O Fruto de Nossos Labores nos Serviços Assistenciais
Spencer W. Kimball
Meus amados irmãos e irmãs, eu os saúdo nesta época de colheita, com a sincera esperança de que sigamos o conselho do Senhor de manter em ordem nossa casa no que diz respeito aos serviços assistenciais. ¶
Por casa, refiro-me tanto a nossos lares individuais quanto às alas, ramos, estacas e missões que presidimos. ¶
Tenho certa preocupação de que talvez não estejamos cumprindo plenamente nossos compromissos e obrigações de fazer o que o Senhor nos instruiu e advertiu a fazer. ¶
Nossas casas podem estar em ordem por meio da aplicação planejada, consistente e oportuna dos princípios e programas básicos dos serviços assistenciais. ¶
Os serviços assistenciais constituem o programa integral que o Senhor nos proporcionou — o viver previdente, a preparação pessoal e familiar, o ensino familiar e o trabalho de professoras visitantes, a produção e distribuição de bens aos pobres, a reabilitação de membros com necessidades ou deficiências especialmente difíceis, a obtenção de empregos para os desempregados, a restauração de almas emocionalmente perturbadas à plena atividade na Igreja e na sociedade, com todos nós consagrando nossa vida à edificação do reino de Deus na terra. ¶
Temos procurado colocar em ordem a casa de nossos serviços assistenciais há quarenta e dois anos. Percorremos um longo caminho, mas ainda resta muito a fazer. Em muitas partes da Igreja, estacas e alas estão apenas começando a implementar seus serviços assistenciais. A elas dizemos: façam as coisas em ordem, e o Senhor as prosperará. Em outras partes da Igreja, os serviços assistenciais estão florescendo. Mas, independentemente de, em sua estaca em particular, vocês estarem apenas começando ou já terem implementado plenamente o sistema, sinto que é oportuno falar sobre o fruto de nossos labores assistenciais. ¶
Permitam-me sugerir que o "fruto de nossos labores assistenciais" pode ser mais bem compreendido em três níveis separados, mas relacionados. O primeiro é o do indivíduo; o segundo, o da família; e o terceiro, o da Igreja como um todo. ¶
Frutos Individuais
Os frutos experimentados pelo indivíduo incluem dignidade, autorrespeito, testemunho fortalecido, altruísmo e maior espiritualidade pessoal. Ao explicar os resultados pretendidos pelo plano assistencial, o Presidente J. Reuben Clark assim se expressou numa reunião especial de presidentes de estaca realizada aqui no Tabernáculo, em 2 de outubro de 1936: ¶
"Vê-se, assim, que, desde o início, o verdadeiro objetivo de longo prazo do plano assistencial é a formação do caráter dos membros da Igreja, tanto dos que dão quanto dos que recebem, resgatando tudo o que há de mais fino no âmago de seu ser, e fazendo florescer e frutificar a riqueza latente do espírito, que, afinal, é a missão, o propósito e a razão de ser desta Igreja." ¶
O fruto primordial do serviço assistencial é alcançado na vida dos indivíduos. Somente quando alcançado individualmente pode ele exercer sua influência pretendida sobre as unidades familiares e sobre todo o corpo da Igreja. Assim como o testemunho de cada indivíduo acrescenta força à Igreja, também o labor individual de cada membro compõe o poder dos serviços assistenciais unificados. ¶
Vocês poderão perguntar: "Como obtenho essas bênçãos, e que sementes devo semear para colher esses frutos?" Creio que elas se encontram na aplicação pessoal e diária dos seis princípios fundamentais dos serviços assistenciais: amor, serviço, trabalho, autossuficiência, consagração e mordomia. Toda a estrutura da atividade assistencial e, aliás, todo o programa da Igreja, proporciona ampla oportunidade para a aplicação desses princípios. ¶
Dissemos que os serviços assistenciais são o evangelho em ação. Isso implica que alcançamos os frutos do serviço assistencial não apenas conhecendo esses seis princípios e a doutrina do evangelho a eles relacionada, mas fazendo, trabalhando e colocando em prática o que nos foi ensinado. ¶
Muitas vezes, porém, algumas pessoas buscam os frutos sem o plantio. Com fé, plantamos a semente e, em breve, vemos o milagre do florescimento. Os homens frequentemente têm entendido mal e invertido o processo. Gostariam de ter a colheita antes do plantio. ¶
Creio que encontramos uma grande lição a esse respeito na parábola da vinha, encontrada no quinto capítulo de Jacó, no Livro de Mórmon. Depois de trabalhar longa e arduamente para produzir "muito fruto" de suas oliveiras, mas com pouco sucesso, o senhor das vinhas se desanima e pergunta: ¶
