Preparando o Caminho
Thomas S. Monson
Damos as boas-vindas, em suas novas responsabilidades e oportunidades, à presidente Dwan J. Young e suas conselheiras, Virginia B. Cannon e Michaelene P. Grassli. Certamente a presidente Naomi Shumway e suas conselheiras, Colleen B. Lemmon e Dorthea Lou C. Murdock, estabeleceram um invejável histórico de serviço sobre o qual edificar. ¶
Hoje também desejo prestar homenagem a outra líder da Primária — uma nobre mulher e amiga pessoal. Refiro-me a LaVern W. Parmley, ex-presidente da Associação da Primária de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e ex-membro do Conselho Consultivo Nacional dos Escoteiros da América. A irmã Parmley, como era afetuosamente chamada por aqueles que a conheciam, concluiu sua missão aqui na Terra no domingo, 27 de janeiro de 1980. Seu funeral foi realizado poucos dias depois, ocasião em que, em palavras e cânticos, foram feitos elogios e oferecido conforto aos presentes. ¶
LaVern Parmley e Naomi Shumway, juntamente com suas conselheiras, dedicaram livremente seu tempo e talentos ao longo de muitos anos, ensinando as criancinhas a andar na luz do evangelho de Cristo. Ensinaram cada criança a cantar com convicção pessoal: ¶
Sou um filho de Deus, … ¶
Guia-me, conduz-me, anda ao meu lado, ¶
Ajuda-me a achar o caminho. ¶
Ensina-me tudo o que devo fazer ¶
Para viver com Ele um dia ¶
("Sou Filho de Deus," Sing with Me, B-76). ¶
Parte de seu grande amor era ensinar os meninos. Seu objetivo inspirado era prepará-los para receber o Sacerdócio Aarônico e andar corretamente pela trilha do escotismo. ¶
Sob sua direção, todos os meninos de onze anos eram convidados a memorizar as Regras de Fé de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Vós as recordais. Permiti-me mencionar apenas duas: ¶
"Cremos em Deus, o Pai Eterno, e em Seu Filho, Jesus Cristo, e no Espírito Santo" (Regras de Fé 1:1). ¶
"Cremos em ser honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, virtuosos, e em fazer o bem a todos os homens; na realidade, podemos dizer que seguimos a admoestação de Paulo: Cremos em todas as coisas, confiamos em todas as coisas, suportamos muitas coisas e esperamos ter a capacidade de tudo suportar. Se houver qualquer coisa virtuosa, amável, de boa fama ou louvável, nós a procuraremos" (Regras de Fé 1:13). ¶
Conseguis pensar em um fundamento mais firme, em uma filosofia mais básica para guiar um menino, do que as Regras de Fé? Que dádiva essas nobres mulheres transmitiram ao esperarem que cada menino conhecesse e realmente vivesse de acordo com tal padrão! Elas aceitaram pessoalmente a divina ordem: "Apascenta as minhas ovelhas; apascenta os meus cordeiros" (ver João 21:15–16). ¶
Alguns talvez perguntem: Qual é o significado do Sacerdócio Aarônico, para o qual se faz tal preparação? Será tão importante assim na vida de um menino? O Sacerdócio de Arão "é um apêndice do … Sacerdócio de Melquisedeque e tem poder para administrar ordenanças exteriores" (D&C 107:14). João Batista era descendente de Arão e possuía as chaves do Sacerdócio Aarônico. Talvez pudéssemos revisar a vida e a missão de João, para que a importância do Sacerdócio Aarônico possa ser mais plenamente apreciada. ¶
Há muitos anos e a milhas de distância, na conquistada terra da Palestina, ocorreu um maravilhoso milagre. O cenário era sombrio, a época era de tumulto. Nesses dias de Herodes, rei da Judeia, viviam um sacerdote chamado Zacarias e sua mulher, Isabel. "E eram ambos justos perante Deus" (Lucas 1:6). Contudo, longos anos de anseio não haviam trazido recompensa — Zacarias e Isabel permaneciam sem filhos. ¶
Então chegou aquele dia dos dias, para sempre lembrado. Apareceu a Zacarias o anjo Gabriel, que proclamou: "Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João; ¶
