Pensamentos sobre a Páscoa
Delbert L. Stapley
À medida que nos aproximamos da época da Páscoa, os corações e as emoções dos cristãos se enternecem com o sacrifício da vida e a ressurreição do Senhor Jesus Cristo. ¶
Pouco antes de ser traído, Cristo ergueu os olhos ao céu numa suplicante oração intercessória por seus discípulos, que o Pai lhe havia dado. Proferiu, então, esta profunda declaração: “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (João 17:3.) ¶
Conhecer Deus, o Pai, e seu Amado Filho, Jesus Cristo, nosso Redentor e Salvador, é a vida eterna. Conhecem os homens verdadeiramente a Eles — seus atributos, suas características e seus poderes? Certamente esse conhecimento pode ser obtido; do contrário, nosso Salvador não teria feito essa declaração. ¶
Quando Filipe disse a Cristo: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta”, Jesus respondeu: “Estou há tanto tempo convosco, e não me conheces, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (João 14:8–9.) ¶
Paulo declarou aos santos de Corinto que Cristo é “a imagem de Deus” (2 Coríntios 4:4), e aos hebreus, que Cristo é “a expressa imagem da sua pessoa.” (Hebreus 1:3.) É lógico que o Unigênito Filho do Deus Eterno esteja na expressa imagem da pessoa de seu Pai. Semelhante gera semelhante, e qualquer filho terreno que conhecemos — sendo o terreno um exemplo do celestial — está na imagem de seu pai. É verdade que, na vida mortal, alguns filhos estão na expressa imagem da pessoa de seu pai. ¶
Na revelação moderna, aprendemos que Sete, filho de Adão, “foi um homem perfeito e sua semelhança era a semelhança expressa de seu pai, tanto que parecia ser como o pai em todas as coisas, dele podendo distinguir-se apenas pela idade.” (D&C 107:43.) Seria isso o que Cristo quis dizer quando afirmou a Filipe: “Quem me vê a mim vê o Pai”? (João 14:9.) Essa declaração também está de acordo com a revelação moderna de que “o Pai tem um corpo de carne e ossos tão tangível como o do homem.” (D&C 130:22.) ¶
Disse Jesus: “O Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se não o vir fazer o Pai.” (João 5:19.) E também: “Falo assim como o Pai me ensinou.” (João 8:28.) Aqui Cristo nos informa que seguia o exemplo e os ensinamentos de seu Pai, e as obras que o Pai já havia realizado em sua própria experiência, o que prova que tanto o Pai quanto o Filho possuem características, atributos e poderes individuais semelhantes. ¶
Quando Tomé perguntou ao Senhor: “Como podemos saber o caminho?”, Jesus respondeu: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim.” (João 14:5–6.) “Porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”, declarou o apóstolo Pedro aos governantes, anciãos e escribas das facções judaicas. (Atos 4:12.) Enquanto Jesus andava no pórtico de Salomão, os judeus vieram a ele e solenemente perguntaram: “Se tu és o Cristo, dize-no-lo abertamente.” Jesus lhes respondeu, dizendo: “As obras que eu faço, em nome de meu Pai, essas testificam de mim.” (João 10:23–25.) ¶
Em verdade, as obras, os milagres e os ensinamentos de Cristo, juntamente com aparições celestiais e confirmações de personagens angélicos — bem como as declarações de Deus, o Pai, na presença de testemunhas fidedignas — testificam plena e conclusivamente que Cristo é o Unigênito Filho de Deus em carne, nosso Redentor, Salvador e Senhor. ¶
Após o ministério terreno de Cristo, sua morte na cruz e sua gloriosa ressurreição dentre os mortos, ele apareceu a seus discípulos e abriu-lhes o entendimento das escrituras a seu respeito: como todas as escrituras escritas a respeito dos acontecimentos de sua vida, morte e ressurreição haviam sido cumpridas. Disse-lhes, então: “E dessas coisas sois vós testemunhas.” (Lucas 24:48.) O apóstolo Pedro ensinou a Cornélio e à sua casa tudo a respeito de Cristo, sua mensagem, morte e ressurreição, declarando que Deus mostrou abertamente o Senhor ressuscitado: “Não”, disse ele, “a todo o povo, mas às testemunhas que Deus antes ordenara; a nós, que comemos e bebemos juntamente com ele, depois que ressuscitou dos mortos. … Dele”, disse Pedro, “dão testemunho todos os profetas.” (Atos 10:38–43.) ¶
