Ensinar pelo Espírito
William Grant Bangerter
Central ao chamado de administrar o evangelho a todas as pessoas, vivas e mortas, está o poder do Espírito Santo. Minha experiência me diz que muitos dos que trabalham nos chamados do sacerdócio carecem de discernimento a respeito desse grande agente e não conseguem ser tão eficazes quanto deveriam ser. ¶
Oro para que eu seja abençoado a dar algumas instruções úteis sobre essa influência tão poderosa e sagrada. ¶
Obviamente, se eu não tiver o Espírito Santo, é melhor que eu nem fale esta noite. ¶
A maior parte de nosso trabalho é feita na forma de ensino. Isso acontece em aulas como os quóruns do sacerdócio, a Escola Dominical e o seminário; muitas vezes em entrevistas; pelos missionários ao apresentarem o evangelho em suas lições; pelos mestres familiares às famílias da Igreja; e, é claro, em discursos como este. ¶
Portanto, estou falando aos presidentes de estaca, aos bispos e aos líderes de quórum, aos missionários, aos líderes auxiliares, aos mestres familiares e aos instrutores de classe. ¶
Como podemos ensinar pelo Espírito? Irmãos, tentem detectar a influência do Espírito Santo nas experiências a seguir. ¶
Enquanto eu servia como presidente de estaca, meus conselheiros e eu convidamos certo irmão para uma entrevista, na qual lhe apresentamos seu chamado para ser presidente da organização dos Rapazes da estaca. Esse homem não havia sido plenamente ativo. Ele gostava de passar seus fins de semana, inclusive os domingos, acampando e pescando, e dizia-se que ele e sua esposa nem sempre obedeciam à Palavra de Sabedoria. Havia certa dúvida quanto a considerá-lo para tal cargo, mas, por causa das discussões feitas em oração que tivemos na presidência e no sumo conselho, concluímos que ele deveria ser chamado. Ao informarmos esse irmão sobre sua nomeação, ele respondeu que não estava interessado e que não se sentia digno ou qualificado. Nós então lhe dissemos como havíamos chegado a escolhê-lo entre todos os membros da estaca. Explicamos que precisávamos de um líder forte e capaz para os jovens em nossa estaca, e que tanto a presidência quanto o sumo conselho haviam feito orações sinceras, pedindo ao Senhor que indicasse a pessoa que deveria ocupar o cargo. Dissemos: "A resposta foi clara. Você é o homem que o Senhor escolheu. Cabe a você decidir, é claro, mas você tem a obrigação de ir para casa e discutir a questão com sua esposa. O único pedido que lhe fazemos é que, depois disso, vocês se ajoelhem juntos e perguntem ao Senhor o que Ele quer que vocês façam." ¶
Três dias depois, recebi um telefonema descontente desse mesmo homem. Ele informou-me, a contragosto, que aceitaria o cargo com todas as suas implicações. Ele prestou um serviço poderoso em seu chamado, e, quando essa incumbência terminou, tornou-se membro do sumo conselho, e desde então tem sido feliz com o evangelho. ¶
Tivemos uma experiência semelhante quando chamamos outro homem para ser presidente de nossa missão de estaca. Por causa de algumas experiências desanimadoras no serviço da Igreja, ele se considerava a meio caminho da apostasia e nem um pouco seguro de seu testemunho. Ele resistiu vigorosamente à sua nomeação, dizendo que isso o privaria de tempo para fazer algumas das coisas mais agradáveis da vida. Explicamos a ele como, mais uma vez, havíamos buscado a orientação do Senhor sobre quem deveria presidir a missão. Dissemos-lhe que ele não estava sendo forçado a aceitar o chamado, mas que deveria perguntar a seu Pai Celestial se era certo ou não para ele servir. O Senhor lhe deu uma segurança poderosa de que ele fora chamado para essa obra. No ano seguinte, ele, com seus missionários, batizou quase dez por cento de todos os não membros de nossa estaca. Mais tarde, ele foi chamado para ser bispo. ¶
Em certas ocasiões, procurei rapazes em idade missionária e os informei de que haviam sido chamados para servir uma missão. Às vezes, eles explicam que não têm desejo de servir uma missão. Então lhes digo que, para mim, é indiferente se eles servem uma missão ou não. É claro que não é totalmente indiferente; mas eu digo que estou apenas informando-lhes do chamado que o Senhor já lhes deu. E explicarei como sei disso. Eu estava presente no dia em que o Presidente Kimball fez o anúncio de que todos os rapazes deveriam servir uma missão. O Espírito Santo me disse que aquele princípio era verdadeiro. ¶
