A Voz Mansa e Delicada
S. Dilworth Young
Damos as boas-vindas aos quatro novos membros do Primeiro Quórum dos Setenta e lhes asseguramos nosso amor, nosso pleno apoio e aceitação de suas nomeações, e faremos o possível para cooperar com eles em seu trabalho. ¶
Vou ler-lhes uma experiência de Elias, que encontro em 1 Reis, capítulo dezenove. ¶
"E disse: Sai para fora, e põe-te neste monte perante a face do Senhor. E eis que passava o Senhor, como também um grande e forte vento que fendia os montes e quebrava as penhas diante da face do Senhor; porém o Senhor não estava no vento; e depois do vento, um terremoto; também o Senhor não estava no terremoto; ¶
"E depois do terremoto, um fogo; porém também o Senhor não estava no fogo; e depois do fogo, uma voz mansa e delicada. ¶
"E sucedeu que, ouvindo-a Elias, envolveu o seu rosto no seu manto, e saiu para fora, e pôs-se à entrada da caverna; e eis que veio a ele uma voz, que dizia: Que fazes aqui, Elias?" (1 Reis 19:11–13.) ¶
Quando Elias soube que estava em comunicação com o Senhor, contou-lhe sua grande aflição e por que se escondia na caverna. Recebeu, então, instrução sobre exatamente o que fazer. ¶
Vinte e sete séculos depois, foi-nos restaurado o meio pelo qual podemos ouvir a voz do Senhor. Como Elias descobriu, ela não virá no redemoinho, no trovão, no relâmpago, nem em nenhuma manifestação espetacular. Virá, como aconteceu com Elias, numa "voz mansa e delicada." ¶
Não pretendo listar todas as maneiras pelas quais o Senhor pode escolher falar a seu profeta escolhido. Poderíamos mencionar aparições pessoais, vozes vindas de uma nuvem, e, é claro, a que acabamos de mencionar. ¶
Mas ao membro da Igreja empenhado em guardar os mandamentos, que precisa de orientação pessoal em seus assuntos diários, que suplica pela vida da esposa ou do filho desesperadamente enfermo, o Senhor tem indicado muitas vezes que a resposta virá pela "voz mansa e delicada". Como posso, então, saber como recebê-la e o que esperar? ¶
Primeiro, o Senhor falará por seu Espírito, que é o Espírito Santo. Ao falar aos Doze em 1829, o Senhor disse, referindo-se às palavras que lhes dera: ¶
"Pois é a minha voz que vo-las diz; pois vos são dadas pelo meu Espírito." (D&C 18:35.) ¶
Mais tarde, em 1832, ele instruiu os élderes: "Eu, que falo até mesmo pela voz do meu Espírito. …" (D&C 75:1.) ¶
É importante que aprendamos a entender quando o Senhor nos fala por meio de seu Espírito, pois é certo que ele o fará aos retos e merecedores. ¶
Em segundo lugar, ela virá à mente de quem a recebe. Por exemplo, o profeta Enos orava ao Senhor e descreveu sua experiência assim: ¶
"E enquanto estava assim lutando no espírito, eis que a voz do Senhor me veio outra vez à mente, dizendo …" (Enos 1:10.) ¶
O que ele disse a Enos não é minha preocupação imediata, mas o meio usado para dizer-lhe está aqui ilustrado. A palavra do Senhor vem à mente. ¶
Em terceiro lugar, ouçamos agora a instrução do Senhor a Oliver Cowdery, que desejava traduzir e recebeu permissão para fazê-lo. ¶
"Sim, eis que eu te falarei em tua mente e em teu coração, pelo Espírito Santo que virá sobre ti e que habitará em teu coração." ¶
E então, para declarar ainda mais seu verdadeiro poder, caso isso nos aconteça: ¶
"Ora, eis que este é o espírito de revelação; eis que este é o espírito pelo qual Moisés conduziu os filhos de Israel através do Mar Vermelho, em terra seca." (D&C 8:2–3.) ¶
Aqui, então, temos acrescentado ao que disse Enos: mente e coração — não o coração que bate, mas o coração que significa "sentimento." ¶
Oliver Cowdery tentou, mas fracassou, e foi-lhe dito: ¶
"Eis que eu te digo que deves estudá-lo bem em tua mente; depois me deves perguntar se está certo e, se estiver certo, farei arder dentro de ti o teu peito; portanto, sentirás que está certo. ¶
"Mas se não estiver certo, não terás tais sentimentos; terás, porém, um estupor de pensamento que te fará esquecer o que estiver errado; portanto, não podes escrever aquilo que é sagrado a não ser que te seja concedido por mim." (D&C 9:8–9.) ¶
