Pulpit

O Grande Plano do Deus Eterno

Neal A. Maxwell

Conferência Geral de Abril de 1984·Saturday Afternoon Session·1984-04-01

Minhas boas-vindas públicas e calorosas ao Élder Nelson e ao Élder Oaks, amigos seletos de muitos anos, ao entrarem agora numa amizade ainda mais profunda.

Uma das grandes bênçãos decorrentes das crescentes revelações dos últimos dias é a estrutura doutrinária essencial conhecida como o maravilhoso plano de salvação, o plano de felicidade, ou o plano de misericórdia. (Ver Alma 42:5, 8, 15.) Seja qual for a designação, ele representa o que Amuleque chamou de "o grande plano do Deus Eterno", sem o qual a humanidade inevitavelmente pereceria. (Alma 34:9.)

O plano é um exemplo deveras impressionante da preciosa perspectiva do evangelho de Jesus Cristo. Além disso, a plena fé no Senhor Jesus Cristo inclui e requer plena fé no plano de salvação de Seu Pai.

O Presidente Brigham Young declarou: "O Espírito de revelação deve estar em cada indivíduo, para conhecer o plano de salvação e permanecer no caminho que o leva à presença de Deus." (Journal of Discourses, 9:279.)

Tão vital é essa estrutura que, se alguém permanece ou se afasta dela, arrisca-se ao provincianismo e à miséria. Na verdade, a maior parte da miséria humana representa ignorância ou não cumprimento do plano. A cessação desse sofrimento mortal não virá sem o cumprimento dele. Por isso, o Senhor, que compartilhou livremente esse conhecimento vital conosco, nos exortou a ensinar os fundamentos deste plano "liberalmente". (Moisés 6:58.)

No centro do plano do Pai está Jesus Cristo, o Redentor da humanidade. No entanto, como foi previsto, muitos julgam Jesus "como uma coisa sem valor" (1 Néfi 19:9), ou "consideram-no" apenas "um homem". (Mosias 3:9.) Quer outros neguem ou limitem Jesus, para nós Ele é nosso Senhor e Salvador! Comparativamente, irmãos e irmãs, importa muito pouco o que as pessoas pensam de nós, mas importa muito o que pensamos d'Ele. Importa muito pouco, também, quem os outros dizem que somos; o que importa é quem dizemos que Jesus é. (Ver Mateus 16:13-17.)

Por exemplo, não apreciamos apenas a elevada divindade de Jesus Cristo, mas também Sua impressionante mobilidade e a amplitude de Seu pastoreio. O Jesus ressuscitado revisitou o cenário do Oriente Médio, palco de Seu messianismo mortal. Depois, algumas almas nas Américas. (Ver 3 Néfi 11.) E, então, Suas outras ovelhas perdidas. (Ver 3 Néfi 17:4.)

Em Seu plano desinteressado, o Senhor nada faz senão para o benefício dos filhos dos homens. (Ver 2 Néfi 26:24.) Ele trabalha, amorosa e constantemente, como declararam Moisés e Jeremias, "para o nosso eterno bem". (Deuteronômio 6:24; ver também Jeremias 32:38-40.) Em Seu grandioso desígnio, Sua "obra" e Sua "glória" são "levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem". (Moisés 1:39.) Assim, mesmo quando verdadeiramente aprendemos a amar a Deus, devemos reconhecer com humildade que Ele nos amou primeiro. (Ver 1 João 4:19.)

Entrementes, Shakespeare não estava muito longe da verdade ao escrever: "Todo o mundo é um palco." (As You Like It, ato 2, cena 7.) Mas não para representações teatrais!

A própria palavra plano confirma o propósito paternal de Deus, uma percepção tão desesperadamente necessária aos confusos e desesperançados no palco do mundo.

