Os Princípios Básicos do Bem-Estar da Igreja
Marion G. Romney
Irmãos e irmãs: Escutei com interesse o que foi dito esta manhã. Há quarenta anos venho a este edifício duas vezes por ano para receber instrução sobre o que hoje chamamos de serviços de bem-estar da Igreja. Originalmente, esse programa era conhecido como o plano de segurança da Igreja; esse é o nome que lhe foi dado quando começou. O que se entendia então por esse título precisa ser compreendido hoje; a saber, que a segurança, a verdadeira segurança, vem somente de viver os princípios do evangelho. A segurança é o fruto de uma vida justa. ¶
O Livro de Mórmon contém a história de um povo que, ao longo de mil anos, demonstrou os frutos da retidão e da maldade. Sempre que guardavam os mandamentos do Senhor, prosperavam na terra; quando eram desobedientes, caíam na maldade, na guerra, na fome e na escravidão. Repetidas vezes lemos sobre famílias, tribos e nações inteiras que guardavam os mandamentos do Senhor, faziam convênios com ele e eram abençoadas por seu Espírito. Por causa da retidão, prosperavam tanto espiritual quanto temporalmente. Quando não guardavam seus mandamentos, deterioravam-se tanto temporal quanto espiritualmente. ¶
O Livro de Mórmon contém princípios que, se os seguíssemos, poderiam trazer-nos verdadeira segurança num mundo devastado pela maldade, pelo medo e por uma série de problemas econômicos. Creio que nosso povo deseja alcançar a verdadeira segurança, mas muitos de nós não estão seguindo o caminho que a ela conduz. Hoje, indivíduos e governos parecem pensar que podem alcançar prosperidade econômica apesar de uma mentalidade perdulária. Gastam e gastam, hipotecam e hipotecam, acumulam dívidas e obrigações e, com isso, perdem estabilidade, perdem segurança e perdem independência. ¶
Permitam-me enfatizar aqui que o ponto tão facilmente esquecido é que o Senhor se interessa por tudo o que fazemos em nossa vida: nossas famílias, nosso trabalho e nosso desenvolvimento pessoal. Ele nos deu verdades eternas para nos guiar nesses assuntos. Além disso, ele nos dá seu Espírito para nos ajudar a aplicar esses princípios. Mas somente ao segui-lo é que podemos ter segurança. ¶
Recentemente, reli alguns dos discursos proferidos pelos Irmãos na época do anúncio original do assim chamado plano de segurança da Igreja. Fiquei emocionado com o poder e a solenidade dos pensamentos expressos pelos Irmãos. Eis uma citação da declaração do Presidente J. Reuben Clark Jr., feita na conferência de outubro de 1936, no dia em que o Presidente Heber J. Grant leu uma carta da Primeira Presidência estabelecendo o plano de segurança da Igreja. Observem como o Presidente Clark enfatiza que esse plano de segurança é simplesmente uma verdadeira expressão dos princípios cristãos básicos contidos no evangelho. Ele disse: ¶
"Proclamamos ao mundo, e proclamamos o que sabíamos, que temos o plano do Evangelho, e que o plano do Evangelho não apenas cuida de nossas necessidades espirituais, mas também de nossas necessidades materiais. … Ele nos ensina a viver em grupo sob uma organização e princípios que nos permitem viver juntos como irmãos e irmãs, iguais em tudo, na medida em que vivemos por essa igualdade. ¶
"Isso nos impõe uma responsabilidade, porque esse plano que nos foi dado é um plano pelo qual o governo cristão pode vir e virá às nações da terra." (J. Reuben Clark Jr., in Conference Report, out. 1936, pp. 113–14.) ¶
Em 4 de abril de 1943, deste púlpito, declaramos que o plano de segurança, ou bem-estar, da Igreja consiste em três elementos básicos: ¶
"Primeiro, todo indivíduo deve valorizar sua independência e trabalhar com todas as suas forças para mantê-la, sendo autossuficiente. Isso o Senhor nos ordenou quando, do Jardim do Éden, enviou nossos primeiros pais sob o severo mandamento: 'No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que retornes à terra' (Gênesis 3:19). ¶
"Segundo, depois de si mesmo, a responsabilidade de sustentar um indivíduo recai sobre sua família — pais por seus filhos, filhos por seus pais. É um filho ingrato aquele que, tendo a capacidade, não está disposto a ajudar seus pais a permanecerem independentes de assistência. ¶
"Finalmente, tendo o indivíduo feito tudo o que pode para se sustentar, e os membros de sua família feito o que podem para ajudá-lo, então a Igreja, por meio do plano de Bem-Estar, está pronta para assegurar que seus membros, que aceitarem o plano e nele trabalharem na medida de sua capacidade, sejam cuidados 'de acordo com sua família, de acordo com suas condições e suas carências e necessidades' (D&C 51:3)." (Marion G. Romney, in Conference Report, abr. 1943, pp. 27–28.) ¶
Tenho certeza de que muitos de vocês, mais antigos, já ouviram essa doutrina repetida muitas vezes pelos Irmãos, mas me pergunto se talvez alguns de nossos jovens, nossos jovens bispos e presidentes de estaca, tenham tomado o tempo para realmente compreender seu significado. Mais importante ainda, pergunto-me se nós, como povo, como nação e como comunidade mundial, realmente compreendemos a premissa básica sobre a qual tudo isso se assenta — a saber, a autossuficiência. ¶
O princípio da autossuficiência decorre de uma doutrina fundamental da Igreja, a do arbítrio. Elohim, ao criar o homem e colocá-lo nesta terra, deu-lhe seu arbítrio para agir por si mesmo. ¶
