Prontos para Trabalhar Longas Horas
N. Eldon Tanner
Irmãos, é uma visão grandiosa e gloriosa ver todos estes portadores do sacerdócio reunidos aqui neste histórico Tabernáculo, e perceber que milhares e milhares mais se reuniram em outros prédios por toda a Igreja — homens que possuem o sacerdócio de Deus, com poder e autoridade para agir em seu nome. Todos nós desejamos estar ativamente engajados em ajudar a edificar o reino de Deus e estar preparados para atender ao chamado claro de nosso presidente, Spencer W. Kimball, profeta de Deus, por meio de quem o Senhor fala e dirige sua obra aqui na terra. ¶
Sempre que me ponho diante de um grupo de portadores do sacerdócio, sinto uma responsabilidade muito grande, e espero e humildemente rogo que o Espírito e as bênçãos do Senhor nos acompanhem e guiem nossos pensamentos enquanto lhes falo. ¶
Muitas vezes me pergunto se realmente percebemos que grande privilégio e bênção é ser membros da igreja de Jesus Cristo e possuir o sacerdócio de Deus, e saber que somos o único povo em todo o mundo que possui essa grande bênção e privilégio. ¶
Jamais devemos esquecer que este privilégio traz consigo uma grande responsabilidade, que deve ser assumida por cada um de nós, desde o Presidente Kimball até o último diácono ordenado na Igreja. Que nunca enfraqueçamos ou esqueçamos que fomos chamados pelo Senhor. Ele espera que todos nós honremos o sacerdócio e magnifiquemos nosso chamado. ¶
Temos ouvido, estamos ouvindo e continuaremos a ouvir muito a respeito dos males do mundo atual. Eles são reais e muito sérios. Na verdade, quase já engolfaram o mundo. Tenho certeza de que muitos de vocês estão cansados de ouvir falar disso, assim como eu, e sentem que estamos escutando um disco quebrado. ¶
Permitam-me ler alguns trechos de um discurso proferido pelo Dr. John A. Howard, presidente do Rockford College, em Rockford, Illinois, ao dirigir-se aos formandos da Universidade Brigham Young em abril passado. Ele se referiu aos problemas e sacrifícios feitos por nossos primeiros pioneiros, que atravessaram as planícies rumo ao Vale do Lago Salgado, e disse: ¶
“A obra que se apresenta à geração de vocês não é menos árdua. Os desertos que vocês devem fazer florescer não são menos áridos, mas sua missão pode exigir ainda mais de vocês, pois, ao contrário dos primeiros pioneiros deste estado, vocês se deparam com um deserto sutil, fluido e evasivo. Na verdade, o deserto que vocês devem conquistar está disfarçado de civilização, de modo que há a dupla necessidade de desmascarar o engano, de distinguir entre o que é autêntico e o que é falsificado, e de labutar para apoiar um e opor-se ao outro. ¶
“A depravação moral que aparece na televisão rivaliza com o tom moral dos campi universitários, onde a coabitação é lugar-comum e o uso de drogas ilegais nem sequer causa mais surpresa. A crescente onda de crime é equiparada pelo dilúvio de desonestidade — e penso que essa palavra é adequada e precisa. A onda de crime é equiparada pelo dilúvio de desonestidade da parte de políticos que prometem o que sabem não poder cumprir, e que tentam enganar o povo, fazendo-o crer que os projetos sempre podem ser pagos do bolso de outra pessoa. ¶
“Pode ser difícil para a geração de vocês conceber como era esta sociedade há meros dez anos. A linguagem de sarjeta era quase desconhecida em tribunas públicas, peças e filmes. Dormitórios mistos eram impensáveis em qualquer lugar deste país. A maioria das pessoas não se preocupava em andar sozinha, tarde da noite, pelas ruas da cidade. Literatura obscena não estava disponível publicamente nas bancas de jornal, nem havia cartões vulgares disponíveis no saguão do motel local, nem literatura obscena disponível publicamente nas livrarias.” ¶
Disse também: “Creio que não existe, nos Estados Unidos, nenhum outro grande grupo da geração de vocês tão consistentemente treinado em suas obrigações religiosas, tão disposto a trabalhar longas horas e fazer sacrifícios por seus princípios, e tão versado na dignidade da auto-suficiência quanto vocês. Se essa avaliação estiver correta, vocês são grandemente abençoados e muito privilegiados.” ¶