O "plano de felicidade" não apenas assegura a imortalização de nossas identidades individuais, mas pode produzir indivíduos melhores e renascidos. Apropriadamente, um profeta grato declarou: "Oh, quão grande é o plano de nosso Deus!" (2 Néfi 9:13.) Enoque chorou ao ver o curso da história e a desnecessária miséria humana. (Ver Moisés 7:41.) Mas ele também viu o triunfo do plano de Deus. Outro profeta exclamou: "Deus... deu-nos a conhecer estas coisas, a fim de não perecermos... porque ama nossa alma... portanto, em sua misericórdia ele nos visita por meio de seus anjos, para que o plano de salvação nos seja revelado." (Alma 24:14.)

Foram necessárias visitas de anjos também em nossos dias, para nos instruir novamente a respeito do plano de salvação de Deus e nos reassegurar de que a mortalidade não é um vasto e conclusivo mausoléu, e de que a morte não é extinção.

Alma enfrentou um momento terrível e angustiante quando sentiu que poderia realmente "ser aniquilado em corpo e alma". (Alma 36:15.) Então ele se lembrou das profecias de seu pai "sobre a vinda de um Jesus Cristo, um Filho de Deus, para expiar os pecados do mundo". (Alma 36:17.) Num momento de profunda humildade intelectual, sua "mente se fixou nesse pensamento". Surgiu, então, o grande clamor da alma de Alma: "Ó Jesus, tu que és Filho de Deus, tem misericórdia de mim"! (Alma 36:18.)

O propósito substituiu a dor. A alegria consumiu o desespero quando Alma, ao que tudo indica, viu Deus em Seu trono, e desejou juntar-se a Deus! (Ver Alma 36:22.)

Esse anseio por um lar celestial é real, especialmente considerando como esta vida foi planejada. Afinal, irmãos e irmãs, quando nos alegramos com cenários belos, grande arte e grande música, é apenas o exercício de instintos adquiridos em outro lugar e em outro tempo.

A vida, porém, revela-se exatamente aquilo que se esperaria de uma experiência de provação e ensino deliberadamente construída, que apresenta oportunidades, escolhas e privações. Além disso, não há como contorná-la — o único caminho é atravessá-la!

E que "travessia" é essa!

Ainda assim, para nós, mortais propensos ao erro, esse plano de misericórdia prevê o reconhecimento e a correção do erro, e a retomada do desenvolvimento individual interrompido.

Provisões redentoras e refinadoras são dadas: para um corajoso Pedro que vacila e afunda nas ondas revoltas — e, ainda assim, sabendo a quem recorrer para viver, clama: "Senhor, salva-me." (Mateus 14:30.) Para um manso Moisés lutando com o povo, cansado e sobrecarregado por todos os fardos da liderança. (Ver Números 11:11, 14, 29.) Para um Jonas que buscava substituir Társis, mas ainda assim chegou a Nínive e, com isso, recebeu uma grande lição de compaixão. Para os desviados Oliver Cowdery, Martin Harris e Thomas B. Marsh recuperarem o equilíbrio espiritual e votarem com os próprios pés, viajando para o oeste a fim de se reunirem, em reconciliação, e apoiarem o plano e os profetas dos últimos dias que o anunciam.

Por isso, irmãos e irmãs, para os fiéis, nossas melhores horas às vezes ocorrem durante ou logo depois de nossas horas mais sombrias.

É uma ironia inacreditável, portanto, que alguns tentem, queixosamente, usar o próprio processo de ensino do Senhor contra Ele. Ou se ressintam da realidade de que devemos caminhar pela fé durante esta experiência mortal. No entanto, como disse o prático e espiritual Presidente Brigham Young: "Não há fé salvadora apenas em... reconhecer um fato." (Discourses of Brigham Young, sel. John A. Widtsoe, Salt Lake City: Deseret Book Co., 1941, p. 154.)

Além disso, como esta vida é uma experiência tão breve, deve haver rotas de saída regulares. Algumas fáceis. Algumas difíceis. Algumas repentinas. Outras demoradas. Portanto, não podemos presumir, mesmo pela fé, bloquear todas essas saídas, o tempo todo, para todas as pessoas. Nem, se possuíssemos plena perspectiva eterna, desejaríamos fazê-lo.