E poderia dizer que talvez, do mesmo modo, você também não o perceba como pensamento. ¶
Fazer o peito arder é outra maneira de dizer que o sentimento é uma grande parte do processo de revelação. ¶
Em quarto lugar, na terrível repreensão dada por Néfi a seus irmãos, a respeito de suas intenções assassinas, ele disse: ¶
"Sois rápidos em cometer iniquidades, porém vagarosos em lembrar-vos do Senhor vosso Deus. Haveis visto um anjo que vos falou; sim, haveis ouvido sua voz de tempos em tempos; e ele vos falou numa voz mansa e delicada, mas havíeis perdido a sensibilidade, de modo que não pudestes perceber suas palavras; portanto, falou-vos ele com voz de trovão, o que fez tremer a terra como se fosse partir-se em pedaços." (1 Néfi 17:45.) ¶
Repito: "ele vos falou numa voz mansa e delicada, mas havíeis perdido a sensibilidade, de modo que não pudestes perceber suas palavras." (Itálico acrescentado.) Por que ele não disse: "Estais surdos, de modo que não pudestes ouvir suas palavras"? Porque a certeza vem por meio do sentimento. ¶
Se hei de receber revelação do Senhor, preciso estar em harmonia com ele, guardando seus mandamentos. Então, conforme necessário, segundo sua sabedoria, sua palavra virá à minha mente por meio de meus pensamentos, acompanhada de um sentimento na região do peito. É um sentimento que não pode ser descrito, mas a palavra mais próxima que temos é "arder" ou "ardor". Acompanhando isso, sempre há um sentimento de paz, mais uma testemunha de que o que se ouviu é correto. Uma vez que se reconheça esse ardor, esse sentimento, essa paz, jamais será necessário desviar-se em sua vida diária ou na orientação que possa receber. Também pode saber que, se essa revelação estiver em harmonia com os princípios revelados, ela está certa, e se estiver em desarmonia, não vem do Senhor. O Senhor não se contradiz. É vital que todos saibam que ninguém jamais receberá revelação contrária à palavra dada ao profeta vivo. A aplicação deste princípio evitará muitas das frustrações vividas na vida diária. ¶
A maioria de nós, aqui, já teve essa experiência muitas vezes, mas há uma grande multidão de nossos filhos que ainda não a tiveram e que precisam ser guiados a compreendê-la. ¶
Quando ensinamos esse princípio? Quando nos tornamos atentos a situações que apontam a necessidade de sua aplicação. Certa vez, um menino ficou zangado com um coleguinha, entrou em casa dizendo que nunca mais brincaria com ele e jamais o deixaria entrar em casa. A mãe — uma mulher sábia — parou o que estava fazendo, não mais tarde, mas naquele exato momento, e disse: "Filho, precisamos ir para o quarto, ajoelhar-nos e falar com o Pai Celestial." Ali, explicou-lhe que o menino precisava aprender a perdoar e disse-lhe que deveria orar a respeito. Ela orou primeiro e depois o ajudou a começar. Quando saíram do quarto, o menino olhou para a mãe e disse: "Acho que vou brincar com ele de novo. Acho que ele pode vir aqui." Poder-se-ia dizer que foi resposta de oração. Sim, mas também foi o início daquele menino a ouvir a voz do Senhor, e isso é importante. ¶
Há muitas ocasiões, à medida que nossos jovens crescem, em que precisarão buscar o Espírito para saber como agir ou o que fazer. Quando todos os pais começam a ensiná-los? Como? Nas noites familiares? Sim, mas, muito mais importante, quando a necessidade surge, no momento em que precisam dela. Então compreendem que, se retos, a voz do Senhor vem à sua mente com certo sentimento no peito, acompanhado de paz. Estão recebendo a palavra do Senhor para si mesmos. ¶
Por este meio o Profeta Joseph Smith recebeu revelação, assim como aqueles que o sucederam como presidentes da Igreja. E por este meio a Igreja se mantém em harmonia com a vontade do Senhor, por meio do Presidente Spencer W. Kimball. Por este meio poderemos, com o tempo, encontrar nosso caminho para a vida eterna, e oro para que possamos compreender. Dou testemunho de sua veracidade e do fato de que o Presidente Spencer W. Kimball é um profeta, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