Obstáculos ao Progresso
Marvin J. Ashton
Há algumas semanas, uma mãe infeliz, que fora deixada sozinha para cuidar de si mesma e de seus três filhos pequenos, indicou que não estava mais frequentando a igreja: "Por que eu deveria? Já moro no mesmo apartamento há mais de quatro meses e nem uma pessoa veio nos visitar." ¶
Ela pareceu perplexa e surpresa quando, em vez de dizer: "Farei com que o bispo entre em contato com a senhora imediatamente", eu perguntei: "Quantas pessoas a senhora visitou desde que se mudou para sua nova vizinhança?" ¶
Muitos de nós erguemos obstáculos ao nosso próprio progresso e contribuímos para nossa própria infelicidade enquanto esperamos que outros nos procurem e nos ofereçam ajuda. Atitudes negativas vividas hoje causam estagnação, miséria e amargura amanhã. É improdutivo que aqueles que deveriam estar diligentemente empenhados em buscar a vida abundante fiquem alimentando mágoas pessoais. Somos todos filhos de Deus. Se O amamos, alimentaremos as Suas ovelhas onde quer que se encontrem, sem nos preocuparmos com nossa própria situação ou dificuldade pessoal. Muitas vezes podemos alimentar melhor os outros justamente quando estamos famintos ou não totalmente confortáveis no rebanho que atualmente ocupamos. Com muita frequência, aqueles que estão famintos, desamparados e enregelados são mais bem resgatados por quem já passou pelas mesmas provações. Marcar passo ou procrastinar não deve ser permitido aos fracos, cansados, inseguros e não reconhecidos. Em vez disso, há um poder de cura quando usamos nossa energia na ação, no serviço e em erguer os outros. ¶
Foi Booker T. Washington quem sabiamente declarou: "O sucesso deve ser medido não tanto pela posição que alguém alcançou na vida, mas pelos obstáculos que superou ao tentar ter êxito." (The International Dictionary of Thoughts, comp. John P. Bradley e outros, Chicago: J. G. Ferguson Publishing Company, 1969, p. 698.) As vitórias na vida vêm de nossa capacidade de contornar e superar os obstáculos que atravessam nosso caminho. Tornamo-nos mais fortes ao escalarmos nossas próprias montanhas. ¶
"As coroas mais brilhantes usadas no céu foram provadas, fundidas, polidas e glorificadas na fornalha da tribulação", segundo Thomas Carlyle (Vital Quotations, Emerson Roy West, comp., Salt Lake City: Bookcraft, 1968, p. 312). ¶
Permitam-me compartilhar quatro fatores básicos que podem impedir nosso progresso pessoal e nossa atividade na Igreja: (1) alimentar constantemente mágoas pessoais, (2) ceder à tristeza da tragédia e do luto, (3) permanecer preso a hábitos e erros de conduta, (4) deixar que os medos impeçam o progresso. ¶
Ponderemos sobre esses inimigos do progresso eterno e busquemos maneiras de reunir coragem para afastá-los. ¶
Alimentar constantemente mágoas pessoais. Cada um de nós deveria resolver diariamente que, com a ajuda de Deus, não permitirá que palavras descuidadas de outros moldem nosso destino ou controlem nosso rumo diário. Como é trágico ver, por vezes, uma vida de utilidade perdida porque permitimos que um comentário indelicado causasse uma ferida ou mágoa. Deixamos que a lesão se torne uma chaga aberta e supure, em vez de tratá-la com habilidade e maturidade imediatas. Alguns tentam revidar contra seus ofensores abandonando a corrida da vida. Quão fraca, quão prejudicial, quão autolimitadora é a afirmação tantas vezes usada: "Nunca mais voltarei enquanto aquela pessoa estiver lá!" Em certas ocasiões, alguns de nós parecem ficar à margem, esperando ser magoados, ofendidos ou ignorados. Ficamos atentos a palavras descuidadas dos outros, lembramo-nos dos bom-dias não ditos e interpretamos nas palavras ditas ou não ditas uma mensagem totalmente não intencional. ¶
Perguntaram a um dos melhores jogadores de basquete de todos os tempos o que mais havia contribuído para seu êxito extraordinário. Sua resposta foi: "Aprendi a jogar com dor. Embora surgissem lesões, contusões e machucados, nunca me permiti o luxo de diminuir o ritmo ou desistir." ¶
O maior mestre e líder também mostrou ao mundo um exemplo de conduta apropriada quando foi vítima de palavras indelicadas e atos cruéis. Ele simplesmente disse: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lucas 23:34). ¶
