Um Relatório sobre a Participação da Igreja na Celebração do Bicentenário da América
L. Tom Perry
À medida que nos aproximamos do fim de 1976, parece-me apropriado dirigir minhas palavras à participação da Igreja na comemoração do Bicentenário dos Estados Unidos da América. ¶
Nos últimos três anos, tive a emocionante experiência de participar do comitê da Igreja organizado para ajudar a planejar a devida comemoração deste evento. Nas últimas semanas, estivemos reunindo um álbum de recortes para registrar a história de nossas atividades relacionadas a esta celebração. Como me emocionei, a cada dia, com as realizações registradas nas novas páginas que chegavam! Cada peça ajuda a construir um belo retrato de como nosso envolvimento satisfez uma necessidade, contou uma história, ensinou uma lição e ajudou a construir uma comemoração apropriada deste grande evento. ¶
O Bicentenário, no cenário nacional, foi caracterizado como uma celebração de quintal, pois não teve um centro. Ele aconteceu nas vilas, nas cidades pequenas e nas grandes cidades por toda a extensão do país. O mesmo pode ser dito da Igreja. O crédito por essa realização pertence às famílias individuais, às alas, às estacas, às missões e aos distritos. ¶
Permitam-me agora folhear as páginas deste álbum ainda incompleto e destacar para vocês algumas das realizações, com a consciência de que ainda resta um quarto da história deste ano a ser escrito. ¶
A primeira seção a que recorro chama-se "Educação." Está repleta de livros, cartazes, revistas, manuais de lições, histórias, fotografias e descrições de eventos emocionantes. Li o relato de sessenta semanas especiais de educação realizadas por todo o país, destinadas a ensinar aos participantes o amor pela pátria e os requisitos para ser um bom cidadão. Vejo as revistas Ensign, New Era e Friend repletas de artigos informativos sobre a história de nosso país e nossa esperança para o futuro. Há o relato de uma "prateleira da liberdade" especial, montada em nossas livrarias, com histórias novas e antigas de nosso país. É interessante notar que uma dessas histórias, escrita especialmente para contar a história singular da restauração do evangelho como parte do estabelecimento desta nação, teve uma distribuição de milhares de exemplares. ¶
Vejo exemplares de uma série de cartazes destinados a ensinar sobre a mão de Deus na fundação da América. Foram distribuídos e exibidos em nossas capelas por todo o país. Digno de nota especial foi a distribuição de 821 mil exemplares de um suplemento especial ao manual da Noite Familiar. A demanda por esse manual superou em muito nosso estoque. Em lares por toda a América, belas lições foram ensinadas sobre o propósito e o destino desta terra. ¶
Há uma seção do álbum intitulada "Comunicações Públicas." Ali encontramos relatos de apresentações em videoteipe exibidas em nossos centros de visitantes, intituladas "God Bless America" [Deus Abençoe a América]; recortes de 1.075 artigos de jornais nos Estados Unidos tratando de como a Igreja está celebrando o Bicentenário; fotografias de oitenta e nove festivais de dança apresentando danças do período colonial, sendo que o maior deles teve 9 mil participantes e uma plateia de oitenta a noventa mil pessoas. Havia fotografias de carros alegóricos patrocinados por unidades locais da Igreja em desfiles pelo país. Temos fotografias de espetáculos centrados no tema do Bicentenário ou que o incorporam — "This Land of Liberty" [Esta Terra de Liberdade], em Washington, D.C., e outros espetáculos em Nauvoo, Oakland, Independence, Manti, Cody, no monte Cumora e, é claro, "Above All Other Lands" [Acima de Todas as Outras Terras], em Salt Lake City. Outdoors especiais contavam a história de nossa fé na América. Uma cidade chegou a instalar uma linha telefônica de discagem, M-O-R-M-O-N-S. Ao discar esse número, era possível obter informações sobre nossa grande família americana e sobre os eventos patrocinados pela Igreja relacionados ao Bicentenário. ¶
Deve-se fazer menção especial à contribuição da Orquestra e Coro Mórmon da Juventude. Seu extraordinário programa, "America, America, America," foi transmitido por muitas emissoras de radiodifusão pública. Como nos emocionamos ao assisti-lo pela televisão, tanto em Boston quanto em Nova York, neste verão! Foi emocionante ver nossas comunidades mórmons realizando reuniões municipais para discutir oportunidades comuns de melhorar cidades e vilas. ¶
