Pulpit

Para Aqueles que Buscam a Felicidade

N. Eldon Tanner

Conferência Geral de Abril de 1979·Saturday Morning Session·1979-04-01

Em 1896, cerca de dois anos antes de eu nascer, o Sr. R. M. Bryce Thomas, de Londres, na Inglaterra, fez uma visita a Salt Lake City, em Utah, onde tomou conhecimento, pela primeira vez, de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Após essa visita, e depois de uma investigação minuciosa e cuidadosa sobre as práticas e doutrinas da Igreja, e de uma comparação entre os ensinamentos da Igreja primitiva de Jesus Cristo, estabelecida por Ele, e sua própria igreja na Inglaterra, ele se tornou, mais tarde, membro batizado.

Em 24 de maio de 1897, em Londres, na Inglaterra, ele escreveu um artigo ao qual deu o título "Minhas Razões para... Ingressar na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias." No prefácio da primeira edição, ele declarou:

"O objetivo que tive em mente ao escrever este artigo, explicando as razões pelas quais deixei [minha] igreja [na] Inglaterra e ingressei na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, é atender, tanto quanto possível, ao desejo daqueles parentes e amigos meus que manifestaram vontade de saber algo a respeito dos ensinamentos dos santos dos últimos dias, bem como das razões que me levaram a rejeitar a fé de meus pais."

Ele concluiu com este parágrafo:

"Ao enviar as páginas seguintes, peço a nosso Pai Celestial, em nome de Seu Filho, nosso Senhor Jesus, que faça repousar Sua bênção sobre o que escrevi, na medida em que esteja em estrita conformidade com Sua verdade, e com Sua santa palavra e vontade" (Liverpool, Inglaterra: Millennial Star Office, 1897).

No prefácio da segunda edição americana, de 9 de dezembro de 1904, lemos:

"Desde que escrevi as páginas desta pequena obra, no entanto, fiz duas visitas a Utah e travei conhecimento pessoal com os santos dos últimos dias, em Salt Lake City e em várias outras cidades daquele Estado. Na primeira dessas visitas, residi com duas famílias bem conhecidas de santos, obtendo, com isso, a melhor oportunidade possível de conviver livremente na sociedade desse povo e de formar uma avaliação justa e correta a respeito deles... Que eles, em comum com o restante da humanidade, tenham suas fraquezas e falhas, é apenas de se esperar, e haverá mesmo alguns entre eles que só possam reivindicar o título de santos dos últimos dias em pouco mais que nome; mas, tomando o povo como um todo, encontrei-os essencialmente tementes a Deus, honestos, retos, com fé firme em seu Pai Celestial, fortes em seus testemunhos quanto à divindade da grande obra dos últimos dias em que estão empenhados, e em sua crença no grande destino que os aguarda.

"Entre os santos, como entre outros povos cristãos, encontram-se homens e mulheres instruídos e inteligentes. A educação é uma característica especial entre eles, e não é de forma alguma incomum encontrar, nessa comunidade, pessoas que estudaram, e outras que atualmente estudam música vocal e instrumental e pintura nos principais centros de arte da Europa e nas partes orientais dos Estados Unidos. O talento musical parece ser decididamente notório entre eles. Vários cargos importantes no Estado, que exigem qualificações como educação, inteligência, capacidade e honestidade, têm sido, e continuam sendo, ocupados por santos dos últimos dias; ao passo que há aqueles que, tendo se qualificado plenamente nas profissões jurídica, médica, jornalística e comercial, seguem suas várias vocações com crédito e proveito para si mesmos, e vantagem para o povo de Utah.

"Faço agora minha terceira visita à capital daquele Estado, e não vejo razão para modificar a opinião que formei a respeito dos santos durante minha estada com eles em 1901." (Primeiro prefácio, Salt Lake City: Bureau of Information and Church Literature, 1904.)

Sem desejo de me gabar ou de ofender, mas em toda humildade, e apenas para fazer uma avaliação dos benefícios do evangelho na vida das pessoas, atrevo-me a dizer que, se o Sr. Thomas visitasse Utah hoje, setenta e seis anos depois, creio que ainda assim não veria razão para modificar sua opinião.

A Igreja continua com a mesma organização, os mesmos ideais e propósitos, e seu povo continua motivado a se tornar bem instruído, a servir de forma eficiente e honesta nas várias profissões, no governo, na indústria, em suas comunidades e em sua igreja, a qual cresceu a tal ponto que hoje é conhecida como uma igreja mundial.

