Ministrando às Necessidades por Meio dos Serviços Sociais SUD
J. Richard Clarke
Meus irmãos e irmãs, tenho certeza de que cada um de vós já foi tocado pelas histórias dos grandes esforços de socorro da Igreja aos membros atingidos por enchentes ou terremotos. Nosso coração se compadece dessas pessoas necessitadas. Há, contudo, outras necessidades — necessidades socioemocionais — que podem ser tão devastadoras quanto qualquer desastre natural. E essas necessidades não podem ser supridas com caminhões carregados de alimentos ou roupas. Gostaria de ilustrar algumas delas em meu discurso de hoje. ¶
Permiti-me começar lendo uma carta que relata a trágica história de um jovem que se envolveu num estilo de vida que o levou a violar o mais sagrado dos mandamentos de Deus: ¶
"Não sei por que escrevo esta carta. Talvez esteja me agarrando a um último recurso antes que tudo termine, ou algo assim. Busco ajuda, sem esperança de recebê-la. Não porque duvide que a Igreja seja verdadeira, mas por causa de meus pecados. Deixai-me dizer aqui que amo meus pais e faço o que posso para ajudá-los, mas minhas forças estão se esvaindo, e o pouco de vida espiritual que me resta se consome ao escrever esta carta. ¶
"Ainda muito jovem", prossegue o rapaz, "convenci-me de que meu pai não me amava. Isso começou num episódio em que, certa noite, fui beijá-lo para lhe dar boa-noite e ele me afastou. Tenho certeza de que ele não se lembra disso, e não teve significado algum para ele, mas fiquei devastado: toda a minha sensação de segurança e meu mundo desmoronaram em cinzas ali mesmo, onde eu estava. ¶
"Sem saber o que mais fazer, corri, em pânico, desse novo estranho para minha mãe, e sussurrei-lhe minha desgraça, o que ela negou, mas não me convenceu. Naquela noite, observei meu pai enquanto permanecia nas sombras de meu quarto escurecido. Jurei a mim mesmo que fecharia a porta até que ele procurasse abri-la. Eu o ignoraria até que ele me procurasse. ¶
"Ele não percebeu. Se percebeu, nunca me perguntou o que havia de errado. Bem, escusado será dizer que, nos anos seguintes, segui as aparências e me rebelei para obter sua atenção, o que consegui na forma de raiva. De qualquer forma, tornei-me homossexual, uma doença viciante, e logo me vi entrincheirado em minha prisão. Não me conhecia. E por mais anos do que posso lembrar, senti que o Senhor também não me amava. Dos dezessete aos vinte e três anos, mais ou menos, comecei a usar drogas. … ¶
Bem, podeis imaginar aonde sua vida foi a partir daí. Esse jovem encerra sua carta com estas palavras: "Obrigado pelo vosso tempo. Podeis me ajudar? Há razão para eu me ajudar? Podeis me convencer? Podeis dedicar-me algum tempo? Não me resta muito." ¶
Sim, jovem, há ajuda disponível para ti. ¶
Sabemos que o Senhor ama esse jovem, assim como ama todos nós. Esse indivíduo foi, desde então, encaminhado, por meio do sacerdócio, a uma agência dos Serviços Sociais SUD. De mãos dadas, seu líder do sacerdócio e sua assistente social dos Serviços Sociais SUD ajudarão esse irmão a aprender o que não aprendeu junto a seu pai — que o Senhor o ama e que o plano de arrependimento e perdão do evangelho está disponível para todos. ¶
Na situação seguinte, Janet, como a chamarei, estava envolvida numa séria transgressão. Depois de descobrir que esperava um filho fora do casamento, seu bispo a encaminhou aos Serviços Sociais SUD. Em vez de ser condenada pela equipe, como temia, encontrou amor e compreensão — o amor e a compreensão de que precisava para ajudá-la a se arrepender. Com a ajuda de seu bispo e da agência, começou a buscar o perdão do Senhor. Foi apresentada a pais adotivos que a acolheram amorosamente em seu lar. Passou a frequentar a igreja regularmente e a estudar o evangelho. Um grupo de mães solteiras patrocinado pela Igreja ajudou-a a perceber a magnitude de sua transgressão e a decidir começar uma nova vida. Passou a compreender mais plenamente a si mesma e seu relacionamento com seu Pai Celestial. ¶
"Passei por muita coisa", recordou ela. "Mas senti um grande peso aliviado por poder compartilhar o fardo com aqueles que compreendiam. Sou tão grata por toda a ajuda que recebi de meu Pai Celestial." ¶
