Relacionamentos
William Grant Bangerter
Meus irmãos e minhas irmãs, como muitos de vocês, fiquei surpreso, depois de meu casamento, ao descobrir a extensão dos parentes de minha esposa. Como eu mesmo venho de uma família numerosa, não era novidade para mim estar cercado por uma grande família. No entanto, ao me familiarizar com as conexões em que havia me casado, meus olhos se abriram. ¶
Servi como Representante Regional em Wyoming. Os pais dela cresceram lá, e parecia que todos eram parentes dela. O mesmo ficou evidente quando fui transferido para o sul de Utah. As conexões familiares dela estão em toda parte. Encontro-as no Texas e no Arizona. Até as encontramos no Egito e na Arábia Saudita, quando visitamos esses lugares há dois meses. Tenho me visto em constante competição para encontrar parentes meus próprios. Não sei se devo dizer isto, mas sempre tirei um certo orgulho do fato de a irmã LaVern Parmley, que foi presidente da Primária, ser minha prima. Mas, sabem, a irmã Bangerter conseguiu que ela fosse desobrigada. E então fez com que a irmã Barbara Smith, que é prima dela, fosse apoiada como presidente da Sociedade de Socorro. ¶
Há vários anos, enquanto conversava com um homem do sul da Califórnia que visitava Salt Lake City pela primeira vez, ele comentou que os membros desta Igreja pareciam ser um povo unido. Mencionou que isso era estranho à sua experiência. Embora fosse membro de uma igreja em Los Angeles e a frequentasse regularmente, raramente fazia mais do que cumprimentar o homem sentado atrás dele e dizer "bom dia" ao que estava à sua frente. Ele disse: "Não tenho amigos íntimos numa congregação de 1.200 pessoas." ¶
Respondi que, embora eu só tivesse ido a Los Angeles duas ou três vezes, tinha certeza de que, se visitasse qualquer uma das cinquenta ou cem congregações de nossa Igreja naquela cidade, em vinte minutos encontraria alguém que eu conhecia ou alguém conhecido de meus amigos, ou talvez até um parente. Se não fosse isso, certamente um parente de minha esposa. ¶
Tenho ficado frequentemente impressionado com essas extensas relações, comuns a nós que somos membros da Igreja. ¶
Temos outros exemplos da extensão de nossas famílias. No verão passado, estávamos dirigindo pela Suíça e passamos perto da cidade de onde veio meu avô. Bem à nossa frente, na estrada, havia um caminhão, em cuja traseira estava escrito o nome Bangerter e o nome da cidade. Virei-me para minha esposa e disse: "Finalmente estou em maior número do que você. Todas essas pessoas são meus parentes." ¶
Na busca de nossa genealogia, nossa família estendeu muitas linhas de nossa ascendência até o século XVI. Certo dia contei os sobrenomes em nossa árvore genealógica. Descobri que descendo de 226 linhagens familiares conhecidas. Se cada um de vocês, cuja família veio da Suíça ou da Inglaterra, verificasse sua árvore genealógica na mesma extensão, tenho certeza de que encontrariam alguns dos mesmos nomes que eu encontrei. ¶
Isto é uma indicação de que todos temos um verdadeiro parentesco baseado em laços de sangue. ¶
Em minha árvore genealógica contei os nomes de 650 pessoas identificadas como meus progenitores diretos. Mas calculei que, se pudesse preencher todos os espaços de minha árvore genealógica apenas até por volta do ano 1500, haveria entre 15.000 e 20.000 pessoas que são meus antepassados diretos. E se eu acrescentasse a esses nomes os nomes de seus filhos, eu teria uma genealogia de cinquenta a sessenta mil pessoas, todas intimamente aparentadas comigo. ¶
Graças aos esforços intensivos de minha mãe e de outros membros da família, foram reunidos vários milhares de nomes de parentes próximos já falecidos. Seguindo a doutrina da Igreja, esses nomes foram levados ao templo, e as ordenanças foram realizadas por eles, para que, quando os encontrarmos na vida após a morte, os reconheçamos, não apenas como membros de nossa família, mas também como irmãos e irmãs no evangelho. ¶
Também aprendi que, mesmo numa família em que já se realizou um extenso trabalho de genealogia, a maior parte dessa pesquisa ainda está por vir. ¶
Existem outros relacionamentos em nossa vida que não se baseiam tão estreitamente em laços de sangue. ¶
Tenho ouvido os testemunhos de muitas pessoas que ingressaram na Igreja. Invariavelmente, elas falam de como vagaram por diferentes filosofias e religiões, mas que, ao ingressarem na Igreja, descobriram que haviam se conectado com sua verdadeira família. Em sentido espiritual, elas voltaram para casa. ¶
Tive estreita convivência com um homem de negócios que é um querido amigo. Ocasionalmente discutimos religião; e, embora ele não tenha demonstrado interesse em ingressar na Igreja, ele já investigou muitas filosofias religiosas, inclusive a Igreja Metodista, a reencarnação, certos aspectos do espiritismo, grupos pentecostais e associações de confraternização cristã. Um dia lhe disse que tinha certeza de que ele algum dia ingressaria na Igreja. ¶