Os profetas anteriores a Cristo testificaram de sua vinda e profetizaram suficientemente a respeito de sua vida, ministério, obras e milagres, a ponto de identificá-lo com absoluta certeza. Também predisseram sua morte na cruz e sua ressurreição em glória, como ato selador de seu ministério e de sua missão divina de expiar os pecados dos homens. ¶
João Batista, o precursor de Cristo, recebeu um sinal pelo qual poderia reconhecer o Filho de Deus. Ao ver Jesus vindo em sua direção, disse a seus discípulos: “Eis aqui o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” (João 1:29.) Deus, o Pai, também falou do céu, testificando de seu Filho a todo o povo reunido no batismo de Cristo, ao anunciar: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” (Mateus 3:17.) Em resposta à pergunta do Senhor a Pedro, “vós, quem dizeis vós que eu sou?”, Pedro declarou enfaticamente: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” (Mateus 16:15–16.) Até mesmo os espíritos imundos e maus, que conheciam Cristo no mundo espiritual, reconheceram-no na carne e confessaram-no com conhecimento positivo, chamando-o de “Jesus, Filho do Deus Altíssimo.” (Lucas 8:28.) ¶
As obras e os milagres de Cristo, as evidências e os testemunhos de testemunhas fiéis, verdadeiras e reais de tudo o que haviam visto e ouvido, até mesmo a voz de Deus falando dos céus, são prova convincente de que Jesus não foi meramente um homem de bons princípios e um grande mestre, mas o próprio Filho de Deus, o Redentor e Salvador do mundo, o exemplo para toda a humanidade, a quem conhecer, amar e seguir é vida eterna. ¶
Ora, as demais evidências e os testemunhos de testemunhas verdadeiras que viram o Senhor ressuscitado provam que ele está vivo hoje; assim como o anjo Gabriel declarou a Maria, mãe de Jesus, que “o seu reino não terá fim.” (Lucas 1:33.) Houve muitas aparições do Senhor ressuscitado a seus discípulos após sua paixão. Mencionarei algumas, muito brevemente: primeiro, a Maria Madalena. (João 20:16–18.) Segundo, aos dois discípulos a caminho de Emaús. (Lucas 24:13–35.) Terceiro, a seus discípulos reunidos após sua ressurreição. Ele os convidou a “vede as minhas mãos e os meus pés, … apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.” (Lucas 24:36–40.) ¶
Quarto, Lucas nos diz que Cristo, depois de sua paixão, “se apresentou vivo … com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles pelo espaço de quarenta dias, e falando do que diz respeito ao reino de Deus.” (Atos 1:3.) Quinto, o apóstolo Paulo testifica que, depois da ressurreição de Cristo, “foi visto por Cefas, e depois, pelos doze, [depois] por mais de quinhentos irmãos de uma vez; … ¶
“Depois disso, … por Tiago, depois por todos os apóstolos”, e, por último de todos, pelo próprio Paulo. (1 Coríntios 15:5–8.) ¶
Sexto, o relato conclusivo de testemunhas do Novo Testamento que consideramos agora é altamente significativo, pois proporciona esperança e fé a todos os filhos de Deus para o futuro. Trata de um evento importante posterior à ressurreição de Cristo, após os quarenta dias que passou com seus discípulos, ensinando-os e instruindo-os nas coisas de seu reino. “E havendo dito essas coisas, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. ¶
“E estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco; ¶
“Os quais também disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.” (Atos 1:9–11.) Cristo foi recebido no céu com seu corpo ressuscitado. Se ele há de retornar da mesma maneira em sua segunda vinda, como afirma esta escritura, virá com esse mesmo corpo. Isso é ainda confirmado pela profecia feita a um ramo da casa de Israel, que perguntará ao Senhor, em sua segunda vinda: “Que feridas são essas em tuas mãos e em teus pés? ¶
