Pulpit

“O Que É a Verdade?”

John H. Vandenberg

Conferência Geral de Abril de 1978·Sunday Morning Session·1978-04-01

Faz apenas sete dias que multidões de pessoas compareceram àqueles cultos especiais, ouvindo cânticos e sermões, comemorando aquele acontecimento importantíssimo — a crucificação e ressurreição de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.

Ao rever e ponderar aquele milagre, meus pensamentos foram atraídos para o episódio depois que os judeus prenderam Jesus e o levaram ao pretório.

Está registrado nas escrituras:

"Tornou, pois, a entrar Pilatos no Pretório, … e chamou Jesus, e disse-lhe: Tu és o Rei dos Judeus?

"Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo, ou disseram-to outros de mim?

"Pilatos respondeu: Porventura sou eu judeu? A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim; que fizeste?

"Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; porém agora o meu reino não é daqui.

"Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.

"Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? E dizendo isso, tornou a sair para os judeus, e disse-lhes: Não acho nele crime algum." (João 18:33–38.)

Novas negociações, contudo, entre Pilatos e os acusadores de Jesus, resultaram na crucificação.

Com a pergunta "Que é a verdade?", Pilatos deixou Jesus sozinho, sem lhe conceder a cortesia de uma resposta. Alguém poderia perguntar-se por quê. Tal atitude leva-nos a crer que Pilatos temia a verdade, talvez como outros a temem — não estando dispostos a enfrentá-la, não desejando assumir a disciplina e a responsabilidade que a verdade exige.

Jesus disse: "Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz." Aqueles que são "da verdade" são os que sinceramente a buscam. Toda a humanidade deveria buscar a verdade, pois ela é a essência suprema de sua vida.

Certo autor expressa esse pensamento com estas palavras: "Contudo, a verdade, que só a si mesma julga, ensina que a busca da verdade, que é o cortejo ou o galanteio dela, o conhecimento da verdade, que é a sua presença, e a crença na verdade, que é o gozo dela, é o bem soberano da natureza humana." (Francis Bacon, "Essay of Truth," Harvard Classics Vol. 3: Bacon, Milton's Prose, Thos. Browne, Nova York: P. F. Collier and Son, Co., 1909, p. 8.)

Em harmonia com esse pensamento, um poeta da Antiguidade escreveu: "'É um prazer estar na praia e ver os navios açoitados pelo mar; um prazer estar à janela de um castelo e ver uma batalha e suas peripécias lá embaixo: mas nenhum prazer se compara a estar no ponto privilegiado da verdade' (uma colina que não se pode dominar, e onde o ar é sempre claro e sereno), 'e ver os erros, os desvios, as névoas e as tempestades no vale abaixo'; contanto sempre que essa perspectiva seja acompanhada de compaixão, e não de soberba ou orgulho. Certamente é um céu na terra ter a mente do homem movendo-se na caridade, repousando na providência e girando sobre os polos da verdade." (Bacon, citando Lucrécio, em "Essay of Truth," p. 8.)

É apropriado que nos lembremos das palavras de Jesus: "E para isso vim ao mundo, para dar testemunho da verdade." (João 18:37.)

A verdade é conhecimento! "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (João 17:3.) A verdade, definida, encontra-se no evangelho de Jesus Cristo.

Durante Seu ministério na terra, o Salvador organizou Sua igreja, escolhendo homens humildes, mas sinceros, para serem Seus apóstolos; viveu com eles; fez viagens com eles; ensinou-os; realizou milagres diante deles; ordenou-os, concedendo-lhes autoridade e poder — tudo isso em preparação para enviá-los ao mundo a fim de proclamar Seu evangelho.

Em certa ocasião, enquanto viajava com eles, "chegando Jesus às partes de Cesareia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?

"E eles disseram: Uns, João Batista, outros, Elias, e outros, Jeremias ou um dos profetas.

"Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis vós que eu sou?

"E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

"E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus.

"E também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." (Mateus 16:13–18.)

A rocha da revelação é o fundamento de Sua igreja. O princípio da revelação é indispensável na igreja viva. Este princípio é inerente aos desígnios de Deus, à medida que Ele dirige Seus filhos por meio de Seus profetas. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi restaurada sob o poder e a autoridade da revelação divina.