"Porque será grande diante do Senhor" (Lucas 1:13–15). ¶
Isabel concebeu. No devido tempo, um filho nasceu, e, segundo a instrução do anjo, foi chamado João. ¶
Assim como com o Mestre, Jesus Cristo, também com o servo, João — pouquíssimo se registrou de seus anos de juventude. Uma única frase contém tudo o que sabemos da história de João por um período de trinta anos — todo o tempo decorrido entre seu nascimento e sua caminhada ao deserto para iniciar seu ministério público: "E o menino crescia, e se robustecia em espírito. E esteve nos desertos até o dia em que havia de mostrar-se a Israel" (Lucas 1:80). ¶
Suas vestes eram as dos antigos profetas — uma veste tecida de pelo de camelo. Seu alimento era o que o deserto oferecia — gafanhotos e mel silvestre. Sua mensagem era breve. Ele pregava a fé, o arrependimento, o batismo por imersão e a concessão do Espírito Santo por uma autoridade maior do que a que ele mesmo possuía. ¶
"Eu não sou o Cristo" (João 1:20), disse ele a seu grupo de fiéis discípulos. "Mas sou enviado adiante dele." "Eu, em verdade, vos batizo com água (…) mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu (…): ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo" (ver Mateus 3:11). ¶
Então ocorreu a cena culminante da missão de João — o batismo de Cristo. Jesus desceu da Galileia expressamente "para ser batizado" por João. Humilde de coração e contrito de espírito, João suplicou: "Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?" A resposta do Mestre: "Assim nos convém cumprir toda a justiça." (Ver Mateus 3:13–15.) ¶
"E sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele: ¶
"E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo" (Mateus 3:16–17). ¶
A respeito de João, o Salvador mais tarde testificou: "Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu ninguém maior do que João Batista" (Mateus 11:11). ¶
O ministério público de João aproximava-se do fim. No início, ele havia condenado a hipocrisia e a mundanidade dos fariseus e saduceus; e agora tinha ocasião de denunciar a luxúria de um rei. O resultado é bem conhecido. A fraqueza de um rei e a fúria de uma mulher combinaram-se para causar a morte de João. ¶
O túmulo em que seu corpo foi colocado não pôde conter aquele corpo. Nem o ato de assassinato pôde silenciar aquela voz. Ao mundo declaramos que, em Harmony, Pensilvânia, em 15 de maio de 1829, um anjo, "que se anunciou como João, o mesmo chamado João Batista no Novo Testamento" (D&C 13, cabeçalho da seção), veio como personagem ressuscitado a Joseph Smith e Oliver Cowdery. "O visitante angélico afirmou que agia sob a direção de Pedro, Tiago e João, os antigos apóstolos, que possuíam as chaves do sacerdócio maior, chamado Sacerdócio de Melquisedeque" (D&C 13, cabeçalho da seção). O Sacerdócio Aarônico foi restaurado à Terra. ¶
Graças a esse acontecimento memorável, foi-me dado o privilégio de possuir o Sacerdócio Aarônico, assim como a milhões de rapazes nestes últimos dias. Seu verdadeiro significado foi-me ensinado por meu antigo presidente de estaca, o já falecido Paul C. Child. ¶
Quando eu estava próximo de completar dezoito anos e me preparava para entrar em serviço militar na Segunda Guerra Mundial, fui recomendado para receber o Sacerdócio de Melquisedeque. Coube a mim a tarefa de telefonar ao presidente Child para marcar uma entrevista. Ele era um homem que amava e entendia as sagradas escrituras. Sua intenção era que todos os demais igualmente as amassem e entendessem. Sabendo, por outros, de suas entrevistas bastante detalhadas e minuciosas, nossa conversa telefônica foi mais ou menos assim: ¶
"Alô, presidente Child. Aqui é o irmão Monson. O bispo pediu-me que buscasse uma entrevista com o senhor." ¶
