Prestando Serviço aos Outros
Spencer W. Kimball
Meus caros irmãos, eu os saúdo, reunidos aqui no Tabernáculo de Salt Lake e em centenas de outros locais de reunião ao redor do mundo. Estamos tão satisfeitos com a competente liderança proporcionada pelos portadores do sacerdócio da Igreja — em todos os níveis! Ao magnificarmos nossos chamados do sacerdócio, espero que sempre nos lembremos de que a Igreja é um apoio à família. A Igreja não busca, e não deve buscar, substituir a família, mas é organizada para ajudar a criar e nutrir famílias justas, bem como indivíduos justos. ¶
Nesse sentido, irmãos, esperamos que vocês estejam atentos às suas próprias necessidades e preservem parte desse tempo precioso para suas próprias esposas e famílias. Estejam atentos, também, a seus colegas na obra da Igreja, para que não se tome tempo deles e de suas famílias desnecessariamente. ¶
Evitem a tendência de amontoar reuniões demais no dia do Senhor. Ao realizar suas reuniões regulares, façam-nas tão espirituais e eficazes quanto possível. As reuniões não precisam ser apressadas nem corridas, pois podem ser planejadas de maneira que permita que seus propósitos sagrados sejam cumpridos sem dificuldade. ¶
O programa consolidado de reuniões foi implementado, em grande parte, para proporcionar mais horas do dia do Senhor para as famílias. Portanto, reservem tempo para estar juntos em família, para conversar uns com os outros, estudar as escrituras, visitar amigos, parentes, e os doentes e solitários. Este também é um excelente momento para trabalhar em seus diários e em sua genealogia. ¶
Não negligenciem aqueles entre nós que atualmente não têm as bênçãos de viver em famílias tradicionais. Estas são almas especiais que frequentemente têm necessidades especiais. Não permitam que se isolem de vocês ou das atividades de sua ala ou de seu ramo. ¶
Meus caros irmãos, especialmente aqueles de vocês que presidem estacas, alas ou ramos, gostaria de reiterar um apelo que fiz a vocês na reunião do sacerdócio de outubro de 1980. ¶
Peço que dediquem interesse especial a fortalecer e melhorar a qualidade do ensino na Igreja. O Salvador nos encarregou de apascentar Suas ovelhas. (Ver João 21:15–17.) Temo, às vezes, que com demasiada frequência muitos de nossos membros venham à igreja, assistam a uma aula ou reunião, e então voltem para casa tendo permanecido, em grande parte, desinformados. É especialmente lamentável se isso acontece em um momento em que eles talvez estejam entrando em um período de estresse, tentação, ou crise pessoal ou familiar. Todos nós precisamos ser tocados e nutridos pelo Espírito, e o ensino eficaz é uma das maneiras mais importantes pelas quais isso pode acontecer. Regularmente fazemos um vigoroso trabalho de arregimentação e reativação para levar os membros a virem à igreja, mas muitas vezes não zelamos pelo que eles recebem quando comparecem. ¶
Irmãos, como devem se lembrar, ao falar nesta manhã, referi-me à nossa recente visita às Ilhas do Caribe e à maravilhosa obra missionária que tem sido realizada nos curtos dois anos desde que abrimos aquelas ilhas para a pregação do evangelho. ¶
Um incidente ocorreu em Santo Domingo que não tive tempo de lhes contar. Creio que gostaria de relatá-lo a vocês agora. ¶
Realizamos uma reunião geral noturna em Santo Domingo, a capital da República Dominicana. Quase 1.600 almas estavam presentes. ¶
Cerca de uma hora depois do encerramento da reunião geral, um ônibus com cem membros do Ramo Puerto Plata chegou ao local da reunião. Haviam se atrasado porque o ônibus quebrara. Em circunstâncias normais, poderiam ter feito a viagem em cerca de quatro horas, mas finalmente chegaram depois das 22h, para encontrar o salão escuro e vazio. Muitos choraram, de tão desapontados que estavam. Todos eram conversos, alguns havia poucos meses, e outros havia apenas semanas ou dias. ¶
