“Vimos a Sua Glória”
David B. Haight
Aquele a quem vocês acabaram de ouvir, Spencer Woolley Kimball, é o profeta de Deus para o mundo inteiro. Não somente os céus não estão selados, como muitos supõem, mas um profeta vivo está aqui, admoestando e aconselhando, e está disponível a todos os que o quiserem ouvir. Ele é o ungido de Deus para toda a humanidade seguir. ¶
Peço ao Senhor que me abençoe, como só Ele pode fazer, para que eu possa comunicar a vocês os desejos de meu coração neste momento. ¶
No próximo domingo é a Páscoa. Por poucas horas, muitos no mundo, crentes e descrentes, terão trazido à mente, por meio de imagens, histórias e mensagens na mídia ou nos púlpitos das igrejas, os eventos finais que culminaram na morte e ressurreição de nosso Senhor. ¶
Os relatos fragmentários do breve ministério do Salvador são suficientes para nos dar ao menos um pequeno sentimento de Seu grande amor. Seu desejo é ajudar-nos. Ele dará a cada um de nós tanto de Seu próprio espírito quanto estivermos preparados para receber. Sua obra e glória é salvar toda a humanidade. Ao ler e ponderar os ensinamentos de Cristo, dados para nos ajudar a compreender Seus propósitos, e ao testemunhar os eventos milagrosos que ocorrem hoje na disseminação de Sua obra, sinto um enchimento em meu peito — um testemunho de sua verdade eterna. ¶
Pouco antes da traição do Salvador e dos eventos subsequentes que serão celebrados na próxima semana, ocorreu um evento hoje conhecido como a Transfiguração, o qual tenho certeza de que se destinava a nosso esclarecimento espiritual, bem como ao daqueles que foram testemunhas pessoais. ¶
Os escritores do Novo Testamento nos dizem que o Salvador levou consigo os três mais queridos e esclarecidos de Seus apóstolos e subiu a um monte elevado — Lucas diz simplesmente "um monte" (vide Lucas 9:28) — para encontrar um lugar isolado onde pudesse ajoelhar-se em oração e preparar-se para os eventos que logo viriam. ¶
Deve ter sido no início da noite quando o Salvador subiu ao monte com aquelas três testemunhas escolhidas — Tiago e João, conhecidos como os "filhos do trovão", e Pedro, o "homem de rocha". Talvez Jesus sentisse não apenas a calma celestial que aquela oportunidade solitária de comunhão com Seu Pai traria, mas ainda mais, um sentimento de que seria amparado, na hora que se aproximava, por ministrações que não eram deste mundo. Ele seria iluminado com uma luz que não necessitava do auxílio do sol, da lua ou das estrelas. Ele subiu para se preparar para Sua morte iminente. Levou consigo Seus três apóstolos, na crença de que eles, depois de terem visto Sua glória — a glória do Unigênito do Pai —, poderiam ser fortalecidos, e que sua fé pudesse ser fortalecida para prepará-los para os insultos e eventos humilhantes que se seguiriam. ¶
Aprendemos, pelo que foi escrito, que o Salvador, encontrando um lugar isolado, ajoelhou-se e orou; e, enquanto orava a Seu Pai, foi elevado muito acima da dúvida e da maldade do mundo que O havia rejeitado. Enquanto orava, foi transfigurado. Seu semblante brilhou como o sol, e Suas vestes tornaram-se brancas como os campos de neve acima deles. Ele foi envolto numa aura de brilho resplandecente — toda a Sua presença refletia uma radiância tão divina que a luz do sol ou a brancura da neve são as únicas coisas às quais os evangelistas puderam comparar aquela cena celestial. Duas figuras apareceram a Seu lado. Ali estavam Moisés e Elias. Quando a oração terminou, tendo sido aceita, sem dúvida, a provação que se aproximava, então a glória plena caiu sobre Ele, vinda do céu — um testemunho de Sua divina filiação e poder. ¶
O relato de Lucas indica que os três apóstolos não testemunharam o início dessa maravilhosa transfiguração. Os três apóstolos, como estariam mais tarde no Getsêmani, estavam pesados de sono, diz o relato. Mas foram subitamente despertados. Então viram e ouviram. Na escuridão da noite, os apóstolos viram uma luz intensa e a forma glorificada de seu Senhor. A Seu lado, naquela mesma glória de luz, estavam duas pessoas que sabiam ou ouviram ser Moisés e Elias. Sem dúvida, falaram com Jesus sobre Sua morte iminente em Jerusalém. ¶
Enquanto a visão começava a se desvanecer, Pedro, diz o relato, falou os primeiros pensamentos que lhe vieram à mente e, aparentemente ansioso para retardar a partida dos visitantes celestiais, disse: "Mestre, bom é que nós estejamos aqui, e façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés, e uma para Elias." (Lucas 9:33.) ¶
Devem ter ficado surpresos com a proposta inadequada feita pelo ansioso Pedro, que ainda aprenderia o significado dos eventos daquela noite. Mas, enquanto Pedro ainda falava, uma nuvem brilhante de luz resplandecente cobriu Jesus e Seus visitantes celestiais, Moisés e Elias, e também os três apóstolos; e ouviu-se uma voz: "Este é o meu amado Filho; a ele ouvi." (Lucas 9:35.) ¶
Os três apóstolos caíram prostrados e esconderam o rosto. Quanto tempo se passou até que Jesus viesse até eles e os tocasse não fica claro no relato; mas, quando ergueram os olhos, tudo havia terminado. A nuvem brilhante havia desaparecido. Os clarões de luz, os semblantes resplandecentes tinham passado; estavam sozinhos com Jesus. Agora apenas a luz das estrelas iluminava as encostas do monte. ¶