Durante Sua missão terrena, Jesus transformou todo confronto em uma experiência de aprendizado, inclusive aqueles que seriam destrutivos ou causariam mágoa e insatisfação. Ele nunca foi rebelde, nunca se envergonhou; foi sempre longânimo, paciente, régio; e jamais se deixou deter de cuidar dos negócios de Seu Pai. Ele também provou Sua grandeza quando Sua dor e sofrimento pessoais foram mais intensos. Palavras dolorosas e atos indelicados jamais O impediram de alcançar Seus objetivos. Ninguém pode enfrentar a vida em toda a sua plenitude sem experimentar mágoa, dor e sofrimento. ¶
A pessoa sábia evitará a enxurrada de amargura e ódio que as águas da mágoa podem causar. Ela buscará constantemente as sendas do Salvador, sem se deter nesse obstáculo causado por injustiças aparentes ou reais. Cabe a nós avançar e não nos confundirmos nem nos atrapalharmos. Aqueles de nós que não conseguem perdoar e esquecer destroem as pontes pelas quais precisamos passar. Com demasiada frequência permitimos que incidentes contribuam para nossa estagnação quando nos permitimos sentir ignorados, indesejados ou indignos. Quão prejudicial é a compaixão quando autoadministrada. Quão reconfortante é encontrar pessoas que não têm tempo para se ofenderem. Certamente o que somos é mais importante do que o que temos ou o que se diz de nós. ¶
Ceder à tristeza da tragédia e do luto. Com demasiada frequência, a perda trágica de um filho, marido, esposa, mãe, pai ou outro ente querido torna-se um ponto de virada na vida. Alguns cedem ao pensamento prejudicial de que, se existe um Pai Eterno todo-sábio e amoroso, como Ele poderia permitir que isso acontecesse comigo e com os meus? Permitimos que o sofrimento rompa o vínculo e o laço fortalecedor com Aquele que prometeu nos conduzir com êxito por nossos Getsêmanis. Alguns de nós, em nossos momentos de maior desespero, afastam-se com amargura do braço de força, consolo e paz. Às vezes, em nossas horas mais sombrias, perdemos de vista a luz ao nos determos em perguntas sem resposta: "Por que Deus permite que isso aconteça comigo ou com minha família? O que fizemos para merecer isso?" ¶
Este episódio foi relatado por Lucile F. Johnson, de Orem, Utah: "Havia uma senhora atraente, cuja companhia todos buscavam e apreciavam. Era um prazer estar perto dela, pois parecia amar a vida e as pessoas ao máximo. Um dia eu lhe disse: 'A senhora é uma alegria tão grande para todos nós. Qual é o seu segredo? Pode me contar?' ¶
"'Sim', ela respondeu. 'Uma palavra mudou minha vida.' ¶
"'E qual foi essa palavra?', perguntei. ¶
"'Maligno!' Surpresa, ouvi esta explicação: 'O médico me disse essa palavra e informou que eu tinha um tempo limitado de vida. Eu tinha uma escolha. Poderia deixar todos infelizes ou poderia tentar fazer os outros felizes. De joelhos, percebi que eu tinha um dia de cada vez, assim como todos os demais. Consegui ver coisas que nunca havia visto. Meu marido, meus filhos, cada pessoa adquiriu uma beleza que você não pode imaginar. Sei que a vida é um dom, seja ele de um dia ou de um ano, e pretendo aproveitar ao máximo o meu dom.'" ¶
Se as obras de Deus se manifestam em curas ou na demonstração de coragem e aceitação por parte daqueles que enfrentam desafios, isso deve ser deixado à sabedoria suprema Daquele que tudo compreende. Quão reconfortantes e fortalecedoras são as vidas daqueles que seguem em frente e para cima, apesar das tragédias e dos lutos. ¶
Um navio segue para leste, e outro para oeste, ¶
Com os mesmos ventos que sopram. ¶
É o ajuste das velas ¶
E não as tempestades ¶
Que nos dizem o rumo a seguir. ¶
Como os ventos do mar são os caminhos do destino, ¶
Enquanto viajamos pela vida: ¶
É a disposição de uma alma ¶
Que decide sua meta, ¶
E não a calmaria ou a luta. ¶
(Ella Wheeler Wilcox, "The Winds of Fate," Masterpieces of Religious Verse, James Dalton Morrison, ed., Nova York: Harper & Brothers Publishers, 1948, p. 314.) ¶
Permanecer preso a hábitos e erros de conduta. Um amigo meu que, somente nos últimos meses, deu passos gigantescos rumo a uma vida com propósito e à plena atividade na Igreja, compartilhou o seguinte: "Posso lhe dizer, como alguém que tem muitos anos de experiência e prática, que é muito mais fácil criticar indivíduos e atacar a instituição do que mudar a si mesmo e reconhecer as verdadeiras causas de sua própria inatividade e negativismo." ¶