Uma vez que certas recordações nos são vedadas, não vemos agora o fim desde o princípio. Mas Deus vê. Enquanto isso, estamos naquilo que se poderia chamar de "o obscuro meio-termo". Ali, porém, ainda podemos verdadeiramente saber que Deus nos ama, individual e perfeitamente, mesmo quando nem sempre conseguimos explicar o significado de tudo o que nos acontece ou ao nosso redor. (Ver 1 Néfi 11:17.)

Encerrados neste casulo mortal, ou sala de aula, seríamos totalmente provincianos em nossa perspectiva, não fosse a fé e o conhecimento do "grande plano do Deus Eterno".

Por isso, as doutrinas de Cristo referentes ao plano de salvação permanecem como escrituras sentinelas, a marcar e iluminar o caminho. As balaustradas do evangelho margeiam o caminho estreito e apertado para nos firmar, nos incitar e até mesmo nos abalar, por causa de nossa segurança espiritual!

Muito mais do que uma questão de teologia abstrata, esse grande plano pode dar foco à vida diária. Suas verdades são cruciais para a forma como nos vemos, vemos os outros, a vida, o Senhor, e até mesmo o universo. Ou como vemos um bebê. Ou a morte. Ou os louvores e as honras do mundo. Esse plano constitui o filão principal de significado e pode nos amparar, conceitualmente, em meio a qualquer preocupação.

Suas verdades e perspectivas nos permitem distinguir entre um grande livro e meros classificados, entre vingança e justiça, fúria e justa indignação, e prazer e felicidade.

Com o entendimento do plano de salvação de Deus, sabemos que a alegria, o esforço, o sofrimento, o ensino e as experiências de perseverança da vida desempenham todos o seu papel num processo inteligível que nos ajuda, se assim o quisermos, a nos tornarmos, como o Salvador convidou de modo tão atraente, "mesmo como eu sou". (3 Néfi 27:27.)

Esse desenvolvimento individual às vezes requer a marcha de um Acampamento de Sião, ou uma árdua jornada como a do Hole in the Rock, ou salas de aula especiais como os povoados do norte do México, nos quais se formaram indivíduos especiais. Esses episódios, porém, nada tinham a ver com bens imóveis, mas tudo a ver com nosso segundo estado!

Por isso, ao nos submetermos consciente e mansamente a esse plano, não podemos dizer ao Senhor que estamos dispostos a nos entregar, mas apenas em nossos próprios termos. Não há condições numa rendição incondicional!

Mesmo com toda a sua consistência interna, porém, o plano não pode trazer verdadeira felicidade a ninguém cuja vida seja grosseiramente inconsistente com seus padrões. Ele não pode envolver plenamente aquele que está demasiado preocupado em ser enganado. Não há lugar de honra para quem está demasiado preocupado em perder seu lugar na sinagoga secular. (Ver João 12:42-43.)

Embora o plano reflita um Pai e um Salvador que se importam conosco, os que creem no plano não estão automaticamente imunes aos cuidados absorventes do mundo.

O plano dá notável ênfase à liberdade humana presente de escolher. (Ver 2 Néfi 2:27.) No entanto, algumas de nossas circunstâncias atuais podem refletir acordos anteriores, hoje esquecidos, mas que outrora foram feitos livremente.

O plano sempre aponta o caminho, mas nem sempre suaviza o caminho, já que o desenvolvimento individual requer "oposição em todas as coisas". (2 Néfi 2:11.)

O Senhor nos dará a necessária confirmação intelectual e espiritual a respeito de Seu plano, mas em Seus termos e à Sua maneira.

"Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo." (João 7:17.)

Verdadeiramente, de todos os erros que os mortais poderiam cometer, o plano de salvação de Deus é o assunto errado para se estar errado!

Nenhum erro poderia ser mais enorme ou mais eterno em suas consequências!

