Paternidade
O. Leslie Stone
Meus queridos irmãos, irmãs e amigos, durante os poucos minutos que me foram concedidos, gostaria de falar sobre as responsabilidades dos pais na criação de seus filhos. ¶
Para começar, gostaria de citar o Presidente David O. McKay, que assim se pronunciou sobre a responsabilidade dos pais: ¶
“Diz-se que ‘ser digno de confiança é um elogio maior do que ser amado’. A maior confiança que pode ser depositada num homem e numa mulher é pôr sob seus cuidados a vida de uma criancinha. ¶
“Se um homem a quem foram confiados os fundos de outras pessoas — seja funcionário de banco, município ou estado — falta com seu dever, ele é preso e provavelmente enviado à prisão. Se uma pessoa a quem foi confiado um segredo de governo revela esse segredo e trai seu país, ela é chamada de traidora. ¶
“O que deve pensar o Senhor, então, dos pais que, por sua própria negligência ou pelo desejo deliberado de satisfazer seu egoísmo, deixam de criar devidamente seus filhos, revelando-se assim infiéis à maior confiança já concedida a seres humanos?” (Treasures of Life, Deseret Book Company, 1965, p. 71.) ¶
E, em seguida, ele disse que entre os pais negligentes estão estes: ¶
Os que discutem na presença dos filhos; ¶
Os que poluem o ambiente do lar com vulgaridade e profanidade; ¶
Aqueles cuja vida diária no lar não condiz com suas pretensões religiosas; ¶
Os que deixam de ensinar obediência a seus filhos; ¶
Os que negligenciam ensinar religião a seus filhos, dizendo: “Deixem que cresçam e escolham por si mesmos”, falhando assim no cumprimento de uma responsabilidade paterna. (Vide Treasures of Life, pp. 72–74.) ¶
Ele então faz uma pergunta e uma sugestão: “Pais, como vocês se saem? Façam um inventário pessoal e vejam se estão cumprindo suas sagradas obrigações.” ¶
Esta declaração em Doutrina e Convênios deixa clara nossa responsabilidade de ensinar a nossos filhos os fundamentos do evangelho: ¶
“Se os pais tiverem filhos … e não os ensinarem a compreender a doutrina do arrependimento, da fé em Cristo, o Filho do Deus vivo, e do batismo e do dom do Espírito Santo pela imposição das mãos, quando tiverem oito anos, sobre a cabeça dos pais seja o pecado. ¶
“Pois isto será uma lei para os habitantes de Sião.” (D&C 68:25–26.) ¶
Observem que isto não diz que o pecado recai sobre a cabeça do professor da Escola Dominical, da Primária ou do seminário, mas sobre a cabeça dos pais. ¶
Ao falar sobre este assunto, em certa ocasião, o Élder A. Theodore Tuttle fez esta declaração significativa: ¶
“A responsabilidade paterna não pode ser ignorada, nem pode ser transferida a creches, à sala de aula, ou mesmo à Igreja. A responsabilidade familiar vem por decreto divino. Os pais só podem violar esse decreto sob o risco de sua salvação eterna.” (“Altar, Tent, Well”, Ensign, jan. de 1973, p. 67.) ¶
Assim, fica claro para todos nós que é obrigação solene de cada pai e cada mãe Santo dos Últimos Dias fazer tudo o que estiver ao seu alcance para incutir em seus filhos o conhecimento do evangelho e o verdadeiro propósito da vida. ¶
É claro que, para isso, precisamos primeiro estar convertidos nós mesmos. Se desejamos que nossos filhos sejam Santos dos Últimos Dias, precisamos ser Santos dos Últimos Dias. O Presidente Hugh B. Brown certa vez disse: “[Nós] não podemos ensinar eficazmente [aquilo em que] não acreditamos profundamente. … Nossa vida e nossos ensinamentos não podem estar em desacordo.” (Eternal Quest, Bookcraft, 1956, pp. 179, 181.) ¶
Pais jovens, preparem-se para que seus filhos possam ser devidamente ensinados nos caminhos do Senhor. Ensinem-lhes fé no Deus vivo. Ensinem-lhes a orar sempre, e ensinem-lhes a guardar as leis e os mandamentos que o Senhor nos deu para vivermos. ¶
Em outra ocasião, o Presidente Brown disse: ¶
“Nesta época de egoísmo e ganância, de controle de natalidade e esterilidade, de divórcio fácil, lares desfeitos e delinquência juvenil, nesta época de diversões baratas, ociosidade e falta de disciplina, convém buscar os valores básicos, chamar a atenção para o fato de que o lar é a instituição mais fundamental da nação e que as mães são as primeiras professoras nessa escola de formação do caráter.” (Vision and Valor, Bookcraft, 1971, p. 24.) ¶
É no lar que aprendemos o que é certo, o que é bom e o que é gentil. É a primeira escola e a primeira igreja. A melhor maneira de preparar uma criança para uma vida adulta feliz e justa é fortalecê-la durante sua infância. E feliz é a família em que essa confiança tão importante — a de criar devidamente os filhos dessa família — é sua maior preocupação. ¶
