Princípios Básicos dos Serviços de Bem-Estar da Igreja
Marion G. Romney
Irmãos e irmãs, tivemos uma bela apresentação nesta manhã, da qual todos podemos nos beneficiar, se seguirmos o conselho dado. Pretendo discutir convosco dois princípios básicos e fundamentais sobre os quais se fundam os Serviços de Bem-Estar da Igreja, que jamais devemos esquecer. São eles: primeiro, amor — amor a Deus e ao próximo — e segundo, trabalho. ¶
Antes disso, porém, desejo dizer uma ou duas palavras sobre o arbítrio. ¶
O livre-arbítrio significa a liberdade e o poder de escolher e agir. Depois da própria vida, é a herança mais preciosa do homem. ¶
O livre-arbítrio operava no mundo espiritual. O plano do evangelho, tal como ali foi proposto e adotado, previa que os homens desfrutariam do arbítrio na mortalidade. Satanás, com um terço das hostes do céu, lutou contra isso ali e perdeu, mas não abandonaram sua oposição a esse princípio. ¶
No Jardim do Éden, Deus dotou Adão e sua posteridade do livre-arbítrio. Satanás e seus seguidores têm, desde então até hoje, buscado, direta e por todo meio indireto concebível, substituir o princípio do arbítrio livre pelo princípio da força. ¶
No livro de Primeiro Samuel, temos um exemplo instrutivo dos resultados de se tomarem decisões erradas. No primeiro capítulo, somos informados de que Israel se opôs a ser governado por juízes. Queriam um rei. O profeta lhes disse que um rei os tornaria servos. Mas eles não deram ouvidos, e persistiram em exigir um rei. Isso entristeceu Samuel, e o Senhor lhe disse: "Ouve a voz do povo em tudo quanto te disserem, pois não te têm rejeitado a ti, antes a mim me têm rejeitado." (1 Samuel 8:7.) ¶
Israel, assim, entregou a forma de governo livre que Deus lhes havia dado. Obtiveram seu rei, sem dúvida, e algumas décadas depois foram levados cativos à escravidão. A escravidão em que se entra por escolha própria não é menos escravidão do que aquela que é imposta por força externa. ¶
Jesus, pelo exercício de seu arbítrio, elevou-se a ser o segundo membro da Trindade. Lúcifer, pelo exercício de seu arbítrio, afundou-se no Hades. ¶
Sugiro que consideremos o que aconteceu com nosso arbítrio no que diz respeito à contribuição para os meios usados pela burocracia na administração dos serviços de bem-estar governamentais. ¶
Para obter esses meios, um chefe de estado é citado como tendo dito: "Vamos tomar todo o dinheiro que julgamos estar sendo gasto desnecessariamente, e tirá-lo dos 'que têm' para dar aos 'que não têm', que tanto precisam dele." (Congressional Record, 1964, p. 6142 — Observações do Presidente a um Grupo de Líderes de Organizações de Idosos, na Fish Room, 24 de março de 1964.) ¶
A diferença entre ter os meios com os quais administrar a assistência de bem-estar tomados de nós e contribuí-los voluntariamente, por nosso amor a Deus e ao próximo, é a diferença entre liberdade e escravidão. ¶
Agora, quanto ao princípio do amor. Na operação de nossos Serviços de Bem-Estar da Igreja, esse amor deve ser o poder motivador que nos leva a dar nosso tempo, dinheiro e serviços. ¶
"Amemo-nos uns aos outros," escreveu João, o Amado, "porque o amor é de Deus, e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. ¶
"Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. ¶
"Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho Unigênito ao mundo, para que por meio dele vivamos. … ¶
"Amados, se Deus assim nos amou, também nos devemos amar uns aos outros." (1 João 4:7–9, 11.) ¶
"Quem, pois, tiver bens do mundo, e vir o seu irmão necessitado e lhe fechar o seu coração, como estará nele o amor de Deus?" (1 João 3:17; itálico acrescentado.) ¶
"Se me amares," disse Jesus, "… te lembrarás dos pobres e consagrarás de tuas propriedades, para sustento deles. … ¶
"E se deres de teus bens aos pobres, a mim o farás." (D&C 42:29–31.) ¶
Quando perguntaram a Jesus: "Mestre, qual é o grande mandamento na lei?", Mateus nos diz que ele respondeu: ¶
"Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. ¶
"Este é o primeiro e grande mandamento. ¶
"E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. ¶
"Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas." (Mateus 22:36–40.) ¶
