A Maior das Fraternidades
N. Eldon Tanner
Nos últimos anos, tenho estado associado a uma organização conhecida como The National Conference of Christians and Jews (Conferência Nacional de Cristãos e Judeus). É uma organização nacional, com conselhos em cidades por todo o país, dirigidos por oficiais e comitês locais. Em Salt Lake City, um católico, um protestante, um judeu e um mórmon trabalham juntos como copresidentes, no interesse de promover a fraternidade e o companheirismo. E pensei em como seria maravilhoso estender esse tipo de companheirismo a todas as religiões e povos do mundo. ¶
O presidente dessa organização, Dr. David Hyatt, declarou: ¶
"A fraternidade — o respeito pela dignidade e pelo valor de outro ser humano — precisa tornar-se parte de nossas atividades conscientes, e não apenas retórica filosófica ou reflexão tardia. … ¶
"A fraternidade é a democracia em ação! É dar aos outros os direitos e o respeito que desejamos para nós mesmos. Pode ser assim tão simples e tão profundo!" ("We Need You to Combat Intergroup Bigotry and Prejudice", panfleto da NCCJ, dezembro de 1974, p. 3.) ¶
Ao observar os membros dessa organização e estudar seus objetivos e ideais, tenho me impressionado com o que os vi realizar, trabalhando juntos em harmonia e unidade para alcançar seus propósitos. E pensei em outros grupos que trabalham pela fraternidade ou pela irmandade, ou para promover outras causas ou projetos, e minha mente sempre voltava à organização do sacerdócio de Deus, que é a maior e mais importante associação fraternal em todo o mundo. Quão afortunados somos por sermos membros dela! ¶
Mas, como sempre pareço estar nos lembrando, com essa filiação vêm grande responsabilidade e grande oportunidade. Não basta sermos membros e nos satisfazermos com os números que temos em nossos respectivos quóruns. Queremos alcançar e abraçar todo o mundo em nossa fraternidade, que é a única organização projetada para trazer-lhes o maior dom que poderiam receber — a vida eterna! ¶
Os membros da Igreja estão numa posição muito singular, pois sabem e compreendem que todos os seres humanos são literalmente os filhos espirituais de Deus, e que a unidade familiar é eterna e pode desfrutar do progresso eterno, o qual deveria ser o objetivo de todos. Porque sabemos que Deus é nosso Pai, referimo-nos uns aos outros como irmãos e irmãs, assim como fazem os filhos nas famílias, e desfrutamos de um verdadeiro sentimento de fraternidade. ¶
Algumas pessoas perguntam a razão de haver uma igreja organizada. Sentem que podem trabalhar sua própria salvação sozinhas, e que não há necessidade de comparecer a reuniões da igreja ou cumprir outras exigências, contanto que sejam honestas e honradas e façam o bem a seus semelhantes. Mas o Senhor nos deu instruções de que devemos pertencer a uma igreja; e esta, Sua igreja, tem a mesma organização que o próprio Jesus Cristo estabeleceu enquanto esteve na Terra. Temos muitas declarações explícitas do Senhor que deixam isso claro, e também que precisamos encorajar e ajudar uns aos outros. ¶
Ele disse: "E para que mais plenamente te conserves limpo das manchas do mundo, irás à casa de oração e oferecerás teus sacramentos no meu dia santificado." (D&C 59:9.) ¶
Outra: "É conveniente que a igreja se reúna amiúde para partilhar do pão e do vinho, em lembrança do Senhor Jesus." (D&C 20:75.) ¶
Além disso, Ele disse: "E dou-vos um mandamento de que vos ensineis a doutrina do reino uns aos outros." (D&C 88:77.) ¶
E admoestou: "E tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos." (Lucas 22:32.) ¶
Todas essas instruções destinam-se a nos ajudar a desfrutar a vida aqui e a nos prepararmos para retornar à presença de nosso Pai Celestial. Foi com esse propósito que a Terra foi criada, e encontramos um relato escriturístico que apresenta o plano de Deus para nós: ¶
"Desceremos, pois há espaço lá, e tomaremos destes materiais, e faremos uma terra onde estes possam habitar; ¶
"E assim os provaremos para ver se farão todas as coisas que o Senhor seu Deus lhes ordenar." (Abraão 3:24–25.) ¶
Para realizar os propósitos de Deus e provar a nós mesmos, é necessário que trabalhemos dentro de Sua igreja e sob a direção de Seus servos autorizados. Precisamos da força que vem da associação com outros que buscam os mesmos objetivos. ¶
