A Casa do Senhor
Adney Y. Komatsu
Nestes últimos meses vimos a conclusão e a dedicação de vários templos na Igreja — um em Atlanta, na Geórgia; um em Apia, em Samoa; um em Nukualofa, em Tonga; e outro em Santiago, no Chile. Outros estão agora em fase de planejamento e construção, e é claro que muitos já estão em funcionamento em várias partes do mundo. ¶
Sou grato pelo chamado especial que tenho no momento presente de servir como presidente do Templo de Tóquio. É uma alegria e um privilégio conviver com os santos que vêm a esse edifício sagrado para participar das bênçãos ali oferecidas. ¶
Por que a Igreja constrói e mantém templos? ¶
Essa pergunta foi feita pelo empreiteiro do Templo de Tóquio quando ele foi contratado para iniciar aquela construção, há cerca de cinco anos. Ele observou que as religiões budista e xintoísta no Japão constroem muitos santuários e templos, mas era a primeira vez que ouvia falar de uma igreja cristã construindo um templo. As religiões cristãs são conhecidas por construir belas capelas e catedrais, mas ele nunca tinha ouvido falar de um templo cristão antes. De todas as igrejas que professam o cristianismo, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é a única que constrói templos. ¶
Disseram ao empreiteiro que o templo seria um edifício sagrado, uma casa santa, onde a obra gloriosa da salvação dos vivos e dos mortos seria realizada, onde batismos pelos mortos e outras ordenanças seriam executados para unir esposa a marido, filhos a pais, tanto para os vivos como para os mortos, e onde as famílias seriam seladas juntas para o tempo e para toda a eternidade. ¶
A orientação dada ao Profeta Joseph Smith foi clara quando ele recebeu essa revelação em 2 de agosto de 1833, apenas três anos depois de a Igreja ter sido organizada, instruindo que um templo deveria ser construído: ¶
“Em verdade vos digo que é meu desejo que a mim se construa uma casa na terra de Sião, conforme o modelo que vos dei. ¶
“Sim, que se construa rapidamente, com o dízimo de meu povo. ¶
“Eis que este é o dízimo e o sacrifício que eu, o Senhor, exijo de suas mãos — que a mim se construa uma casa para a salvação de Sião — ¶
“Como um lugar de ação de graças para todos os santos e um lugar de instrução para todos aqueles que forem chamados ao trabalho do ministério, em todos os seus diversos chamados e ofícios; ¶
“Para que sejam aperfeiçoados no entendimento de seu ministério, em teoria, em princípio e em doutrina, em todas as coisas concernentes ao reino de Deus na Terra, cujas chaves vos foram conferidas. ¶
“E se meu povo me construir uma casa em nome do Senhor e não permitir que nela entre qualquer coisa impura, de modo que não seja profanada, minha glória descansará sobre ela; ¶
“Sim, e minha presença lá estará, porque entrarei nela; e todos os puros de coração que nela entrarem verão a Deus. ¶
“Mas se for profanada, não entrarei nela e minha glória lá não estará; porque não entrarei em templos impuros.” (D&C 97:10–17.) ¶
Havia muito poucos membros da Igreja nessa época, mas todos eles se sacrificaram grandemente, e o Templo de Kirtland foi concluído e dedicado. O Senhor apareceu em glória e aceitou o templo. Moisés, Elias e Elias, o profeta, também apareceram, cada um para conferir suas chaves e dispensações. (Ver D&C 110.) ¶
Contudo, antes que a obra do templo pudesse realmente começar no Templo de Kirtland, os santos tiveram que fugir dos ataques de arruaceiros. O templo caiu nas mãos de homens perversos e, como foi declarado na revelação, quando foi profanado, foi rejeitado pelo Senhor. Os santos fizeram esforços para construir um templo no Missouri, mas novamente foram forçados a fugir para salvar suas vidas. ¶
Novamente, quase cinco anos depois, o Profeta Joseph Smith recebeu a seguinte revelação: ¶
“Porque não há na Terra um lugar a que ele possa vir e restaurar aquilo que perdestes, ou seja, aquilo que ele tirou, sim, a plenitude do sacerdócio. ¶
“Porque não existe na Terra uma fonte batismal onde eles, os meus santos, possam ser batizados pelos que estão mortos — ¶
“Pois essa ordenança pertence à minha casa, e não me pode ser aceitável, a não ser em dias de penúria, quando não puderdes construir-me uma casa. … ¶
“E em verdade vos digo: Que essa casa seja construída ao meu nome, a fim de que nela eu revele minhas ordenanças a meu povo; ¶
“Pois digno-me revelar à minha igreja coisas que têm sido mantidas ocultas desde antes da fundação do mundo, coisas pertinentes à dispensação da plenitude dos tempos.” (D&C 124:28–30, 40–41.) ¶