Em 1897, quando Bryce Thomas escreveu pela primeira vez seu artigo, havia apenas 37 estacas, comparadas a mais de 1.000 hoje; 18 missões, comparadas a mais de 160 missões hoje; e 222.334 membros (menos de um quarto de milhão), comparados a mais de quatro milhões hoje.

Cito novamente do panfleto:

"Descobri que esse povo possuía um belo Templo e um Tabernáculo muito bom, com terrenos bem planejados e bem cuidados; suas casas também eram limpas e pitorescas, com belos jardins junto a elas, enquanto podiam se orgulhar de um Coro do Tabernáculo... o melhor que já ouvi. Tudo o que se relacionava a esse povo parecia ser extremamente bem administrado e cuidado, enquanto seus missionários pregavam o Evangelho na maior parte do mundo, tendo saído todos por conta própria, e com grande sacrifício pessoal em todos os casos. A organização eclesiástica dos santos também parecia ser completa e eficaz... Decidi, portanto, adquirir alguns de seus livros, especialmente o Livro de Mórmon, a fim de conhecer melhor seu caráter e suas doutrinas." (Thomas, primeira edição, p. 3.)

Assim ele fez, e seu extenso estudo o convenceu de que realmente havia ocorrido uma apostasia da Igreja tal como estabelecida por Jesus Cristo. Ele afirma que não conseguiu encontrar uma igreja que tivesse a mesma organização e os mesmos ensinamentos de Jesus Cristo, conforme estabelecidos no Antigo e no Novo Testamento.

Ele se convenceu, por meio de seu estudo, de que havia necessidade de um profeta na terra, e de que havia um, por meio de quem o Senhor pudesse continuar a enviar suas revelações para orientar seu povo — de que a revelação de Deus ao homem não havia cessado. Ele passou a compreender a importância e a necessidade de se possuir o Espírito Santo, por meio de quem os dons do Espírito podiam se manifestar.

Ele se impressionou ao compreender a oração de Jesus, quando orou para que todos os seus filhos fossem um, assim como Ele e Seu Pai Celestial eram um (ver João 17:11). Este é seu comentário:

"Ora, parece possível supor que esse espírito de Unidade, esse Consolador, que Jesus Cristo enviaria a fim de mostrar a Seus seguidores como se tornar semelhantes a Ele, e guiá-los a toda a verdade, possa estar guiando as numerosas igrejas contendoras e discordantes da Cristandade, que exibem tal amargura umas contra as outras, amargura e ódio que, não há muitos anos, culminaram até mesmo no derramamento de sangue humano!" (Thomas, primeira edição, p. 11.)

Sua busca o levou a descobrir que a maioria das igrejas havia mudado a ordenança do batismo por imersão, a forma pela qual Jesus Cristo e Seus discípulos foram batizados, que é praticada em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Quanto ao batismo de crianças, ele constatou que não havia vestígio dessa prática até o Terceiro Século e, portanto, ela não fazia parte da igreja original de Cristo. Ele achou difícil aceitar uma doutrina que ensinava que o pecado de Adão estava presente nas criancinhas, pois sentia que uma criança é perfeita em Jesus Cristo e não tem pecado do qual se arrepender.

Em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, as crianças não são batizadas até os oito anos de idade, ou a idade da responsabilidade.

Pela Bíblia, o Sr. Thomas soube que o batismo pelos mortos era praticado na Igreja primitiva, mas fora abolido nos últimos dias. Ele encontrou muitas evidências que sustentam essa doutrina, o que levou Paulo a escrever, em uma epístola aos coríntios:

"Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam eles então pelos mortos?" (1 Coríntios 15:29.)

Pedro respondeu a essa pergunta com estas palavras:

"Porque para isso foi o evangelho pregado também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, porém vivessem segundo Deus em espírito" (1 Pedro 4:6).

Sabemos, pelas escrituras, que o evangelho é pregado aos mortos, e que os mortos serão julgados segundo os homens na carne e viverão segundo Deus em espírito. Assim, o batismo é necessário para aqueles que, durante sua vida, não tiveram oportunidade dessa ordenança do batismo por imersão para a remissão dos pecados.

Somente na Igreja de Jesus Cristo encontramos a obra do templo, realizada pelos vivos e vicariamente pelos mortos, que dependem de nós para a realização desse trabalho em favor daqueles que não podem fazê-lo por si mesmos, assim como dependemos de Cristo para fazer por nós o que não podíamos fazer por nós mesmos.

O Senhor disse, referindo-se ao batismo por nossos mortos: "Pois nós, sem eles, não podemos ser aperfeiçoados; nem podem eles, sem nós, ser aperfeiçoados" (D&C 128:18).

