Torne-se um Lançador de Estrelas
David B. Haight
Regozijo-me com cada um de vocês, portadores do sacerdócio, reunidos em centenas de capelas ao redor do mundo, sabendo que o que é dito aqui esta noite está em harmonia com o plano de nosso Senhor e Salvador de “levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem” (Moisés 1:39) e ajudará a apressar o cumprimento da profecia antiga e moderna. ¶
Temos uma grande obra que nos foi confiada. Minhas palavras esta noite se concentram em nossos esforços para encontrar e recuperar homens e famílias que se afastaram da participação ativa na Igreja. O coração dedicado e a mente disposta de cada homem e rapaz que está ouvindo esta noite precisam se envolver vigorosamente em sua responsabilidade do sacerdócio de trazer de volta à atividade e à comunhão fraternal os homens e rapazes que classificamos como inativos, aproximando assim o gênero humano da paz e alegria últimas da vida eterna. ¶
Durante o mês passado, recebi duas mensagens muito diferentes entre si. Uma foi um convite formal para comparecer à cerimônia de posse, em Washington, D.C., do mais novo e mais jovem membro do Tribunal Fiscal dos Estados Unidos — uma nomeação feita pelo Presidente dos Estados Unidos, e uma honraria muito prestigiosa. ¶
Poucas horas depois de receber aquele convite, recebi a visita de um policial que perguntava se eu conhecia um certo jovem. Respondi: “Claro que o conheço. Por que a pergunta?” Esse jovem havia indicado ao policial que me conhecia. Ele então me relatou uma história sórdida de drogas, imoralidade, furtos para sustentar o alto custo das drogas, compra de favores sexuais ilícitos e uma vida em pensões baratas. Quando expressei o desejo de ver e ajudar aquele jovem, o policial sugeriu que eu não o visse naquele momento, por causa de sua condição emocional. ¶
As famílias desses dois jovens são bem conhecidas por mim. Quando meninos, eram membros da mesma ala. Ambos receberam o Sacerdócio Aarônico e tiveram os mesmos professores da Escola Dominical. As escrituras, as revistas da Igreja e os manuais de lições estavam disponíveis em seus lares. ¶
Um deles recebeu o Sacerdócio de Melquisedeque, cumpriu uma missão, casou-se no templo e, enquanto cursava a faculdade de direito, serviu num bispado; e agora, o Juiz Stephen Jensen Swift foi honrado por seu governo nacional com a nomeação para um cargo de juiz federal. ¶
O outro jovem nunca mereceu nem obteve as bênçãos prometidas do Sacerdócio de Melquisedeque. Frequentar escolas particulares de primeira linha ofuscou o interesse por uma missão. Nunca se casou, associou-se às pessoas erradas, tornou-se agora um zombador dos princípios do evangelho porque diferem de seu estilo de vida, e é virtualmente um marginalizado da família, da sociedade e da palavra de Deus. O estilo de vida de sua família deixou de incentivá-lo espiritualmente, por sua falta de interesse nas escrituras, nas noites familiares, na oração familiar e pessoal, e por não ouvir em casa testemunhos de crença religiosa. ¶
O Excelentíssimo Juiz Stephen Swift está estabelecendo sua família em Washington, D.C., e aprendendo a se sentir à vontade nas vestes de juiz federal. Ele tem nosso amor, admiração e mais alto respeito. ¶
O outro jovem precisa ainda mais do nosso amor — um amor especial. Tenho fé de que podemos recuperá-lo. Foi de alguém como ele que o Salvador falou: “Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e não vai após a perdida até que venha a achá-la?” (Lucas 15:4.) ¶
Paulo ensinou, pois havia experimentado isso em primeira mão, que “Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. (Gálatas 6:7.) ¶
Os rapazes são semeadores. As moças são semeadoras. Quem treina e orienta esses semeadores? Quem lhes indica qual é o grão certo para colocar na sacola do semeador? Quem lhes ensina como colocar a sacola do semeador sobre os ombros? Quem ensina ao jovem semeador que sai ao campo pela primeira vez se a época é certa, ou até onde espalhar a semente? Espera-se que um pai atencioso, uma mãe amorosa, professores e quóruns, ou outras pessoas queridas guiem seus passos. ¶
“Quando não agimos preventivamente nos primeiros anos”, disse o Presidente Kimball, “mais tarde temos de agir redentivamente, mas com … resultados mais escassos e mais penosos.” (MIA Conference, 23 de junho de 1974, p. 7.) Ao salvarmos nossa juventude, salvamos gerações. ¶
