Um Relacionamento Pessoal com o Salvador
James E. Faust
Junto-me a todos em reconhecer a grandeza do Presidente S. Dilworth Young e de seus colegas do Primeiro Conselho dos Setenta. Sinto-me humilde e honrado por ser convidado a servir naquele conselho e também no Primeiro Quórum. ¶
Tem sido interessante voltar a este país, vindo da América do Sul, e ver os cartazes e sinais que comemoram uma revolução que ocorreu neste país há duzentos anos. Penso que, no mundo, precisamos de menos revoluções e mais revelações. Em minha opinião, a maior mudança na América do Sul é uma revolução espiritual, que está ocorrendo em resultado da influência desta Igreja e do templo agora em construção em São Paulo — e essa influência está totalmente dentro do conselho de Paulo aos efésios: "o aperfeiçoamento dos santos, … a unidade da fé, e … o conhecimento do Filho de Deus." (Efésios 4:12, 13.) ¶
Há grande humildade e timidez em minha alma ao presumir falar sobre chegar a um conhecimento pessoal de Jesus Cristo, o Redentor do mundo e o Filho de Deus. ¶
Recentemente, na América do Sul, um experiente grupo de missionários excepcionais foi indagado: "Qual é a maior necessidade no mundo?" Um deles respondeu sabiamente: "Não seria a maior necessidade em todo o mundo que cada pessoa tivesse um relacionamento pessoal, contínuo, diário, permanente com o Salvador?" Ter tal relacionamento pode libertar a divindade que há em nós, e nada pode fazer maior diferença em nossa vida do que passarmos a conhecer e compreender nosso relacionamento divino com Deus. ¶
Devemos buscar sinceramente não apenas conhecer a respeito do Mestre, mas nos esforçar, como Ele convidou, para sermos um com Ele (ver João 17:21), para "sejamos corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior" (Efésios 3:16). Talvez não sintamos proximidade com Ele porque pensamos nEle como estando distante, ou nosso relacionamento pode não ser santificador porque não pensamos nEle como uma pessoa real. ¶
Como podemos receber a bênção pessoal da divina e enaltecedora influência do Mestre em nossa própria vida? Visto que nossos próprios sentimentos são sagrados para nós e não podem ser contestados por outros, comecemos com aquelas quietas certezas que ocasionalmente podem vir a todos nós e que sabemos serem verdadeiras. Nem sempre podemos provar essas verdades a outros, contudo elas vêm como uma forma de conhecimento. Seria esta parte do divino que fermenta em nosso íntimo, alcançando sua fonte? Não seria como um testemunho pessoal da verdade fluindo através do fino véu que separa este mundo de outro? ¶
Não haveria em vocês um anseio de compreender, em sua mente, o que está em seu coração, um sentimento que não conseguem exprimir por ser tão indizivelmente pessoal? O Mestre disse que essa quieta realidade pode "dar paz à tua mente quanto ao assunto." (D&C 6:23.) ¶
Permitam-me sugerir cinco medidas iniciais e essenciais que grandemente desobstruirão o canal para um fluxo diário de "água viva", da própria fonte da nascente, o próprio Redentor. ¶
Primeira: Uma comunhão diária envolvendo oração. Uma oração fervorosa e sincera é uma comunicação em mão dupla que fará muito para trazer Seu Espírito, fluindo como água curativa, para ajudar nas provações, dificuldades, dores e sofrimentos que todos enfrentamos. Qual é a qualidade de nossas orações secretas, quando apenas Ele escuta? Ao orarmos, devemos pensar nEle como estando próximo, cheio de conhecimento, compreensão, amor e compaixão, a essência do poder, e tendo grandes expectativas de cada um de nós. ¶
Segunda: Um serviço diário e altruísta a outra pessoa. Os seguidores do divino Cristo precisam ser pesados na balança de suas ações, e não de solenes professos de crença. A verdadeira medida encontra-se em Mateus: "Quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes." (Mateus 25:40.) Um homem sábio observou: "O homem que vive por si mesmo e para si mesmo tende a ser corrompido pela companhia que mantém." (Charles Henry Parkhurst, citado em The International Dictionary of Thoughts, Chicago: J. G. Ferguson, 1969, p. 659.) ¶
Terceira: Um esforço diário para uma obediência e perfeição maiores em nossa vida. "Que tipo de homens devereis ser? Em verdade vos digo que devereis ser como eu sou," disse o Salvador. (3 Néfi 27:27.) Devido à expiação perfeita de Jesus, os homens justos podem ser aperfeiçoados. (Ver D&C 76:69.) ¶
Quarta: Um reconhecimento diário de Sua divindade. Para termos um relacionamento diário e pessoal com o Mestre, devemos ser Seus discípulos. "Pois como conhece um homem o mestre a quem não serviu e que lhe é estranho e que está longe dos pensamentos e desígnios de seu coração?" (Mosias 5:13.) ¶
Quinta: Um estudo diário das escrituras. O Presidente Kimball disse: "Percebo que, quando me torno casual em meus relacionamentos com a divindade, e quando parece que nenhum ouvido divino está escutando e nenhuma voz divina está falando, é porque estou muito, muito distante. Se me imerjo nas escrituras, a distância diminui e a espiritualidade retorna." ("What I Hope You Will Teach My Grandchildren…", discurso ao pessoal de seminário e instituto, 11 de julho de 1966.) ¶