Recebemos muitas cartas de comunidades agradecendo à Igreja por fazer parte de sua celebração do Bicentenário. Várias chegaram com mensagens de agradecimento quase idênticas, como esta: "Estávamos com dificuldades em nosso programa do Bicentenário. Estávamos travados numa controvérsia sobre como distribuir nossos escassos recursos financeiros entre tantos projetos propostos. Certa noite, enquanto nos reuníamos num de nossos comitês tentando fazer nosso programa avançar, um representante de sua Igreja telefonou e ofereceu seu apoio. Eles expressaram seu amor pela América e o desejo de participar da celebração de seu 200.º aniversário. Sugeriram um programa que gostariam de patrocinar e, para nossa grande surpresa, não pediram qualquer financiamento. O espírito desse grupo se propagou em nossa reunião e literalmente salvou a celebração de nossa cidade." Sim, nossa mensagem foi ouvida alto e claro, graças à nossa organização de Comunicações Públicas. ¶
Uma das seções mais emocionantes do álbum está sob o rótulo "Primária," nossa organização infantil. Milhares de crianças, durante este último ano, aprenderam a apreciar esta nação e qual será o papel delas na preservação de nossa grande herança. De cerimônias de hasteamento da bandeira a feiras, desfiles, instruções, poemas, histórias, redações, diários, álbuns de recortes, cartazes, concursos etc., elas aprenderam sobre nosso país. Uma produção especial de Listen, My Children [Ouvi, Meus Filhos] foi encenada como um programa especial de verão mais de 4 mil vezes. ¶
Como me emocionei ao ler algumas de suas produções originais! Recebemos um belo livro da Estaca Salem Oregon Norte, com centenas de declarações sobre o tema "Como eu gostaria de celebrar o 200.º aniversário da nação." Algumas das respostas foram as seguintes: "Eu gostaria de hastear a bandeira para mostrar meu amor por nosso país." "Eu te amo, América." "Eu gostaria que as pessoas amassem a todos e fossem gentis no aniversário da América, e sempre." "Eu gostaria de manter a América limpa e bonita." E então, é claro, este comentário interessante: "Eu gostaria de andar de triciclo, fazer desenhos, comer bolo e não tirar soneca no dia 4 de julho." ¶
Sob os três títulos seguintes — "Jovens," "Jovens Adultos" e "Interesse Especial" — encontramos páginas repletas de suas realizações. Eu os agrupo como um só, pois suas atividades se entrelaçaram e se assemelharam. Eles foram, em grande parte, participantes dos festivais de dança, de dezenove produções dramáticas originais, das Feiras de Herança, dos bailes do Bicentenário etc. O que mais me interessou foi a multidão de atividades das quais essas três organizações participaram e sua disposição de prestar serviço voluntário às comunidades em que vivem. De toda a América encontramos artigos com títulos em destaque, tais como "Grupo de Jovens Limpa o Desfiladeiro," "Organização de Jovens Adultos Pinta e Limpa o Parque da Cidade," "Grupo de Interesse Especial Restaura Monumentos Históricos." Nossa última pesquisa sobre horas de serviço voluntário, feita pouco antes do dia 4 de julho, indica que já havíamos ultrapassado a marca de seis milhões de horas-homem. A maior parte desse serviço foi prestada por nossos jovens, jovens adultos e grupos de interesse especial. Tiramos o chapéu para vocês por essa grande realização. ¶
Estimamos hoje que houve entre sete e oito milhões de horas-homem de serviço voluntário prestado por membros da Igreja desde 1.º de janeiro de 1976. Encorajamos vocês a não parar agora. Esperamos ultrapassar a marca de dez milhões de horas-homem até 31 de dezembro. Ainda vejo a necessidade de consertar, limpar e pintar, para tornar a América bela. ¶