Há uma preocupação incomum sendo expressa pela Primeira Presidência e pelo Quórum dos Doze Apóstolos com o número crescente de homens e rapazes — que têm tanta influência sobre suas esposas e famílias — que agora constam nos relatórios de quóruns e alas como inativos. ¶
Lembramos a todos vocês que— ¶
Todo homem inativo tem um bispo, um presidente de quórum e mestres familiares. ¶
Toda mulher inativa tem um bispo, uma presidente da Sociedade de Socorro e professoras visitantes. ¶
Toda moça inativa tem um bispo e uma presidência das Moças. ¶
Todo rapaz inativo tem um bispo e um presidente de quórum. ¶
E todo membro da Igreja tem um presidente de estaca ou um presidente de missão. ¶
O Presidente Harold B. Lee ensinou: “Não é necessária nenhuma nova organização para cuidar das necessidades deste povo. Tudo o que é necessário é pôr o sacerdócio de Deus para trabalhar.” (In Conference Report, out. de 1972, p. 124.) ¶
A atenção de vocês a essa alarmante tendência de inatividade precisa se tornar agora uma de nossas prioridades mais urgentes. O valor de todas as almas é grande aos olhos de Deus, sejam elas não membros, membros inativos ou membros ativos. ¶
O evangelho nos ensina que todo membro da Igreja tem a obrigação de fortalecer seus semelhantes. O próprio Salvador instruiu o apóstolo Pedro: “Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos.” (Lucas 22:32.) ¶
Diretrizes para os esforços de ativação dos quóruns do Sacerdócio de Melquisedeque já foram entregues aos presidentes de estaca, com as instruções necessárias dos Representantes Regionais. ¶
Para esclarecer e reenfatizar os conceitos fundamentais da participação nos quóruns do Sacerdócio de Melquisedeque e ajudar os quóruns a utilizarem seus recursos humanos, gostaria de ler a seguinte declaração da Primeira Presidência e do Quórum dos Doze. Ela orientará os presidentes de estaca, os bispos e os líderes de quóruns do Sacerdócio de Melquisedeque na organização de esforços locais para alcançar efetivamente seus membros: ¶
“O Senhor deu instrução nas revelações de que os portadores do sacerdócio deveriam ser organizados em quóruns. A presidência do quórum é responsável pela atividade de cada membro do quórum. A instrução familiar, na qual os membros do quórum ‘visitam a casa de cada membro’ (D&C 20:51), é um dos meios mais eficazes pelos quais os membros do quórum são cuidados e fortalecidos. ¶
“O bispo, como sumo sacerdote presidente e presidente do comitê executivo do sacerdócio da ala, que é o comitê de instrução familiar, em consulta com os presidentes de quórum e líderes de grupo do Sacerdócio de Melquisedeque, deve designar as famílias para fins de instrução familiar aos quóruns e grupos. Geralmente, os membros receberão mestres familiares de seus próprios quóruns. Contudo, quando houver uma necessidade especial, os portadores inativos do Sacerdócio de Melquisedeque e os élderes prospectivos e suas famílias poderão ser designados ao quórum ou grupo que puder proporcionar a comunhão fraternal e o ensino mais eficazes. Os mestres familiares se reportarão às suas próprias presidências de quórum ou líderes de grupo. ¶
“Os irmãos que têm talentos especiais para ensinar os inativos devem ser designados pelo bispo como mestres familiares de famílias inativas selecionadas. Quando essas famílias forem trazidas de volta à atividade, esses instrutores poderão então ser designados a trabalhar com outras famílias inativas. ¶
“Quando um élder inativo ou um élder prospectivo que tenha sido designado aos sumos sacerdotes for trazido à reunião do sacerdócio por seu mestre familiar, ele poderá frequentar os grupos de sumos sacerdotes ou de setenta ou o quórum de élderes, dependendo de suas necessidades. O bispo toma essa decisão em consulta com os líderes de quórum e de grupo do Sacerdócio de Melquisedeque. ¶
“Quando for apropriado que um élder prospectivo receba o Sacerdócio de Melquisedeque, ele deverá ser ordenado élder e então se tornar membro do quórum de élderes. A idade não é o fator determinante para as ordenações ao Sacerdócio de Melquisedeque desses irmãos. Os homens são ordenados a ofícios do sacerdócio quando seu chamado assim o exige, por inspiração e de acordo com sua dignidade.” (Ver Ensign, nov. de 1983, p. 92.) ¶
