Sacerdócio — Autoridade e Poder
H. Burke Peterson
Meus irmãos, sinto-me especialmente grato pela oportunidade de falar nesta reunião do sacerdócio, hoje à noite. Imagino que esta seja a maior assembleia do sacerdócio nesta dispensação. Tenho lutado para encontrar uma forma de transmitir-vos uma mensagem que considero da mais alta importância e de vital interesse para todos os filhos de nosso Pai. Orei e agora oro para que seu Espírito nos acompanhe. Testifico-vos que o que direi é verdade, cuja preparação foi inspirada pelo Espírito. Que vossos corações estejam abertos e vossos espíritos receptivos. ¶
O crescimento espiritual, e a felicidade dele resultante, baseia-se na compreensão e na obediência aos princípios do sacerdócio. Creio que há muitos cuja vida está obscurecida pela infelicidade porque nós, irmãos do sacerdócio, não temos ouvido com a atenção devida a voz de advertência do Senhor. Como ele diz aos irmãos, há perigos quando usamos incorretamente o sacerdócio. Todos já lemos muitas vezes a seguinte revelação. Permiti-me lê-la novamente e, no processo, relacioná-la à conduta diária de nossa vida? Citando a Doutrina e Convênios: ¶
"Eis que muitos são chamados, mas poucos são escolhidos. E por que não são escolhidos? ¶
"Porque seu coração está tão fixo nas coisas deste mundo e aspiram tanto às honras dos homens, que eles não aprendem esta lição [ouvi a lição, irmãos] — ¶
"Que os direitos do sacerdócio são inseparavelmente ligados com os poderes do céu e que os poderes do céu não podem ser controlados nem exercidos a não ser de acordo com os princípios da retidão." (D&C 121:34–36.) ¶
Disso compreendo que há uma diferença entre autoridade do sacerdócio e poder do sacerdócio. Poder e autoridade no sacerdócio não são necessariamente sinônimos. Todos nós que possuímos o sacerdócio temos autoridade para agir em nome do Senhor, mas a eficácia de nossa autoridade — ou, se preferirem, o poder que provém dessa autoridade — depende do padrão de nossa vida; depende de nossa retidão. Notai novamente: "Os poderes do céu não podem ser controlados nem exercidos a não ser de acordo com os princípios da retidão." ¶
Permiti-me sugerir que muitos de nós perdemos de vista uma das razões mais importantes para possuirmos o sacerdócio. Ser um eficiente presidente do quórum de mestres, presidente do quórum de élderes, bispo ou conselheiro é importante — passamos muitas horas treinando esses oficiais. Realizar as ordenanças vitais do sacerdócio é essencial. Mas ainda mais importante do que tudo isso é a necessidade de aprender a usar o sacerdócio para abençoar nossas famílias e nossos lares. ¶
Se vivermos para isso, o nosso pode ser um poder concedido por nosso Pai Celestial que trará paz a um lar perturbado. O nosso pode ser um poder que abençoará e confortará as crianças pequenas, que trará sono aos olhos marejados de lágrimas nas primeiras horas da manhã. O nosso pode ser o poder que trará felicidade a uma noite familiar, o poder de acalmar os nervos abalados de uma esposa cansada. O nosso pode ser o poder que dará direção a um adolescente confuso e vulnerável. O nosso, o poder de abençoar uma filha antes de seu primeiro encontro ou de seu casamento no templo, ou de abençoar um filho antes de sua partida para a missão ou para a faculdade. O nosso, meus jovens irmãos, pode ser o poder de deter os pensamentos maus de um grupo de rapazes reunidos numa conversa vulgar. O nosso pode ser o poder de curar os enfermos e confortar os solitários. Estes são alguns dos propósitos importantes do sacerdócio. ¶
