O Amor Leva Tempo
Marvin J. Ashton
Um amigo meu recentemente compartilhou o que considerou ser uma valiosa experiência de aprendizado. Ela foi proporcionada por seu filho pequeno. Ao voltar do trabalho, esse pai cumprimentou o menino com um tapinha na cabeça e disse: "Filho, quero que saiba que eu o amo." ¶
O filho respondeu: "Ah, papai, eu não quero que o senhor me ame, eu quero que jogue futebol americano comigo." Eis um menino transmitindo uma mensagem muito necessária. ¶
O mundo está cheio demais de pessoas como nós, inclinadas a demonstrar seu amor com um anúncio ou uma declaração. ¶
O verdadeiro amor é um processo. O verdadeiro amor exige ação pessoal. O amor precisa ser contínuo para ser real. O amor leva tempo. Com demasiada frequência, a conveniência, a paixão passageira, a estimulação, a persuasão ou a luxúria são confundidas com amor. Quão vazio, quão vão é nosso amor se não passa da excitação de um sentimento momentâneo ou da expressão em palavras de algo que não dura mais do que o tempo necessário para pronunciá-las. Um grupo de universitários recentemente me revelou que a expressão que menos apreciam, vinda de nós, os mais velhos, é: "Se houver alguma coisa que eu possa fazer para ajudá-lo, é só avisar." Eles, como muitos outros, preferem, e muito, as ações às palavras. ¶
Precisamos, em intervalos regulares e apropriados, falar e reafirmar aos outros nosso amor, e também o longo tempo necessário para prová-lo por meio de nossas ações. O amor verdadeiro realmente leva tempo. O Grande Pastor tinha em mente o mesmo pensamento quando ensinou: "Se me amais, guardai os meus mandamentos" (João 14:15; grifo nosso) e "Se me amas, apascenta as minhas ovelhas" (João 21:16; grifo nosso). O amor exige ação para ser contínuo. O amor é um processo. O amor não é uma declaração. O amor não é um anúncio. O amor não é um capricho passageiro. O amor não é uma conveniência. O amor não é uma comodidade. "Se me amais, guardai os meus mandamentos" e "Se me amas, apascenta as minhas ovelhas" são proclamações dadas por Deus que devem nos lembrar de que muitas vezes podemos demonstrar melhor nosso amor por meio dos processos de apascentar e guardar. ¶
De outro rapaz, alguns anos mais velho, com idade suficiente para estar recluso numa penitenciária estadual a algumas centenas de quilômetros daqui, podemos aprender mais sobre o processo do amor. Em sua comovente carta, recebida há poucos dias, ele se esforça para analisar o que o levou à sua situação atual e a todas as angústias que a acompanham. Ele escreve: "Meu pai nunca pareceu me amar, e, no entanto, fazia um grande alarde ao dizer 'eu o amo', com beijos e tudo mais, mas aprendi que 'eu o amo' significava que eu não precisava fazer nada. Quero dizer, nunca fomos obrigados a fazer tarefas regularmente, não recebemos nenhum ensinamento moral nem espiritual. Até hoje não sei quais princípios meus pais defendem." ¶
Deste amigo, a quem nunca conheci pessoalmente, permitam-me repetir uma frase: "'Eu o amo' significava que eu não precisava fazer nada." Refiro-me a ele como amigo porque me ofereceu pensamentos úteis, e compartilho esses comentários com vocês nesta ocasião, na esperança de que também lhes sejam úteis. ¶
Do ponto de vista do pai, não se poderia reconhecer nele o mérito de apascentar e guardar? Talvez ele tenha mantido a família adequadamente abastecida de alimentos. Além disso, o filho não se beneficiou de ter um teto sobre a cabeça, protegido dos elementos, dia e noite, ao longo dos anos? Em resposta, gostaria de apontar a essa mãe, a esse pai e a outros que apascentar é mais do que fornecer alimento. Nenhum homem pode viver eficazmente só de pão. Apascentar é proporcionar, com amor, o alimento adequado para o homem todo — física, mental, moral e espiritualmente. Guardar é um processo de cuidado, consideração e bondade, mesclados apropriadamente com disciplina, exemplo e zelo. Guardar é mais do que fornecer quatro paredes e um teto. Todos nós precisamos ser constantemente lembrados de que é preciso muito viver e amar para fazer de uma casa um lar. ¶
Como podemos melhor demonstrar nosso amor? Como podemos prová-lo? Pedro foi eficazmente ensinado pelo mestre supremo sobre como poderia melhor provar seu amor. "E já esta era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos. ¶
"E depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe ele: Apascenta os meus cordeiros. ¶
"Tornou a dizer-lhe uma segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe ele: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe ele: Apascenta as minhas ovelhas. ¶
"Disse-lhe uma terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito uma terceira vez: Amas-me? e disse-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas." (João 21:14–17.) ¶
Quando foi a última vez que um familiar ou amigo o apascentou? Quando foi a última vez que lhe deram alimento para o crescimento, ideias, planos, a organização do dia, o compartilhar de diversão, recreação, tristeza, ansiedade, preocupação e meditação? Esses ingredientes só podem ser compartilhados por alguém que ama e se importa. Vocês já foram oferecer simpatia e conforto em momentos de morte e provação, apenas para saírem alimentados pela fé e confiança dos entes queridos enlutados? Certamente, a melhor maneira de demonstrarmos nosso amor ao guardar e apascentar é dedicando o tempo necessário para prová-lo hora após hora e dia após dia. Nossas expressões de amor e conforto são vazias se nossas ações não as acompanham. Deus nos ama continuamente. Nossos vizinhos e familiares nos amarão se seguirmos adiante com apoio constante e doação de nós mesmos. O verdadeiro amor é tão eterno quanto a própria vida. Quem poderá dizer que as alegrias da eternidade não estão envolvidas no apascentar, guardar e cuidar contínuos? Não precisamos cansar de fazer o bem quando compreendemos os propósitos de Deus e seus filhos. ¶