Depois de tal experiência, os apóstolos podem ter hesitado em se levantar; mas Jesus, agora aparecendo como o haviam visto antes de Ele se ajoelhar em oração, tocou-os, dizendo: "Levantai-vos, e não tenhais medo." (Mateus 17:7.) Ele era o amigo querido deles. ¶
O dia provavelmente amanhecia enquanto desciam o monte. Jesus instruiu-os a não contarem a ninguém até que Ele tivesse ressuscitado dos mortos. A visão era para eles; deveria ser ponderada por eles nas profundezas de seu próprio coração. Nem mesmo deveriam contar aos outros apóstolos. Eles guardaram as instruções de Cristo, mas não conseguiram compreender todo o significado. Só podiam perguntar uns aos outros, ou perguntar-se em silêncio, o que poderia significar essa ressurreição dos mortos. Mas agora sabiam, mais plenamente do que nunca, que seu Senhor era, de fato, o Cristo, o Filho de Deus. ¶
Embora seja difícil para nós compreender, o próprio Jesus deve ter sido fortalecido e sustentado por Moisés e Elias, para prepará-lo para o sofrimento e a agonia que O aguardavam ao realizar a infinita e eterna expiação de toda a humanidade. Um anjo do céu novamente O fortaleceria, poucos dias depois, quando Ele suaria grandes gotas de sangue no Jardim do Getsêmani. ¶
Os três apóstolos escolhidos foram ensinados sobre Sua morte iminente e também sobre Sua ressurreição, ensinamentos que fortaleceriam cada um deles nos dias repletos de acontecimentos que se aproximavam. ¶
Testificando mais tarde, João disse: "Vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai" (João 1:14); e o apóstolo Pedro, falando dessa experiência pessoal, escreveu: "Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas artificialmente compostas, mas nós mesmos vimos a sua majestade. ¶
"Porque recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi enviada a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. ¶
"E ouvimos essa voz enviada do céu, estando nós com ele no monte santo." (2 Pedro 1:16–18.) ¶
Pedro, Tiago e João — somente eles contemplaram a glória e a majestade do Jesus transfigurado e, sem dúvida, receberam as chaves do reino. Estes três ainda seriam levados a um local no Getsêmani, onde contemplariam Seu sofrimento, quando Ele tomou sobre Si os pecados do mundo para nos redimir da Queda e, por meio de Sua ressurreição, demonstrar-nos que Ele é o Unigênito do Pai na carne e mostrar-nos que Ele é o Redentor do mundo. ¶
Essas mesmas três testemunhas que estiveram no monte — Pedro, o mais graduado dos apóstolos de Cristo, e Tiago e João — apareceram a Joseph Smith e Oliver Cowdery em 1829 e conferiram-lhes o Sacerdócio de Melquisedeque, dando-lhes as chaves do reino e do apostolado. O próprio Cristo, seguido por Moisés, Elias e Elias, o profeta, apareceu a Joseph e Oliver no Templo de Kirtland, conferindo autoridade e outorgando outras chaves essenciais desta dispensação. As próprias palavras do Profeta sobre este evento registram: ¶
"À tarde, auxiliei os outros presidentes a distribuir a Ceia do Senhor à Igreja, recebendo-a dos Doze, a quem cabia hoje o privilégio de oficiar na mesa sagrada. Depois de prestar este serviço a meus irmãos, retirei-me ao púlpito e, estando os véus abaixados, ajoelhei-me com Oliver Cowdery em solene e silenciosa oração. Ao nos levantarmos da oração, a seguinte visão abriu-se a nós dois. … ¶
"Retirou-se o véu de nossa mente e abriram-se os olhos de nosso entendimento. ¶
"Vimos o Senhor de pé no parapeito do púlpito, diante de nós; e sob seus pés havia um calçamento de ouro puro, da cor de âmbar. … ¶
"Eu sou o primeiro e o último; sou o que vive, sou o que foi morto; eu sou o vosso advogado junto ao Pai. … ¶
"Depois de encerrar-se esta visão, os céus tornaram-se a abrir e Moisés apareceu diante de nós e conferiu-nos as chaves para coligar Israel. … ¶
"Depois disto, Elias apareceu e conferiu-nos a dispensação do evangelho de Abraão, dizendo que em nós e em nossa semente todas as gerações depois de nós seriam abençoadas. ¶
"Concluída essa visão, outra grande e gloriosa visão abriu-se para nós; pois Elias, o profeta, que fora levado ao céu sem experimentar a morte, apareceu diante de nós e disse: … ¶
"Portanto, as chaves desta dispensação são confiadas às vossas mãos; e assim sabereis que o grande e terrível dia do Senhor está perto, sim, às portas." (D&C 110: cabeçalho, 1–2, 4, 11–13, 16.) ¶
As chaves, o poder e a autoridade divinos foram conferidos por mensageiros celestiais a Joseph Smith, nesta dispensação da plenitude dos tempos. Essas chaves — as mesmas que foram entregues a Pedro, Tiago e João no monte — autorizam-nos a levar o evangelho a todas as nações e a declarar o poder, a glória e a majestade de nosso Senhor Jesus Cristo, e que o dia de Sua vinda está próximo. O profeta de Deus, a quem ouvimos esta manhã, detém hoje estas chaves e autoridade. Convidamos as pessoas em toda parte a investigarem mais esta mensagem divina que temos a oferecer a toda a humanidade. ¶
Testifico, com toda sinceridade, a veracidade destas coisas, em nome d'Aquele a quem honramos, adoramos e amamos como nosso Salvador e Redentor, Jesus, o Cristo. Em Seu santo nome, amém. ¶