"O que mais, porém, poderia eu ter feito na minha vinha? Por acaso deixou minha mão de cuidar dela? Não, eu cuidei dela e cavei ao seu redor e podei-a e adubei-a; e estendi a mão quase todo o dia e o fim se aproxima. E sinto cortar todas as árvores de minha vinha e lançá-las no fogo, para que sejam queimadas. Quem é que corrompeu a minha vinha? ¶
"E aconteceu que o servo disse a seu amo: Não será a altura da tua vinha? Não terão os ramos superado as raízes que são boas? E porque os ramos superaram as raízes, eis que eles cresceram mais depressa do que a força das raízes, tomando força para si mesmos. Eis que, digo eu, não será esta a causa de se haverem corrompido as árvores de tua vinha?" (Jacó 5:47–48; itálico adicionado). ¶
Parece que alguns de nós temos esse mesmo problema; queremos colheitas abundantes — tanto espirituais quanto materiais — sem desenvolver o sistema de raízes que as produzirá. São poucos demais os que estão dispostos a pagar o preço, em disciplina e trabalho, para cultivar raízes fortes. Esse cultivo deveria começar em nossa juventude. Pouco eu sabia, quando menino, que as tarefas diárias na horta, alimentar o gado, carregar água, cortar lenha, consertar cercas e todo o labor de uma pequena fazenda eram parte importante de lançar raízes profundas, antes de sermos chamados a lançar ramos. Sou tão grato por meus pais compreenderem a relação entre raízes e ramos. Que cada um de nós cultive raízes profundas, para que possamos assegurar os frutos desejados de nossos labores assistenciais. ¶
Frutos Familiares
No nível familiar, os frutos de nosso trabalho assistencial são muitos. Incluem paz, amor, harmonia, solidariedade e contentamento. ¶
Uma verdadeira família de Santos dos Últimos Dias é um refúgio contra as tempestades e as lutas da vida. ¶
Homens inspirados há muito ensinam que o lar é o berço da civilização e o alicerce da sociedade. Mas o Senhor, por meio de Seus profetas, nos ensina muito mais do que isso, pois sabemos que são as famílias exaltadas que comporão a divina ordem patriarcal, a qual será a fonte de reinos e glória para os fiéis, na eternidade. ¶
Quais são as sementes que precisam ser plantadas no lar, para que a família alcance esses frutos de paz, amor e harmonia? Do ponto de vista dos serviços assistenciais, podem ser mais bem resumidas nos padrões de preparação pessoal. Esses padrões têm sido distribuídos por toda a Igreja. Espero que todos nós os aprendamos e os sigamos. ¶
Todos os dias, examino dezenas de cartas de membros da Igreja. Eles escrevem pedindo conselho a respeito de uma miríade de problemas pessoais. Ao considerar esses assuntos, encaminhando a maioria de volta a nossos líderes locais, onde podem ser mais bem tratados, lembro-me de que a maioria de nós tem problemas pessoais e familiares. Todos temos desafios, dissabores, e experimentamos sucessos e fracassos. É a partir deles que crescemos, ganhamos força e experiência enquanto estamos na mortalidade. Mas, quando assumem proporções sérias, às vezes isso significa que não temos sido plenamente obedientes ao conselho — tanto o do Senhor, por meio de Seu Espírito, quanto o de nossos líderes designados. Pratiquemos os princípios da preparação pessoal e familiar em nossa vida diária. "Se estiverdes preparados, não temereis" (D&C 38:30). ¶
Frutos para a Igreja
Quando praticamos os preceitos, as doutrinas e os programas dos serviços assistenciais, o fruto de nosso labor é a edificação de Sião. ¶
O Senhor declarou: "Pois Sião deve crescer em beleza e em santidade; suas fronteiras devem ser expandidas; suas estacas devem ser fortalecidas; sim, em verdade vos digo: Sião deve erguer-se e vestir suas formosas vestes." (D&C 82:14; itálico adicionado.) Sião consiste nos puros de coração — aqueles que são santificados e cujas vestes foram lavadas e embranquecidas pelo sangue do Cordeiro (vide Alma 13:11). São eles que tomam a caridade como manto e servem aos demais com um coração puro. ¶
Estamos fortalecendo Sião — seus laços, ou estacas — em todo o mundo. Por isso, aconselhamos nosso povo a permanecer em suas terras natais e reunir os eleitos de Deus, ensinando-lhes os caminhos do Senhor. Ali, templos estão sendo construídos, e os santos serão abençoados onde quer que vivam, em todo o mundo. ¶