Não é de admirar que esta Igreja e seu povo cheguem a tais extremos e despesas para compartilhar a plenitude do evangelho referente a esse plano.

Não é de admirar que o Senhor queira que o plano seja ensinado de forma simples e repetida.

E por que não? É o plano de Deus — não o nosso! E, dados os resultados nada impressionantes dos planos do homem para resolver os problemas do mundo, não estamos contentes com isso! Além disso, de todas as coisas sobre as quais poderíamos conversar, como escreveu Jacó, "por que não falar da expiação de Cristo?" (Jacó 4:12.) Por que não, irmãos e irmãs? Esse acontecimento se arqueia sobre toda a história humana, à medida que um Deus Redentor e um Filho Salvador avançaram com o grande plano de felicidade. Sim, no plano, Deus quer que sejamos felizes, mas primeiro tivemos de ser livres para escolher.

O dom que Deus nos deu desse arbítrio moral nos revela coisas maravilhosas sobre Seus propósitos benéficos e formativos. O abuso que fazemos desse arbítrio nos revela coisas terríveis sobre nós mesmos!

No entanto, neste palco mortal, vemos grandes momentos de misericórdia, comoventes celebrações de compaixão, notável abnegação e um heroísmo quieto e constante entre pessoas de todos os credos, cores e culturas.

Isso não deveria nos surpreender. Afinal, de quem somos filhos espirituais? (Ver Hebreus 12:9.)

Por isso, não é de surpreender que esta escola mortal produza alguns triunfos elevados, mas também uma história repleta de erros individuais. Mas não devemos culpar a escola, nem o currículo! E, muito menos, o Mestre-Escola! Além disso, não ousamos dar-Lhe lições sobre a situação de Seus alunos!

Entrementes, irmãos e irmãs, ninguém jamais nos prometeu que o discipulado nos últimos dias seria um piquenique no parque.

Períodos de tribulação do passado podem nos orientar. Quando a vinda anterior de Jesus era iminente, os sinais abundavam. Ainda assim, para alguns, houve "dúvidas". (3 Néfi 8:4.) Mas os fiéis prevaleceram e foram justificados.

Havia detratores decididos naquela época, zombando da fé dos crentes, criando brevemente "um grande tumulto", chegando até a se alegrarem com a aparente perspectiva de que a fé dos seguidores de Cristo seria em vão. (Ver 3 Néfi 1:5-7.) Não foi. Os membros mantiveram a fé, e a fé os manteve!

Para os espiritualmente sintonizados de hoje, haverá as mesmas reassegurações, como aconteceu com o jovem servo de Eliseu. Cercado por um inimigo em maior número, o jovem, com razão, buscou reasseguração do profeta e vidente, que lhe disse: "Não temas; porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles." (2 Reis 6:16.) Mas o jovem sabia contar, e, claramente, não lhe parecia ser assim — até que, depois da oração do profeta em seu favor, os olhos do jovem se abriram, e ele viu o monte cheio de cavalos e carros de fogo. (Ver 2 Reis 6:17.)

Tudo estará bem agora, como estava antigamente, porque os guardadores do convênio do Senhor têm Sua reiterada garantia:

"E eles me serão por povo, e eu lhes serei por Deus:

"E eu lhes darei um mesmo coração, e um mesmo caminho, para que me temam para sempre, para o seu bem, e de seus filhos, depois deles:

"E farei com eles um eterno convênio, que não deixarei de segui-los, para lhes fazer bem." (Jeremias 32:38-40.)

Assim testifico e asseguro, com autoridade apostólica e em nome sagrado de Jesus Cristo, amém.

Como citar este discursoNeal A. Maxwell, “O Grande Plano do Deus Eterno”, Conferência Geral de Abril de 1984, Saturday Afternoon Session (1984-04-01). Pulpit Vault, 1984-04-maxwell-the-great-plan-of-the-eternal-god. Tradução desta edição, por método de glossário, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).