Pulpit

Arrependimento

Marion G. Romney

Conferência Geral de Outubro de 1980·Sunday Morning Session·1980-10-01

"Os élderes … desta igreja", disse o Senhor, "ensinarão os princípios de meu evangelho, que estão na Bíblia e no Livro de Mórmon" (D&C 41:12). Em cumprimento a esse mandamento, farei alguns comentários acerca do arrependimento, ao qual muita ênfase é dada tanto na Bíblia como no Livro de Mórmon.

O verdadeiro arrependimento, seguido pelo batismo e pela imposição de mãos para o dom do Espírito Santo, traz o perdão. Tal arrependimento é impossível sem fé na expiação do Senhor Jesus Cristo.

Essa grande verdade é ensinada de modo claro e admirável no Livro de Mórmon. Alma, clamando a seu povo em obediência às instruções de um anjo, disse:

"Arrependei-vos, porque o reino do céu está próximo;

"E não se passarão muitos dias até que o Filho de Deus. …

"… virá para redimir os que se batizarem para o arrependimento, pela fé em seu nome." (Alma 9:25–27.)

Alma não disse que Jesus redimiria todos. A promessa restringia-se àqueles que, por causa de sua fé em Cristo, se arrependessem e fossem batizados.

Amuleque, companheiro missionário de Alma, testificou da mesma restrição. "Eu … sei," disse ele, "que Cristo virá entre … os homens, para tomar sobre si as transgressões de seu povo e que expiará os pecados do mundo; porque o Senhor Deus o disse.

"E … ele trará salvação a todos os que acreditarem em seu nome; … sendo a finalidade [deste] … sacrifício manifestar as entranhas da misericórdia, que sobrepuja a justiça e proporciona meios aos homens para que tenham fé para o arrependimento." (Alma 34:8, 15; itálico acrescentado.)

Desse modo, a misericórdia satisfaz "as exigências da justiça e envolve-os [isto é, aqueles que têm fé para o arrependimento] nos braços da segurança, enquanto aquele que não exerce fé para o arrependimento está exposto a toda a lei das exigências da justiça; portanto, apenas para aquele que possui fé para o arrependimento tem efeito o grande e eterno plano de redenção" (Alma 34:16; itálico acrescentado).

Jesus, falando a seus discípulos nefitas, disse:

"Nada que seja imundo pode entrar em seu [referindo-se ao reino de seu Pai] reino; portanto, nada entra em seu descanso, a não ser aqueles que tiverem lavado suas vestes em meu sangue, por causa de sua fé e do arrependimento de todos os seus pecados e de sua fidelidade até o fim.

"Ora, este é o mandamento: Arrependei-vos, todos vós, confins da Terra, e vinde a mim." (3 Né. 27:19–20.)

É desse arrependimento, baseado na fé em Jesus e na "esperança de que, por intermédio da expiação de Cristo e do poder de sua ressurreição, sereis ressuscitados para a vida eterna", que falo hoje (ver Morôni 7:41). Este é o arrependimento que levaria os homens à solução de todos os seus problemas, individuais e coletivos. Este é o arrependimento ao qual Jesus Cristo, nosso Senhor, nos chama.

A um de seus discípulos modernos, ele disse:

"Ordeno que te arrependas — arrepende-te, para que eu não te fira com a vara de minha boca e com minha ira e com minha cólera e teus sofrimentos sejam dolorosos — quão dolorosos tu não sabes, quão intensos tu não sabes, sim, quão difíceis de suportar tu não sabes.

"Pois eis que [ainda estou citando o Redentor] eu, Deus, sofri essas coisas por todos, para que não precisem sofrer caso se arrependam;

"Mas se não se arrependerem, terão que sofrer assim como eu sofri;

"Sofrimento que fez com que eu, Deus, o mais grandioso de todos, tremesse de dor e sangrasse por todos os poros; e sofresse, tanto no corpo como no espírito — e desejasse não ter de beber a amarga taça e recuar —"

Ele prossegue: "Todavia, glória seja para o Pai; eu bebi e terminei meus preparativos para os filhos dos homens." (D&C 19:15–19.)

Isto é, Jesus suportou o sofrimento necessário para satisfazer as exigências da justiça, tornando assim possível que os homens, mediante a fé e o arrependimento, fossem purificados de seus pecados.

"Assim," ele continuou, "ordeno outra vez que te arrependas, para que eu não te humilhe com minha onipotência; e que confesses teus pecados, para que não sofras esses castigos dos quais falei" (D&C 19:20).

Dentre os pecados dos homens, os principais são a recusa em aceitar Jesus Cristo por aquilo que ele é e a rejeição de seu evangelho como o verdadeiro caminho de vida.