Para ilustrar isso, gostaria de repetir uma história relatada por Henry D. Taylor, há alguns anos, num discurso que proferiu na conferência e que intitulou "O Homem Não Está Sozinho". ¶
"Um menino recebeu o convite para visitar seu tio, que era lenhador no noroeste do país. … [Ao chegar,] seu tio o esperava na estação, e, enquanto os dois seguiam caminho até o acampamento madeireiro, o menino ficou impressionado com o tamanho enorme das árvores por toda parte. Havia uma árvore gigantesca que ele observou, solitária, no topo de uma pequena colina. O menino, cheio de admiração, exclamou entusiasmado: 'Tio George, olhe aquela árvore grande! Vai dar muita madeira boa, não vai?' ¶
"O Tio George balançou a cabeça, devagar, e respondeu: 'Não, filho, aquela árvore não vai dar muita madeira boa. Pode até dar muita madeira, mas não muita madeira boa. Quando uma árvore cresce sozinha, nascem nela galhos demais. Esses galhos produzem nós quando a árvore é cortada em madeira. A melhor madeira vem de árvores que crescem juntas, em bosques. As árvores também crescem mais altas e retas quando crescem juntas.'" ¶
Então o Irmão Taylor fez esta observação: "É assim com as pessoas. Tornamo-nos indivíduos melhores, madeira mais útil, quando crescemos juntos, em vez de sozinhos." (Conference Report, abril de 1965, pp. 54–55.) ¶
O Élder Sterling W. Sill, num artigo intitulado "Homens em Sincronia", escreveu: ¶
"Diz-se que a maior invenção de todos os tempos ocorreu há 2.500 anos, em Plateia, quando um grego obscuro aperfeiçoou o processo de fazer os homens marcharem em passo sincronizado. Quando se descobriu que os esforços de um grande grupo de pessoas, com motivos e personalidades diferentes, podiam ser organizados e coordenados para funcionar como um só, esse foi o dia em que a civilização começou." ("Insights & Perspectives", março de 1977, de Leadership, Bookcraft, 1958, 1:222–29.) ¶
Poderia dizer que, no dia em que todos os portadores do sacerdócio da Igreja estiverem em sincronia para marchar como o exército de Deus, cumprindo nosso dever, ajudando uns aos outros, cuidando da Igreja, congraçando-nos com toda a humanidade, então estaremos realizando os propósitos de Deus e fazendo o que Ele pretendia que fizéssemos quando estabeleceu Sua igreja. ¶
A Igreja estabeleceu o programa de bem-estar, por meio do qual podemos trabalhar de forma organizada para auxiliar aqueles que estão em necessidade. Homens e mulheres passam inúmeras horas trabalhando juntos em projetos de bem-estar, que serão então armazenados para o tempo de necessidade, por pessoas outras que não elas mesmas. Que grande sensação é perceber que, em toda a Igreja, temos instalações para produzir e distribuir mantimentos, os quais são colocados em armazéns, prontos para serem distribuídos aos necessitados entre nós. ¶
Esta é a verdadeira fraternidade em ação — trabalhar ou apoiar financeiramente programas destinados a pessoas que talvez jamais vejamos ou de quem jamais ouçamos falar. É fácil fazer coisas por nossa própria família e entes queridos, mas dar de nossos bens ao estranho necessitado é o verdadeiro teste de nossa caridade e amor por nossos semelhantes. ¶
Outra área em que trabalhamos para o benefício e a bênção de alguns que não conhecemos é o campo de nosso trabalho de templo e genealógico. Realizamos milhares e milhares de ordenanças por aqueles que morreram sem ter tido a oportunidade de fazer por si mesmos aquilo que é necessário para seu progresso no reino dos céus. ¶
Em ambas essas áreas de nossa atividade na Igreja, é inspirador ver grupos de homens e mulheres trabalhando lado a lado, em bom companheirismo, para realizar algo em benefício de outra pessoa. Esses projetos fortalecem as relações pessoais entre aqueles que trabalham juntos e edificam testemunhos da veracidade de um evangelho que ensina que somos guardiões de nosso irmão e que "quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes." (Mateus 25:40.) ¶
Às vezes conseguimos que nossos irmãos inativos ajudem em tais projetos; e, quando captam o espírito da obra, desejam continuar sua associação com os irmãos nas reuniões de quórum. O Presidente David O. McKay disse certa vez: ¶