A Irmã Kimball e eu já havíamos nos deitado após um dia longo e cansativo. Ao saber da situação dessas almas fiéis, meu secretário bateu à porta de nosso quarto de hotel e nos acordou. Ele se desculpou por nos incomodar, mas achou que eu gostaria de saber sobre a chegada tardia deles e talvez ditar-lhes uma mensagem pessoal. Contudo, senti que isso não seria suficiente, nem justo, para com aqueles que haviam vindo de tão longe em circunstâncias tão difíceis — cem pessoas apinhadas em um único ônibus. Levantei-me, vesti-me e desci para ver os membros que haviam feito tamanho esforço apenas para se desapontarem por causa de um problema no motor. Os santos ainda estavam chorando quando entramos no salão, de modo que passei mais de uma hora conversando com eles. ¶
Eles então pareceram aliviados e satisfeitos, e voltaram ao ônibus para a longa viagem de volta para casa. Precisavam retornar até de manhã, para irem trabalhar e estudar. Aquelas boas pessoas pareceram tão gratas por um breve momento juntos que senti que simplesmente não poderíamos decepcioná-las. Ao retornar à minha cama, fi-lo com um sentimento de paz e contentamento em minha alma. ¶
Irmãos, todos nós temos oportunidades de prestar serviço aos outros. Esse é nosso chamado e nosso privilégio. Ao atender às necessidades dos outros, temos em mente as palavras do Salvador: "Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes." (Mateus 25:40.) ¶
Irmãos, permitam-nos aconselhá-los a respeito de outro assunto que diz respeito a todos nós? Ao buscarmos contribuições de nossos santos para dízimos e ofertas de jejum, falemos, mais frequentemente do que às vezes o fazemos, em termos das bênçãos que fluirão a nós à medida que guardarmos os mandamentos e cumprirmos nosso dever. De tempos em tempos, ouvimos relatos de pressões injustificadas que acompanham os pedidos financeiros feitos aos membros de nossa Igreja. ¶
Este é um assunto de grave importância. Nestes dias de inflação e inquietação emocional e política, nosso povo, em toda parte, está enfrentando experiências difíceis e árduas em quase todos os aspectos. Prudência e sabedoria não apenas sugerem, mas determinam, que tomemos algumas medidas para conter e administrar com cuidado nossos recursos. Não devemos sobrecarregar nosso povo. Com isso em mente, a Primeira Presidência preparou uma carta, divulgada ontem, na qual expomos as preocupações da Primeira Presidência e do Quórum dos Doze relacionadas ao crescente fardo financeiro sobre os membros da Igreja, além do pagamento de dízimos e ofertas de jejum. Com nossa carta, preparamos algumas diretrizes para auxiliar os líderes de ala, estaca e missão a cumprirem o conselho e a orientação fornecidos. Instruímos os Representantes Regionais dos Doze a dar a este assunto atenção e implementação imediatas. ¶
Aprendamos, como indivíduos, como famílias e como alas e estacas, a viver dentro de nossas possibilidades. Há força e salvação neste princípio. Alguém já disse que somos ricos na proporção daquilo de que podemos abrir mão. Como famílias e como Igreja, podemos e devemos prover aquilo que é verdadeiramente essencial para nosso povo, mas devemos ter cuidado para não ir além do que é essencial, ou para propósitos que não estejam diretamente relacionados ao bem-estar de nossas famílias e à missão básica da Igreja. ¶
Eu os amo, meus irmãos, jovens e idosos, e sou grato por sua fé e devoção à causa do Mestre. Expresso meu carinho por vocês e deixo minha bênção com vocês. E oro a nosso Pai Celestial para que abençoe vocês, suas famílias, seus lares e seu trabalho. Que Deus os abençoe, que a paz esteja com vocês, em nome de Jesus Cristo, amém. ¶