No início do século dezenove, um jovem sincero cujo nome era Joseph Smith, um buscador da verdade, encontrou na Epístola de Tiago (que foi escrita "às doze tribos que andam dispersas" [Tiago 1:1]) estas palavras poderosas: "E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, sem repreensão, e ser-lhe-á dada.

"Porém peça-a com fé, não duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte.

"Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa." (Tiago 1:5–7.)

Com esse celestial convite à verdade, Joseph Smith aventurou-se na esfera da oração e recebeu o conhecimento do Pai e do Filho, duas personalidades, e instruções da voz do Salvador. Em resposta à sua indagação, disseram a Joseph que nenhuma das igrejas existentes era verdadeira, pois "aproximam-se de mim com seus lábios, mas seus corações estão longe de mim; ensinam como doutrinas os mandamentos dos homens, tendo forma de piedade, mas negando o seu poder." (JS—H 1:19.)

Instrução adicional lhe veio, naquela ocasião, de que ele seria o instrumento de Deus para restaurar Sua igreja verdadeira sobre a terra.

"Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas." (Amós 3:7.)

Algum tempo depois, em 1841, onze anos após a organização da igreja restaurada, Joseph Smith foi solicitado a expor uma breve declaração da crença de seus membros. Essa declaração é conhecida como as Regras de Fé. A oitava e a nona regras dessa declaração expressam nossa crença a respeito da revelação vinda da fonte divina. Diz ela:

"Cremos que a Bíblia é a palavra de Deus, contanto que seja traduzida corretamente; também cremos que o Livro de Mórmon é a palavra de Deus.

"Cremos em tudo o que Deus revelou, em tudo o que Ele agora revela, e cremos que Ele ainda há de revelar muitas coisas grandiosas e importantes concernentes ao Reino de Deus."

Sabemos que a Bíblia é uma compilação das mensagens reveladas disponíveis, recebidas pelos profetas de Deus para o benefício e a orientação dos filhos de Deus aqui na terra. A Bíblia é o fundamento de nossa biblioteca religiosa. Foi-nos trazida de maneira honrosa e é muito necessária neste mundo moderno. Contém muito do que precisamos saber. Como teríamos conhecido a Jesus se o registro tivesse se perdido? Pensem nas palavras reveladoras de João:

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

"Ele estava no princípio com Deus.

"Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

"Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens;

"Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu." (João 1:1–4, 10.)

Jesus foi o Criador deste mundo e de todas as coisas a ele pertencentes. Ele era Jeová, que revelou Sua vontade aos profetas, inaugurando assim todas as dispensações do evangelho que já ocorreram.

A Bíblia, contudo, não contém toda a revelação que já foi dada.

Por meio da revelação moderna, o Livro de Mórmon foi trazido à luz por intermédio do Profeta Joseph Smith. Ele se apresenta como uma nova testemunha de Jesus Cristo e revela que Seu evangelho era conhecido pelos antigos habitantes das Américas e que Ele os visitou após Sua ascensão. Esses habitantes eram por Ele conhecidos como "outras ovelhas que não são deste aprisco" (vide João 10:16; 3 Néfi 15:21), pois traziam em suas veias o sangue de Israel.

Por meio da revelação moderna sabemos agora que Adão recebeu o evangelho. Foi revelado que "Adão e Eva, sua mulher, invocaram o nome do Senhor e eles ouviram a voz do Senhor … falando-lhes; e eles não o viram, porque estavam excluídos de sua presença.

"E ele deu-lhes mandamentos de que adorassem ao Senhor seu Deus e oferecessem as primícias de seus rebanhos como oferta ao Senhor. E Adão foi obediente aos mandamentos do Senhor.

"E após muitos dias, um anjo do Senhor apareceu a Adão, dizendo: Por que ofereces sacrifícios ao Senhor? E Adão respondeu-lhe: Eu não sei, exceto que o Senhor me mandou.

"E então o anjo falou, dizendo: Isso é à semelhança do sacrifício do Unigênito do Pai que é cheio de graça e verdade.

"Portanto, farás tudo o que fizeres em nome do Filho; e arrepender-te-ás e invocarás a Deus em nome do Filho para todo o sempre.

"E naquele dia desceu sobre Adão o Espírito Santo, que presta testemunho do Pai e do Filho, dizendo: Eu sou o Unigênito do Pai desde o princípio, agora e para sempre, para que, assim como caíste, sejas redimido e toda a humanidade, sim, tantos quantos o desejarem." (Moisés 5:4–9.)