Quando temos o poder de abençoar as famílias de algumas das maneiras mencionadas, então estamos usando essa autoridade concedida por Deus para seu propósito mais elevado — unir os laços familiares e realizar as ordenanças do sacerdócio que perdurarão pelas eternidades. Aquele que desenvolveu esse poder e o usa para fazer as coisas que mencionamos considerará honestamente os desejos retos de sua família, mesmo que não sejam exatamente iguais aos seus. Ele escutará os que estão em seu lar com a mesma atenção que daria a um líder do sacerdócio. Ele escutará — até mesmo a criança mais pequena. ¶
Ele colocará o bem-estar de sua família à frente de seu próprio conforto. ¶
Ele aprenderá a controlar-se. Não usará um temperamento impaciente como desculpa — ele se elevará acima disso. Isso não precisa sempre acompanhá-lo. ¶
Ele entenderá que a resposta branda desvia o furor. Sua voz jamais será ouvida com raiva em seu lar; ele nunca castigará com raiva. ¶
Como um de seus atributos mais significativos, aquele que desenvolveu esse poder do sacerdócio dará, não apenas por seus pensamentos, mas também por suas ações, honra, respeito e dignidade à mais adorável das criações do Senhor — suas filhas. ¶
Irmãos, conseguis ouvir o Senhor aconselhando seus filhos? Conseguis ouvi-lo dizer-nos: "Sede cuidadosos, sede sábios, com esta autoridade que vos dei"? Lemos mais adiante na Doutrina e Convênios: ¶
"Aprendemos, por tristes experiências, que é a natureza e índole de quase todos os homens, tão logo suponham ter adquirido um pouco de autoridade, começar a exercer imediatamente domínio injusto. ¶
"Portanto, muitos são chamados, mas poucos são escolhidos." (D&C 121:39–40.) ¶
Muitos são os irmãos que não compreendem o que significam essas palavras sagradas: ¶
Gostaria de dizer algo sobre o poder do sacerdócio, quanto à forma como pode abençoar a vida das mulheres. O Élder John A. Widtsoe disse: "O Sacerdócio não é conferido com base no poder mental, mas é dado a homens bons. … A mulher tem seu dom de igual magnitude. … Um poder mais sábio do que qualquer outro na terra entende por que um espírito, lá no princípio remoto, era homem ou mulher." (John A. Widtsoe, Priesthood and Church Government, Deseret Book Co., 1954, p. 90.) ¶
Os homens não são superiores às mulheres. Contudo, pela própria natureza de algumas das coisas que fazemos, damos a entender isso. O fato de um homem possuir o sacerdócio e ser o oficial presidente no lar, bem como nas organizações da Igreja, de forma alguma o torna um ser superior. O sacerdócio é uma autoridade e responsabilidade divinamente concedida, que só receberá seu cumprimento último quando houver uma esposa dedicada e feliz ao seu lado. Notai que "feliz" é a descrição da esposa. ¶
Nenhum homem jamais será exaltado sozinho, por maiores que sejam suas obras na terra. ¶
Irmãos, faríamos bem em compreender que muitas das melhores ideias, úteis para a boa administração de uma família, podem vir de discutir abertamente com nossas esposas e buscar seu conselho. As mulheres possuem um espírito e uma capacidade mental absolutamente essenciais para fortalecer o relacionamento familiar. Isso precisa, porém, ser cultivado e aproveitado pela autoridade presidente do sacerdócio naquele lar. Devemos alegrar-nos, e não sentir-nos ameaçados, pelas boas qualidades de nossas esposas. O Élder Neal A. Maxwell disse certa vez: "Sou grato pelas características e qualidades [de minha esposa] que superam as minhas em algumas dimensões críticas de nossa parceria." (Serão das Doze Estacas da BYU, 4 de janeiro de 1976.) ¶
Permiti-me também sugerir-vos que é importante que os irmãos desenvolvam a mesma preocupação com o treinamento das moças que têm com o treinamento dos rapazes do sacerdócio. Basta referirmo-nos à experiência dos dois mil filhos amonitas de Helamã para termos uma percepção de uma das medidas da capacidade das mulheres. Cito de Alma: ¶
