dia." ([3 Néfi 27:5–6].) Esse mesmo ensinamento é repetido numa revelação moderna, que acrescenta a advertência de que "se não sabem o nome pelo qual são chamados, não podem ter lugar no reino de meu Pai". ([D&C 18:25]; ver também [Alma 5:38].) ¶
O Livro de Mórmon explica o significado de sermos chamados pelo nome de Jesus Cristo. Quando o Salvador mostrou Seu corpo de espírito ao irmão de Jarede, Ele Se apresentou como o Pai e o Filho, declarando que, por meio de Seu sacrifício redentor, toda a humanidade que cresse em Seu nome teria a vida eterna por meio dEle, "e tornar-se-ão meus filhos e minhas filhas". ([Éter 3:14].) Abinádi disse dos que criam no Senhor e esperavam dEle a remissão de seus pecados "que estes são a sua semente, ou seja, os herdeiros do reino de Deus". ([Mosias 15:11].) Ele continuou essa explicação da seguinte forma: ¶
"Estes são aqueles cujos pecados ele tomou sobre si; estes são aqueles por quem ele morreu, para redimi-los de suas transgressões. E agora, não são eles sua semente?" ([Mosias 15:12].) ¶
Falando por intermédio do profeta Alma, o Senhor explicou o significado desse relacionamento: "Em meu nome eles são chamados; e se me conhecerem, levantar-se-ão e terão um lugar à minha mão direita, eternamente." ([Mosias 26:24].) ¶
Nessas grandes escrituras do Livro de Mórmon, aprendemos que aqueles qualificados pela fé, pelo arrependimento e pela observância das leis e ordenanças do evangelho terão seus pecados suportados pelo Senhor Jesus Cristo. Em termos espirituais e figurativos, tornar-se-ão filhos e filhas de Cristo, herdeiros de Seu reino. São estes que serão chamados por Seu nome no último dia. ¶
Segundo esse significado, quando testificamos nossa disposição de tomar sobre nós o nome de Jesus Cristo, estamos sinalizando nosso compromisso de fazer tudo o que pudermos para alcançar a vida eterna no reino de nosso Pai. Estamos expressando nossa candidatura — nossa determinação de nos empenharmos por — a exaltação no reino celestial. ¶
Aqueles que forem considerados dignos de tomar sobre si o nome de Jesus Cristo no último dia são descritos nas grandes revelações registradas nas seções noventa e três e setenta e seis de Doutrina e Convênios. Aqui o Salvador revelou a Joseph Smith que, no devido tempo, se guardarmos os mandamentos de Deus, poderemos receber a "plenitude" do Pai. ([D&C 93:19–20].) Aqui o Salvador testifica que "todos os que são gerados por meu intermédio são participantes da mesma glória [do Pai] e são a igreja do Primogênito". ([D&C 93:22].) "Estes são aqueles em cujas mãos o Pai colocou todas as coisas... Portanto, como está escrito, eles são deuses" que "habitarão na presença de Deus e seu Cristo para todo o sempre". ([D&C 76:55, 58, 62].) "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." ([João 17:3]; ver também [D&C 88:4–5].) Este é o significado supremo de tomar sobre nós o nome de Jesus Cristo. ¶
Quando o sacerdote oferece a oração das escrituras sobre o pão à mesa sacramental, ele ora para que todos os que participarem possam "testifica[r]" a Deus, o Pai Eterno, "que estão dispostos a tomar sobre si o nome de teu Filho". ([D&C 20:77]; [Morôni 4:3].) Esse testemunho tem vários significados diferentes. ¶
Ele nos leva a renovar o convênio que fizemos nas águas do batismo de tomar sobre nós o nome de Jesus Cristo e de servi-Lo até o fim. Também tomamos sobre nós Seu nome quando professamos publicamente nossa crença nEle, quando cumprimos nossas obrigações como membros de Sua Igreja e quando realizamos a obra de Seu reino. ¶
Mas há algo além desses significados familiares, porque o que testificamos não é que tomamos sobre nós Seu nome, mas que estamos dispostos a fazê-lo. Nesse sentido, nosso testemunho se refere a algum evento ou status futuro cuja obtenção não é autoconcedida, mas depende da autoridade ou iniciativa do próprio Salvador. ¶
As referências das escrituras ao nome de Jesus Cristo com frequência significam a autoridade de Jesus Cristo. Nesse sentido, nossa disposição de tomar sobre nós Seu nome sinaliza nossa disposição de tomar sobre nós a autoridade de Jesus Cristo nas ordenanças sagradas do templo, e de receber as maiores bênçãos disponíveis por meio de Sua autoridade, quando Ele escolher concedê-las a nós. ¶
Por fim, nossa disposição de tomar sobre nós o nome de Jesus Cristo afirma nosso compromisso de fazer tudo o que pudermos para sermos contados entre aqueles que Ele escolherá para ficar à Sua direita e serem chamados por Seu nome no último dia. Nesse sentido sagrado, nosso testemunho de que estamos dispostos a tomar sobre nós o nome de Jesus Cristo constitui nossa declaração de candidatura à exaltação no reino celestial. A exaltação é a vida eterna, "o maior de todos os dons de Deus". ([D&C 14:7].) ¶
É nisso que devemos refletir enquanto participamos dos emblemas sagrados do sacramento. Ao fazê-lo, glorificamo-nos na missão do Senhor ressuscitado, que viveu, ensinou, sofreu, morreu e ressuscitou para que toda a humanidade pudesse ter a imortalidade e a vida eterna. Disto testifico, no sagrado nome do Senhor Jesus Cristo, de quem sou testemunha, amém. ¶