O Senhor revelou Seu novo e eterno convênio para preparar um povo que O receba em Sua segunda vinda. Muito importantes, entre os princípios e doutrinas exigidos de nós para edificar Sião, estão aqueles que sustentam os serviços assistenciais. Pois precisamos estar "unidos segundo a união exigida pela lei do reino celestial; e Sião não pode ser edificada a não ser pelos princípios da lei do reino celestial; de outra forma, não posso recebê-la para mim mesmo" (D&C 105:4–5). É nossa presente oportunidade e responsabilidade dar, nutrir e trabalhar para trazer os frutos finais dos serviços assistenciais, mostrados em visão a Enoque e registrados no Livro de Moisés: ¶
"E retidão enviarei dos céus; e verdade farei brotar da terra para prestar testemunho do meu Unigênito; de sua ressurreição dentre os mortos; sim, e também da ressurreição de todos os homens; e retidão e verdade farei varrerem a Terra, como um dilúvio, a fim de reunir meus eleitos dos quatro cantos da Terra em um lugar que prepararei, uma Cidade Santa, para que meu povo cinja os lombos e anseie pelo tempo da minha vinda; pois ali estará meu tabernáculo e chamar-se-á Sião, uma Nova Jerusalém" (Moisés 7:62). ¶
É minha súplica que possamos manter nossas casas em ordem, individual e coletivamente, e nos preparemos para receber os frutos do evangelho — até mesmo uma plenitude de alegria. ¶
Quero agora apresentar a Irmã Barbara Smith. Gostaria de convidar a Irmã Smith a vir até aqui e compartilhar com vocês as origens de uma medida aprovada pela Primeira Presidência, referente às reservas de trigo da Igreja. ¶
Irmã Barbara B. Smith:
Obrigada, Presidente Kimball. Num dia de outono de 1876, o Presidente Brigham Young chamou a seu escritório uma de minhas predecessoras, a Irmã Emmeline B. Wells, então editora-associada do Woman's Exponent. Disse-lhe que desejava que as mulheres de Sião começassem a guardar cereais contra um dia de necessidade, e que queria que ela liderasse essa missão. (Vide History of Relief Society, 1842–1966, Salt Lake City: General Board of Relief Society of The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints, 1966, p. 109.) ¶
A Irmã Wells disse: "Começamos naquele mesmo ano e, embora rissem de nós, de fato compramos trigo" (Relief Society Magazine, fev. de 1915, p. 48). "Irmãs, sejam diligentes", ela admoestava, e as mulheres responderam em espírito e em ação (Woman's Exponent, 15 de out. de 1876, p. 76). ¶
Quando não tinham dinheiro para comprar trigo, as mulheres iam aos campos e o respigavam. Guardavam seus "ovos de domingo" e os trocavam ou vendiam em troca de trigo. Faziam colchas, tapetes de retalhos, queijo e outros itens, que trocavam ou vendiam por trigo. ¶
Pelos registros da Sociedade de Socorro, temos vislumbres de seus esforços persistentes. ¶
De Cedar City: "Nosso amado bispo nos concedeu espaço no escritório de dízimos, e já ensacamos 160 alqueires de trigo. Temos outros bens que pretendemos converter em cereal assim que houver oportunidade." (Woman's Exponent, 15 de fev. de 1877, p. 138.) ¶
De Mantua, Condado de Box Elder: "Temos tentado seguir o conselho de nosso amado Presidente Brigham Young quanto a armazenar cereal; temos armazenados cento e quinze alqueires, dos quais treze foram respigados pelas moças." (Woman's Exponent, 1 de fev. de 1878, p. 130.) ¶
O trigo armazenado por aquelas dedicadas mulheres pioneiras foi usado de maneiras inesperadas: ¶
Em 1898, o trigo da Sociedade de Socorro foi enviado em socorro ao povo de Parowan, Utah, e a outros distritos assolados pela seca. (Vide Relief Society Magazine, fev. de 1915, p. 58.) ¶
Em 1906, quando o terremoto e o incêndio devastaram a cidade de São Francisco, um vagão de farinha proveniente do trigo da Sociedade de Socorro foi enviado. ¶
Em 1906, outro vagão de farinha foi enviado à China, para aliviar o sofrimento causado pela fome. ¶
Em 1918, todos os 200 mil alqueires de trigo da Sociedade de Socorro foram vendidos ao governo dos Estados Unidos, para atender à emergência alimentar causada pela Primeira Guerra Mundial. ¶
Por vários anos, os juros do trigo foram usados para prover assistência à maternidade, ao bem-estar infantil e aos cuidados gerais de saúde dos membros da Igreja. ¶
E, mais tarde, em 1940, a Sociedade de Socorro adquiriu trigo e o armazenou nos silos da Praça do Bem-Estar. (Vide History of Relief Society, p. 110–11.) ¶
Por mais de cem anos, nosso projeto do trigo tem sido considerado "uma confiança sagrada". Por meio de investimentos sábios, o valor deste programa aumentou, até que, hoje, possuímos um considerável patrimônio em trigo e recursos. ¶
