Pulpit

Constância em Meio à Mudança

N. Eldon Tanner

Conferência Geral de Outubro de 1979·Welfare Session·1979-10-01

Durante a Segunda Guerra Mundial, um membro do Quórum dos Doze Apóstolos, o élder Albert E. Bowen, escreveu um livro compilado de uma série de discursos radiofônicos, ao qual deu o título de Constancy amid Change [Constância em Meio à Mudança] (Salt Lake City: Deseret News Press, 1944). As mensagens desses discursos eram muito oportunas. Éramos um mundo em conflito, e as pessoas em todo o mundo precisavam de uma mensagem de certeza, segurança e estabilidade.

A era atual parece muito semelhante, em muitos aspectos, àqueles turbulentos anos de guerra. Hoje enfrentamos muitas questões desconcertantes. Além de significativos problemas políticos internacionais, estamos passando por um dos períodos econômicos mais difíceis das últimas décadas — o problema da inflação e da administração financeira pessoal.

Gostaria de tomar emprestado o título do livro do élder Bowen e compartilhar com vocês algumas de minhas próprias experiências e convicções, extraídas dos sessenta anos de minha vida profissional. Vivi cada fase do ciclo econômico. Quando jovem, ao iniciar minha vida, passei por uma depressão pessoal. Vivenciei uma depressão nacional e internacional, bem como períodos de recessão e inflação. Vi as chamadas soluções surgirem e desaparecerem a cada mudança no ciclo econômico. Essas experiências me levaram à mesma convicção de Robert Frost, que certa vez disse:

A maior parte da mudança que pensamos ver na vida

Deve-se a verdades que entram e saem de moda.

(“The Black Cottage,” em The Poetry of Robert Frost, org. Edward Connery Latham, New York: Holt, Rinehart and Winston, 1969, p. 58).

O que eu gostaria de compartilhar com vocês hoje são minhas observações sobre os princípios constantes e fundamentais que, se seguidos, trarão segurança financeira e paz de espírito sob quaisquer circunstâncias econômicas.

Primeiro, gostaria de lançar um alicerce e estabelecer uma perspectiva dentro da qual esses princípios econômicos devem ser aplicados.

Certo dia, um neto meu me disse: “Tenho observado o senhor e outros homens bem-sucedidos, e decidi que quero ser bem-sucedido em minha vida. Quero entrevistar o maior número possível de pessoas bem-sucedidas para descobrir o que as tornou assim. Então, olhando para trás, para sua experiência, vovô, o que o senhor acredita ser o elemento mais importante do sucesso?”

Eu lhe disse que o Senhor deu a maior fórmula de sucesso que conheço: “Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33).

Alguns argumentam que há homens que prosperam financeiramente sem buscar primeiro o reino. Isso é verdade. Mas o Senhor não está nos prometendo apenas riqueza material se buscarmos primeiro o reino. Por experiência própria, sei que não é esse o caso. Nas palavras de Henrik Ibsen: “O dinheiro pode ser a casca de muitas coisas, mas não o âmago. Ele traz alimento, mas não apetite; remédio, mas não saúde; conhecidos, mas não amigos; criados, mas não lealdade; dias de alegria, mas não paz ou felicidade” (em The Forbes Scrapbook of Thoughts on the Business of Life, New York: Forbes, Inc., 1968, p. 88).

As bênçãos materiais fazem parte do evangelho se forem alcançadas da maneira apropriada e com o propósito certo. Lembro-me de uma experiência do presidente Hugh B. Brown. Quando jovem soldado na Primeira Guerra Mundial, ele visitava um amigo idoso no hospital. Esse amigo era multimilionário e, aos oitenta anos, estava à beira da morte. Nem sua esposa, de quem era divorciado, nem nenhum de seus cinco filhos se importaram o suficiente para ir ao hospital vê-lo. Ao pensar nas coisas que seu amigo “havia perdido e que o dinheiro não podia comprar, e ao notar sua situação trágica e a profundidade de sua miséria”, o presidente Brown perguntou ao amigo como ele mudaria o rumo de sua vida se pudesse vivê-la novamente.

O velho senhor, que morreu poucos dias depois, disse: “‘Ao pensar retrospectivamente na vida, o bem mais importante e valioso que eu poderia ter tido, mas que perdi no processo de acumular meus milhões, foi a fé simples que minha mãe tinha em Deus e na imortalidade da alma.

“‘… O senhor me perguntou qual é a coisa mais valiosa na vida. Não posso responder-lhe com palavras melhores do que as usadas pelo poeta.’” Ele pediu ao presidente Brown que tirasse de sua maleta um livrinho, do qual leu um poema intitulado “I’m an Alien” [“Sou um Estranho”].