Na última história, Verinda, uma vibrante jovem apache, foi aceita no Serviço de Colocação de Estudantes Indígenas. Ela deu, mais tarde, este testemunho: ¶
"Quando participei deste programa pela primeira vez, há oito anos, desci do ônibus apenas com a roupa do corpo e alguns poucos pertences numa caixa de sapatos. Venho de um lar humilde. Meu povo é humilde. Mas vós abristes vosso coração para mim. Por isso sou grata. Agora posso voltar para casa com uma mala nova, cheia de roupas. Mas essa não é minha riqueza. Sou rica porque aquilo que há dentro de mim é tão precioso quanto toda a riqueza deste mundo. Tenho um testemunho do evangelho. Sei que Jesus é o Cristo e que Deus vive e responde às orações. Agora tenho um objetivo — algo pelo qual lutar." ¶
Irmãos e irmãs, essas três histórias contrastam fortemente com o mundo à nossa volta. Hoje sofremos não apenas com a poluição física, mas também com a poluição mental. Perversões de nossos valores básicos são oferecidas como a "nova moralidade." A trapaça e a violência são frequentemente aceitas como meio de alcançar desejos individuais e coletivos. Mães que trabalham e pais de fim de semana abdicam de suas responsabilidades parentais. Maridos e esposas se separam pela menor discussão. O afeto natural está diminuindo. Lembro-me, quando era bispo, de um caso de um casal que perdeu a guarda de seus dois filhos pequenos — um ainda de fraldas, o outro jovem demais para a escola. Todos os dias, a mãe e o pai iam trabalhar e deixavam os filhos trancados em casa, para se virarem sozinhos. Quando questionada pelo juiz, a mãe ficou bastante surpresa. Disse que sempre deixava comida suficiente para as crianças até a hora do jantar! Podeis imaginar tal atitude? ¶
Essa "era de alienação" foi prevista por aquele grande profeta americano Morôni. Ele falou de nossos dias como "um dia em que haverá grandes contaminações sobre a face da Terra; haverá homicídios e roubos e mentiras e embustes e libertinagens e toda sorte de abominações." (Mórmon 8:31.) ¶
Em quase todos os casos, essas trágicas condições da sociedade podem ser atribuídas ao fracasso dos homens em viver os princípios eternos do evangelho de Jesus Cristo. ¶
Essas correntes da sociedade também nos afetam. Em muitas de nossas estacas há pais solteiros, jovens em liberdade condicional ou em centros de detenção, casos de abuso ou negligência infantil, problemas com drogas e álcool, sérios problemas conjugais, desvios sexuais, e membros em hospitais psiquiátricos e prisões. Esses problemas são de proporções assombrosas e, embora todos preferíssemos que não existissem, não podemos evitar a vida tal como ela realmente é. ¶
Como líderes do sacerdócio e da Sociedade de Socorro, temos a incumbência de ajudar os membros que sofrem desses problemas sociais e emocionais. De fato, o Senhor disse que devemos "socorrer os fracos, erguer as mãos que pendem e fortalecer os joelhos enfraquecidos." (D&C 81:5.) Os Irmãos reconhecem a magnitude dessa incumbência e nos proporcionaram um recurso valioso para que possamos ministrar "à maneira do próprio Senhor." Esse recurso, é claro, é a nossa própria divisão dos Serviços Sociais SUD, dos Serviços de Bem-Estar. ¶
A respeito do trabalho vital dessas agências, o Presidente Harold B. Lee instruiu os Representantes Regionais em 1970: ¶
"Nosso programa de serviços sociais já tem sido uma grande bênção para os membros de nossa Igreja. Esse programa busca responder a muitos problemas que afligem nossos membros numa sociedade próspera, e sem dúvida aumentará em importância, porque muitos dos problemas com os quais esse conjunto de agências lida são sintomáticos de nossa época. Os membros podem precisar mais de aconselhamento do que de roupas, e os membros que, por meio dos bispos, são encaminhados a uma agência de nosso programa de serviços sociais não devem sentir mais hesitação em pedir esse tipo de ajuda do que sentiríamos em solicitar ajuda por meio do programa de bem-estar do sacerdócio." (Seminário para os Representantes Regionais dos Doze, 1º de outubro de 1970.) ¶