"Em nada ofende o homem a Deus," disse o Senhor, "nem contra ninguém está acesa sua ira, a não ser contra os que não confessam sua mão em todas as coisas e não obedecem a seus mandamentos" (D&C 59:21).

"Não buscam o Senhor para estabelecer sua retidão, mas todo homem anda em seu próprio caminho e segundo a imagem de seu próprio deus, cuja imagem é à semelhança do mundo, e cuja substância é a de um ídolo que envelhece e perecerá em Babilônia, sim, Babilônia, a grande, que cairá" (D&C 1:16).

Quanto à natureza do arrependimento, o Senhor disse: "Desta maneira sabereis se um homem se arrepende de seus pecados — eis que ele os confessará e abandonará" (D&C 58:43).

Não parece haver muita incerteza quanto ao significado de abandonar. Contudo, a exigência de confessar não é tão universalmente compreendida. Na verdade, há considerável confusão no mundo a respeito da confissão dos pecados, e muita falsa doutrina. A fim de ajudar a esclarecer essa confusão, repito alguns comentários já feitos anteriormente sobre esse assunto.

Devemos confessar todos os nossos pecados ao Senhor. Quanto às transgressões inteiramente pessoais, que não afetam ninguém além de nós mesmos e do Senhor, a confissão a nós mesmos e a ele parece ser suficiente.

Na verdade, nenhum bem pode advir de confessar a qualquer outra pessoa. O Presidente Brigham Young disse certa vez: "Guardai para vós mesmos as vossas loucuras que não dizem respeito aos outros e mantende o mais discreta possível a vossa maldade privada; escondei-a o quanto puderdes da vista do público" (Discourses of Brigham Young, sel. John A. Widtsoe, Salt Lake City: Deseret Book Co., 1941, p. 158).

Quanto à má conduta que afeta outra pessoa, a confissão também deve ser feita ao ofendido, buscando-se seu perdão.

Por fim, quando as transgressões de alguém são de natureza tal que, não arrependidas, colocariam em risco seu direito à condição de membro ou de comunhão na Igreja de Cristo, a confissão plena e eficaz exige que o pecador arrependido a faça a seu bispo ou a outro oficial presidente competente da Igreja — não que o oficial da Igreja pudesse perdoar-lhe o pecado (pois esse poder pertence somente ao próprio Senhor e àqueles a quem ele especificamente o delega), mas antes para que a Igreja, agindo por meio de seus oficiais devidamente designados (o poder não está no oficial, mas na Igreja), possa, com pleno conhecimento dos fatos, tomar as providências de disciplina eclesiástica que as circunstâncias exigirem e merecerem.

Aquele que tiver abandonado seus pecados e, por meio da devida confissão, houver esclarecido sua conduta perante o Senhor, perante as pessoas que ofendeu e, quando necessário, perante a Igreja de Jesus Cristo, pode buscar com plena confiança o perdão do Senhor e seguir em novidade de vida, apoiando-se nos méritos de Cristo.

O Senhor disse: "Aquele que se arrependeu de seus pecados é perdoado, e eu, o Senhor, deles não mais me lembro" (D&C 58:42).

Como exemplos de como se sentem as pessoas que — mediante a fé em Jesus e o arrependimento — obtêm o perdão, cito os seguintes exemplos do Livro de Mórmon.

Primeiro, de Enos, que escreveu:

"Relatar-vos-ei a luta que travei perante Deus antes de receber a remissão de meus pecados.

"Eis que saí para caçar animais nas florestas; e as palavras que frequentemente ouvira de meu pai sobre a vida eterna e a alegria dos santos penetraram-me profundamente o coração.

"E minha alma ficou faminta; e ajoelhei-me ante o meu Criador e clamei-lhe, em fervorosa oração e súplica, por minha própria alma; e clamei o dia inteiro; sim, e depois de ter anoitecido, continuei a elevar a minha voz até que ela chegou aos céus.

"E ouvi uma voz, dizendo: Enos, perdoados são os teus pecados e tu serás abençoado.

"E eu, Enos, sabia que Deus não podia mentir; portanto, a minha culpa foi apagada.

"E eu disse: Senhor, como isso aconteceu?

"E ele respondeu-me: Por causa da tua fé em Cristo, a quem nunca ouviste nem viste antes. E muitos anos hão de passar antes que ele se manifeste na carne; portanto, vai, tua fé te salvou.

"Ora, aconteceu que após ter ouvido estas palavras," diz Enos, "comecei a desejar o bem-estar de meus irmãos, os nefitas; portanto, implorei a Deus por eles com toda a minha alma." (Enos 1:2–9.)

O amor e a preocupação pelo bem-estar do próximo sempre enchem o coração do redimido, e a paz penetra em seu coração, como ilustra o incidente a seguir.

Ao concluir o poderoso discurso de despedida do rei Benjamim, "ele olhou para a multidão ao redor, e eis que haviam caído por terra, porque o temor do Senhor se havia apoderado deles.