Sou um estranho à fé que minha mãe me ensinou.

Sou um forasteiro para o Deus que ouviu minha mãe quando ela chorou.

Sou um estranho ao consolo que o “Agora me deito” me trouxe.

Aos braços eternos que sustiveram meu pai quando ele morreu.

Quando o grande mundo veio e me chamou, abandonei tudo para segui-lo.

Nunca percebendo, em minha cegueira, que havia soltado minha mão da Dele.

Nunca imaginando, em meu atordoamento, que a bolha da fama é oca.

Que a riqueza do ouro é ouropel, como desde então aprendi que é.

Passei uma vida inteira buscando coisas que desprezei quando as encontrei,

Lutei e fui recompensado em muitas causas vitoriosas,

Mas eu daria tudo isso, fama e fortuna e os prazeres que os cercam,

Se ao menos eu tivesse a fé que fez minha mãe ser quem ela foi.

“Esse foi o testemunho, no leito de morte, de um homem que nasceu na Igreja, mas dela se afastara muito. Esse foi o clamor de coração partido de um homem solitário que podia ter tudo o que o dinheiro podia comprar, mas que havia perdido as coisas mais importantes da vida para acumular os bens deste mundo” (Continuing the Quest, Salt Lake City: Deseret Book Co., 1961, pp. 32–35; itálico acrescentado).

No Livro de Mórmon, o profeta Jacó nos dá um conselho importante sobre esse assunto:

“Mas antes de buscardes riquezas, buscai o reino de Deus.

“E depois de haverdes obtido uma esperança em Cristo, conseguireis riquezas, se as procurardes; e procurá-las-eis com o fito de praticar o bem — de vestir os nus e alimentar os famintos e libertar os cativos e confortar os doentes e aflitos” (Jacó 2:18–19; itálico acrescentado).

O alicerce e a perspectiva são, portanto, estes: devemos primeiro buscar o reino, trabalhar, planejar e gastar com sabedoria, planejar para o futuro e usar a riqueza com que formos abençoados para ajudar a edificar esse reino. Guiados por essa perspectiva eterna e edificando sobre esse alicerce firme, podemos realizar com confiança nossas tarefas diárias e a obra de nossa vida, que deve ser cuidadosamente planejada e diligentemente perseguida.

É dentro dessa estrutura que gostaria de explicar cinco princípios de constância econômica.

Constância nº 1: Pague um dízimo honesto. Muitas vezes me pergunto se percebemos que pagar o dízimo não representa dar presentes ao Senhor e à Igreja. Pagar o dízimo é quitar uma dívida com o Senhor. O Senhor é a fonte de todas as nossas bênçãos, inclusive da própria vida.

O pagamento do dízimo é um mandamento, um mandamento com uma promessa. Se obedecemos a esse mandamento, recebemos a promessa de que “prosperaremos na terra”. Essa prosperidade consiste em mais do que bens materiais — pode incluir desfrutar de boa saúde e vigor mental. Inclui a solidez da família e o crescimento espiritual. Espero que aqueles de vocês que não estão pagando o dízimo integral agora busquem a fé e a força para fazê-lo. Ao quitarem essa obrigação para com seu Criador, encontrarão uma felicidade muito grande, semelhante à que só é conhecida por aqueles que são fiéis a esse mandamento.

Constância nº 2: Viva com menos do que ganha. Descobri que não há como jamais ganhar mais do que se pode gastar. Estou convencido de que não é a quantidade de dinheiro que uma pessoa ganha que traz paz de espírito, mas sim ter controle sobre seu dinheiro. O dinheiro pode ser um servo obediente, mas também um capataz cruel. Aqueles que estruturam seu padrão de vida de modo a permitir uma pequena sobra controlam suas circunstâncias. Aqueles que gastam um pouco mais do que ganham são controlados por suas circunstâncias. Estão em cativeiro. O presidente Grant certa vez disse: “Se há uma coisa que trará paz e contentamento ao coração humano e à família, é viver dentro de nossas posses. E se há uma coisa que é opressiva, desanimadora e desalentadora, é ter dívidas e obrigações que não se pode cumprir” (Gospel Standards, Salt Lake City: Improvement Era, 1941, p. 111).

A chave para gastar menos do que ganhamos é simples — chama-se disciplina. Cedo ou tarde na vida, todos nós precisamos, com o tempo, aprender a disciplinar a nós mesmos, nossos apetites e nossos desejos econômicos. Quão abençoado é aquele que aprende a gastar menos do que ganha e a guardar algo para os dias difíceis.