Essa declaração cuidadosamente preparada sobre a participação dos quóruns e dos membros de quórum do Sacerdócio de Melquisedeque tem um único propósito: ajudar os presidentes de estaca, os bispos e os líderes de quóruns do Sacerdócio de Melquisedeque a organizarem seu poder sacerdotal da forma mais produtiva possível para trazer de volta aqueles que se desviaram. ¶
Muitas estacas já implementaram com entusiasmo esforços de ativação, com resultados comovedores. A maioria das alas e estacas da Igreja pode relatar seus próprios sucessos — e são muitos. Os líderes de estaca e de ala sabem o que fazer: instrução familiar inspirada, seminários de preparação para o templo, comunhão fraternal com amor genuíno, designações apropriadas na Igreja — esses são os ingredientes-chave. Precisamos nos organizar e “fazer isso”. ¶
Há dezenas de milhares de boas pessoas que silenciosamente se afastaram e agora esperam uma batida em sua porta. Aqueles que se desviaram precisam experimentar uma conversão doutrinária e uma integração social por meio de alguém que se importe. ¶
Loren Eiseley caminhava por uma praia tempestuosa no final de uma tarde, “com o vento rugindo às suas costas e as gaivotas gritando” acima dele. Os turistas que iam à praia costumavam recolher mariscos e vida marinha jogados à praia todas as noites, fervê-los em grandes caldeirões e levar as conchas para casa como lembrança. Eiseley caminhou por um longo trecho da praia, contornando um promontório, para longe dos coletores, e viu “um arco-íris gigantesco de perfeição incrível”. Em direção ao seu pé, ele “distinguiu uma figura humana … contemplando … algo na areia”. ¶
“Numa poça de areia … uma estrela-do-mar havia erguido rigidamente os braços e mantinha o corpo afastado da lama sufocante. … [“Ainda está viva?”, perguntou Eiseley.] ¶
“‘Sim’”, [disse o homem parado no arco-íris] e, com um movimento rápido … e suave, ele pegou a estrela e a arremessou … para bem longe no mar. ¶
“Ela pode viver”, disse ele, “se a correnteza costa afora for forte o bastante. …” ¶
No início, Eiseley sentiu apenas a futilidade dos esforços do homem, “devolvendo uma estrela de cada vez ao mar, quando este joga centenas delas na praia todas as noites”. Ele se afastou, olhando com tristeza “para os coletores de conchas … [e] os caldeirões fumegantes nos quais … seres sem voz estavam sendo fervidos vivos”. ¶
Na manhã seguinte, Eiseley foi novamente à praia. Mais uma vez, o lançador de estrelas estava lá. “Silenciosamente, [Eiseley] … pegou uma estrela ainda viva, arremessando-a para bem longe, nas ondas. … ‘Eu entendo’, [ele] disse. ‘Chame-me também de lançador [de estrelas].’” ¶
Sobre devolver as estrelas ao oceano, ele escreveu: “Era como uma semeadura — a semeadura da vida numa escala infinitamente gigantesca. …” Ele viu o lançador de estrelas se abaixar e arremessar mais uma vez. Eiseley se juntou a ele. Eles “arremessaram e arremessaram de novo enquanto ao redor [deles] rugiam as águas insaciáveis”. ¶
Eles, “sozinhos e pequenos naquela imensidão, lançavam de volta as estrelas vivas”. Firmaram os ombros e “arremessavam, … devagar, deliberadamente e bem. A tarefa não devia ser tomada de forma leviana.” (Loren Eiseley, The Star Thrower [New York: Harcourt, Brace, Jovanovich, 1978], pp. 171–73, 184.) Cada momento contava, se quisessem resgatar as estrelas que buscavam salvar. ¶
Precisamos de lançadores de estrelas — lançadores com visão e que tenham um senso de discipulado com o Salvador, que sintam a necessidade de salvar onde ainda há vida, esperança e valor, e de não deixar que essa vida morra numa praia sem amigos, mas de arremessá-la de volta para onde pertence. ¶
Num mundo onde existem materialismo, cinismo e desesperança, compartilhamos a mensagem da maior esperança — o evangelho de Jesus Cristo. ¶
Sejam lançadores de estrelas! Então vocês poderão compreender melhor o mandamento de nosso Senhor: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mateus 19:19.) ¶
Que Deus nos abençoe a todos em sua divina obra de recuperação de almas, para que nossa resolução seja firme, para que nosso momento seja agora, e para que nosso sucesso seja doce, em nome de Jesus Cristo, nosso Salvador, amém. ¶