"Há muitas maneiras de reunir esses élderes indiferentes sem convidá-los a fazer coisas difíceis. Alguns não gostam de orar. Hesitam em ficar de pé em público para pregar, e alguns prefeririam ir pescar ou jogar golfe no domingo a comparecer à reunião. Mas nenhum desses élderes indiferentes recusará um convite, por exemplo, para comparecer ao funeral de um morador da cidade, ou de um dos membros, ou da esposa de um dos membros; e, se vierem como quórum e se sentarem juntos como quórum, ali está um meio de companheirismo. Nossos Sumos Sacerdotes fazem isso mais do que os Setentas ou os Élderes. ¶
"Tenho assistido a vários funerais em que vi assentos reservados para Sumos Sacerdotes, prestando respeito a um irmão falecido. Ali está o companheirismo em grupo." (Conference Report, outubro de 1951, p. 179.) ¶
Nessa mesma linha de pensamento, o Presidente McKay disse, em outra ocasião, dirigindo-se aos membros do sacerdócio: ¶
"Companheiros oficiais presidentes em missões, estacas, alas e quóruns, tornem seus quóruns mais eficazes quanto à fraternidade e ao serviço. Os quóruns são unidades que devem manter efetivamente o sacerdócio unido em vínculos sagrados e de auxílio mútuo. ¶
"Refiro-me particularmente aos membros mais antigos do Sacerdócio Aarônico — vocês, homens de negócios bem-sucedidos no mundo empresarial; vocês, profissionais que dedicaram seu tempo ao sucesso de suas vocações e que são bem-sucedidos e lideram homens nos assuntos cívicos e políticos — aproximem-se mais em seu quórum … e ajudem-se mutuamente. Se um de vocês estiver doente, que dois ou três se reúnam e o visitem. … ¶
"Vocês, élderes, talvez tenham um de seus membros doente, e sua colheita precisa ser feita. Reúnam-se e façam a colheita. Um de seus membros tem um filho em missão, e os fundos dele estão escasseando. Basta perguntar se podem ajudá-lo. Ele jamais esquecerá essa consideração. Atos como esses são o que o Salvador tinha em mente quando disse: 'Quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.' (Ver Mateus 25:40.)" (Conference Report, outubro de 1955, p. 129.) ¶
Para estender essa fraternidade a todo o mundo, enviamos milhares de missionários, em conformidade com a ordem do Salvador de "ide, portanto, e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo: ¶
"Ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos." (Mateus 28:19–20.) ¶
É sempre interessante ouvir os missionários de retorno, não importa onde tenham servido, dizerem que serviram na maior missão do mundo. Isso ocorre porque captaram o espírito da obra missionária e se convenceram de que todos os homens são irmãos e filhos de Deus. Ao ensinarem o evangelho, aprendem a substituir por amor qualquer preconceito que possam ter sentido em relação às pessoas entre as quais trabalharam. É notável o que o Espírito do Senhor pode fazer por nós. ¶
Rogamos todos os dias para que os governos dos países hoje fechados a nossos missionários abram suas portas, tornando possível ensinar-lhes o evangelho, que sozinho trará plena compreensão da paternidade de Deus e da fraternidade do homem. Queremos explicar como podem retornar para viver com Deus, seu Pai, e reunir-se com suas famílias, e, com o tempo, viver eternamente como uma grande família. ¶
Embora sejamos acusados de preconceito, não há povo em lugar algum do mundo com maior amor por, e interesse pela, humanidade do que os Santos dos Últimos Dias. Expressamos esse sentimento de fraternidade por meio dos princípios que ensinamos e da obra que realizamos. Já mencionamos o trabalho de templo pelos mortos, nossos serviços de bem-estar e o grande programa missionário. Também expressamos nossa preocupação e interesse por nossos semelhantes por meio dos mestres familiares das organizações do sacerdócio e das professoras visitantes da Sociedade de Socorro. Onde essas visitas são feitas como deveriam ser, os membros da Igreja devem sentir que foram acolhidos numa grande fraternidade ou irmandade. ¶
Relato duas experiências para demonstrar o que quero dizer. Um homem, membro de uma de nossas organizações, foi transferido para a cidade de Nova York para dirigir o trabalho de uma de nossas estações de rádio. Nunca havia estado em Nova York antes, mas localizou uma de nossas capelas e frequentou a igreja no primeiro domingo em que ali esteve. Foi acolhido no quórum do sacerdócio como um irmão, e sua esposa e filhos foram igualmente acolhidos, sentindo-se logo em casa. ¶