O propósito ou missão dos Serviços Sociais SUD é auxiliar os líderes do sacerdócio, prestando serviços licenciados e clínicos de qualidade aos membros da Igreja. Isso é realizado com o uso de funcionários altamente qualificados e voluntários cujos valores, conhecimento e habilidades profissionais estão em harmonia com o evangelho e com a ordem da Igreja. Devemos lembrar que os Serviços Sociais SUD não existem porque alguém duvide de que um bispo ou quórum não recebe inspiração; ao contrário, existem porque nossos profetas foram inspirados a dar aos líderes locais do sacerdócio um recurso para suprir necessidades socioemocionais. Contudo, é importante ressaltar esta advertência encontrada na página 25 do Manual de Serviços de Bem-Estar: "O bispo e os líderes de quórum e de grupo do Sacerdócio de Melquisedeque são os líderes eclesiásticos do Senhor. Eles não podem, e não devem, transferir sua responsabilidade a nenhuma agência. As agências de serviços sociais são estabelecidas para ser um recurso para os líderes eclesiásticos. Não há substituto para o conselho inspirado e a bênção do sacerdócio dados pelo bispo ou pelo líder de quórum ou de grupo." (Manual de Serviços de Bem-Estar, 1974, p. 25; grifo acrescentado.) ¶
Devemos também lembrar que o objetivo da Igreja é ajudar as pessoas a ajudarem a si mesmas. Cuidar das pessoas de qualquer outra maneira, disse o Presidente Romney, é fazer-lhes mais mal do que bem. Uma esmola espiritual ou emocional, observou o Élder Boyd K. Packer, pode ser tão prejudicial quanto uma esmola material. ¶
O Manual Geral de Instruções indica que os Serviços Sociais SUD são o braço oficial da Igreja para tratar dos serviços licenciados — que incluem serviços a pais solteiros, adoções, lares adotivos temporários e colocação de estudantes indígenas. ¶
Permiti-me enfatizar algumas de nossas preocupações quanto a esses serviços. As colocações independentes de crianças são frequentemente ilegais e são feitas sem o cuidado e a proteção exercidos por nossas agências licenciadas. Os problemas daí resultantes têm causado imenso sofrimento às crianças envolvidas e a seus pais naturais, bem como aos pais adotivos e temporários. Quando membros e oficiais da Igreja, em qualquer país, se envolvem nessas colocações independentes de crianças, autoridades governamentais e outros frequentemente veem tais colocações como sancionadas pela Igreja. Como resultado, a obra missionária e outros programas da Igreja podem ficar em risco. Encorajamos todos os oficiais do sacerdócio que possam estar envolvidos nessas colocações independentes de crianças a estudar o manual e avaliar a propriedade de seu envolvimento pessoal à luz desta diretriz da Primeira Presidência: "Todos os assuntos referentes à adoção e à colocação de crianças em lares adotivos temporários nos quais a Igreja está ou deveria estar envolvida foram atribuídos aos Serviços Sociais SUD." ¶
Serviços de adoção licenciados e profissionais estão disponíveis a muitas famílias qualificadas de Santos dos Últimos Dias por meio dos Serviços Sociais SUD, em conformidade com todas as leis estaduais e federais. As famílias interessadas em adoção serão informadas de todos os recursos disponíveis a elas. O objetivo é encontrar o lar certo para determinada criança e assegurar a plena proteção de todas as partes envolvidas. ¶
Os Serviços para Pais Solteiros foram criados para auxiliar pessoas solteiras a lidar com a gravidez fora do casamento. Esse serviço opera sob a direção do líder local do sacerdócio, exceto em questões licenciadas, e inclui aconselhamento, colocação em lares adotivos temporários, assistência educacional, cuidados médicos e, acima de tudo, amizade e compreensão. Quando os pais naturais decidem que ceder seus filhos para adoção é a melhor alternativa, a agência assegura que as crianças sejam colocadas em lares de casais SUD dignos. Em todos os casos, os serviços a pais solteiros são estritamente confidenciais. Encaminhamentos a esse programa são aceitos de qualquer fonte. ¶