Constância nº 3: Aprenda a distinguir entre necessidades e desejos. Os apetites do consumidor são criados pelo homem. Nosso sistema de livre iniciativa e concorrência produz bens e serviços ilimitados para estimular nosso desejo de mais conveniência e luxo. Não critico o sistema nem a disponibilidade desses bens ou serviços. Preocupo-me apenas com o fato de nosso povo usar bom senso em suas compras. Precisamos aprender que o sacrifício é parte vital de nossa disciplina eterna.

Neste e em muitos outros países, muitos pais e filhos nascidos desde a Segunda Guerra Mundial conheceram apenas condições de prosperidade. Muitos foram condicionados à gratificação instantânea. Houve amplas oportunidades de emprego para todos os capazes de trabalhar. Os luxos de ontem, para a maioria, são considerados as necessidades de hoje.

Isso é bem exemplificado por casais jovens que esperam mobiliar seus lares e prover-se de luxos logo ao iniciarem o casamento — coisas que seus pais só conseguiram adquirir depois de muitos anos de luta e sacrifício. Ao quererem demais e cedo demais, os casais jovens podem sucumbir a planos de crédito fácil, mergulhando assim em dívidas. Isso os impediria de ter os meios financeiros necessários para fazer o que a Igreja sugere quanto ao armazenamento de alimentos e outros programas de segurança.

O excesso de indulgência e a má administração do dinheiro impõem uma pesada tensão aos relacionamentos conjugais. A maioria dos problemas conjugais, ao que parece, tem origem econômica — seja renda insuficiente para sustentar a família, seja má administração da renda recebida.

Certo jovem pai foi procurar seu bispo em busca de aconselhamento financeiro e contou uma história por demais frequente: “Bispo, fui bem treinado como engenheiro e ganho um bom salário. Parece que, durante toda a escola, me ensinaram a ganhar dinheiro, mas ninguém me ensinou a administrá-lo.”

Embora acreditemos ser desejável que todo estudante frequente aulas de educação para o consumo, o treinamento primário cabe aos pais. Os pais não podem deixar esse treinamento vital ao acaso, nem transferir inteiramente essa responsabilidade às escolas públicas e universidades.

Parte importante desse treinamento deve ser explicar o que é dívida. Para a maioria de nós, há dois tipos de dívida financeira — a dívida de consumo e a dívida de investimento ou de negócios. A dívida de consumo se refere à compra a crédito daquilo que usamos ou consumimos no dia a dia. Exemplos incluem a compra parcelada de roupas, eletrodomésticos, móveis etc. A dívida de consumo é garantida hipotecando nossos ganhos futuros. Isso pode ser muito perigoso. Se formos dispensados do trabalho, ficarmos incapacitados ou enfrentarmos emergências sérias, teremos dificuldade em cumprir nossas obrigações. A compra parcelada é a forma mais cara de comprar. Ao custo dos bens que compramos devem ser somados pesados juros e taxas de administração.

Reconheço que as famílias jovens, por vezes, acham necessário comprar a crédito. Mas os advertimos a não comprar mais do que é realmente necessário e a quitar suas dívidas o mais rápido possível. Quando o dinheiro está apertado, evitem o fardo adicional de juros extras.

A dívida de investimento deve ser totalmente garantida, de modo a não comprometer a segurança da família. Não invistam em empreendimentos especulativos. O espírito de especulação pode tornar-se inebriante. Muitas fortunas já foram destruídas pelo apetite descontrolado de acumular cada vez mais. Aprendamos com as tristezas do passado e evitemos escravizar nosso tempo, energia e saúde em geral a um apetite voraz por adquirir cada vez mais bens materiais.

O presidente Kimball nos deu este conselho instigante:

“O Senhor tem nos abençoado como povo com uma prosperidade sem igual nos tempos passados. Os recursos que foram colocados em nosso poder são bons e necessários para nossa obra aqui na terra. Mas temo que muitos de nós tenhamos sido saciados de rebanhos e gado, e acres, e celeiros, e riqueza, e tenhamos começado a adorá-los como falsos deuses, e eles têm poder sobre nós. Será que temos mais dessas coisas boas do que nossa fé pode suportar? Muitas pessoas passam a maior parte do tempo trabalhando a serviço de uma autoimagem que inclui dinheiro suficiente, ações, títulos, carteiras de investimento, propriedades, cartões de crédito, mobília, automóveis e coisas semelhantes para garantir a segurança carnal ao longo de, espera-se, uma vida longa e feliz. Esquece-se o fato de que nossa incumbência é usar esses muitos recursos em nossas famílias e quóruns para edificar o reino de Deus” (Ensign, June 1976, p. 4).