Mateus, Marcos e Lucas relatam todos os três esse episódio. Lucas, porém, nos informa ainda que o doutor da lei que fez a pergunta acrescentou: "E quem é o meu próximo?" (Lucas 10:29.) ¶
E Jesus respondeu com sua parábola do Bom Samaritano: ¶
"Descia um homem de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. ¶
"E, por acaso, descia pelo mesmo caminho um certo sacerdote; e vendo-o, passou de largo. ¶
"E de igual modo também um levita, chegando-se ao lugar, e vendo-o, passou de largo. ¶
"Porém um certo samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele, e vendo-o, moveu-se de íntima compaixão, ¶
"E aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele. ¶
"E partindo no outro dia, tirou dois denários, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que gastares a mais, eu to pagarei quando voltar. ¶
"Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? ¶
"E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira." (Lucas 10:30–37.) ¶
Dois dos três princípios sobre os quais os Serviços de Bem-Estar da Igreja devem funcionar — o arbítrio e o amor ao próximo — são admiravelmente ensinados nessa parábola. ¶
Quando amamos o Senhor nosso Deus de todo o nosso coração, força, mente e vigor, amaremos nossos irmãos como a nós mesmos, e voluntariamente, no exercício de nosso livre-arbítrio, repartiremos de nossos bens para o sustento deles. ¶
Agora, quanto ao trabalho. O trabalho é tão importante para o sucesso de nossos serviços de bem-estar quanto o primeiro e o segundo grandes mandamentos e a preservação de nosso livre-arbítrio. ¶
Devemos sempre ter em mente que a Primeira Presidência, ao anunciar o programa de bem-estar na conferência de outubro de 1936, disse: ¶
"Nosso propósito primário era estabelecer, na medida do possível, um sistema pelo qual a maldição da ociosidade fosse abolida, os males da esmola pública fossem eliminados, e a independência, a diligência, a economia e o autorrespeito fossem restabelecidos entre nosso povo. O objetivo da Igreja é ajudar as pessoas a ajudarem a si mesmas. O trabalho há de ser reentronizado como o princípio governante da vida dos membros de nossa Igreja." (Conference Report, outubro de 1936, p. 3; itálico acrescentado.) ¶
Um ano antes de essa declaração ser feita, em 7 de outubro de 1935, o Presidente Clark, numa reunião especial do sacerdócio realizada neste tabernáculo, referindo-se às gratuidades governamentais, disse: ¶
"A distribuição dessas grandes quantidades de gratuidades produziu, na mente de centenas de milhares — senão de milhões — de pessoas nos Estados Unidos, um amor pela ociosidade, um sentimento de que o mundo lhes deve o sustento. Isso criou um terreno fértil para algumas das mais destrutivas doutrinas políticas que já encontraram guarida neste nosso país, e creio que isso pode nos levar a sérios problemas políticos. ¶
"Temo," ele continuou, "que não devamos surpreender-nos se algum sangue vier a correr, antes que nós, desta nação, finalmente nos encontremos." ¶
Em seu discurso de conferência de abril de 1938, o Presidente Clark disse o seguinte: ¶
"Honro e respeito a velhice. Não gostaria de vê-la sofrer por necessidade, nem por doença que possa ser evitada. Ela tem direito a todo cuidado, a todo ato de bondade, a toda carícia amorosa que uma comunidade grata e uma família devotada possam dar. Tenho toda simpatia pela idade avançada. Conheço as dificuldades que a idade tem para se ajustar à vida econômica moderna. … ¶
"Algum plano deve ser concebido, que assegure que nenhuma pessoa idosa passe frio, fome ou fique sem roupa. Mas a responsabilidade primordial de sustentar um pai idoso recai sobre sua família, não sobre a sociedade. O nosso não é um estado socialista ou comunista, onde as pessoas são meros vassalos, conduzidos como animais de um curral a outro. Somos homens livres. Assim, ainda entre nós, a família tem seu lugar e suas responsabilidades e deveres, que são dados por Deus. A família que se recusa a manter os seus não está cumprindo seus deveres. Quando um pai idoso não tem família, ou quando a família não tem meios, então a sociedade deve, por mera humanidade, vir em socorro. Isso é perfeitamente claro. ¶