Este é um grande elogio à Universidade Brigham Young. Lembrem-se de que ele é feito por um não membro da Igreja, que é presidente de outra universidade, conhece as condições do mundo atual e está qualificado para falar sobre este assunto. Ele apontou claramente quais são as responsabilidades da BYU. ¶
Depois de ler seu discurso, perguntei-me imediatamente: “O que colocou a Universidade Brigham Young nessa posição de destaque?” Gostaria de sugerir três ou quatro razões para a universidade ser o que é. ¶
Primeiro, ela foi estabelecida sob a direção do sacerdócio de Deus e continua a funcionar sob a influência desse sacerdócio, sendo o presidente e a maior parte do corpo docente composta de homens e mulheres que possuem fortes testemunhos do evangelho, que sabem quem são, de onde vieram e por que estão aqui, e que estão preparados e ansiosos para ensinar os princípios do evangelho restaurado pelo preceito e pelo exemplo. ¶
Segundo, a maioria dos estudantes que frequentam a universidade foi ensinada nesses mesmos princípios em seu lar, e a compreender que são filhos espirituais de Deus e como podem se preparar para voltar à sua presença. ¶
Terceiro, por meio das organizações da Igreja e do exemplo dos dirigentes e professores, os jovens recebem grande força ao crescer, e se beneficiam enormemente ao participar como dirigentes, professores e membros dos ramos e estacas existentes no campus universitário. ¶
Quarto, a grande força dos ex-missionários, com seus fortes testemunhos e experiências, contribui muito para o ambiente religioso do campus. ¶
Antes de prosseguir, desejo aproveitar esta oportunidade para fazer o que considero uma advertência da maior importância: que nem a universidade, nem a Igreja, nem nós como indivíduos adotemos a atitude de que já chegamos lá, de que estamos salvos, de que não precisamos mais nos arrepender, de que não precisamos continuar a tentar melhorar e viver mais de perto e completamente os ensinamentos do evangelho. ¶
Se o que o Dr. Howard disse sobre a responsabilidade dos estudantes da BYU é verdade — e é —, isso se aplica ainda mais à Igreja, a seus dirigentes e a seus membros. Como já foi mencionado, esta é a igreja de Jesus Cristo, a única igreja liderada por e possuidora do sacerdócio de Deus, e a ela foi dada a incumbência de ensinar o evangelho a todos os povos e prepará-los para a segunda vinda de Cristo. Isso só pode ser feito à medida que honramos o sacerdócio de Deus e magnificamos o ofício e o chamado que nos foi dado individualmente. ¶
É evidente que devemos nos esforçar mais, como igreja e como indivíduos, se quisermos resistir aos males do mundo. A Primeira Presidência e as Autoridades Gerais estão muito preocupadas com o fato de que o mal e a tentação estão penetrando na Igreja e afetando a vida de muitos de nossos jovens e até mesmo de membros adultos. Quase nos parte o coração ver quantos, e quão seriamente, estão sendo afetados. Percebemos que o valor de uma alma é grande aos olhos do Senhor, e queremos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance, com amor, bondade e advertência, para ajudar a fortalecer e guiar todos os membros nos caminhos da verdade e da retidão. Sentimo-nos como Néfi, quando “esta grande iniquidade tomara conta dos nefitas … e … encheu-se-lhe o coração de mágoa dentro do peito; e exclamou, na agonia de sua alma”. (Helamã 7:6.) Nossa preocupação é — e deveria ser a preocupação de cada família, cada pai, cada adulto e cada portador do sacerdócio — como podemos melhor guardar e proteger a nós mesmos, nossos filhos e outros, contra os males do mundo? ¶
Permitam-me referir-me e, de certo modo, parafrasear “A Parábola da Bateria Defeituosa”, escrita pelo Élder James E. Talmage. (Vide Albert L. Zobell, Jr., The Parable of James E. Talmage, Deseret Book Company, 1973, pp. 7–12.) Ele disse que, para realizar certa experiência de laboratório, precisava de uma corrente elétrica primária poderosa. Pediu a seu assistente que preparasse uma bateria composta de uma dúzia de células de tipo simples. Seu assistente seguiu o procedimento habitual. Preparou doze frascos contendo solução ácida, nos quais foram imersas duas placas, uma de carbono e uma de zinco. As células foram então conectadas “em série”. Isso deveria ter resultado numa série que fornecesse força igual à força total. Descobriu-se, porém, que ele não havia dado atenção suficiente aos detalhes — aquelas aparentes ninharias que fazem ou desfazem a perfeição. ¶