Quando ele perguntou, sorrindo, como eu sabia disso, respondi: "Qualquer pessoa que busca tão sinceramente quanto você nunca ficará satisfeita até encontrar a resposta completa. Mas, quando você ingressar na Igreja, sentirá que voltou para casa e não precisará mais procurar." ¶
Este é o sentimento dos membros desta Igreja. Desde os dias de Jesus Cristo, os membros de sua Igreja têm-se chamado uns aos outros de irmão e irmã. Isto não foi mera coincidência — foi intencional. ¶
O Salvador nos ensinou a orar a nosso Pai que está nos céus. Ele falava de si mesmo como o Filho de seu Pai e frequentemente se referia aos membros da Igreja como filhos de Deus. Se isto não indica um relacionamento familiar, não consigo entender o significado desses termos. ¶
Quando fui pela primeira vez à América do Sul como jovem missionário, percebi que as pessoas pareciam estrangeiras. Falavam uma língua estranha; tinham a pele mais escura; seus cabelos eram escuros; seus olhos eram escuros; e eu me sentia perdido entre elas. Só compreendi mais tarde que o estrangeiro era eu. Mas agora, depois de passar muitos anos com essas pessoas, quando ando entre elas, já não consigo distingui-las dos norte-americanos ou europeus. Sinto-me tão à vontade com elas que nem sequer noto a cor de seu cabelo, o tom de sua pele ou a cor de seus olhos. Nem sequer noto que língua falam. ¶
Eles são meus irmãos e minhas irmãs. Estendo-lhes todo o meu amor, e eles o retribuem com laços tão estreitos quanto os que experimentei em minha própria família. ¶
Agora, quando leio as escrituras, compreendo melhor o que o Salvador quis dizer. Ele estava visitando certa casa quando um mensageiro entrou e o informou de que sua mãe e seus irmãos esperavam do lado de fora. Ele se voltou para o homem, não para depreciar seu relacionamento familiar, mas para ensinar uma lição especial, e disse: "Quem é minha mãe? e […] meus irmãos?" E então, voltando-se para o grupo reunido diante dele, disse, estendendo a mão para seus discípulos: "Eis aqui minha mãe e meus irmãos; porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe." (Mateus 12:48–50.) ¶
O que experimentei na América do Sul foi descrito por Paulo em sua carta aos santos em Éfeso: "Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e da família de Deus." (Efésios 2:19.) ¶
Não denota essa palavra família um relacionamento familiar? ¶
A partir desses exemplos, infiro que Deus, o Pai, depois de ter espalhado seus filhos pela terra para sua experiência, deseja trazê-los de volta ao lar. Nós, a quem, como disse Pedro, "(foram) dadas […] grandíssimas e preciosas promessas" (2 Pedro 1:4), nós mesmos prometemos dedicar uma vida inteira de serviço em favor de nossos irmãos e irmãs que não foram tão favorecidos. ¶
Aqueles parentes que partiram para o mundo espiritual sem as bênçãos do evangelho não podem ser negligenciados para sempre. Um pequeno número de membros da Igreja tem sido diligente. Uma nova era está sobre nós agora. Neste exato momento, estão sendo enviadas instruções aos sumos sacerdotes da Igreja para mobilizarem suas forças, para que cada membro da Igreja possa ser ajudado a encontrar sua família e trazer de volta ao lar os membros perdidos. Este ano, todos somos chamados a preparar nossa própria história pessoal e a organizar nossa família viva. Mesmo sem um templo ou uma biblioteca por perto, todos podem fazer isso. No próximo ano, receberemos outros desafios e tarefas, até que, gradualmente, os membros da Igreja em toda parte se tornem proficientes na preparação dos registros de suas famílias que morreram sem o evangelho. ¶
Se esta obra é verdadeira, podemos esperar, em breve, o dia em que faremos pelos mortos tanto quanto hoje fazemos pelos vivos. Isso pode, concebivelmente, exigir que muitos membros dediquem anos de seu tempo, despendendo quantias substanciais de dinheiro, assim como hoje fazemos no serviço missionário. ¶
Reunir a família do Senhor em termos eternos constitui o propósito pelo qual o evangelho foi restaurado. Isso salvará até mesmo nações e o mundo. Fazemos isso unindo nossos lares e obtendo nossas bênçãos no templo. Fazemos isso convidando outros a aceitar o evangelho restaurado. Fazemos isso estendendo as mãos através dos espaços espirituais àqueles muitos parentes que morreram sem o evangelho. Aqueles que destroem lares cometem um crime contra a eternidade. Se não reunirmos nossa família, diz Morôni, toda a terra será totalmente devastada em sua vinda. (D&C 2:3.) Que Deus nos abençoe para sermos salvadores na família do Senhor, e não destruidores, rogo em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