Mudar é difícil. Em vez de enfrentar a luta para superar um mau hábito ou corrigir um erro, alguns de nós optam por arranjar desculpas para a inatividade. O progresso vem quando somos capazes de abrir mão de algo em troca de algo que desejamos mais. A honestidade consigo mesmo e o estabelecimento de metas desejáveis, mas alcançáveis, dia a dia, podem determinar os caminhos que seguimos. Pode-se fazer uma lista de metas e depois uma lista de preços para cada meta. Um dia de cada vez, o preço da mudança pode ser pago. Assim, o custo não se tornará esmagador. ¶
O Senhor prometeu que perdoará e não se lembrará mais quando o processo de arrependimento estiver completo. Se o Senhor fará isso por nós, por que não faríamos o mesmo por nós mesmos? Erros podem ser perdoados. Hábitos podem ser mudados. Mais um obstáculo ao progresso pode ser removido. ¶
Em contraste com esse processo, quão desanimador é testemunhar alguém que vive com hábitos prejudiciais e que resiste a dar passos pessoais rumo a um melhor autogerenciamento. William James disse: "Aquilo que prende a atenção determina a ação" (Vital Quotations, Emerson Roy West, comp., Salt Lake City: Bookcraft, 1968, p. 5). O verdadeiramente arrependido deixará seus erros para trás, aprenderá com eles e desviará sua atenção deles para ações que trazem progresso e crescimento. Quão reconfortante é saber que Deus nos tomará pela mão e nos elevará a novos níveis de atitude e realização, se apenas O deixarmos fazê-lo. Que doce vitória pessoal é reconhecer o desvio em sua própria vida e pagar o preço que então nos permite caminhar em Suas sendas. ¶
Deixar que os medos impeçam o progresso. O medo é outro obstáculo que pode deter nosso progresso eterno. Ele nos impede de tentar algo significativo porque temos medo do fracasso ou da rejeição. Não aceitamos oportunidades de servir na Igreja ou na comunidade porque poderíamos cometer um erro. ¶
"Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação" (2 Timóteo 1:7). Que tragédia é, em nossa vida, quando temos medo de tentar, medo de tomar decisões, medo de confiar no Senhor, ou até medo de cometer um erro de julgamento. Quem dera pudéssemos lembrar o grande ensinamento do Salvador a Pedro, quando o medo o fez deixar de andar e até começar a afundar. ¶
"Mas o barco estava já no meio do mar, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário. ¶
"Mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se Jesus para eles, caminhando por cima do mar. ¶
"E os discípulos, vendo-o caminhar sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma. E gritaram com medo. ¶
"Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu, não tenhais medo. ¶
"E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas. ¶
"E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. ¶
"Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e começando a afundar, clamou, dizendo: Senhor, salva-me. ¶
"E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?" (Mateus 14:24–31.) ¶
Os medos em nossa vida podem ser vencidos se apenas tivermos fé e avançarmos com propósito. ¶
Para reforçar: alimentar constantemente mágoas pessoais é uma muleta para aqueles que se movem com hesitação, quando se movem. Ceder às dores da tragédia e do luto impede o autodesenvolvimento e tira a oportunidade de triunfar sobre obstáculos difíceis. Permanecer preso a hábitos e erros de conduta relega a pessoa à condição de vítima de seus próprios erros. Deixar que os medos impeçam o progresso é apenas mais uma evidência da falta de disposição de alguém para tentar, por medo do fracasso. Os obstáculos ao progresso eterno são afastados quando se faz a resolução de que ninguém precisa caminhar sozinho. É um dia feliz quando chegamos a saber que, com a ajuda de Deus, nada é impossível para nós. ¶
Que possamos nos esforçar por esse dia e esse conhecimento, humildemente rogo. Deus vive. Ele ouve e responde nossas orações. A essas verdades deixo meu testemunho e testificação. Em nome de Jesus Cristo, amém. ¶