Nessa revelação, registrada na seção 124 de Doutrina e Convênios, faz-se referência à “plenitude do sacerdócio”. Qual é o significado disso e como é ela obtida? O Profeta Joseph Smith ensinou: “Se um homem obtém a plenitude do sacerdócio de Deus, ele tem de obtê-la da mesma forma que Jesus Cristo a obteve, e isso foi guardando todos os mandamentos e obedecendo a todas as ordenanças da casa do Senhor.” (Teachings of the Prophet Joseph Smith, sel. Joseph Fielding Smith, Salt Lake City: Deseret Book Co., 1938, p. 308.) ¶
O Presidente Joseph Fielding Smith ensinou ainda: “Se quiserdes a salvação em sua plenitude, isto é, a exaltação no reino de Deus, de modo que possais tornar-vos seus filhos e filhas, tendes de ir ao templo do Senhor e receber essas santas ordenanças que pertencem àquela casa, as quais não podem ser obtidas em nenhum outro lugar. Nenhum homem receberá a plenitude da eternidade, da exaltação, sozinho; nenhuma mulher receberá essa bênção sozinha; mas marido e mulher, quando recebem o poder selador no templo do Senhor, … passarão à exaltação e continuarão e se tornarão semelhantes ao Senhor. E esse é o destino dos homens; é isso que o Senhor deseja para seus filhos.” (Doctrines of Salvation, comp. Bruce R. McConkie, 3 vols., Salt Lake City: Bookcraft, 1954–56, 2:44.) ¶
Fica claro, então, que a menos que vamos ao templo do Senhor e recebamos todas as ordenanças e obedeçamos aos mandamentos, não podemos receber a plenitude das bênçãos do sacerdócio e tampouco podemos receber a exaltação. Essas são bênçãos maravilhosas que se tornaram disponíveis para nós por meio da obra do templo. ¶
Sou membro da Igreja há quase toda a minha vida. Fui batizado aos dezessete anos e ordenado ao Sacerdócio de Melquisedeque aos vinte e um. Ainda jovem, servi em muitas designações e tive muitas boas experiências na Igreja que me ajudaram a aprender muitos conceitos que me foram úteis para edificar minha fé e testemunho. Mas nunca senti que havia completado minha plena condição de membro da Igreja até que levei minha noiva ao templo e recebemos o novo e eterno convênio e as bênçãos e o entendimento da obra realizada ali. ¶
Fui o primeiro membro de minha família a ser batizado na Igreja e assim tenho a responsabilidade de realizar vicariamente a obra do templo por meus antepassados que não tiveram a oportunidade de ouvir o evangelho durante o tempo deles nesta terra. Também tive a responsabilidade de ensinar o evangelho a meus filhos e de incutir em seus corações e mentes a importância da obra do templo. Minha esposa e eu temos quatro filhos, o mais velho dos quais é casado e tem dois filhos — nossos netos, que são muito especiais para nós. Nossos filhos nasceram sob o convênio, e nossos netos também nasceram sob o convênio. O maior presente que eu poderia dar a meus filhos ou netos nesta vida, ou o legado mais valioso que eu poderia deixar-lhes, seria um testemunho da veracidade do evangelho e da importância da genealogia e da obra do templo, que nos une a todos, através das gerações, em amor e em felicidade. ¶
Há muitas pessoas no mundo que viajam grandes distâncias, com grande sacrifício pessoal, para ir ao templo. Sei que nosso Pai Celestial está ciente de seus desejos retos e os abençoa abundantemente por seus esforços. Recentemente, um grupo veio ao Templo de Tóquio, vindo de Okinawa — mil e quatrocentos quilômetros de avião — entre eles um jovem casal que tinha vindo para se casar. Fora necessário todo o dinheiro que puderam economizar para pagar o transporte, e não sobrara nada para uma celebração de casamento ou lua de mel. Quando aqueles que acompanhavam o casal perceberam sua situação, eles vasculharam seus próprios bolsos e contribuíram com o pouco que tinham para que o casal pudesse ter dinheiro para uma deliciosa lua de mel de um dia em Tóquio. O jovem casal não apenas desfrutou das bênçãos do templo, como também apreciou e agradeceu a generosidade e a bondade de seus irmãos e irmãs. Certamente aplicam-se aqui os ensinamentos de Paulo aos santos de Éfeso, quando disse: “Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e da família de Deus.” (Ef. 2:19.) ¶
Tenho um testemunho firme e permanente da importância dessa obra e das bênçãos que ela pode trazer para nossa vida. Expresso gratidão por esse testemunho e pela pequena parte que agora tenho de ensinar genealogia e obra do templo. Que todos sejamos abençoados a receber a plenitude das bênçãos da Casa do Senhor, oro em nome de Jesus Cristo, amém. ¶