Numa das primeiras publicações da Sociedade de Socorro, uma irmã escreveu seus sentimentos sobre a guarda do trigo. Ela disse: ¶
"Se alguém duvida… que ela olhe ao redor, contemple as multidões de criancinhas nesta terra e se lembre de que as mulheres agora chamadas a guardar o cereal são suas MÃES. ¶
"… Pudera eu imaginar aqueles puros lábios de bebê… pedindo PÃO quando eu não tivesse nenhum para dar!" (Woman's Exponent, 1 de nov. de 1876, p. 81.) ¶
Como mulheres, sabemos que, embora demos alimento aos filhos na infância e na meninice, parte de nosso desafio como mães é ajudá-los a amadurecer e a ocupar seu lugar no grande plano da vida e da salvação. No passado, as mulheres da Sociedade de Socorro nutriram numerosos programas iniciais para atender a necessidades, incluindo programas de educação e desenvolvimento profissional, hospitais, assistência à maternidade, adoção e outros serviços sociais e projetos assistenciais. Quando os projetos amadureciam, a Sociedade de Socorro se orgulhava de vê-los passar para a esfera mais ampla da mordomia da Igreja. ¶
A Presidência Geral da Sociedade de Socorro considerou, em oração, o assunto de sua mordomia sobre o trigo, e decidiu que essa responsabilidade agora foi cumprida. É hora de incluir o trigo da Sociedade de Socorro no programa mundial de armazenamento de cereais da Igreja. ¶
Desejamos propor que os 266.291 alqueires de trigo da Sociedade de Socorro passem agora a fazer parte do plano de armazenamento de cereais dos Serviços Assistenciais, em benefício de todos os membros da Igreja, e que o fundo do trigo seja usado exclusivamente para a compra de cereais. Esta medida é apoiada, por unanimidade, pelo conselho geral da Sociedade de Socorro. Também escrevemos às estacas e missões registradas como detentoras de certificados de trigo, em 1º de julho de 1957, e recebemos seu apoio unânime. ¶
Com a permissão do Presidente Kimball, gostaria de pedir às irmãs presentes nesta reunião que também afirmem esta medida. Todas as irmãs a favor de se unirem a nós nesta decisão de incluir o trigo da Sociedade de Socorro no programa mundial de armazenamento de cereais da Igreja, queiram manifestar-se. Obrigada. ¶
É com grande orgulho pelas realizações do passado e com ternura de coração que nós, mulheres de Sião, colocamos nosso trigo e nossos ativos em trigo à sua disposição, Presidente Kimball, para serem usados com propósitos de armazenamento de cereais, sob sua administração, por meio do Comitê Geral Assistencial da Igreja. ¶
Rogamos que o trigo da Sociedade de Socorro continue a ser considerado uma confiança sagrada. Que ele abençoe a vida de todos os que dele se beneficiarem. Em nome de Jesus Cristo, amém. ¶
Presidente Kimball:
Irmã Smith, em nome dos irmãos da Igreja e da Igreja em geral, aceitamos este grande presente que vocês nos deram, da Sociedade de Socorro, com gratidão e apreço por seu profundo significado. Estamos cientes do considerável sacrifício e diligência das irmãs da Sociedade de Socorro, que, por mais de um século, cumpriram fielmente esta sagrada confiança do trigo. Estamos confiantes de que o Departamento de Serviços Assistenciais, sob a direção do Comitê Geral de Serviços Assistenciais, composto pela Primeira Presidência, pelo Conselho dos Doze, pelo Bispado Presidente e pela Presidência Geral da Sociedade de Socorro, continuará a administrar as reservas de trigo da mesma excelente maneira em que foram operadas pela Sociedade de Socorro no passado. Cuidaremos para que o presente da Sociedade de Socorro seja usado, como se pretendeu, num tempo de necessidade, para abençoar a vida dos membros da Igreja em todo o mundo. ¶
Estamos orgulhosos das realizações das mulheres, no passado e no presente. Agora pedimos a vocês, irmãs, que continuem em suas boas obras e apoiem os programas da Igreja, particularmente os de sua própria organização, a Sociedade de Socorro. ¶
Pedimos também a vocês que apoiem os Irmãos, e pedimos a eles que apoiem vocês, e que trabalhem juntos como parceiros e companheiros para promover a obra do Senhor e a própria salvação de vocês. Que este presente da Sociedade de Socorro, hoje, seja um exemplo do esforço cooperativo e da harmonia que podem enriquecer nossa vida na Igreja e no lar. ¶
Que o Senhor nos abençoe nesta grande e divinamente inspirada obra assistencial, é o que humildemente rogo, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