Igual à responsabilidade que temos de prover alimento, moradia e as necessidades da vida, é a responsabilidade de dar o exemplo correto a nossos filhos em tudo o que fazemos. ¶
Lembremo-nos de que os pais, no lar, influenciam os padrões de comportamento, os hábitos, as opiniões e as crenças dos filhos. A maioria dos padrões de comportamento é estabelecida cedo na vida, e é uma tarefa extremamente difícil e lenta modificá-los mais tarde. ¶
Há uma grande mensagem para os pais, na criação de seus filhos, no cântico escrito pela irmã Naomi Randall, intitulado “Sou um Filho de Deus”. Considero-o um dos maiores cânticos que temos na Igreja. Ouvimo-lo cantado em todo o mundo, ao visitarmos as crianças nas Escolas Dominicais Juniores. Gostaria de citar a letra deste cântico: ¶
Sou um filho de Deus, ¶
E ele me enviou aqui, ¶
Deu-me um lar terreno ¶
Com pais bondosos e queridos. ¶
Sou um filho de Deus, ¶
E por isso minhas necessidades são grandes; ¶
Ajuda-me a compreender suas palavras ¶
Antes que seja tarde demais. ¶
Sou um filho de Deus, ¶
Ricas bênçãos me aguardam; ¶
Se eu apenas aprender a fazer sua vontade, ¶
Viverei com ele novamente. ¶
Guia-me, orienta-me, anda ao meu lado, ¶
Ajuda-me a encontrar o caminho. ¶
Ensina-me tudo o que devo fazer ¶
Para viver com ele algum dia. ¶
Sing With Me, B-76 ¶
Ora, à medida que a criança cresce, ela se torna mais independente. Às vezes os adolescentes são acusados de achar que já não precisam mais dos pais, mas, evidentemente, esta é uma época da vida em que precisam deles mais do que nunca. ¶
Hoje nossos jovens enfrentam desafios tremendos — e do que mais precisam? ¶
Precisam de conhecimento sólido, de compreensão sensata, de uma mão que os guie. Precisam de lares verdadeiros, mantidos de maneira limpa e ordenada. Precisam de pais que sejam realmente pais e de mães que sejam mães no verdadeiro sentido da palavra. Precisam de mais do que meros progenitores ou senhorios. Precisam de pais amorosos e compreensivos, que deem cuidado paterno e materno, que coloquem a família em primeiro lugar em sua vida, e que considerem seu dever fundamental e mais importante salvar seus próprios filhos, orientando-os a eles e a seus pensamentos, de modo que não sejam desviados por qualquer vento de persuasão que sopre em sua direção. ¶
Esses jovens são curiosos, famintos de verdade. O que eles querem de nós, como pais, são respostas honestas e bem informadas às suas perguntas, e a própria vida que levamos deve refletir aquilo que dizemos, para que o mestre e a verdade ensinada sigam o mesmo padrão. ¶
Daniel Webster certa vez disse: ¶
“Se trabalharmos o mármore, ele perecerá. Se trabalharmos o bronze, o tempo o apagará. Se erguermos templos, eles se desfarão em pó. Mas se trabalharmos as mentes imortais dos homens, se as imbuirmos de altos princípios, do justo temor a Deus e do amor ao próximo, gravaremos nessas tábuas algo que … brilhará cada vez mais por toda a eternidade.” (Burton Stevenson, The Home Book of Quotations, Nova York: Dodd, Mead & Company, 1934, p. 1312.) ¶
A irmã Stone e eu somos avós de dezesseis netos, e podemos assegurar-lhes que não há nada no mundo mais caro a nossos corações. Somos muito gratos pelos esforços que seus pais têm feito para criá-los devidamente. ¶
Encorajo vocês, jovens, a se aproximarem de seus pais — deixem que eles os ajudem a dirigir sua vida rumo à retidão. ¶
As maiores bênçãos desta vida só estão ao alcance de cada um de nós quando guardamos os mandamentos que o Senhor nos deu. E as bênçãos prometidas não são apenas para esta vida, mas para toda a eternidade. ¶
Nosso profeta e líder de hoje, o Presidente Spencer W. Kimball, disse-nos que o preço da felicidade é guardar os mandamentos de Deus. ¶
No dia do juízo, algum de vocês, pais, gostaria de ouvir que falhou em cumprir sua parte — que foi um servo indigno do Senhor, porque sua vida foi um exemplo pobre para os espíritos que Ele confiou a seus cuidados? ¶
Parafraseando uma admoestação que o Senhor nos deu: Assim resplandeça a vossa luz diante de vossos filhos, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus. (Vide Mateus 5:16.) ¶
Que promessa gloriosa — a vida eterna. E ela será nossa se guardarmos os mandamentos e perseverarmos até o fim. O Senhor sempre cumpre Suas promessas. Lembrem-se de que Ele diz em Doutrina e Convênios: ¶
Que todos nós vivamos de modo a trazer esta promessa de vida eterna para nós e nossa família. Bênçãos tão maravilhosas estão ao nosso alcance, se vivermos vidas justas. Assim testifico, em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém. ¶