Deus proporcionou o caminho para atingir essa perfeição por meio do trabalho genealógico e do templo, para que possamos traçar nossa ascendência e ligar família a família até Adão. Esse trabalho está sendo realizado hoje nos templos da Igreja, em cumprimento à profecia de Malaquias, que disse:

"Eis que eu vos envio o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor;

"E ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição." (Malaquias 4:5–6.)

Diante de todas as evidências que mostram que as diferentes igrejas surgidas após a morte de Cristo e de Seus apóstolos se haviam desviado da verdade e mudado as ordenanças da Igreja primitiva, é fácil compreender e aceitar o fato de que houve uma apostasia, a qual havia sido predita por profetas do Antigo e do Novo Testamento.

Durante o período conhecido como a Idade das Trevas, não havia profeta na terra para revelar a palavra de Deus ao homem, e houve ainda maior afastamento do evangelho verdadeiro e mais mudanças nas ordenanças, tais como praticadas na Igreja original.

Por fim, conforme profetizado por João, o Revelador, o evangelho foi restaurado à terra por meio de Joseph Smith, que foi escolhido como profeta e a quem foram confiadas as chaves da Restauração e do estabelecimento da Igreja na terra nestes, os últimos dias.

Convido vocês a ler a história de Joseph Smith e do aparecimento pessoal de Deus, o Pai, e Seu Filho, Jesus Cristo, e a vinda do Livro de Mórmon, que é uma nova testemunha de Cristo na América e um companheiro da Bíblia.

Ezequiel se refere a esses dois livros como o Cajado de Judá e o Cajado de José, e profetiza que se tornarão um só, significando que proclamam o mesmo evangelho e ensinam as mesmas doutrinas (ver Ezequiel 37:16–19).

Passemos agora a resumir algumas das razões apresentadas pelo Sr. Thomas para ingressar na Igreja:

  • O caráter moral do povo como um todo, sua fé em Deus e seus testemunhos quanto à divindade da obra em que estavam empenhados.

  • A completude e a eficácia da organização da Igreja, com as mesmas ordenanças da igreja estabelecida por Jesus Cristo.

  • A restauração do evangelho após a Apostasia, e a necessidade de um profeta vivo, por meio de quem Deus pudesse continuar a revelar Sua palavra para orientar Seu povo.

  • O batismo por imersão para a remissão dos pecados, a proibição do batismo de crianças e o batismo pelos mortos, todas doutrinas ensinadas na igreja original de Cristo.

  • O trabalho genealógico e do templo pelos vivos e pelos mortos, conforme mencionado no Antigo e no Novo Testamento.

As razões apresentadas pelos conversos que ingressam na Igreja hoje são semelhantes e tão variadas que levam à conclusão de que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias pode suprir as necessidades tanto espirituais quanto materiais de qualquer pessoa que busque a verdade.

Permitam-me compartilhar com vocês alguns testemunhos e razões pessoais para ingressar na Igreja.

Na Flórida, um jovem casal visitava diferentes denominações e finalmente se deparou com uma igreja SUD, onde compareceram a uma reunião. Eles disseram:

"Descobrimos que era diferente de qualquer igreja que já havíamos visitado antes. Depois de receber as lições e frequentar a igreja, decidimos que essa era a igreja que buscávamos havia tanto tempo." A mãe declarou que foi surpreendente ver o que as crianças estavam aprendendo sobre a Bíblia e Jesus Cristo, as mudanças que notou na forma como elas se relacionavam melhor com outras crianças, e sua prestatividade em casa.

A vida familiar e doméstica deles também mudou quando o marido recebeu o sacerdócio, o que aumentou sua autoconfiança e seu desejo de melhorar a vida e o relacionamento familiar.

Um homem no Equador encontrou alguns missionários na rua perto de sua casa e os convidou a entrar. Eles deixaram folhetos, panfletos e um exemplar do Livro de Mórmon. Ele os leu, gostou deles e, mais tarde, disse a respeito dos missionários:

"Gostei dos ensinamentos deles. Ensinaram-me coisas que minha própria igreja nunca havia ensinado. Percebi que precisava viver os mandamentos sobre os quais me falavam. A Palavra de Sabedoria me deu uma nova vida. Sei que é da vontade do Senhor não usar tabaco, chá, café ou bebidas alcoólicas. Quando os élderes me ensinavam, eu sabia que precisava vivê-la se quisesse ter uma boa vida. Os élderes me disseram para orar a respeito; depois, tiveram de me ensinar como orar."