"Mas há uma grande distância entre esse sábio princípio e afirmar que toda pessoa que atinja determinada idade deva, a partir de então, ser sustentada pelo estado, na ociosidade. A sociedade não deve a homem algum uma vida de ociosidade, seja qual for sua idade. Nunca vi uma linha nas Sagradas Escrituras que exija, ou sequer sancione, isso. No passado, nenhuma sociedade livre foi capaz de sustentar grandes grupos na ociosidade e permanecer livre." (CR, abril de 1938, pp. 106–7.) ¶
E vos direi que nenhuma sociedade, no futuro, jamais conseguirá fazê-lo. ¶
E, numa carta particular, cinco anos depois, o Presidente Clark escreveu: ¶
"Deveis lembrar-vos de que, por trás de toda essa propaganda de 'pensões', gratuidades e esmolas a que agora estamos sendo submetidos, está a ideia de estabelecer, na América, um estado socialista ou comunista, no qual a família desapareceria, a religião seria prescrita e controlada pelo estado, e todos nos tornaríamos meras criaturas do estado, governados por homens ambiciosos e manipuladores." ¶
O que aconteceu durante o terço de século desde que essa declaração foi feita testifica da visão profética do Presidente Clark. ¶
A oração nas escolas recebeu um golpe fatal. A integridade da família está sendo minada. O seguro-desemprego, o Medicaid, a ajuda a famílias com filhos dependentes (AFDC), os cupons de alimentação e centenas de outros programas de transferência de pagamentos para veteranos, viúvas ou viúvos, e crianças, são hoje todos sustentados, total ou parcialmente, pela receita tributária federal e estadual/local. ¶
Pouco se diz ou se faz, nesses programas, sobre a obrigação dos pais de cuidar dos seus, ou dos beneficiários de trabalhar pelo que recebem. ¶
O Senhor, nas revelações dadas durante a Restauração, e os presidentes da Igreja desde então, têm declarado inequívoca e repetidamente que nossos serviços de bem-estar devem fundar-se no amor e no trabalho. ¶
O Senhor disse, na revelação registrada na seção 42 da Doutrina e Convênios, especificada pelo Profeta Joseph como sendo a lei da Igreja: ¶
"Não serás ocioso; porque o ocioso não comerá o pão nem usará as vestes do trabalhador." (D&C 42:42.) ¶
Mais adiante, ele disse: ¶
"E os habitantes de Sião, se forem designados para trabalhar, também se lembrarão de fazer suas tarefas com toda fidelidade, pois o ocioso será lembrado perante o Senhor. ¶
"Agora eu, o Senhor," ele continuou, "não estou satisfeito com os habitantes de Sião, porque há ociosos entre eles; e seus filhos também estão crescendo em iniquidade; também não buscam sinceramente as riquezas da eternidade, mas seus olhos estão cheios de cobiça. ¶
"Estas coisas não deveriam existir e precisam ser eliminadas de seu meio." (D&C 68:30–32.) ¶
E novamente: ¶
"Eis que eu vos digo ser a minha vontade irdes sem demora e não serdes ociosos, mas trabalhardes com toda a força. … ¶
"E também, em verdade vos digo que todo homem que for obrigado a manter sua própria família, que a mantenha; e de modo algum perderá sua coroa; e que trabalhe. … ¶
"Que todo homem seja diligente em todas as coisas. E o ocioso não terá lugar na igreja, a não ser que se arrependa e melhore o seu proceder." (D&C 75:3, 28–29.) ¶
Assim como o Senhor condenou frequentemente a ociosidade, falou também da virtude do trabalho. No dia em que a Igreja foi organizada, ele disse: "Abençoarei todos os que trabalharem em minha vinha com uma grandiosa bênção." (D&C 21:9.) Nove meses depois, ele acrescentou: ¶
"Dou-vos um mandamento de que todos os homens, sejam élderes, sacerdotes, mestres e também os membros, dediquem-se com vigor, com o trabalho de suas mãos, à preparação e execução das coisas que ordenei." (D&C 38:40.) ¶
A respeito de alguém que quisesse obter uma participação na Casa de Nauvoo, o Senhor disse: "Que … trabalhe com suas próprias mãos a fim de conquistar a confiança dos homens." (D&C 124:112.) ¶
A passagem a seguir é uma grande escritura, na qual o Senhor fala tanto aos que dão quanto aos que recebem: ¶
"Ai de vós, homens ricos, que não compartilhais vossos bens com os pobres, pois vossas riquezas irão corromper-vos a alma; e esta será vossa lamentação no dia da visitação e do julgamento e da indignação: Passada é a colheita, findo é o verão; e a minha alma não está salva! ¶
