A Estes Farei Meus Líderes
James E. Faust
Sinto-me humilde pela oportunidade de me dirigir ao sacerdócio nesta noite. Gostaria de direcionar minhas palavras aos líderes da Igreja, e especialmente aos futuros líderes, os rapazes do Sacerdócio Aarônico. Muitos de vocês, rapazes, terão responsabilidades de liderança mais cedo do que imaginam. Não parece que faz muito tempo desde que fui presidente do quórum de diáconos. No que diz respeito à Igreja mundial, de crescimento acelerado, a liderança é um de nossos maiores desafios. ¶
Há cerca de um ano, participei de uma reunião do quórum de élderes. Os membros da presidência eram bons e capazes jovens; mas, quando chegou o momento de distribuir as responsabilidades do quórum e realizar o trabalho, eles se limitaram àqueles que estavam presentes e que se voluntariassem. Nenhuma designação foi dada. ¶
Um dos primeiros princípios que devemos ter em mente é que a obra do Senhor avança por meio de designações. Os líderes recebem e dão designações. Essa é uma parte importante do necessário princípio de delegar. Ninguém aprecia mais do que eu um voluntário disposto, mas todo o trabalho não pode ser feito como o Senhor deseja que seja feito apenas por aqueles que estiverem presentes nas reuniões e realizarem o trabalho. Muitas vezes me pergunto como seria a Terra se o Senhor, na Criação, tivesse deixado a obra a ser feita apenas por voluntários. ¶
Se encararmos o cumprimento de designações como a edificação do reino de Deus, e como uma oportunidade, além de um privilégio e uma honra, então designações e desafios certamente devem ser dados a todo membro do quórum. Esse envolvimento deve incluir, com sabedoria e discrição apropriadas, aqueles que talvez mais precisem delas — os irmãos inativos e parcialmente ativos. As designações sempre devem ser dadas com o maior amor, consideração e bondade. Aqueles a quem se pede uma resposta devem ser tratados com respeito e apreço. ¶
As Autoridades Gerais recebem regularmente designações da Primeira Presidência e do presidente do Conselho dos Doze. Sejam essas designações dadas por escrito, como ocorre na maioria dos casos, ou dadas pessoalmente, elas sempre vêm expressas com um "por favor", ou "se for conveniente", ou "Você poderia gentilmente cuidar disto ou daquilo?" Essas designações nunca são formuladas em termos de ordem ou exigência. ¶
Desde que estive pela primeira vez no Egito, durante a Segunda Guerra Mundial, tenho me interessado por ruínas antigas. Há um fascínio em observar por que algumas colunas ainda estão de pé e outras desabaram. Com muita frequência, as que ainda estão de pé assim permanecem porque sustentam um peso em cima. Creio que há um princípio paralelo na liderança. Aqueles que permanecem fiéis ao seu sacerdócio muitas vezes são os que carregam algum peso de responsabilidade. Os que estão envolvidos são os que mais provavelmente estarão comprometidos. Assim, um líder de quórum bem-sucedido desejará que todos em seu quórum tenham a oportunidade de servir com algum tipo de chamado apropriado às circunstâncias. ¶
O mais completo curso rápido sobre liderança foi dado pelo próprio Salvador: "E disse-lhes: Vinde após mim" (Mateus 4:19). Um líder não pode pedir aos outros aquilo que ele mesmo não está disposto a fazer. Nosso caminho mais seguro é seguir o exemplo do Salvador, e nossa segurança está em ouvir e seguir a orientação de seu profeta, o presidente da Igreja. ¶
Há alguns anos, eu viajava pela Missão Rosário Argentina, no norte da Argentina. Enquanto seguíamos pela estrada, passamos por um grande rebanho de gado sendo conduzido. O rebanho se movia pacificamente e sem dificuldade. Estava quieto. Não havia cães. À frente, conduzindo o rebanho, estavam três gaúchos a cavalo, cada um a cerca de quinze ou vinte metros de distância um do outro. Esses três cavaleiros estavam curvados para a frente em suas selas, completamente relaxados, confiantes de que o rebanho os seguiria. Na retaguarda do rebanho havia um único cavaleiro fechando a marcha. Ele também estava curvado para a frente na sela, como se estivesse dormindo. Todo o rebanho se movia pacífica e silenciosamente, e estava tranquilo. A partir dessa experiência, pareceu-me evidente que a liderança consiste em cerca de três quartos de mostrar o caminho e cerca de um quarto de acompanhamento. ¶