O Élder Talmage disse que ficou desapontado ao tentar usar a bateria, pois ela não funcionava como deveria. Ao inspecioná-la, descobriu que nem todas as células funcionavam da mesma maneira; algumas estavam intensamente ativas, e o líquido parecia água fervendo, devido aos gases que escapavam. Sua corrente era muito fraca. A energia produzida era praticamente consumida ao vencer sua própria resistência interna, e não tinha força alguma. ¶
Ele desmontou a bateria e fez um exame individual de cada célula. As primeiras oito células mostraram-se em boas condições. A nona, porém, estava seriamente defeituosa. Essa célula foi separada, e as outras foram testadas e consideradas boas. Era claro que a célula número nove era a causa do problema. Era também a que mais fumegava e se agitava do que as outras. Deixando-a de lado, ele conectou as outras onze e constatou que formavam uma corrente boa e forte, suficiente para operar um receptor elétrico ou detonar uma carga do outro lado do globo. ¶
Mais tarde, ele começou a inspecionar a unidade rejeitada e descobriu que ela havia se curto-circuitado por sua própria espuma e fumaça. O ácido destruíra o isolamento em algumas partes, e a corrente fora inteiramente consumida na corrosão destrutiva dentro do frasco. Ela violara a lei da ação correta. Corrompera-se em seu estado defeituoso. Não era apenas inútil como unidade de trabalho, mas um membro improdutivo numa comunidade de células. Era pior do que inútil, pois causava uma resistência efetiva ao funcionamento das outras unidades limpas e utilizáveis. ¶
Ele não destruiu, porém, a unidade. Achou que havia a possibilidade de restaurá-la a alguma utilidade. Examinou suas partes mais internas e, com faca e lima, removeu a crosta corroída. Batizou-a num banho purificador, montou-a novamente e testou-a. Gradualmente, ela desenvolveu energia, até chegar a funcionar quase tão bem quanto as outras células. Contudo, ele continuou a observar a célula com cuidado especial, não confiando nela tão plenamente quanto antes de ela ter se contaminado. ¶
O Élder Talmage disse que essa foi uma experiência real, mas a chamou de parábola, e disse quão semelhantes somos à célula voltaica. Há homens que são barulhentos e demonstrativos, até ofensivos em sua atividade anormal. No entanto, o que realizam em trabalho efetivo? Sua energia é inteiramente consumida ao vencer a resistência interna de seu eu defeituoso. ¶
Há outros que apenas dormem e sonham. São indolentes, adormecidos e, pelo padrão da utilidade, mortos. Há homens que labutam tão silenciosamente que quase não revelam o fato de que estão trabalhando arduamente. Por meio de sua devoção sincera, influenciam grandemente a vida daqueles com quem convivem. A célula suja, porém, era muito semelhante ao pecador. A inaptidão era o efeito direto da desordem interna, da autocorrupção. A tal defecção nos homens chamamos pecado, que é essencialmente a violação da lei. Eles, em associação com outros que são limpos, capazes e dispostos, são uma obstrução à corrente, e a eficiência do todo é diminuída, se não totalmente neutralizada, por uma única unidade defeituosa. ¶
Certamente nenhum portador do sacerdócio escolheria ser a célula defeituosa, retardando a obra do Senhor. Todos nós gostaríamos de viver de tal forma que o Senhor se agradasse de nossa devoção e atividade, e gostaríamos de sentir que estamos ajudando a edificar o reino de Deus. Para isso, é necessário que estejamos alertas e façamos tudo o que estiver ao nosso alcance para frustrar os desígnios malignos de Satanás e seus asseclas — especialmente em tempos de prosperidade, quando o povo se inclina a se afastar dos ensinamentos do Senhor. ¶
Os membros da Igreja hoje provavelmente estão em melhor situação financeira do que nunca. A Igreja está crescendo rapidamente e sendo mais amplamente aceita no mundo do que nunca. Parece haver um maior sentimento de segurança. Tudo isso tende a nos levar a nos afastar da Igreja, porque fixamos demais nossa mente nas coisas deste mundo. Néfi advertiu seu povo contra o ataque das tentações de Satanás com estas palavras: ¶