Por meio do Programa de Serviços de Colocação de Estudantes Indígenas, os Serviços Sociais SUD, mediante encaminhamento do líder local do sacerdócio, auxiliam pais indígenas a proporcionar experiências educacionais, espirituais, culturais e sociais a seus filhos, dos oito aos dezoito anos de idade. As crianças que se qualificam são colocadas com famílias adotivas temporárias de Santos dos Últimos Dias ativos, cuidadosamente selecionadas, durante o ano letivo. ¶
O cuidado em lares adotivos temporários, licenciado e supervisionado, presta ajuda e orientação a crianças que, por necessidade, foram temporariamente separadas de seus pais. Essa experiência, aliada ao aconselhamento espiritual e profissional, ajuda tanto as crianças quanto os pais a se prepararem para a reunião da família. ¶
Os serviços clínicos prestados pela agência incluem consulta, avaliação e tratamento de problemas socioemocionais. A pedido dos líderes do sacerdócio, terapeutas profissionais auxiliam os membros a explorar as causas e soluções de seus problemas. ¶
Atualmente existem vinte e uma agências dos Serviços Sociais SUD. Nas áreas onde as agências ainda não foram estabelecidas, os líderes do sacerdócio podem avaliar a necessidade desse serviço. Agências adicionais serão estabelecidas quando for identificada necessidade suficiente e quando assim determinarem os líderes de bem-estar regionais e de área. ¶
Quando uma nova agência é estabelecida, contrata-se um pequeno núcleo de profissionais. Voluntários treinados são acrescentados a esse grupo básico de pessoas. Os presidentes de estaca trabalham com as agências, na medida do possível, para identificar e convidar voluntários a servir. ¶
Nas áreas onde os Serviços Sociais SUD não estão estabelecidos, os líderes do sacerdócio devem manter uma listagem de recursos, SUD e não SUD, que prestem serviços semelhantes. Os indivíduos e agências considerados devem ser avaliados para assegurar que seus valores sejam compatíveis com os padrões e valores da Igreja. As leis locais devem sempre ser observadas quando forem utilizados serviços de adoção, de pais solteiros ou de lares adotivos temporários. ¶
É escusado dizer que muitos desses problemas seriam aliviados se os pais dedicassem mais tempo a ensinar e criar seus filhos. Relacionado à história que relatei no início de meu discurso está o testemunho de um pesquisador clínico que, depois de estudar 850 casos individuais, declarou: "A homossexualidade não ocorreria onde houvesse um relacionamento normal e amoroso entre pai e filho." Qualquer um de nosso povo que viva em retidão normalmente evitaria envolver-se nesses problemas. ¶
Cada uma das histórias que relatei ilustra, creio eu, o valor dos Serviços Sociais SUD quando dirigidos pelo sacerdócio. Em 1973, o Presidente Lee disse: "Os maiores milagres que vejo hoje não são necessariamente a cura de corpos doentes, mas a … cura de almas doentes, daqueles que estão doentes de alma e espírito e se sentem abatidos e angustiados, à beira de um colapso nervoso. Estamos alcançando a todos esses, porque são preciosos aos olhos do Senhor, e não queremos que ninguém se sinta esquecido." (A Liahona, julho de 1973, p. 123.) ¶
Eles não estão esquecidos. Pensai no jovem que estava distanciado de seu pai, na moça de dezessete anos que esperava um bebê, na estudante indígena de olhos brilhantes — essas não são estatísticas, irmãos e irmãs; são pessoas reais com necessidades reais. ¶
Como líderes do sacerdócio e da Sociedade de Socorro, temos a incumbência de alcançar essas pessoas. Mas nos foi dada ajuda. Assim como um médico pode tratar de uma enfermidade física, também os Serviços Sociais SUD podem auxiliar a suprir necessidades socioemocionais, sob a direção espiritual do líder do sacerdócio. ¶
Ao refletirmos sobre como podemos usar esse recurso, pensai no jovem que observava seu pai do escuro de seu quarto. Quantos mais existem como ele? Como podemos percorrer o corredor e abrir a porta? Rogo que nós, líderes do sacerdócio, magnifiquemos nossos chamados e permitamos que o Espírito nos guie no uso desse recurso dos Serviços Sociais SUD, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