"Ai de vós, homens pobres, cujo coração não está quebrantado, cujo espírito não é contrito e cujo ventre não está satisfeito e cujas mãos não cessam de se apoderar de bens alheios, cujos olhos estão cheios de cobiça e que não trabalhais com as próprias mãos! ¶
"Mas bem-aventurados os pobres que são puros de coração, cujo coração está quebrantado e cujo espírito é contrito." (D&C 56:16–18.) ¶
Sobre o tema do trabalho, há mais de cem referências nas revelações. Todas elas são consistentes com a declaração, duas vezes repetida, de que, quando o Senhor vier, ele "recompensará cada homem de acordo com suas obras." (D&C 1:10; vide também D&C 112:34.) ¶
As escrituras precedentes foram reveladas pelo Senhor por meio do Profeta Joseph Smith Jr. ¶
Os sucessivos presidentes da Igreja enfatizaram vigorosamente esses ensinamentos. Eis um exemplo dos ensinamentos do Presidente Brigham Young: ¶
"Teremos de sair para tirar o ouro das montanhas e depositá-lo, se algum dia quisermos caminhar por ruas pavimentadas de ouro. Os anjos que hoje caminham em suas ruas de ouro … tiveram de obter esse ouro e colocá-lo ali. Quando tivermos ruas pavimentadas de ouro, seremos nós que as teremos ali colocado. Quando desfrutarmos de um Sião em toda sua beleza e glória [que ansiamos alcançar], será porque o teremos construído. Se desfrutarmos do Sião que agora antecipamos, será depois de o termos redimido e preparado. Se vivermos na cidade da Nova Jerusalém, será porque teremos lançado o fundamento e a teremos construído. … Se formos salvos numa arca, como Noé e sua família, será porque a teremos construído. … ¶
"Minha fé não me leva," continuou o Presidente Young, "a pensar que o Senhor nos proverá porcos assados, pão já com manteiga, etc.; ele nos dará a capacidade de cultivar o grão, de obter os frutos da terra, de fazer habitações, de conseguir algumas tábuas para fazer uma caixa, e, quando vier a colheita, dando-nos o grão, cabe a nós preservá-lo — guardar o trigo até termos provisões para um, dois, cinco ou sete anos, até que haja o suficiente do pão da vida guardado pelo povo, para alimentar a si mesmos e aos que virão aqui em busca de segurança. … [O cumprimento dessa profecia ainda está no futuro.] ¶
"Vós, santos dos últimos dias, aprendei a sustentar-vos a vós mesmos. … ¶
"A fé e a confiança implícitas em Deus são para que eu e vós façamos tudo o que pudermos para nos sustentarmos e nos preservarmos. … ¶
"Aprendestes bastante, é verdade; mas aprendei mais; aprendei a sustentar-vos; armazenai grãos e farinha, e guardai-os contra um dia de escassez. … ¶
"Em vez de indagarmos o que o Senhor fará por nós, indaguemos o que podemos fazer por nós mesmos." (Discourses of Brigham Young, Deseret Book, ed. 1966, pp. 291–93.) ¶
"Para serem santos dos últimos dias, homens e mulheres precisam ser pensadores e trabalhadores," disse o Presidente Joseph F. Smith. "Precisam ser homens e mulheres que ponderam os assuntos em sua mente; homens e mulheres que consideram cuidadosamente seu percurso de vida e os princípios que abraçaram." (Gospel Doctrine, Deseret Book, ed. 1939, p. 114.) ¶
O Presidente Grant declarou: ¶
"Sou um firme crente de que o trabalho não mata ninguém. … ¶
"Nunca vi o dia em que não estivesse disposto a fazer o trabalho mais humilde … em vez de ficar ocioso. … ¶
"Os homens devem ter orgulho de cumprir integralmente sua parte, e jamais desejar ser pagos por aquilo que não ganharam. … ¶
"Afirmo com confiança que a lei do sucesso, aqui e no além, é ter um coração humilde e orante, e trabalhar, trabalhar, TRABALHAR. … ¶
"Não peço a nenhum homem ou criança nesta Igreja, embora eu tenha mais de oitenta anos de idade," continuou ele, "que trabalhe mais horas do que eu. Já trabalhei mais de um dia, das três e meia da manhã às nove da noite. Não conheço nada que destrua a saúde de uma pessoa mais rapidamente do que não trabalhar. Parece-me que as pessoas preguiçosas morrem jovens, enquanto aquelas que estão prontas e dispostas a trabalhar, e que pedem ao Senhor, dia após dia, que as ajude a fazer mais no futuro do que fizeram no passado, são as pessoas que o Senhor ama, e que vivem até uma boa idade avançada. … ¶
