Samaritanos dos Últimos Dias
N. Eldon Tanner
Meus queridos irmãos e irmãs, não me lembro de jamais ter ouvido um período de instrução tão esplêndido sobre o trabalho e os princípios de bem-estar. Ouvimos o profeta de Deus enfatizar a importância deste grande trabalho e incentivar cada um de nós a nos engajarmos plenamente nos programas. Ouvimos seu chamado e devemos responder de todo coração. O Presidente Romney, a grande autoridade em bem-estar e presidente do Comitê de Bem-Estar da Igreja, falou-nos e instruiu a todos nós em nossos deveres. ¶
O Comitê Geral de Bem-Estar da Igreja é composto pela Primeira Presidência da Igreja, o Quórum dos Doze, o Bispado Presidente, a presidência da Diretoria Geral da Sociedade de Socorro, e o secretário, Quinn Gardner — todos os quais estiveram representados aqui esta manhã e contribuíram grandemente. Espero apenas ter captado adequadamente o espírito desta sessão e poder acrescentar algo de valor. ¶
Enquanto o Presidente Kimball se referia às origens do esforço moderno em bem-estar, meus pensamentos voltaram-se para a história do Bom Samaritano, registrada no décimo capítulo de Lucas. Nessa história, o Salvador ensinou talvez sua lição mais comovente sobre bem-estar na meridiana dos tempos. Gostaria de ler este episódio e depois traçar com vocês sua relevância para nossos atuais esforços de Serviços de Bem-Estar. ¶
“E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? ¶
“E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês? ¶
“E respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento; e ao teu próximo como a ti mesmo. ¶
“E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás. ¶
“Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo? ¶
“E respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. ¶
“E, por acaso, descia pelo mesmo caminho um certo sacerdote; e vendo-o, passou de largo. ¶
“E de igual modo também um levita, chegando-se ao lugar, e vendo-o, passou de largo. ¶
“Porém um certo samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele, e vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; ¶
“E aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele; ¶
“E partindo no outro dia, tirou dois denários, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que gastares a mais, eu to pagarei quando voltar. ¶
“Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? ¶
“E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.” (Lucas 10:25–37.) ¶
Como seria diferente este mundo se todos seguíssemos um exemplo tão nobre de amor cristão puro! Examinemos o que realmente aconteceu aqui. ¶
Primeiro, o samaritano “moveu-se de íntima compaixão”. Ele teve o impulso de ajudar, pois sentiu simpatia pelo problema do homem ferido. Essa afeição bondosa surge no coração de qualquer pessoa que tenha sido tocada pelo Espírito do Senhor. Esses sentimentos de empatia deveriam ser sentidos por cada um de nós, uns para com os outros. De fato, o Salvador disse que o Israel do convênio deveria ser conhecido e distinguido pelo amor que demonstram uns pelos outros. (Ver João 13:35.) ¶
Segundo, o samaritano “chegou ao pé dele”. Ele não esperou ser procurado por quem estava necessitado, mas, ao perceber a necessidade, adiantou-se sem que lhe fosse pedido. No grande hino “Um Pobre e Aflito Viajor” (Hinos, nº 15), tão amado pelo Profeta Joseph, percebemos que a alta recompensa prometida pelo Salvador veio não apenas por terem sido realizados atos de bondade, mas também porque foram feitos de forma espontânea, consistente e altruísta. ¶
Terceiro, o samaritano “atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho”. Ele prestou atenção médica e saciou a sede do enfermo. Esse socorro imediato pode muito bem ter salvado a vida do homem. ¶
Quarto, o samaritano “pôs sobre a sua cavalgadura” — isto é, providenciou transporte — e “levou-o para uma estalagem”, um lugar de descanso e cuidado. Ao providenciar essa acomodação apropriada, ele assegurou as condições adequadas para que a cura acontecesse. ¶
Quinto, o samaritano “cuidou dele”. Observem que, durante os estágios críticos da cura, o samaritano não transferiu os cuidados do homem ferido a terceiros, mas sacrificou seu próprio tempo e energia para prestar esse serviço de cura ele mesmo. Numa época em que é tão fácil deixar as coisas para outra pessoa, é importante ter um exemplo tão poderoso como este bom samaritano. ¶
Sexto, o samaritano, “no outro dia … tirou dois denários, e deu-os ao hospedeiro”. Ele tomou de seu próprio dinheiro, não do de outra pessoa, e pagou pelos serviços que não podia prestar por si mesmo. Consagrou assim de seus próprios recursos para o cuidado dos pobres e necessitados. ¶
Sétimo, o samaritano, precisando continuar a ganhar seu próprio sustento, disse ao hospedeiro: “Cuida dele.” Dessa forma, ele recrutou outras pessoas — recursos humanos — para ajudar e continuar o cuidado. ¶
Oitavo, o samaritano então prometeu que “tudo o que gastares a mais, eu to pagarei quando voltar”. Aqui se manifesta a compaixão em seu grau máximo! Ele não impõe limite à extensão de sua ajuda. E, talvez ainda mais significativo, ele não abandona o assunto e o esquece, mas se compromete a voltar e assegurar que tudo o que podia ser feito foi feito. ¶