Mais tarde, eu estava conversando com um patriarca humilde, mas inspirado, que está aqui esta noite. Ele me informou que não fora treinado nem educado para dar bênçãos patriarcais e que só podia dizer as coisas que o Senhor lhe dizia para dizer. Achei que isso parecia bem certo. Ele então acrescentou: "Seria interessante para você saber quantos rapazes que vêm receber sua bênção são informados de que servirão uma missão." Com essa afirmação, senti novamente a revelação e vi a luz, e soube que o Presidente Kimball não os havia chamado para uma missão. Ele apenas fizera o anúncio. Mas a missão havia sido ordenada pelo próprio Senhor, e todo rapaz que pertence à Igreja tem a obrigação de trabalhar para edificar o reino. ¶
Não tem havido, portanto, dificuldade alguma para mim em dizer aos rapazes que sei que eles foram chamados para uma missão. E, quando respondem que não estão interessados, eu simplesmente digo: "Não me diga a mim; diga ao Senhor. Vá orar e pergunte a Ele o que Ele quer que você faça." Quase sempre, eles voltam dessa experiência dizendo: "Bem, suponho que seria melhor eu servir uma missão." Para alguns deles, é então a hora de dizer: "Agora ambos entendemos que você não está totalmente preparado, então vamos começar a dar os passos pelos quais você se qualificará para ir." ¶
Aqui está outra situação. Tenho observado missionários ao longo de muitos anos, enquanto ensinam o evangelho, descobrindo que alguns de seus melhores pesquisadores lhes dizem que decidiram não se filiar à Igreja. A maioria dos missionários, nesse momento, fica desanimada e desapontada. O missionário que compreende o Espírito Santo, porém, aproveita esse momento como sua grande oportunidade. ¶
Ele até dá as boas-vindas a esse momento, porque sabe o que fazer. E pode dizer: "Muito bem, se esse é o seu desejo. No entanto, permita-nos apenas um momento para lhe dizer o quanto o evangelho significa para nós. Você se lembra de como Joseph Smith se ajoelhou certa noite em seu quarto e orou ao Senhor para saber sua posição diante de Deus? Como resultado, um anjo apareceu e disse: 'Chamou-me pelo nome e disse-me que era um mensageiro enviado a mim da presença de Deus e que seu nome era Morôni; que Deus tinha uma obra a ser executada por mim; e que meu nome seria considerado bom e mau entre todas as nações, tribos e línguas, ou que entre todos os povos se falaria bem e mal de meu nome' [ver JS—História 1:33]. O que Joseph Smith disse? Será que ele disse: 'Ah, não, obrigado, Sr. Anjo. Não quero servir uma missão. Eu só queria saber se o Senhor me ama!'? É claro que ele não poderia ter dito isso. Queremos lhe dizer que sabemos que esta obra é verdadeira, tão certamente como se tivéssemos nos ajoelhado ali ao lado de Joseph Smith, porque Deus revelou isso a nós. Ele também revelará a você. Não achamos que você deva decidir não se filiar à Sua igreja antes de se ajoelhar e perguntar ao Senhor o que Ele quer que você faça." ¶
E os pesquisadores, ao orarem, respondem: "Claro, o Senhor quer que nos filiemos à Igreja." O próximo passo, naturalmente, é se preparar para o batismo. ¶
O que aconteceu em todas essas situações? Simplesmente que o Espírito Santo veio à presença daqueles que ensinam e daqueles que ouvem, e lhes deu um testemunho da mente e da vontade de Deus. Eles sentiram algo que nunca haviam compreendido ou conhecido antes. Vocês notaram? Vocês também sentiram, ao eu lhes contar essas experiências, e eu também senti. Isso é explicado em Doutrina e Convênios: "Portanto, aquele que prega e aquele que recebe se compreendem um ao outro e ambos são edificados e juntos se regozijam" (D&C 50:22). ¶
Além disso, somos informados: "E o Espírito ser-vos-á dado pela oração da fé; e se não receberdes o Espírito, não ensinareis" (D&C 42:14). A oração é o principal meio pelo qual esse Espírito é obtido e sentido. ¶
Devemos nos preparar para trabalhar com o Espírito do Senhor. ¶
Certos princípios devem acompanhar nosso ensino por meio da influência do Espírito: Primeiro, devemos ser homens santos. Isso não significa como o homem Marlboro ou o macho man — homens santos. Depois, precisamos ter confiança no Espírito Santo; acreditar nele e esperar que sua presença esteja conosco. E, quando ele vier, precisamos reconhecer sua presença e ser capazes de ajudar os outros a sentir a influência que ele traz. ¶
Um de nossos grandes missionários disse: "Presto-lhes meu testemunho. Depois, presto-lhes o testemunho deles. E então faço com que eles me prestem de volta o testemunho deles." ¶
Esse é o processo. Alma fez a mesma coisa quando explicou ao povo da cidade de Gideão sobre a vinda de Cristo e a redenção que seria proporcionada àqueles que O aceitassem e fossem batizados; ele disse: "E agora, meus amados irmãos, credes vós nestas coisas? Eis que vos digo que sim; sei que acreditais nelas; e sei que acreditais nelas, pela manifestação do Espírito que está em mim" (Alma 7:17). A isso presto testemunho, depois de muitas experiências maravilhosas com a influência do Espírito Santo, em nome de Jesus Cristo, amém. ¶