“Pois eis que nesse dia ele se enfurecerá no coração dos filhos dos homens e incitá-los-á a irarem-se contra o que é bom. ¶
“E a outros pacificará e acalentará com segurança carnal, de modo que dirão: Tudo vai bem em Sião; sim, Sião prospera. Tudo vai bem — e assim o diabo engana suas almas e os conduz cuidadosamente ao inferno.” (2 Néfi 28:20–21.) ¶
Consideremos três coisas que hoje, em particular, estão desviando o povo. Primeiro, deixar de guardar o dia do Senhor como dia santo; segundo, quebrar a Palavra de Sabedoria; terceiro, a impureza sexual. Há muitas outras. ¶
O dia do Senhor parece ter-se tornado um dia de recreação. Os esportes profissionais mantêm milhares de pessoas em casa, diante da televisão, ou viajando para os locais onde ocorrem os jogos. Milhares participam como jogadores ou espectadores, e, em sua abundância, as pessoas possuem barcos, motocicletas, trailers, equipamentos de pesca e outros artigos esportivos, e tendem a sentir que é um desperdício não usá-los ao máximo nos fins de semana, inclusive no domingo. ¶
A busca de prazeres mundanos leva muitos de nossos jovens a caminhos proibidos, onde começam a experimentar álcool, tabaco e drogas, que se tornam viciantes; e, por fim, são engolfados em muitos outros males relacionados a essas coisas. A influência da televisão é particularmente prejudicial, pois o álcool, o tabaco e o sexo são retratados como contribuintes para a popularidade e como algo que faz a pessoa fazer parte do grupo “da moda”. ¶
A pornografia abunda, e seus efeitos nocivos são evidentes por todos os lados. Vocês sabem quais são. Direi simplesmente que nem o adulto nem o jovem podem ver, ouvir ou comunicar-se por meio da pornografia sem se contaminar e sem pôr em risco a fibra moral da comunidade. O pervertido sexual, o estuprador e o ladrão tornaram-se o que são por causa daquilo que foi alimentado em sua mente, o que, por sua vez, os impeliu aos atos que praticam. ¶
A imoralidade e a impureza são tão comuns hoje em dia que nossos jovens, ao ver muitos tipos de perversão na televisão e no cinema, sentem que esses são modos de vida aceitos. Não posso enfatizar demais a importância de nos mantermos limpos, puros e castos, a fim de sermos dignos de possuir este santo sacerdócio e de preparar a nós mesmos e nossas famílias para a vida eterna. ¶
Foi-nos dado o programa da noite familiar como um dos meios de combater o mal e fortalecer nossos jovens, onde podemos ensinar nossos filhos a orar e a andar retamente diante do Senhor. ¶
Devemos sempre lembrar que, embora estejamos no mundo, não devemos fazer parte dele. Simplesmente não podemos seguir os caminhos do mundo. Devemos ousar ser diferentes. Não devemos nos deixar influenciar por aqueles que nos chamariam de peculiares. O Senhor disse aos filhos de Israel: ¶
“Porque és povo santo ao Senhor teu Deus; e o Senhor te escolheu, de todos os povos que há sobre a face da terra, para lhe seres o seu povo próprio.” (Deuteronômio 14:2.) ¶
Agora, meus irmãos, gostaria de prestar-lhes meu testemunho e testificar que sei, como sei que estou aqui, que Deus é um Deus pessoal e vivo, à cuja imagem fomos formados. Ele se interessa por nós e deseja que tenhamos êxito. Ele “amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho Unigênito [Jesus Cristo], para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. (João 3:16.) Ele nos deu o caminho pelo qual devemos viver e agir como portadores do sacerdócio, que somos; e Ele e Seu Filho, Jesus Cristo, vieram a esta terra e restauraram o evangelho em sua plenitude. Somos muito afortunados por possuir esse evangelho, por compreender quem somos, por que estamos aqui e como podemos voltar à presença de nosso Pai Celestial. Ele espera que todo rapaz viva sempre de tal maneira que seja um exemplo do bem. ¶
Apelo a todo homem e a todo rapaz que ouve minha voz esta noite para que seja exatamente o que recomendei que fosse, para que faça uma avaliação pessoal e determine em seu coração viver de modo a agradar ao Senhor e, onde quer que esteja, fazer sentir sua influência para o bem. Se cada um de nós fizer isso, seremos bem-vindos de volta à presença de nosso Pai Celestial. ¶
Que possamos encontrar-nos lá, quando tivermos terminado nossa obra aqui, humildemente rogo, em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém. ¶