"Ora, eis que havia dois mil desses jovens que fizeram esse convênio e pegaram em armas de guerra para defender seu país. … ¶
"E eram todos jovens e muito valorosos quanto à coragem e também vigor e atividade; mas eis que isto não era tudo — eles eram homens fiéis em todas as ocasiões e em todas as coisas que lhes eram confiadas. ¶
"Sim, eles eram homens íntegros e sóbrios, pois haviam aprendido a guardar os mandamentos de Deus e a andar retamente perante ele. ¶
"Ora, eles nunca haviam lutado. Não obstante, não temiam a morte; e pensavam mais na liberdade de seus pais do que em sua própria vida; sim, eles tinham sido ensinados por suas mães que, se não duvidassem, Deus os livraria. ¶
"E repetiram-me as palavras de suas mães, dizendo: Não duvidamos de que nossas mães o soubessem." (Alma 53:18, 20–21; 56:47–48.) ¶
Parece-me mais do que uma coincidência que, ao mencionar-se tudo o que poderia ser considerado responsável pelo grande valor e espírito desses dois mil jovens, o escriba sentiu-se impressionado a mencionar apenas o treinamento dado por suas mães. Muitos outros poderiam ter sido mencionados — mães foram. O fato de as mães serem uma das chaves e segredos da força do Sacerdócio Aarônico leva-me a crer que os líderes do sacerdócio precisam dedicar mais tempo a treinar as moças nos devidos princípios do sacerdócio, para que futuras gerações do Sacerdócio Aarônico possam ser tão abençoadas quanto foram os dois mil filhos de Helamã. ¶
É evidente que os irmãos do sacerdócio estão dedicando grande parte de seu tempo e esforço para planejar formas de influenciar o caráter e a espiritualidade dos rapazes do sacerdócio. Isso deve continuar. Contudo, apenas uma pequena fração desse esforço é dedicada à educação no sacerdócio e ao desenvolvimento espiritual das moças. Como podemos esperar delas um resultado tão bom se não lhes dedicarmos mais atenção? A menos que as moças tenham tido um modelo e saibam que qualidades do sacerdócio buscar num companheiro eterno, as consequências poderão ser que muitas famílias, em gerações futuras, sofrerão por causa de escolhas matrimoniais erradas. Isso não precisa acontecer, se os irmãos do sacerdócio forem os modelos adequados e dedicarem mais compreensão sincera e energia ao treinamento das moças. ¶
E agora, meus irmãos, para concluir, permiti-me continuar na Doutrina e Convênios: ¶
"Nenhum poder ou influência pode ou deve ser mantido em virtude do sacerdócio, a não ser com persuasão, com longanimidade, com brandura e mansidão e com amor não fingido; ¶
"Com bondade e conhecimento puro, que grandemente expandirão a alma, sem hipocrisia e sem dolo — ¶
"Repreendendo prontamente com firmeza, quando movido pelo Espírito Santo; e depois, mostrando então um amor maior por aquele que repreendeste, para que ele não te julgue seu inimigo; ¶
"Para que ele saiba que tua fidelidade é mais forte que os laços da morte. ¶
"Que tuas entranhas também sejam cheias de caridade para com todos os homens e para com a família da fé; e que a virtude adorne teus pensamentos incessantemente; então tua confiança se fortalecerá na presença de Deus; e a doutrina do sacerdócio destilar-se-á sobre tua alma como o orvalho do céu. ¶
"O Espírito Santo será teu companheiro constante, e teu cetro, um cetro imutável de retidão e verdade; e teu domínio será um domínio eterno e, sem medidas coercivas, fluirá para ti eternamente." (D&C 121:41–46.) ¶
Que promessa tão bela! Bendita é a família que pode olhar para vós, irmãos, como o vital elo que une o céu e o lar. ¶
Testifico-vos que sei que Ele vive, que Jesus é o Cristo, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