"Ótimo, irmão Monson. Quando pode me visitar?" ¶
Sabendo que o horário de sua reunião sacramental era às seis horas, e desejando expor o mínimo possível meu conhecimento das escrituras ao seu exame, sugeri: "Que tal às cinco horas?" ¶
Sua resposta: "Ah, irmão Monson, isso não nos daria tempo suficiente para examinarmos as escrituras. Poderia vir às duas horas e trazer consigo seu conjunto de escrituras pessoalmente marcado e referenciado?" ¶
Finalmente chegou o domingo, e visitei a casa do presidente Child na Avenida Indiana. Fui recebido calorosamente, e então a entrevista começou. Ele disse: "Irmão Monson, o senhor possui o Sacerdócio Aarônico. Já teve anjos a ministrar-lhe alguma vez?" ¶
Minha resposta foi: "Não, presidente Child." ¶
"Sabe", disse ele, "que tem direito a isso?" ¶
Novamente veio minha resposta: "Não." ¶
Então ele instruiu: "Irmão Monson, repita de memória a décima terceira seção de Doutrina e Convênios." ¶
"Pare", ordenou o presidente Child. Então, em tom calmo e bondoso, aconselhou-me: "Irmão Monson, nunca se esqueça de que, como possuidor do Sacerdócio Aarônico, o senhor tem direito ao ministério de anjos." Foi quase como se um anjo estivesse na sala naquele dia. Nunca esqueci aquela entrevista. Ainda sinto o espírito daquela ocasião solene. Reverencio o sacerdócio do Deus Todo-Poderoso. Testemunhei seu poder. Vi sua força. Maravilhei-me com os milagres que ele operou. ¶
Há quase trinta anos, conheci um menino, um sacerdote, que possuía a autoridade do Sacerdócio Aarônico. Como bispo, eu era o presidente de seu quórum. Esse menino, Robert, gaguejava e balbuciava, sem controle algum. Envergonhado, tímido, temeroso de si mesmo e de todos os outros, tinha um impedimento de fala que era devastador para ele. Jamais cumpria uma designação; jamais olhava outra pessoa nos olhos; sempre olhava para baixo. Então, certo dia, por meio de um conjunto de circunstâncias incomuns, ele aceitou a designação de cumprir a responsabilidade sacerdotal de batizar outra pessoa. ¶
Sentei-me a seu lado no batistério deste sagrado tabernáculo. Ele estava vestido de branco imaculado, preparado para a ordenança que iria realizar. Perguntei a Robert como ele se sentia. Ele fixou o olhar no chão e gaguejou quase incoerentemente que se sentia péssimo. ¶
Ambos oramos fervorosamente para que ele fosse capacitado para sua tarefa. Então o escrivão leu as palavras: "Nancy Ann McArthur será agora batizada por Robert Williams, um sacerdote." Robert deixou meu lado, entrou na fonte batismal, tomou a pequena Nancy pela mão e ajudou-a a entrar naquela água que purifica a vida humana e proporciona um renascimento espiritual. Então ele olhou como que para o céu e, com o braço direito em esquadro, repetiu as palavras: "Nancy Ann McArthur, tendo sido comissionado por Jesus Cristo, eu te batizo em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" (ver D&C 20:73). Nem uma vez gaguejou. Nem uma vez balbuciou. Nem uma vez vacilou. Um milagre moderno havia sido testemunhado. ¶
No vestiário, ao parabenizar Robert, esperava ouvir esse mesmo fluxo ininterrupto de fala. Enganei-me. Ele olhou para baixo e balbuciou sua resposta de gratidão. ¶
A cada um de vós, neste dia, testifico que, quando Robert agiu na autoridade do Sacerdócio Aarônico, ele falou com poder, com convicção e com ajuda celestial. ¶
Tal é o legado de um chamado João, o próprio João Batista. Ouvimos sua voz hoje. Ela ensina humildade; incita coragem; inspira fé. ¶
Que sejamos motivados por sua mensagem. Que sejamos inspirados por sua missão. Que sejamos elevados por sua vida a uma plena apreciação do Sacerdócio Aarônico e de seu poder divino, é o que rogo, em nome de Jesus Cristo, amém. ¶