O Evangelho Restaurado
Hugh W. Pinnock
Que dia maravilhoso este tem sido, e que época incrível esta em que vivemos! Por mais de um ano tenho pensado neste grande dia — a dedicação destes três edifícios, as muitas pessoas que tornaram esses projetos possíveis e o notável efeito da restauração do evangelho sobre o mundo. ¶
Ao estudarmos essa reinstituição e a base teológica da Igreja, nós nos veremos pensando nas perguntas que tantos outros já fizeram. Qual é a explicação para o crescimento e a surpreendente influência de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias? O que torna os mórmons diferentes? Estudiosos perplexos, críticos sociais, religiosos e observadores culturais têm dado muitas respostas. Suas respostas variam desde descrever a Igreja como uma anormalidade social que atrai pessoas voltadas para realizações, até uma ideia tão simplista quanto a de que uma igreja conservadora sempre desperta interesse em tempos conturbados. ¶
Contudo, quanto mais profundamente alguém se pergunta o que nos torna diferentes de nossos amigos e vizinhos não membros, mais certa se torna a resposta: o Redentor e outros mensageiros celestiais restauraram pessoalmente o evangelho eterno à Terra. É por isso que estamos aqui. ¶
Um poeta disse tão apropriadamente: “Uma história honesta é mais bem contada quando narrada com simplicidade” (William Shakespeare, Ricardo III, ato 4, cena 4, linha 358). Essa é minha postura neste dia. O fato simples é que cremos exatamente nos mesmos conceitos que foram revelados aos profetas desde o princípio do mundo. Utilizamos os mesmos princípios ensinados pelo Mestre há dois mil anos. ¶
Ao estudarmos a Igreja hoje, concluímos que ela é a mesma instituição que existiu na Terra há tantos séculos. Nenhuma outra explicação é sensata. É por isso que os estudiosos que tentam relacionar o evangelho de Jesus Cristo a movimentos populares da época, a um acontecimento casual ou a outras respostas simplesmente não fazem sentido, nem satisfazem os anseios mesmo do mais ingênuo buscador da verdade. ¶
Um exemplo: o Mestre, ao falar a seus discípulos no Velho Mundo, disse: “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém conduzir estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um pastor” (João 10:16). Há cento e cinquenta anos sabemos que as outras ovelhas eram aqueles filhos e filhas de nosso Pai Celestial que viviam aqui nas Américas. São eles a quem o Salvador visitou depois de Sua ressurreição. Suas vidas e provações estão registradas no Livro de Mórmon. Nenhuma outra explicação lógica pode ser dada para esse versículo em João. O evangelho restaurado também oferece explicações para tantos outros versículos que deixaram os estudiosos bíblicos intrigados e perplexos. ¶
Sim, a Igreja é essencialmente um corpo estranho implantado em um território bastante hostil. Como o Salvador aconselhou, devemos estar no mundo, mas não fazer parte dele. Devemos ser soldados leais neste mundo rebelde. Sim, somos diferentes, e devemos continuar assim. ¶
Por que outro motivo um grupo de pessoas teria a coragem de responder quase unanimemente a um homem que sabemos ser nosso profeta, vidente e líder, alguém que recebe revelações continuamente, conforme necessário? Semelhanças são encontradas nos tempos do antigo Israel e novamente nos dias de Jesus Cristo. Onde mais se encontra uma igreja estruturada com apóstolos e profetas, patriarcas, setentas, bispos e mestres? ¶
Eis uma igreja que responde à admoestação do Salvador: “Deixai vir os pequeninos a mim, … porque dos tais é o reino de Deus” (Marcos 10:14). Os excelentes programas que temos para nossos pequeninos os asseguram, desde sua primeira consciência, de que os amamos e desejamos ensinar-lhes a verdade. ¶