Para aqueles que têm dúvidas sinceras, ouçamos o que testemunhas oculares tinham a dizer sobre Jesus de Nazaré. Os antigos apóstolos estavam lá. Viram tudo. Participaram. Ninguém é mais digno de crédito do que eles. Disse Pedro: "Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas artificialmente compostas, mas nós mesmos vimos a sua majestade." (2 Pedro 1:16.) Disse João: "Porque nós mesmos o ouvimos, e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo." (João 4:42.) Testemunhas dos últimos dias, Joseph Smith e Sidney Rigdon, declararam: "Porque o vimos, sim, à direita de Deus; e ouvimos a voz testificando que ele é o Unigênito do Pai." (D&C 76:23.) ¶
Pedro nos aconselha a sermos "participantes da natureza divina." (2 Pedro 1:4.) A influência e o ensinamento do Messias devem ter transcendência sobre todos os outros interesses e preocupações em nossa vida. Devemos constantemente buscar as riquezas da eternidade, pois o reino de Deus está entre nós. (Ver Lucas 17:21.) ¶
Falando por meio de Doutrina e Convênios, Deus promete que sereis instruídos em vossa mente e em vosso coração, quanto a tudo o que pedirdes, pelo Espírito Santo. (Ver D&C 8:1–2.) ¶
Ao vos santificardes, chegará o dia em que "ele vos desvendará sua face." (D&C 88:68.) "Se vossos olhos estiverem fitos em [Sua] glória, todo o vosso corpo se encherá de luz e em vós não haverá trevas; e o corpo que é cheio de luz compreende todas as coisas." (D&C 88:67.) ¶
Nas muitas provações da vida, quando nos sentimos abandonados e quando a tristeza, o pecado, a decepção, o fracasso e a fraqueza nos tornam menos do que jamais deveríamos ser, pode vir o bálsamo curativo do amor irrestrito na graça de Deus. É um amor que perdoa e esquece, um amor que eleva e abençoa. É um amor que sustenta um novo começo em um nível mais elevado e assim continua "de graça em graça." (D&C 93:13.) ¶
O Presidente Kimball disse: "O conhecimento espiritual da verdade é a luz elétrica iluminando a caverna; o vento e o sol dissipando a neblina. … É a mansão na colina substituindo o casebre nos pântanos; a colheitadeira substituindo a foice e a gadanha. … São os ricos e nutritivos grãos de milho em vez das cascas. … É muito mais que tudo o mais. …" (Spencer W. Kimball, Faith Precedes the Miracle, Deseret Book Co., 1972, p. 14.) ¶
Durante os anos de minha vida, e frequentemente em meu atual chamado, e especialmente durante um recente Getsêmani, ajoelhei-me com espírito humilde no único lugar a que podia recorrer em busca de ajuda. Muitas vezes fui em agonia de espírito, suplicando fervorosamente a Deus que me sustentasse na obra que passei a apreciar mais do que a própria vida. Já senti, em ocasiões, a terrível solidão das feridas do coração, da doce agonia, dos golpes de Satanás, e o conforto caloroso e envolvente do Espírito do Mestre. ¶
Também senti o fardo esmagador, as dúvidas íntimas de inadequação e indignidade, o sentimento passageiro de estar abandonado, e depois de ser fortalecido cem vezes mais. Subi um Monte Sinai espiritual dezenas de vezes, buscando comunicar-me e receber instruções. Foi como se eu tivesse lutado para subir um quase real Monte da Transfiguração e, em certas ocasiões, senti grande força e poder na presença do Divino. Um sentimento sagrado especial tem sido uma influência sustentadora e, com frequência, um companheiro próximo. ¶
É meu testemunho que estamos enfrentando tempos difíceis. Precisamos ser corajosamente obedientes. Meu testemunho é que seremos chamados a provar nossa resistência espiritual, pois os dias que virão estarão repletos de aflição e dificuldade. Mas, com o conforto reconfortante de um relacionamento pessoal com o Salvador, receberemos uma coragem serena. Do Divino, tão próximo, receberemos a quieta certeza: ¶
"Meu filho, paz seja com tua alma; tua adversidade e tuas aflições não durarão mais que um momento; ¶
"E então, se as suportares bem, Deus te exaltará no alto; triunfarás sobre todos os teus inimigos." (D&C 121:7–8.) ¶
Ao assumir um novo chamado, reconheço que sou um homem muito comum. Contudo, reconheço gratamente um dom especial. Tenho o conhecimento certo de que Jesus de Nazaré é nosso Divino Salvador. Sei que Ele vive. Desde minha mais remota lembrança, tive uma percepção segura disso. Durante toda a minha vida, tive uma fé simples que jamais duvidou. Nem sempre compreendi, mas ainda assim soube, por meio de um conhecimento tão sagrado para mim que não consigo exprimi-lo em palavras. ¶
Sei e testifico, com absoluta certeza em cada fibra e no recesso mais íntimo de meu ser, que Jesus é o Cristo, o Messias, o Divino Redentor e o Filho de Deus. Que sejamos obedientes ao Seu desejo, "vem a mim, teu Salvador" (D&C 19:41); oro humildemente em Seu santo e sagrado nome. Amém. ¶