“Então saberão que eu sou o Senhor, pois dir-lhes-ei: Estas são as feridas com que fui ferido na casa de meus amigos. Eu sou aquele que foi levantado. Eu sou Jesus, que foi crucificado. Eu sou o Filho de Deus.” (D&C 45:51–52; vide também Zacarias 13:6.) ¶
No Livro de Mórmon, uma das quatro obras-padrão de escrituras de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, está registrado um belo relato da visita de Cristo ao povo deste continente, após sua ressurreição da sepultura. Naquela aparição, Deus, o Pai, falou do céu, declarando: “Eis aqui meu Filho Amado, em quem me comprazo e em quem glorifiquei meu nome — ouvi-o.” (3 Néfi 11:7.) ¶
Naquela ocasião, Jesus Cristo também se anunciou, dizendo: “Eis que eu sou Jesus Cristo, cuja vinda ao mundo foi testificada pelos profetas.” (3 Néfi 11:10.) A convite de seu Senhor, um grande número teve o privilégio de vir à frente, em ordem, segundo o relato histórico, “para que possais meter as mãos no meu lado e também apalpar as marcas dos cravos em minhas mãos e em meus pés, a fim de que saibais que eu sou o Deus de Israel e o Deus de toda a Terra e fui morto pelos pecados do mundo.” (3 Néfi 11:14.) ¶
“E depois de se terem todos aproximado e verificado por si mesmos, clamaram a uma só voz, dizendo: ¶
“Hosana! Bendito seja o nome do Deus Altíssimo! E lançaram-se aos pés de Jesus e adoraram-no.” (3 Néfi 11:16–17.) ¶
Por meio dessa demonstração amistosa e convincente, Jesus assegurou ao povo ali reunido que era verdadeiramente seu Senhor ressuscitado, como vários de seus profetas haviam predito. Todas essas evidências e testemunhos de testemunhas são persuasivos e convincentes para quem busca a verdade, a luz e o conhecimento a respeito de Deus e de seu Amado Filho. A humanidade não precisa lutar às escuras para obter fé no único Deus verdadeiro e em Jesus Cristo, nem no plano evangélico de vida e salvação. O Consolador, ou o Espírito Santo, que Cristo prometeu enviar, é o Espírito da verdade e há de guiar seus seguidores a toda a verdade. O Espírito Santo há de testificar do Pai e do Filho, e é mestre, também revelador. Testemunhe-se a declaração de Pedro de que “os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:21), e a declaração de Paulo: “ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo” (1 Coríntios 12:3). João, o apóstolo amado, ensinou: “o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade.” (1 João 5:6.) ¶
De acordo com essas declarações das escrituras, o testemunho do Espírito Santo, do qual todos os que são dignos podem desfrutar, tem o poder de conceder conhecimento, entendimento, fé e o testemunho da verdade àqueles que o buscam com oração. Um profeta-escritor da história e doutrina do Livro de Mórmon deu este sábio e compreensivo conselho e admoestação: “Eu vos exorto a perguntardes a Deus, o Pai Eterno, em nome de Cristo, se estas coisas não são verdadeiras; e se perguntardes com um coração sincero e com real intenção, tendo fé em Cristo, ele vos manifestará a verdade delas pelo poder do Espírito Santo. ¶
“E pelo poder do Espírito Santo podeis saber a verdade de todas as coisas.” (Morôni 10:4–5.) ¶
Cada indivíduo pode concretizar essa promessa se estiver disposto a humilhar-se e buscar a luz, o conhecimento e a inteligência que fluem de Deus por meio do Espírito Santo. Por esse poder, eu testifico a vocês que é vida eterna conhecer o único Deus verdadeiro e Jesus Cristo, que, em verdade, é nosso Senhor, Redentor e Salvador. ¶
Ao concluir, junto-me ao primeiro profeta desta dispensação dos últimos dias ao declarar: “E agora, depois dos muitos testemunhos que se prestaram dele, este é o testemunho, último de todos, que nós damos dele: Que ele vive!” (D&C 76:22.) Apresento-vos estas evidências de fato e de verdade, humildemente e em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém. ¶