O próprio líder, ao dirigir, não precisa ser bombástico ou estridente. Aqueles que são chamados a liderar no ministério do Mestre não são chamados para ser chefes ou ditadores. Eles são chamados a ser bons pastores. Devem estar constantemente treinando outros para ocupar seu lugar e se tornarem líderes maiores do que seus mestres. Um bom líder espera muito, inspira grandemente e acende o fogo naqueles que é chamado a liderar. ¶
Ora, um líder deve fazer as coisas acontecerem e afetar vidas. Algo deve se mover e mudar. Ele deve zelar para que aqueles sob sua responsabilidade não fracassem. Mas isso deve ser feito à maneira do Senhor. Ele deve ser o instrumento nas mãos do Todo-Poderoso para mudar vidas. Precisa saber onde está agora, para onde está indo e como vai chegar lá. ¶
Um líder deve ser um bom ouvinte. Deve estar disposto a aceitar conselhos. Deve demonstrar preocupação genuína e amor por aqueles sob sua mordomia. Nenhum líder do sacerdócio jamais poderá ser eficaz, a menos que tenha firmemente em mente as chaves transcendentes da liderança encontradas na seção 121 de Doutrina e Convênios: ¶
"Nenhum poder ou influência pode ou deve ser mantido em virtude do sacerdócio, a não ser com persuasão, com longanimidade, com brandura e mansidão e com amor não fingido; ¶
"Com bondade e conhecimento puro, que grandemente expandirão a alma, sem hipocrisia e sem dolo — ¶
"Repreendendo prontamente com firmeza, quando movido pelo Espírito Santo; e depois, mostrando então um amor maior por aquele que repreendeste, para que ele não te julgue seu inimigo" (D&C 121:41–43). ¶
Em minha experiência, o Espírito Santo raramente leva alguém a repreender com firmeza. Qualquer repreensão deve ser feita com brandura, num esforço de convencer aquele que é repreendido de que isso é feito em seu próprio interesse. ¶
O presidente Joseph F. Smith nos lembra: ¶
"Uma das mais elevadas qualidades de toda liderança verdadeira é um alto padrão de coragem. … Nunca houve época na Igreja em que seus líderes não precisassem ser homens corajosos; não apenas corajosos no sentido de serem capazes de enfrentar perigos físicos, mas também no sentido de serem firmes e fiéis a uma convicção clara e reta." (Gospel Doctrine, 5ª ed., Salt Lake City: Deseret Book Co., 1939, p. 155.) ¶
Com fé no Senhor e humildade, um líder do sacerdócio pode esperar, com confiança, auxílio divino em seus problemas. Isso pode exigir luta e reflexão, mas a recompensa é certa. A resposta pode vir como veio a Enos: "a voz do Senhor me veio outra vez à mente", disse ele (Enos 1:10). Ou pode ser o sentimento no peito, de acordo com a seção 9 de Doutrina e Convênios. [D&C 9:8.] ¶
Após receber tal segurança divina, por meio do poder do Espírito Santo, o líder humilde pode então seguir um rumo inabalável, com a convicção absoluta em mente e coração de que aquilo que está sendo feito está no caminho certo e é o que o próprio Senhor faria naquele assunto. ¶
Sinto-me impressionado com a profunda humildade do presidente Kimball. Anos atrás, ele relatou uma experiência que enfatiza que a pessoa que ocupa um cargo na Igreja não é tão grande quanto o chamado em si. O élder Spencer W. Kimball nos conta esta história: ¶
"Em um hotel nas Montanhas Pocono, na Pensilvânia, há muitos anos, aprendi uma lição importante quando o presidente do Rotary International disse aos governadores distritais reunidos: ¶
"'Senhores: Este foi um grande ano para vocês. As pessoas os honraram, os elogiaram, os banquetearam, os aplaudiram e lhes deram presentes generosos. Se algum dia tiverem a ideia equivocada de que faziam isso por vocês pessoalmente, tentem voltar aos clubes no próximo ano, quando o manto estiver sobre outros ombros.' ¶