A título de testemunho, gostaria de acrescentar isto à declaração do presidente Kimball. Não conheço nenhuma situação em que a felicidade e a paz de espírito tenham aumentado com o acúmulo de bens além dos desejos e necessidades razoáveis da família.

Constância nº 4: Desenvolva e viva dentro de um orçamento. Um amigo meu tem uma filha que foi ao exterior por um semestre, num programa de estudos da BYU. Ela vivia escrevendo para casa pedindo mais dinheiro. Sua preocupação foi tanta que ele lhe telefonou a longa distância e a questionou sobre a necessidade dos recursos adicionais. Em certo ponto da conversa, a filha explicou: “Mas, papai, posso dizer-lhe onde cada centavo que o senhor me enviou foi gasto.”

Ele respondeu: “Você não parece entender o ponto. Estou interessado num orçamento — um plano de gastos — e não num diário de para onde foi o dinheiro.”

Talvez os pais devessem ser mais como o pai daquele universitário que telegrafou para casa: “Sem grana, sem graça, seu filho.” O pai respondeu por telegrama: “Que pena, mas nada consigo, seu pai.”

Tem sido minha observação, ao longo de anos entrevistando muitas pessoas, que um número excessivo de pessoas não tem um orçamento viável nem se disciplinou a cumprir suas disposições. Muitas pessoas pensam que um orçamento as priva da liberdade. Pelo contrário, as pessoas bem-sucedidas aprenderam que um orçamento torna possível a verdadeira liberdade econômica.

Fazer orçamento e administrar as finanças não precisa ser algo excessivamente complicado ou demorado. Conta-se a história de um pai imigrante que mantinha suas contas a pagar numa caixa de sapatos, suas contas a receber num espeto de papéis e seu dinheiro na caixa registradora.

“Não vejo como o senhor pode administrar seu negócio assim”, disse o filho. “Como sabe qual é seu lucro?”

“Filho”, respondeu o comerciante, “quando desci do navio, eu só tinha a calça que estava vestindo. Hoje sua irmã é professora de arte, seu irmão é médico e você é contador. Tenho um carro, uma casa e um bom negócio. Tudo está pago. Então você soma tudo isso, subtrai a calça, e aí está meu lucro.”

Conselheiros financeiros sábios ensinam que há quatro elementos diferentes em qualquer bom orçamento. Deve-se prever, primeiro, as necessidades operacionais básicas, como alimentação, vestuário etc.; segundo, o patrimônio da casa; terceiro, as necessidades de emergência, como poupança, seguro-saúde e seguro de vida; e, quarto, investimentos sensatos e um programa de armazenamento para o futuro.

Permitam-me comentar dois desses elementos. Nada parece tão certo quanto o inesperado em nossa vida. Com o aumento dos custos médicos, o seguro-saúde é a única forma de a maioria das famílias arcar com custos sérios de acidentes, doenças ou maternidade, particularmente os de partos prematuros. O seguro de vida garante a continuidade da renda quando o provedor morre prematuramente. Toda família deve providenciar um seguro-saúde e de vida adequados.

Depois de atendidas essas necessidades básicas, devemos, por meio de uma administração frugal, poupar regularmente para criar fundos de investimento. Tenho observado que poucas pessoas obtiveram sucesso com investimentos sem antes desenvolver o hábito de poupar regularmente. Isso exige disciplina e discernimento criterioso. Há muitas formas de investir. Meu único conselho é que escolham com sabedoria seus consultores de investimento. Certifiquem-se de que eles merecem sua confiança, mantendo um histórico de investimentos bem-sucedido.

Constância nº 5: Seja honesto em todos os seus assuntos financeiros. O ideal da integridade jamais sairá de moda. Ele se aplica a tudo o que fazemos. Como líderes e membros da Igreja, devemos ser o epítome da integridade.

Irmãos e irmãs, por meio desses cinco princípios, tentei esboçar o que poderia ser caracterizado como o verdadeiro padrão de administração financeira e de recursos.

Espero que cada um de nós possa beneficiar-se de sua aplicação. Presto meu testemunho de que são verdadeiros e de que esta Igreja e a obra em que estamos empenhados são verdadeiras. Em nome de Jesus Cristo, amém.

Como citar este discursoN. Eldon Tanner, “Constância em Meio à Mudança”, Conferência Geral de Outubro de 1979, Welfare Session (1979-10-01). Pulpit Vault, 1979-10-tanner-constancy-amid-change. Tradução desta edição, por método de glossário, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).