Na Finlândia, uma mulher, perdida e solitária após a morte do marido, foi encontrada por missionários que responderam a algumas de suas perguntas. Ela disse:

"Fiquei surpresa com as respostas deles. Falaram sobre um reencontro com meu marido. Tivemos um casamento maravilhoso, e eu simplesmente não conseguia pensar que ele terminaria assim, sem mais nem menos. Meu pastor não me dera nenhuma resposta, mas aqueles jovens missionários me falaram de um belo conceito de vida eterna. Escutei em lágrimas e quis ouvir mais."

Ela estudou e leu o Livro de Mórmon, recebeu um testemunho e foi batizada.

Um converso na Inglaterra conta sua história. Amargurado pela morte de um filho pequeno que morrera sem batismo e, por isso, teve negado o sepultamento no cemitério da igreja, ele estava pronto para os missionários que sua esposa havia convidado a sua casa. Sua primeira pergunta foi sobre o ensinamento da Igreja acerca do batismo de crianças.

Os élderes citaram uma passagem do Livro de Mórmon que ensina que as crianças são incapazes de pecar e que não têm necessidade de batismo, pois já estão salvas.

Então ele fez este comentário: "Era o tipo de doutrina que Cristo ensinaria. Eu simplesmente não conseguia entender como um Deus amoroso poderia sentir de outra forma a respeito das crianças. Depois, os élderes me deram uma lição sobre como obter um testemunho. Coloquei isso à prova, orei e recebi uma resposta. Senti o ardor no peito, exatamente como as escrituras descrevem. Soube que era verdade."

Ele fez ainda este outro comentário: "Um dos princípios mais alegres para mim é o casamento celestial. Sinto que, se as pessoas pudessem compreender isso e realmente amar seu marido ou sua esposa, elas ingressariam na Igreja só por isso. É um princípio maravilhoso."

Por fim, tratarei brevemente da conversão de um pastor protestante que, após muita tribulação e perseguição por parte de outros pastores e amigos ao decidir se converter, deu o seguinte testemunho:

"Escrevi isto para mostrar que, assim como na Bíblia, quando um homem encontra uma 'pérola de grande valor', ele venderá tudo o que possui, se necessário, a fim de obtê-la [ver Mateus 13:46]. Encontrei aquela paz e verdade dentro da igreja mórmon, as quais eu buscava havia mais de doze anos.

"Ainda não terminei minha primeira leitura do Livro de Mórmon, mas as riquezas de suas verdades, tais como registradas pelo Profeta Joseph Smith, já se tornaram parte vital da vida espiritual de nossa família. Nenhum homem poderia ter escrito esse livro senão pelo poder de Deus. Aceitamos a prova de ódio pela qual passamos como o teste de Deus quanto à sinceridade de nossa busca.

"Minha oração é que outros não continuem a cegar deliberadamente os próprios olhos, recusando-se até mesmo a ler o Livro de Mórmon para aprender. Nenhum homem pode ler esse livro sem que sua vida seja transformada. Não me tornei, da noite para o dia, um perito na fé mórmon, mas sou um estudante ávido e não tenho medo de aprender o que o Espírito Santo ensinaria por meio daqueles a quem Ele deu autoridade.

"Minha tragédia pessoal como pastor protestante foi ter desperdiçado uma boa parte de meu tempo precioso tentando manter em funcionamento uma organização e instituição que já não pode, por mais esforço de imaginação que se faça, ser mostrada como realizadora da obra de Cristo."

Convido a todos vocês a estudar as escrituras, nas quais se encontram as palavras da vida eterna e o caminho para a exaltação.

Jesus disse: "Pois eis que esta é minha obra e minha glória: Levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem" (Moisés 1:39).

Isso é tão importante que Ele deu Sua vida por nós, para que pudéssemos ser ressuscitados, e nos deu o plano de vida e salvação pelo qual isso pode ser realizado. Leiam a Bíblia e o Livro de Mórmon, que testificam das coisas que lhes disse neste dia.

Se vocês estão buscando a felicidade nesta vida e a vida eterna com Deus, o Pai, e Seu Filho Jesus Cristo, no porvir, então exorto a todos vocês a encontrar o caminho, a verdade e a vida, que se encontram em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Em nome de Jesus Cristo, amém.

Como citar este discursoN. Eldon Tanner, “Para Aqueles que Buscam a Felicidade”, Conferência Geral de Abril de 1979, Saturday Morning Session (1979-04-01). Pulpit Vault, 1979-04-tanner-to-those-searching-for-happiness. Tradução desta edição, por método de glossário, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).