"Tenho me impressionado com o fato de que há, hoje, um espírito crescente no mundo de evitar prestar serviço, uma relutância em dar valor equivalente ao recebido, uma tentativa de ver quão pouco podemos fazer e quanto podemos obter por fazê-lo. Isso está totalmente errado. Nosso espírito e objetivo devem ser fazer tudo o que pudermos, num determinado período de tempo, em benefício daqueles que nos empregam e em benefício daqueles com quem estamos associados. ¶
"O outro espírito — obter tudo o que pudermos e dar o mínimo possível em troca — é contrário ao evangelho do Senhor Jesus Cristo. Não é correto desejar algo pelo qual não damos serviço ou valor equivalente. Essa ideia está totalmente errada, e é apenas questão de tempo até que as ovelhas e os cabritos sejam separados." (Gospel Standards, Improvement Era Pub., 1941, pp. 108, 109, 182–84.) ¶
Uma declaração que enfoca e dá real significado ao que temos discutido aqui é o seguinte "Editorial sobre o Trabalho," escrito e publicado por John Taylor em Nauvoo, em 15 de outubro de 1844. Encontrei isso recentemente, e penso ser uma declaração maravilhosa. Isso foi logo depois de o Profeta ter sido martirizado. Diz o seguinte: ¶
"O trabalho é o fabricante da riqueza. Foi ordenado por Deus, como o meio a ser usado pelo homem para obter seu sustento [itálico acrescentado]: portanto, é a condição universal deste grande vínculo de viver. … ¶
"Deus jamais pretendeu rebaixar sua criação, especialmente sua própria imagem, por ter de trabalhar: — não, jamais; o próprio Deus, segundo o bom livro antigo, trabalhou nesta terra por seis dias; e quando Adão foi animado do barro à vida, por seu espírito fazer uso dele como morada, lemos que Deus o colocou no jardim para o cultivar: — portanto, em conjunto com os exemplos de todos os homens santos, somos obrigados a honrar o homem trabalhador: e a desprezar o ocioso. … ¶
"Que trabalhem como homens, que se preparem para aquela augusta hora; quando Babilônia e toda a sua sabedoria mundana; suas várias delícias; e delusórias modas, cairão com ela, para não mais se erguer e perturbar a terra!" Então ele disse: "Que perspectiva gloriosa, pensar que a embriagada Babilônia, a grande cidade do pecado, em breve cessará, e o reino de Deus se erguerá, em esplendor sagrado, sobre suas cinzas, e o povo servirá a Deus numa união perpétua!" (Times and Seasons 5:679, 15 de outubro de 1844.) ¶
Ora, meus irmãos e irmãs, a escrita está na parede; "e a interpretação dela é certa." (Daniel 2:45.) Tanto a história quanto a profecia — e poderia acrescentar, o bom senso — testificam do fato de que nenhuma civilização pode perdurar por muito tempo, seguindo o rumo traçado por manipuladores iludidos e agora sendo implementado como programas governamentais de bem-estar em todo o mundo. ¶
Babilônia será destruída, e grande será a sua queda. (Vide D&C 1:16.) ¶
Mas não vos desanimeis. Sião não cairá com ela, porque Sião será edificada sobre os princípios do amor a Deus e ao próximo, do trabalho e do labor sincero, conforme Deus determinou. ¶
Lembrai-vos de que o Sião de Enoque foi construído numa época em que a iniquidade era tão rampante quanto é entre nós hoje. Entre os que rejeitaram a palavra de Deus naquele dia, "havia guerras e derramamento de sangue"; eles estavam amadurecendo naquela iniquidade que trouxe o dilúvio. "Mas o Senhor veio habitar com seu povo, e eles viveram em retidão. … porque eram unos de coração e vontade, … e não havia pobres entre eles." (Moisés 7:16, 18.) ¶
Ao nos prepararmos para a edificação de Sião, não devemos, e não abandonaremos, os princípios básicos sobre os quais nossos Serviços de Bem-Estar da Igreja se fundam: amor — amor a Deus e ao próximo — e trabalho, ou labor. ¶
Perseveraremos, ajudando as pessoas a ajudarem a si mesmas, até que "a maldição da ociosidade [seja] abolida, os males da esmola pública [sejam] eliminados, e a independência, a diligência, a economia e o autorrespeito [sejam] restabelecidos entre nosso povo." ¶
Este é meu testemunho, que vos dou em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