Pulpit

Oração e Revelação

Marion G. Romney

Conferência Geral de Abril de 1978·Sunday Morning Session·1978-04-01

Meus amados irmãos, irmãs e amigos em toda parte, tenho em mente dizer algumas palavras sobre os dois meios de comunicação mais importantes conhecidos pelo homem. Primeiro, a oração — o meio pelo qual os homens se dirigem a Deus — e, segundo, a revelação — o meio pelo qual Deus se comunica com os homens.

Suponho que, quando falamos de oração, a maioria de nós pensa nas orações que fazemos ao nos reunirmos à mesa, ao ajoelharmo-nos junto à cama, ou ao ouvi-las em nossas reuniões da Igreja.

No entanto, além disso, pode-se dizer, com propriedade, que a oração inclui outros meios pelos quais os homens se dirigem a Deus.

Néfi não usa a palavra oração ao introduzir seu relato de sua grande visão. Ele simplesmente diz:

"Depois de haver eu desejado saber as coisas que meu pai tinha visto e acreditando que o Senhor teria poder de torná-las conhecidas a mim, enquanto estava eu sentado, ponderando em meu coração, fui arrebatado pelo Espírito do Senhor, sim, a uma montanha muito alta." ([1 Néfi 11:1].)

Não tenho dúvida alguma de que a ponderação de Néfi foi, em essência, uma oração.

O Senhor disse a Emma Smith: "Minha alma se deleita com o canto do coração; sim, o canto dos justos é uma prece a mim." ([D&C 25:12].)

Com frequência, as orações são pedidos de bênçãos específicas. Podem, porém, e devem, incluir expressões de gratidão, louvor, adoração e veneração. Como James Montgomery escreveu tão bela e comovidamente:

A oração é o sincero desejo da alma,

Pronunciada ou não expressa,

O movimento de um fogo oculto

Que treme no peito.

A oração é o fardo de um suspiro,

A queda de uma lágrima,

O olhar erguido ao alto,

Quando ninguém além de Deus está perto.

A oração é a mais simples forma de fala

Que lábios de criança podem tentar,

A oração, os mais sublimes acentos que alcançam

A Majestade nas alturas.

A oração é o alento vital do cristão,

O ar nativo do cristão;

Sua senha nos portais da morte;

Ele entra no céu com oração.

Ó tu, por quem a Deus chegamos,

A Vida, a Verdade, o Caminho!

A senda da oração tu mesmo trilhaste;

Senhor, ensina-nos a orar.

(Hinos, nº 220.)

A importância da oração é enfatizada pelo fato de que o mandamento mais repetido dado por Deus aos homens é o de orar.

O primeiro mandamento que Deus deu a Adão e Eva foi "que adorassem o Senhor seu Deus".

E depois "um anjo do Senhor apareceu a Adão, dizendo: …

"Tudo o que fizeres, farás em nome do Filho, e te arrependerás e invocarás a Deus em nome do Filho para sempre." ([Moisés 5:5–6, 8].)

O Senhor tomou a ocasião de instruir pessoalmente o irmão de Jarede quanto à importância da oração. Quando ele, com a colônia jareidita, chegou ao grande mar, "o Senhor veio … [a ele]. … E pelo espaço de três horas falou o Senhor com [ele] e repreendeu-o por não se ter lembrado de invocar o nome do Senhor.

"E o irmão de Jarede arrependeu-se do mal que havia feito e invocou o nome do Senhor.

"… E o Senhor disse-lhe: Perdoarei a ti e a teus irmãos … mas não pecareis mais, porque vos lembrareis de que o meu Espírito não contenderá para sempre com o homem; portanto, se pecardes até estardes plenamente amadurecidos, sereis afastados da presença do Senhor." ([Éter 2:13–15]; itálico acrescentado.)

Amuleque admoestou os nefitas em declínio espiritual com estas palavras:

"Permita Deus, meus irmãos, que comeceis a exercer vossa fé para o arrependimento, que comeceis a invocar seu santo nome, para que tenha misericórdia de vós;

"… clamai a ele por misericórdia; pois ele é poderoso para salvar;

"… humilhai-vos, e continuai em oração a ele."

Assim, ele os instruiu sobre o que orar, e onde, e com que frequência deveriam orar.

"Clamai a ele quando estiverdes em vossos campos, sim, por todos os vossos rebanhos.

"Clamai a ele em vossas casas, sim, por todos os de vossa casa, tanto de manhã como ao meio-dia e à noite.

"… clamai a ele contra o poder de vossos inimigos.

"… clamai a ele contra o diabo, que é o inimigo de toda retidão.