Esta parece ser a história perfeita do serviço. Nela encontramos muitos, senão todos, os elementos de nosso plano de bem-estar moderno. E, embora nós, como indivíduos, nem sempre possamos cumprir sozinhos essas oito etapas de socorro, podemos, por meio do sistema de bem-estar, realizar tudo isto: ¶
Podemos e devemos ter compaixão. ¶
Podemos e devemos procurar os que estão necessitados. O Senhor expressamente confia essa incumbência aos bispos na octogésima quarta seção de Doutrina e Convênios. (Ver D&C 84:104–105.) ¶
Podemos e fornecemos serviços médicos, alimentos, moradia, transporte e assistência correlata. ¶
Podemos e devemos nos doar pessoalmente, como oficiais do sacerdócio e da Sociedade de Socorro; como professoras visitantes e mestres familiares; como amigos, pais e entes queridos. ¶
Podemos e pagamos nossas ofertas de jejum, além de produzir mantimentos, prestar serviço profissional e doar bens utilizáveis. ¶
Podemos e mobilizamos recursos, além de nos disponibilizarmos como pessoas-recurso. Isso normalmente se faz por meio do Comitê de Serviços de Bem-Estar da Ala, mencionado anteriormente. ¶
E, por fim, podemos e devemos permanecer envolvidos até que se encontre a solução do problema e se realize a resolução das necessidades. Isso se alcança quando o indivíduo necessitado pode, mais uma vez, cuidar plenamente de si mesmo. É preciso enfatizar que não dependemos de nenhuma agência externa para demonstrar a compaixão ou realizar o trabalho que nos comprometemos, por convênio, a fazer. ¶
Ora, para que sejamos eficazes neste trabalho dos Serviços de Bem-Estar, há várias coisas básicas que devem ser feitas. Permitam-me sugerir algumas das principais prioridades de Serviços de Bem-Estar que cada líder do sacerdócio deveria buscar. Em resumo, são estas: ¶
Organizem-se de acordo com o padrão estabelecido nos manuais e conforme orientação de seu oficial presidente do sacerdócio. Se não estivermos devidamente organizados, é provável que nossos esforços de Serviços de Bem-Estar sejam inconsistentes e ineficazes. ¶
Aprendam seu dever. Muito material foi disponibilizado para ajudá-los a compreender suas responsabilidades e obrigações. Certifiquem-se de que não lhes falte compreensão sobre o que fazer e como proceder em sua designação. ¶
Realizem reuniões regulares e eficazes, seguindo uma pauta significativa. Em todas as suas reuniões, façam provisão adequada para relatórios sobre as designações dadas; é o acompanhamento das decisões tomadas em nossos conselhos do sacerdócio que verdadeiramente nos torna Bons Samaritanos. Como foi enfatizado no último mês de abril, desejo dar ênfase às três reuniões cruciais que devem ser realizadas para que os Serviços de Bem-Estar sejam conduzidos como o Senhor pretendeu. Essas três são a reunião semanal do Comitê de Serviços de Bem-Estar da Ala, a reunião mensal do Comitê de Serviços de Bem-Estar da Estaca e a reunião mensal do Conselho de Bispos da Estaca. (Ver Ensign, maio de 1977, pp. 88–90.) ¶
Ensinem os princípios dos Serviços de Bem-Estar e exemplifiquem-nos em sua própria vida. Façam do hábito de ler o relatório destas sessões de bem-estar da conferência. Elas contêm material esplêndido sobre os princípios dos Serviços de Bem-Estar. Hoje fomos instruídos, como pais, sobre o que ensinar às nossas famílias, e, como bispos, sobre o que ensinar às nossas alas. E o Presidente Kimball nos lembrou dos princípios fundamentais deste trabalho de Serviços de Bem-Estar, com os quais todos deveríamos nos familiarizar. ¶
Estabeleçam e mantenham as instalações e sistemas necessários para atender às necessidades. Muito se disse ao longo dos anos a respeito do estabelecimento de projetos de produção, armazéns, do programa de emprego, do uso apropriado das agências dos Serviços Sociais SUD e das Indústrias Deseret. Não preciso elaborar sobre o que deveria ser ou como deveria ser estabelecido. Simplesmente permitam-me lembrá-los de que, de acordo com um plano apropriado, devemos avançar no estabelecimento do programa completo do Senhor. ¶
Mantenham o programa centrado no voluntariado. Como presidente de estaca, observei a transformação nas vidas e a felicidade obtida por aqueles que, em base de serviço voluntário na Igreja, se doaram como Bons Samaritanos e bons cristãos para curar e prosperar a vida de outros. Creio que foi o Presidente Lee quem disse que nunca devemos deixar que este programa se torne um programa de profissionais. Na medida do possível, devemos contar com o serviço da Igreja — irmãos e irmãs — para realizar grande parte deste trabalho. Quando for necessário ter funcionários em tempo integral ou parcial, então certifiquemo-nos de que aqueles que contratamos sejam plenamente qualificados. ¶
Meus irmãos e irmãs, o trabalho desta Igreja avança talvez como nunca antes. Que cada um de nós se doe onde puder na edificação deste reino e seja plenamente autossuficiente e compassivo; e então, conforme apropriado, ajude outros a ajudarem a si mesmos neste grande trabalho de Serviços de Bem-Estar, e mantenha a dignidade e o autorrespeito deles. ¶
Deixo com vocês meu testemunho da veracidade deste trabalho tão importante. É o trabalho do Senhor. Em nome de Jesus Cristo, amém. ¶