"Isso tem me mantido de joelhos em meu santo chamado. Sempre que fico inclinado a pensar que as honrarias vêm até mim enquanto percorro a Igreja, lembro-me de que não é a mim, mas ao cargo que ocupo, que as honrarias são dirigidas. Não passo de um símbolo." (In Conference Report, out. de 1958, p. 57.) ¶
A maioria de nós, que somos chamados à liderança na Igreja, sente-se inadequada por falta de experiência, de habilidade, ou por escassa instrução e educação. Entre as muitas descrições de Moisés está a seguinte: "E era o homem Moisés muito manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra" (Números 12:3). ¶
Anos atrás, lembro-me de que o presidente John Kelly, que então presidia a Estaca Fort Worth Texas, chamou o irmão Felix Velasquez para ser presidente do ramo hispânico. Esse bom homem trabalhava, segundo me lembro, como inspetor de vagões na ferrovia. Quando o presidente Kelly o chamou para esse serviço, ele respondeu: "Presidente, não posso ser presidente do ramo hispânico. Não sei ler." O presidente Kelly então lhe prometeu que, se aceitasse o chamado e trabalhasse diligentemente para magnificá-lo, seria sustentado e abençoado. Com a ajuda do Senhor, esse homem humilde, por meio de seus esforços diligentes, tornou-se capaz de ler. Serviu bem como presidente de ramo por muitos anos, e agora está servindo no sumo conselho daquela estaca. O Senhor abençoa seus servos de muitas maneiras. ¶
Irmãos, podemos aprender, podemos estudar, podemos compreender as coisas básicas que precisamos saber como membros do santo sacerdócio de Deus. Podemos aprender as grandes verdades e ensiná-las com inteligência e compreensão àqueles que vêm aprender. Também podemos nos apoiar nas forças de outros cujos talentos são maiores que os nossos. O quórum do sacerdócio foi concebido para dar oportunidade a seus membros de contribuir com seus talentos para a edificação de um quórum forte. ¶
Chego agora ao gênio da liderança, por meio do sacerdócio, no governo da Igreja. Desejo citar o presidente Stephen L Richards, que disse: ¶
"Da maneira como concebo, o gênio de nosso governo eclesiástico é o governo por meio de conselhos. … Dificilmente passa um dia sem que eu veja a sabedoria, a sabedoria de Deus, em criar conselhos para governar o seu Reino. No espírito sob o qual trabalhamos, homens com pontos de vista aparentemente divergentes e origens muito diferentes podem se reunir e, sob a ação desse espírito, aconselhando-se juntos, podem chegar a um acordo." (In Conference Report, out. de 1953, p. 86; itálico acrescentado.) ¶
Aconselhar-se em conjunto, como líderes, é a chave para o funcionamento bem-sucedido de uma presidência ou de um bispado. Mas e se a unidade na tomada de decisões for difícil ou estiver ausente? O presidente Joseph F. Smith nos deu este conselho: ¶
"Quando bispos e seus conselheiros não têm a mesma opinião, ou quando presidentes e seus conselheiros têm qualquer diferença em seus sentimentos ou em sua política, é dever deles se reunirem, comparecerem juntos perante o Senhor e se humilharem diante dele até obterem revelação do Senhor e enxergarem a verdade da mesma maneira, para que possam se apresentar unidos diante de seu povo" (Gospel Doctrine, p. 156). ¶
Aqueles que desejam liderar nesta Igreja devem dar o exemplo de retidão pessoal. Devem buscar a orientação constante do Espírito Santo. Devem ter suas vidas e seus lares em ordem. Devem ser honestos e pontuais no pagamento de suas contas. Devem ser exemplares em toda a sua conduta. Devem ser homens de honra e integridade. À medida que buscamos a orientação constante do Espírito Santo, o Senhor responderá. ¶
Enquanto servia como Supervisor de Área na América do Sul, aconteceu uma experiência muito inesquecível em Montevidéu, no Uruguai. Eu queria trocar algum dinheiro, pois na época morava no Brasil, então o irmão Carlos Pratt me levou a uma casa de câmbio no centro de Montevidéu. Ele me apresentou a um dos funcionários, que disse que trocariam mil dólares. Eu não tinha mil dólares em espécie, apenas um cheque sacado de um banco em Salt Lake City. A casa de câmbio nunca havia feito negócios comigo antes. Na verdade, nunca haviam me visto antes e não podiam esperar me ver novamente. Não tinham como verificar se eu tinha mil dólares depositados no banco sobre o qual o cheque fora sacado. Mas aceitaram meu cheque sem hesitação — baseando-se unicamente no fato de que eu era mórmon e de que já haviam feito negócios anteriormente com outros mórmons. Francamente, fiquei grato e satisfeito com a confiança deles. ¶