"Clamai a ele pelas colheitas de vossos campos, a fim de que, por meio delas, prospereis.

"Clamai pelos rebanhos de vossos campos, para que aumentem.

"Mas isto não é tudo; deveis abrir vossa alma em vossos aposentos e em vossos lugares secretos e em vossos desertos.

"… E quando não clamardes ao Senhor, deixai que se encha o vosso coração, voltado continuamente para ele em oração pelo vosso bem-estar, assim como pelo bem-estar de todos os que vos rodeiam." ([Alma 34:17–27].)

Quando Jesus, depois de Sua ressurreição, ministrou entre os nefitas, ensinou-lhes a orar, dando-lhes a Oração do Senhor como modelo. E, em seguida, instruiu assim Seus discípulos nefitas:

"Eis que em verdade, em verdade vos digo que deveis vigiar e orar sempre para não cairdes em tentação; porque Satanás deseja ter-vos, para vos peneirar como trigo.

"Portanto, deveis sempre orar ao Pai em meu nome."

Quanto às recompensas prometidas, Ele disse:

"E tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, que seja justo, acreditando que recebereis, eis que vos será dado.

"Orai ao Pai no seio de vossa família, sempre em meu nome, a fim de que vossas mulheres e vossos filhos sejam abençoados." ([3 Néfi 18:18–21].)

Nesta última dispensação, quase dois anos antes de a Igreja ser organizada, o Senhor disse ao Profeta Joseph Smith:

"Ora sempre, para que saias vencedor; sim, para que venças Satanás e escapes das mãos dos servos de Satanás, que apoiam o trabalho dele." ([D&C 10:5].)

Mais tarde, disse a Martin Harris:

"Eu te ordeno que ores em voz alta, assim como em teu coração; sim, perante o mundo, como também em segredo; em público, assim como em particular." ([D&C 19:28].)

Ordenou aos sacerdotes da Igreja que "[visitassem] a casa de todos os membros, exortando-os a orarem em voz alta e em segredo." ([D&C 20:47]. Vide também [D&C 20:51].)

Admoestou Joseph Knight: "Deves orar vocalmente perante o mundo, assim como em segredo e no seio de tua família e entre teus amigos e em todos os locais." ([D&C 23:6]; itálico acrescentado.)

E a Thomas B. Marsh: "Ora sempre, para não caíres em tentação e não perderes tua recompensa." ([D&C 31:12].)

A outros, disse: "Orai sempre … para que suporteis o dia de sua vinda, seja na vida ou na morte." ([D&C 61:39]; itálico acrescentado.)

"O que digo a um digo a todos; orai sempre, para que o ser maligno não tenha poder em vós e não vos remova de vosso lugar." ([D&C 93:49].)

Os pais "também ensinarão seus filhos a orar e a andar em retidão perante o Senhor." ([D&C 68:28].)

Falando dos membros da Igreja em Sião, o Senhor disse: "Quem não oferecer suas orações perante o Senhor no momento devido, que seja lembrado perante o juiz de meu povo." ([D&C 68:33].)

O propósito da oração, contudo, não é apaziguar uma Divindade vingativa; nem é o de obter favores de um Pai indulgente. É o de sintonizar-nos com o espírito ou luz que "procede da presença de Deus para encher a imensidade do espaço." ([D&C 88:12].) Nessa luz encontram-se respostas seguras para todas as nossas necessidades.

A oração é a chave que destranca a porta e deixa Cristo entrar em nossa vida.

"Eis que", disse Ele, "estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele, comigo." ([Apocalipse 3:20].)

Assim como a oração é o meio pelo qual os homens se dirigem ao Senhor, a revelação é o meio pelo qual Deus se comunica com os homens. Ao fazê-lo, Ele usa vários meios. A palavra falada, por exemplo, foi o método que Ele usou para responder à oração de Adão. Adão e Eva "ouviram a voz do Senhor, vinda do caminho em direção ao Jardim do Éden, falando-lhes." ([Moisés 5:4]; itálico acrescentado.)

Além da palavra falada, o Senhor, por vezes, aparece pessoalmente.

"Abraão falou com o Senhor face a face, como um homem fala com outro." ([Abraão 3:11].)

"E Deus falou a Moisés. …

"E … a glória do Senhor estava sobre Moisés, de modo que Moisés permaneceu na presença de Deus e conversou com ele face a face." ([Moisés 1:3, 31].)

O Profeta Joseph Smith nos dá este testemunho da aparição pessoal a ele, tanto do Pai quanto do Filho:

"Vi", disse ele, "um pilar de luz exatamente sobre minha cabeça, acima do brilho do sol, que descia gradualmente até cair sobre mim.