"E haviam visto a si mesmos em seu estado carnal, menos ainda que o pó da Terra. E todos clamaram a uma só voz, dizendo: Oh! Tende misericórdia e aplicai o sangue expiatório de Cristo, para que recebamos o perdão de nossos pecados e nosso coração seja purificado; porque cremos em Jesus Cristo, o Filho de Deus, que criou o céu e a Terra e todas as coisas; que descerá entre os filhos dos homens.

"E aconteceu que depois de haverem pronunciado essas palavras, o Espírito do Senhor desceu sobre eles e encheram-se de alegria, havendo recebido a remissão de seus pecados e tendo paz de consciência, por causa da profunda fé que tinham em Jesus Cristo que haveria de vir, de acordo com as palavras que o rei Benjamim lhes dissera." (Mosias 4:1–3.)

Essa alegria e paz de consciência que vêm a quem recebeu a remissão de seus pecados são vividamente retratadas no relato que Alma faz a seu filho Helamã sobre sua conversão.

Alma disse: "Andei com os filhos de Mosias, procurando destruir a igreja de Deus; mas eis que Deus enviou seu santo anjo para deter-[me] no caminho.

"E eis que [me] falou como se fosse a voz do trovão, e toda a terra tremeu debaixo de [meus] pés; e [eu] caí por terra, porque o temor de Deus se apoderou de [mim].

"Mas eis que a voz me disse: Levanta-te! E levantei-me e pus-me de pé e vi o anjo.

"E ele disse-me: A menos que queiras destruir-te, não mais procures destruir a igreja de Deus."

E Alma diz: "E aconteceu que caí por terra; e pelo espaço de três dias e três noites não pude abrir a boca nem fazer uso das pernas e dos braços.

"E o anjo falou-me mais coisas, que foram ouvidas por meus irmãos, mas eu não as ouvi; porque quando ouvi as palavras — A menos que queiras destruir-te, não mais procures destruir a igreja de Deus — fui tomado de grande medo e espanto, temendo ser destruído; e caí por terra, nada mais ouvindo.

"Mas fui torturado com eterno tormento, porque minha alma estava atribulada no mais alto grau e atormentada por todos os meus pecados.

"Sim, lembrei-me de todos os meus pecados e iniquidades, pelos quais me vi atormentado com as penas do inferno; sim, vi que me havia rebelado contra o meu Deus e que não guardara seus santos mandamentos.

"Sim, e que havia assassinado muitos de seus filhos, ou melhor, que os levara à destruição; sim, resumindo, tão grandes haviam sido minhas iniquidades que a simples ideia de entrar na presença de meu Deus atormentava-me a alma com inexprimível horror.

"Oh! pensei eu, se pudesse ser banido e aniquilado em corpo e alma, para não ser levado à presença de meu Deus a fim de ser julgado pelas minhas obras!

"E durante três dias e três noites fui atormentado pelas dores de uma alma condenada.

"E aconteceu que enquanto eu estava sendo assim atormentado e enquanto eu estava perturbado pela lembrança de tantos pecados, eis que me lembrei também de ter ouvido meu pai profetizar ao povo sobre a vinda de um Jesus Cristo, um Filho de Deus, para expiar os pecados do mundo.

"Ora, tendo fixado a mente nesse pensamento, clamei em meu coração: Ó Jesus, tu que és Filho de Deus, tem misericórdia de mim que estou no fel da amargura e rodeado pelas eternas correntes da morte.

"E então, eis que quando pensei isto, já não me lembrei de minhas dores; sim, já não fui atormentado pela lembrança de meus pecados.

"E oh! que alegria e que luz maravilhosa contemplei! Sim, minha alma encheu-se de tanta alegria quanta havia sido minha dor.

"Sim, digo-te, meu filho, que nada pode haver tão intenso e cruciante como o foram minhas dores. Sim, meu filho, digo-te também que, por outro lado, nada pode haver tão belo e doce como o foi minha alegria." (Alma 36:6–21.)

A essas testemunhas acrescento meu testemunho de que o arrependimento traz, à alma que tem fé no Senhor Jesus Cristo e em seu evangelho, o perdão, com as bênçãos correlatas de "paz" e "descanso".

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, [implorou Jesus] e eu vos aliviarei.

"Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para a vossa alma.

"Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve." (Mateus 11:28–30.)

Que todos nós, mediante o arrependimento e perseverando até o fim, obtenhamos esse descanso, é o que humildemente suplico e oro, em nome de Jesus Cristo, amém.

Como citar este discursoMarion G. Romney, “Arrependimento”, Conferência Geral de Outubro de 1980, Sunday Morning Session (1980-10-01). Pulpit Vault, 1980-10-romney-repentance. Tradução desta edição, por método de glossário, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).