Ainda outra seção, intitulada "Sociedade de Socorro," está ilustrada com fotografias, programas, canções e poemas. De seu edifício-sede, localizado na Rua North Main, 76, surgiu um verdadeiro espírito de '76. Nossas esposas, nossas mães e nossas irmãs solteiras puseram suas mãos ternas em compressas para aliviar o sofrimento; seus dedos diligentes em agulhas, pincéis, lápis e frigideiras para reviver a beleza colonial; foram a salas de concerto, capelas e anfiteatros para emocionar nossa alma com música; a auditórios, palanques e salas de aula para nos lembrar do terno papel das mulheres coloniais e da liderança justa e do ensino ponderado que devem continuar a vir da mulher através de todas as épocas. Com carinho e amor, elogiamos a Sociedade de Socorro por bem mais de 3 mil eventos especiais que contribuíram para nosso Bicentenário. ¶
O álbum está cheio demais para mencionar todas as organizações e eventos que resultaram da contribuição da Igreja a esta grande celebração. Aos comitês do Bicentenário — geral, regionais, de estaca, de ala, de missão, de distrito e de ramo —, eu os parabenizo pelo trabalho bem-feito. Em minhas viagens de costa a costa, não presenciei um desempenho melhor do que aquele realizado pela Igreja. Sua participação não deixou dúvidas quanto ao amor de vocês por esta grande terra — e quanto à determinação de vocês de preservar sua herança. ¶
Este relatório não poderia ser concluído sem uma homenagem especial ao grande Coro do Tabernáculo. Eu já sabia, antes deste verão, que ninguém poderia comover o coração desta terra com música patriótica mais do que essa organização. Neste verão, tive o privilégio de ver um lado diferente de vocês. Estive com vocês por seis dias e noites, enquanto excursionavam por Filadélfia, Boston, Nova York e Washington, D.C. Observei 350 pessoas e 1.400 volumes de bagagem passarem por uma programação rígida e apertada de fazer as malas, mudar-se, desfazer as malas, ensaiar e se apresentar repetidas vezes, com um espírito que eu nunca havia presenciado antes. Vocês estavam felizes mesmo quando exaustos; atenciosos mesmo sob pressão; dedicados, determinados e ansiosos por estar sempre no seu melhor. Isso não era em busca de ganho pessoal, mas pela contribuição que vocês podiam dar à edificação do reino do Senhor — com hinos, cânticos e canções. Descobri a grandeza de vocês. Sabemos do talento artístico de vocês, que é abundante; mas em seu espírito não encontro igual. Que as bênçãos de Deus continuem com vocês, ao trazerem música celestial a um mundo perturbado. ¶
Foi durante uma dessas apresentações que encontrei o verdadeiro espírito do Bicentenário. Na noite do dia três de julho, com o Coro do Tabernáculo em cena central, cercado de personalidades notáveis do esporte, da política, do palco, da tela, do rádio e da televisão, e na presença de nosso profeta e do presidente de nosso país, sentados lado a lado (o que pareceu tão significativo e apropriado na véspera da celebração de nosso 200.º aniversário), presenciei uma apresentação que jamais esquecerei. Pelo corredor da direita veio um soldado patriota contar-nos da fé e da coragem exigidas dele para dar à luz a terra dos livres. Pelo corredor da esquerda veio uma mulher pioneira mórmon anunciando-se como Eliza R. Snow. Ela contou da diligência e do sacrifício exigidos dela na edificação de uma nação. ¶
O tema fora forjado para nos guiar pelos próximos cem anos de gloriosa história. Primeiro, exercer fé em Deus, nosso Pai Eterno, e depositar nossa confiança nEle como fundamento de todas as coisas; segundo, ter coragem para sustentar a retidão e fazer parte de sua preservação; terceiro, ser diligente e construir para o futuro; quarto, aprender a sacrificar-se de boa vontade por um irmão ou irmã em necessidade. ¶
Agora, por um breve momento, a pena está em nossas mãos para marcar as páginas da história. Recordemos o espírito desta gloriosa celebração com renovada determinação de perpetuar o dom de nossa grande herança. Do pó de um registro antigo, ouvimos novamente a declaração do Senhor a Seus filhos: "E agora podemos ver os decretos de Deus relativos a esta terra, que é uma terra de promissão; e toda nação que a habitar deverá servir a Deus ou será varrida quando a plenitude de sua ira cair sobre ela... [pois este] é o eterno decreto de Deus." (Éter 2:9–10.) ¶
Ao iniciarmos um novo século, que seja um novo começo de governar com retidão, baseado nas leis eternas de Deus, é o que humildemente rogo, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