"[Nele] vi dois Personagens, cujo esplendor e glória desafiam toda descrição, em pé acima de mim, no ar. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome e disse, apontando para o outro — Este é Meu Filho Amado." ([Joseph Smith—História 1:16–17].)

Às vezes, o Senhor envia representantes pessoais para se comunicarem com os homens. Ele enviou Morôni, por exemplo, para visitar e instruir o Profeta Joseph Smith em várias ocasiões. (Vide Joseph Smith—História 1:28–59.)

Ao introduzir seu relato dessas visitas, o Profeta escreveu:

"Depois de me ter recolhido para dormir, dediquei-me à oração e à súplica a Deus Todo-Poderoso. …

"Enquanto assim clamava a Deus, descobri uma luz surgindo em meu quarto, a qual continuou a aumentar até o aposento ficar mais iluminado do que ao meio-dia, quando imediatamente apareceu, ao lado de minha cama, um personagem em pé, no ar." ([Joseph Smith—História 1:29–30].)

Em outras ocasiões, o Senhor se comunicou com os homens por meio de sonhos e visões — o sonho de Daniel, por exemplo, e a visão de Néfi.

Enos diz: "A voz do Senhor veio à minha mente novamente, dizendo: Visitarei teus irmãos segundo a sua diligência em guardar meus mandamentos." ([Enos 1:10].)

Posso testificar pessoalmente dessa forma de revelação, porque a experimentei.

Por exemplo: certa vez, eu estava concluindo um discurso que havia proferido no funeral de uma excelente mãe, Santos dos Últimos Dias, e já estava quase pronto para dizer amém e sentar-me. Vieram à minha mente as palavras: "Vire-se e preste seu testemunho." E assim o fiz. Não pensei mais nesse acontecimento por vários meses, até que minha irmã, que morava numa estaca vizinha, nos visitou e nos contou este episódio:

Ela disse: "Vive em nossa ala uma mulher que, por muitos anos, não demonstrou interesse pela Igreja. Nossos esforços para reativá-la foram infrutíferos. Recentemente, ela mudou completamente. Paga seu dízimo, frequenta regularmente as reuniões sacramentais e participa de todas as atividades da Igreja. Quando lhe perguntaram o que havia causado essa reforma, ela disse: 'Fui a Salt Lake City ao funeral de minha mãe. Durante o culto, falou um homem chamado Romney. Depois de fazer um discurso comum, pensei que ele iria sentar-se; mas, em vez disso, ele se voltou para o púlpito e prestou um testemunho que me impressionou profundamente. Despertou em mim o desejo de viver como minha mãe sempre me ensinou.'"

Agora sei, meus irmãos, irmãs e amigos, e dou testemunho do fato de que a revelação do Senhor vem por meio da palavra falada, por visitação pessoal, por mensageiros do Senhor, por meio de sonhos, e por meio de visões, e pela voz do Senhor que vem à mente de alguém.

Contudo, na maioria das vezes, a revelação nos vem por meio da voz mansa e delicada.

A importância e a realidade desse meio de revelação são atestadas e enfatizadas pelo próprio Senhor.

Quanto à veracidade do testemunho do Profeta a respeito das placas de ouro contendo o registro do Livro de Mórmon, o Senhor disse, numa revelação por meio do Profeta Joseph Smith a Oliver Cowdery: "Eis que tu sabes que me inquiriste e que te iluminei a mente", acrescentando: "Não te falei paz à mente concernente ao assunto?" ([D&C 6:15, 23].)

Com respeito ao fato de Oliver receber "conhecimento a respeito das gravações" nas placas que Joseph estava traduzindo (vide D&C 8:1), o Senhor disse: "Eis que eu te falarei em tua mente e em teu coração, pelo Espírito Santo que virá sobre ti e que habitará em teu coração." ([D&C 8:2].)

Ao tomar decisões, a revelação do Senhor está disponível a todos os que se qualificarem e a buscarem. E esta é a fórmula divina:

"Deves estudá-lo bem em tua mente; depois me deves perguntar se está certo e, se estiver certo, farei arder dentro de ti o teu peito; portanto, sentirás que está certo.

"Mas se não estiver certo, não terás tais sentimentos." ([D&C 9:8–9].)

Da veracidade destes ensinamentos divinos concernentes à oração e à revelação, dou testemunho a vocês em nome de Jesus Cristo, nosso Redentor. Amém.

Como citar este discursoMarion G. Romney, “Oração e Revelação”, Conferência Geral de Abril de 1978, Sunday Morning Session (1978-04-01). Pulpit Vault, 1978-04-romney-prayer-and-revelation. Tradução desta edição, por método de glossário, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).