O dever de um presidente é presidir, participar de conselhos e ensinar "de acordo com os convênios" (D&C 107:89). Há muitos convênios, mas o juramento e convênio do Sacerdócio de Melquisedeque, na seção 84 de Doutrina e Convênios, merece atenção especial. Em essência, o contrato entre o portador do sacerdócio e o Senhor é este: se você obedecer à lei do sacerdócio, toda bênção que estiver ao meu alcance conceder lhe será concedida, até mesmo tornar-se como eu sou (ver D&C 84:33–39). ¶
Quando o Salvador estava dando a Pedro algum treinamento de liderança, ele disse: "e tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos" (Lucas 22:32). ¶
É interessante que ele tenha usado a palavra fortalecer. É muito difícil fortalecer sem ser um bom comunicador. Muitas vezes os problemas surgem não porque o plano é falho, mas porque a comunicação é inadequada. ¶
No ano passado, chamei um novo patriarca em uma das novas estacas na América Central. Fiquei muito impressionado com a grande fé e a vida reta desse homem humilde. Acontece que sua esposa estava fora do país em uma excursão ao templo. Senti como se algo muito especial estivesse faltando na experiência de estender esse grande chamado a esse homem tão íntegro, porque sua esposa não pôde estar presente. ¶
Não hesito em exortar aqueles que têm o privilégio de emitir chamados em toda a Igreja a envolver adequadamente o cônjuge daquele que recebe o chamado. Além disso, o chefe da família deve ser devidamente consultado antes de os chamados serem dados a membros da família. ¶
Os líderes do sacerdócio têm a rara oportunidade de conduzir entrevistas do sacerdócio. Especificamente, por meio de contatos e entrevistas pessoais, o líder pode realizar o seguinte: ¶
Às vezes, os líderes seguram as rédeas com demasiada firmeza, muitas vezes limitando os talentos e dons naturais daqueles que são chamados a trabalhar ao seu lado. ¶
A liderança nem sempre produz uma sinfonia harmoniosa da fé, das habilidades e dos talentos do grupo, gerando eficácia e poder máximos. Às vezes é um solo estridente. O presidente Lee ensinou um significado mais completo da escritura: "Portanto, agora, que todo homem aprenda o seu dever e a agir no ofício para o qual for designado, com toda a diligência" (D&C 107:99). Além de todos nós aprendermos nossos deveres, os líderes devem deixar, ou permitir, que seus colegas sejam plenamente eficazes dentro de seu próprio ofício e chamado, e os auxiliares devem ser plenamente investidos da autoridade apropriada. ¶
Recentemente, o élder Howard W. Hunter ensinou com eficácia os Representantes Regionais sobre esse assunto: "Conta-se a história de como, na Grécia antiga, Alexandre, o Grande, foi até o brilhante Diógenes, que estava ocupado fazendo uma pesquisa. Alexandre pairava ansiosamente ao redor de Diógenes e perguntou: 'Como posso ajudá-lo?' Diógenes respondeu simplesmente: 'Por favor, saia da minha luz!'" ¶
Oro para que, ao trabalharem diligentemente sob a orientação do Espírito Santo, aqueles que foram e serão chamados à liderança vejam com mais clareza nosso dever e tenham uma visão mais ampla para estabelecer metas e traçar um rumo mais justo. ¶
Meu testemunho é que esta Igreja cresce e prospera porque estamos sob a influência orientadora do santo sacerdócio de Deus. Creio que nossos líderes podem gerar o grande poder espiritual necessário para guiar a obra de Deus por meio da revelação pessoal, à qual, em retidão, têm direito. O conselho do Senhor a Josué é inestimável: "Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares." (Josué 1:9.) ¶
Que assim seja, oro humildemente em nome de Jesus Cristo, amém. ¶