Em contraste, na mesma época, outro rapaz que ele conhecia foi enviado por sua empresa para operar outra estação. Embora fosse membro de uma igreja com muitas vezes mais membros do que a Igreja SUD, ele achou muito difícil sentir-se em casa e logo pediu transferência de volta a sua estação de origem. Pode ter sido culpa dele, ou pode ter sido culpa de sua igreja. Contudo, em nossa Igreja, se o indivíduo e o quórum estiverem funcionando como deveriam, todos os membros da Igreja devem sentir-se felizes, desejados e aceitos onde quer que vão. ¶
Outra experiência foi relatada a mim recentemente por um de nossos portadores do sacerdócio. Foi o que ele disse: ¶
"Eu, com minha esposa e meu filho e filha adolescentes, sofremos um acidente de carro muito grave. Minha esposa, filha e filho escaparam sem ferimentos graves. O carro ficou destruído. Ao ser retirado dos destroços, eu estava em estado de choque, paralisado e semiconsciente. Os socorristas não conseguiam entender como saímos vivos. ¶
"Conforme as pessoas chegavam ao local do acidente, um homem ordenou que não me movessem, por temer que causasse paralisia. Foi o primeiro homem a chegar ao local, e, ao me examinar, percebeu que eu usava as vestes do templo. Ele era mórmon. Depois de me ver a salvo na ambulância, a caminho da próxima cidade, ele avisou o bispado; e, ao chegar ao hospital, os irmãos já estavam lá para me abençoar. O médico que me atendeu no hospital era presidente de estaca. ¶
"Durante a semana seguinte, fiquei em estado crítico, e um membro do bispado insistiu para que minha esposa e minha família ficassem em sua casa, fazendo as refeições e sendo abrigadas ali. Depois de três ou quatro dias, minha esposa e minha família retornaram para casa, em Phoenix, e os membros da ala se uniram em torno de minha família para ajudar em tudo o que pudessem. Um bom irmão ofereceu o uso de seu avião particular ou de sua motor-home para me trazer de volta. Usamos a motor-home, o que possibilitou colocar a maca dentro dela. ¶
"Quando cheguei em casa, havia muitos amigos ali para me receber, e meu querido amigo e membro de meu quórum do sacerdócio, que é um excelente médico, cuidou de mim. Não podemos expressar nossa gratidão àqueles que ofereceram ajuda de tantas maneiras, mas certamente testemunhamos ali o sacerdócio em ação, e seremos sempre gratos por sermos membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, onde tal fraternidade é cultivada." ¶
O Presidente Stephen L Richards, um antigo conselheiro na Primeira Presidência, disse: ¶
"Cheguei à conclusão, em minha própria mente, de que nenhum homem, por maiores que sejam suas realizações intelectuais, por mais vasto e abrangente que possa ser seu serviço, alcança a plena medida de sua condição de filho e da masculinidade que o Senhor pretendia que ele tivesse, sem a investidura do Santo Sacerdócio; e, com essa compreensão, meus irmãos, tenho agradecido ao Senhor a vida inteira por esta maravilhosa bênção que veio a mim — uma bênção que alguns de meus antepassados tiveram, e uma bênção que, mais do que qualquer outra herança, desejo que meus filhos, meus netos e meus bisnetos desfrutem." (Conference Report, outubro de 1955, p. 88.) ¶
Bem, irmãos, tenho procurado ajudar a todos nós a compreender melhor nosso dever, para que se possa verdadeiramente dizer de nós: "Bem está, servo bom e fiel." (Mateus 25:21.) Que possamos auxiliar nosso profeta, o Presidente Spencer W. Kimball, a realizar seus grandes desejos para o benefício e a bênção de toda a humanidade. Seus objetivos principais e mais dignos são levar o evangelho a toda nação, tribo, língua e povo, e edificar templos onde a obra possa ser feita para selar, na Terra e nos céus, as bênçãos reservadas aos fiéis e retos. ¶
Que nos esforcemos, com todo o coração, mente e força, para fazer o que o Senhor deseja que façamos em preparação para Sua segunda vinda. Creio plenamente que, quando Ele vier, chamará os irmãos fiéis que possuem Seu sacerdócio, de preferência a quaisquer outros, para auxiliá-lo na consumação de Sua gloriosa obra. Sei que Ele vive, que virá novamente; e é minha sincera oração que sejamos dignos de encontrá-lo e auxiliá-lo. Em nome de Jesus Cristo, amém. ¶