"Pois", disse ele, "é conveniente que eu, o Senhor, faça cada homem responsável como mordomo de bênçãos terrenas, que fiz e preparei para as minhas criaturas. … ¶
"Pois a Terra está repleta e há bastante e de sobra; sim, preparei todas as coisas e permiti que os filhos dos homens fossem seus próprios árbitros." (D&C 104:13, 17; itálico adicionado.) ¶
Assim como cada indivíduo é responsável por suas escolhas e ações em assuntos espirituais, também o é em assuntos temporais. É por meio de nossos próprios esforços e decisões que conquistamos nosso caminho nesta vida. Embora o Senhor nos engrandeça de maneiras tanto sutis quanto dramáticas, ele só pode guiar nossos passos quando movemos nossos pés. Em última análise, nossas próprias ações determinam nossas bênçãos ou a falta delas. É uma consequência direta tanto do arbítrio quanto da responsabilidade. ¶
O princípio da autossuficiência também é expresso num contexto mais amplo, o da unidade básica da Igreja — a família. ¶
Na Igreja, o conceito de prover para a própria família e de contar com a família para o crescimento, o cuidado mútuo e a ajuda (ou dependência familiar) é igualmente fundamental à autossuficiência. A família é a unidade organizacional básica da Igreja. Nenhuma agência ou instituição pode ou deve substituir a família. Por convênio sagrado e governo eterno do sacerdócio, a unidade familiar eterna é estabelecida. O mesmo convênio que obriga os pais a cuidar de seus filhos obriga os filhos a cuidar de seus pais quando estes precisam. O mandamento de "honrar teu pai e tua mãe" (Êxodo 20:12) se estende ao Israel moderno e é exigido de todos os que são membros fiéis da Igreja. ¶
Como consequência do princípio da dependência familiar, devemos perceber que, em geral, ninguém tem direito aos recursos da Igreja para resolver problemas e necessidades pessoais temporais até que a família tenha feito tudo o que pode para ajudar. Essa é a doutrina que o Senhor estabeleceu quando disse: ¶
Finalmente, suponho que poderíamos pensar em dependência da Igreja; isto é, quando tudo já foi feito no nível individual e familiar, então o Senhor nos deu instruções sobre como devemos cuidar uns dos outros como uma família da Igreja. A extensão desse cuidado e a base sobre a qual é dado, porém, devem novamente estar vinculadas a princípios fundamentais. Permitam-me compartilhar um pensamento muito perspicaz sobre a caridade dado pelo Presidente Joseph F. Smith na conferência geral de abril de 1898: (Isso, é claro, foi antes do programa de bem-estar como o entendemos hoje.) ¶
"Homens e mulheres não deveriam estar dispostos a receber caridade a menos que sejam obrigados a isso para não sofrerem. Todo homem e mulher deveria possuir o espírito de independência, um espírito autossustentável, que o levasse a dizer, quando estivesse em necessidade: 'Estou disposto a dar meu trabalho em troca do que me derem.' Nenhum homem deveria se contentar em receber e nada fazer em troca." (In Conference Report, abr. 1898, p. 48.) ¶
Se toda pessoa capaz que procura seu bispo em busca de ajuda seguisse essa regra de caridade, então verdadeiras bênçãos adviriam tanto para quem dá quanto para quem recebe. Todos se sentiriam bem em contribuir para o plano de bem-estar da Igreja quando os necessitados viessem nesse espírito. Motivadas dessa forma, as pessoas em necessidade desejam rapidamente voltar a se autossustentar; também desejam contribuir com tudo o que podem para o programa quando estiverem novamente de pé. ¶
Tem sido meu desejo hoje, irmãos e irmãs, redirecionar nossa atenção para os princípios básicos e fundamentais dos serviços de bem-estar. Reitero que os serviços de bem-estar não são apenas um programa; é o evangelho em ação. Seus princípios são os princípios do evangelho. É o governo cristão em assuntos temporais. É meu desejo que aprendamos das escrituras e do conselho dos profetas vivos e façamos nossa parte para nos sustentar, cuidar de nossas famílias e, com generosidade e humildade, contribuir com nossa parte para sustentar os menos afortunados do que nós. ¶
Permitam-me encerrar citando o rei Benjamim (vocês já o ouviram ser citado hoje — o rei Benjamim, o grande líder dos nefitas), que, ao final de seu ministério, deu este sábio conselho aos membros da Igreja que haviam vivido sob sua liderança bondosa e inspirada por muitos anos: ¶
"E eis que vos digo que, se fizerdes isso, sempre vos regozijareis e estareis cheios do amor de Deus e conservareis sempre a remissão de vossos pecados; … ¶
"E agora, por causa das coisas que vos disse — isto é, para conservardes a remissão de vossos pecados, dia a dia, a fim de que andeis sem culpa diante de Deus — quisera que repartísseis vossos bens com os pobres, cada um de acordo com o que possui, alimentando os famintos, vestindo os nus, visitando os doentes e aliviando-lhes os sofrimentos, tanto espiritual como materialmente, conforme as carências deles. ¶
"E vede que todas estas coisas sejam feitas com sabedoria e ordem." (Mosias 4:12, 26–27.) ¶
Que tenhamos a sabedoria e a disciplina e vivamos para implementar esses grandes princípios é minha oração, em nome de Jesus Cristo, nosso Redentor, amém. ¶