Sabemos agora mais a respeito de Enoque. A Bíblia dá pouca informação sobre esse grande profeta. A revelação dos últimos dias conta de sua obra entre seu povo. Diz Enoque: "O Senhor que falou comigo, o mesmo é o Deus do céu e ele é o meu Deus e vosso Deus." (Moisés 6:43.) Ele explicou a Enoque todo o plano da salvação, o evangelho de Jesus Cristo, tal como havia sido declarado ao pai Adão.

Sabemos agora mais a respeito de Noé, que o "Senhor ordenou Noé segundo sua própria ordem e mandou que ele fosse anunciar seu Evangelho aos filhos dos homens, sim, tal como foi dado a Enoque. …

"E aconteceu que Noé continuou a sua pregação ao povo, dizendo: Escutai, e dai ouvidos às minhas palavras;

"Acreditai e arrependei-vos de vossos pecados e batizai-vos em nome de Jesus Cristo, o Filho de Deus, assim como nossos pais; e recebereis o Espírito Santo a fim de que todas as coisas se manifestem a vós; e, se não o fizerdes, as enchentes vos sobrevirão; não obstante, eles não deram ouvidos." (Moisés 8:19, 23–24.)

Sabemos agora mais a respeito de Abraão, quando Jeová lhe falou e disse: "Meu nome é Jeová, e conheço o fim desde o princípio; portanto, minha mão estará sobre ti.

"E farei de ti uma grande nação, … e serás uma bênção para tua semente depois de ti, para que em suas mãos levem este ministério e Sacerdócio a todas as nações." (Abr. 2:8–9.)

Ele declarou a Abraão a visão da pré-existência da humanidade: "Ora, o Senhor mostrara a mim … as inteligências que foram organizadas antes de o mundo existir; e entre todas essas havia muitas das nobres e grandes;

"E Deus viu que essas almas eram boas … e disse-me: Abraão, tu és um deles; foste escolhido antes de nasceres." (Abr. 3:22–23.)

Se continuássemos a revisar todas as revelações modernas, chegaríamos a perceber que este é agora o tempo do qual Paulo revelou aos efésios "que na dispensação da plenitude dos tempos, tornaria a congregar em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra." (Ef. 1:10.)

O evangelho nos revela a necessidade de Jesus se oferecer como sacrifício pelos pecados dos homens, para que toda a humanidade possa ser redimida, para que o homem possa ser salvo crendo nEle, crendo em todos os Seus ensinamentos e sendo obediente a eles, e sendo verdadeiro ouvinte da voz de Jesus. É uma tarefa que dura a vida inteira ouvir, aprender e obedecer a todas as vastas verdades, pois o evangelho alcança as eternidades.

Já se disse, a respeito de nossa crença na revelação divina, que "esta declaração de crença religiosa na Fonte Divina da Verdade e Sua revelação ao homem abrange toda a verdade no universo: seja revelada ou ainda a ser revelada; seja manifesta pela inspiração do Todo-Poderoso que 'dá entendimento' ao espírito do homem em suas descobertas e progressos nas coisas materiais da vida; ou seja manifesta em coisas visíveis ou invisíveis aos olhos mortais. Abrange toda verdade científica, toda verdade histórica, toda verdade em filosofia ou lógica, ou fato demonstrável. Esse é o alcance da religião revelada. É o sistema de lei e ordem que prevalece sob o controle celestial. É o Evangelho do Senhor Jesus Cristo." (James H. Anderson, God's Covenant Race, 2ª ed., Salt Lake City: Deseret News Press, 1938, p. 132.)

Convidamos a todos a considerar as verdades proferidas deste púlpito, com a sugestão de um poeta da Antiguidade que disse: "Não fujas de nenhuma opinião por ser nova, mas examina-a rigorosamente, rejeita-a se for falsa, abraça-a se for verdadeira."

Que isso seja feito em espírito de oração.

Dou testemunho da verdade de que a revelação e a oração são indispensáveis para se alcançar a vida eterna, e isso faço em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoJohn H. Vandenberg, “O Que É a Verdade?”, Conferência Geral de Abril de 1978, Sunday Morning Session (1978-04-01). Pulpit Vault, 1978-04-vandenberg-what-is-truth. Tradução desta edição, por método de glossário, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).