Considerem estes outros aspectos da Igreja restaurada: um excelente programa para as mulheres, envolvendo de maneira significativa mais de 400 mil de nossas irmãs, que lideram e ensinam em várias organizações; o Sacerdócio Aarônico e o Sacerdócio de Melquisedeque, que envolvem os homens e os rapazes de múltiplas maneiras poderosas e proveitosas; cultos de adoração no primeiro dia da semana; templos sagrados onde se realizam o casamento eterno e outras ordenanças, inclusive o batismo pelos mortos; um sistema missionário mundial no qual servem 30 mil homens e mulheres; o batismo por imersão para a remissão dos pecados; um clero não remunerado (“de graça recebestes, de graça dai” [Mateus 10:8]); ensinamentos que enfatizam o que há de redentor e positivo na vida; e um extenso programa de bem-estar para auxiliar os pobres e necessitados com dignidade e amor. A lista continua e continua. ¶
Há, porém, outras implicações que precisam ser mencionadas. Onde se pode encontrar segurança espiritual, emocional e econômica para sobreviver às terríveis tempestades culturais de hoje? O mundo está confuso e voltado para o egocentrismo. O caos econômico e a instabilidade política também fazem parte do ambiente atual, deixando inquietação, insegurança e tumulto em todas as nossas vidas. Felizmente, a Restauração nos dá a panaceia que remedeia, direciona, corrige e cura; mas, se não nos conformarmos a esse grandioso sistema dado por Deus, seremos como aquelas virgens insensatas que não aparelharam suas lâmpadas nem as encheram de azeite. Nós, como povo, somos voltados para a ação e inclinados ao trabalho. A conformidade a esse sistema eterno de dispêndio de energia proporciona o único conjunto completo de respostas de que o mundo tão desesperadamente necessita. Que sejamos sábios. ¶
Um membro grato e sensível da Igreja poderia logicamente perguntar: “O que posso fazer pessoalmente para expressar gratidão por tudo o que sou e tenho por causa de minha condição de membro e afiliação ao reino de Deus?” Eis aqui algumas sugestões: ¶
Primeiro, aproveitemos de maneira pessoalmente proveitosa os conselhos e orientações de nosso profeta. Uma de nossas características singulares, como povo, é o fato de termos um líder divinamente designado, um representante celestial, cuja responsabilidade investida de autoridade persiste há 150 anos, começando bem neste local com o primeiro élder da Igreja, Joseph Smith. As palavras de um profeta são planejadas para proporcionar alegria a nós e àqueles que amamos, incluindo orientação que intensificará nossa eficácia eterna. ¶
Segundo, sejamos mais expressivos com nossos amigos, familiares e vizinhos a respeito dessa grande restauração. Em uma revelação dada exatamente neste dia, um século e meio atrás, Jesus expressou a necessidade de sermos missionários eficazes ao dizer: “Para que todos os que cressem e fossem batizados em seu santo nome e perseverassem com fé, até o fim, fossem salvos” (D&C 20:25). ¶
Terceiro, sirvamos, conforme chamados, no reino. Nessa mesma revelação de abril de 1830, o Senhor disse: “Todos aqueles que … estão dispostos a tomar sobre si o nome de Jesus Cristo, tendo o firme propósito de servi-lo até o fim, e realmente manifestarem por suas obras que receberam o Espírito de Cristo … serão recebidos pelo batismo na sua igreja” (D&C 20:37; itálico acrescentado). ¶
Quarto, andemos “em santidade perante o Senhor” (D&C 20:69; ver também D&C 21:4). O Senhor prosseguiu dizendo, um sesquicentenário atrás, que “assim fazendo, as portas do inferno não prevalecerão contra vós; sim, e o Senhor Deus afastará de vós os poderes das trevas e fará tremerem os céus para o vosso bem, e para a glória de seu nome” (D&C 21:6; itálico acrescentado). Os sermões mais significativos que jamais pregaremos serão por meio dos atos que praticarmos. ¶
Estes são quatro passos simples, mas deles podem advir felicidade e paz que excede todo entendimento. Para recapitular: ¶
Primeiro, sigamos o amoroso conselho de nosso profeta e de outros líderes da Igreja. ¶
Segundo, ensinemos o evangelho de Jesus Cristo. Não exige a integridade que contemos a outras pessoas sobre essa grande restauração? ¶
Terceiro, sirvamos ao Mestre. Manifestemos nossos testemunhos por meio de nossas palavras e obras. ¶
Quarto, andemos em santidade e vivamos os mandamentos. ¶
Que cada um de nós, como parte deste grande ano de jubileu e desta celebração de sesquicentenário, conforme nossa vida de maneiras edificantes, amorosas, perdoadoras e curativas, para expressar gratidão por tudo o que temos, oro em nome de Jesus Cristo, amém. ¶