Sem dúvida, nosso Pai Celestial se cansa de expressões de amor que ficam apenas nas palavras. Ele deixou claro, por meio de seus profetas e de sua palavra, que seus caminhos são caminhos de compromisso, e não de conversa. Ele prefere o desempenho ao mero discurso. Demonstramos nosso verdadeiro amor por Ele na proporção em que guardamos suas palavras e nos dedicamos aos processos de apascentar. ¶
Permitam-me compartilhar com vocês dois exemplos, não tão incomuns, de pessoas que, hora após hora, dia após dia e mês após mês, dedicaram tempo para amar umas às outras. Digo que esses exemplos não são tão incomuns porque, felizmente, ao nosso redor, diária e continuamente, vemos o verdadeiro amor em ação. Penso primeiro numa mãe que, pela morte, ficou repentinamente sem o marido. Com ela ficaram três filhos, com idades entre o início da adolescência e quase a idade de servir em missão. Ao longo dos anos, pelo exemplo e trabalho árduo, ela proveu, sozinha, os recursos financeiros, o incentivo e a união da família. Os processos de apascentar e guardar resultaram no desenvolvimento de três excelentes missionários, estudantes, maridos e pais. Um deles observou recentemente: "Mamãe sempre dedicou tempo para demonstrar seu amor." Essa mãe continua hoje os verdadeiros processos do amor, enquanto seus filhos buscam educação superior e as oportunidades de suas próprias famílias. ¶
Há algum tempo, ficamos impressionados com a habilidade e a atitude de um construtor local. Seu desejo de perfeição e o orgulho que tinha por seu trabalho me levaram a fazer perguntas e conhecê-lo melhor. Ainda jovem, ele ficou sendo o único sustento de vários irmãos e irmãs mais novos. Sua educação formal necessariamente terminou na oitava série. Pouco depois de seus irmãos e irmãs poderem seguir seu próprio caminho, ele se casou. Um ano após o casamento, sua esposa foi acometida por uma doença grave que se tornaria um longo padrão de enfermidade. Durante vinte e cinco anos, à medida que a saúde dela piorava continuamente, ele cuidou dela e de seus dois filhos. Operações foram realizadas e as despesas eram altas, mas ele trabalhou, cuidou e amou sem reservas. Depois dessa visita, soube que havia conhecido um homem. Sim, o amor realmente leva tempo. O amor é perseverante, e ali estava um homem "não tão comum", cuja conduta me demonstrou que ele conhece os verdadeiros processos do amor ao guardar, apascentar e compartilhar em todas as circunstâncias. ¶
Que prazer é também testemunhar, ao longo dos caminhos da vida, outras pessoas — não impelidas pela tragédia, pela crise ou pela perda — praticando o princípio básico do verdadeiro amor. Nas rotinas comuns da vida, muitas vezes a cortesia, a consideração e a bondade são melhor exibidas nas pequenas expressões significativas do dia a dia que denotam o amor verdadeiro. Penso agora num pai que conheço, que aproveita toda ocasião apropriada para dedicar seu tempo ao filho, muitas vezes apenas dando caminhadas e descobrindo os segredos da natureza, dando ao menino a chance de ter seu pai só para si. Pensem nas mães que vocês conhecem, que se divertem ensinando suas filhas a assar e cozinhar. Há outras mães que ensinam seus filhos a amar a leitura, lendo para eles e com eles. Um irmão mais velho ensinando seu irmão mais novo a começar uma coleção de selos, uma irmã ajudando um irmão a preparar um discurso são evidências adicionais do amor em ação. Sei que podemos pensar "que insignificante, que comum", mas esses e outros exemplos representam os fundamentos do apascentar e, como resultado, a diversão e a felicidade. ¶
Permitam-me compartilhar outros exemplos — um treinador que deseja mais do que uma vitória para seus rapazes; uma mãe ou pai dispostos a ficar acordados até depois do horário do namoro para conversar com uma filha ou filho quando estão dispostos a visitar e conversar; uma irmã mais velha ajudando uma irmã mais nova com seus planos de campanha; uma família ajudando uns aos outros a se prepararem para uma viagem. Outra evidência do amor rotineiro que apreciamos pode ser encontrada numa jovem universitária que escreve cartas regulares de incentivo a um missionário e se mantém "especial" para o casamento com o jovem certo, no tempo certo, no lugar certo. Também elogiamos o exemplo dos pais que diariamente ensinam a seus filhos a lição do amor verdadeiro ao amarem constantemente suas esposas. Muitas vezes, uma mão amiga em tarefas corriqueiras, como lavar a louça ou até se revezar para colocar as crianças para dormir, demonstra mais amor verdadeiro do que as expressões doces que soam vazias por falta de um acompanhamento adequado. Aqueles que verdadeiramente compreendem o amor sabem que ele precisa ser, essencialmente, simples, contínuo e sincero. ¶
As oportunidades de demonstrar amor a Deus por meio do lar, da vizinhança, do campo missionário, da comunidade e da família são infindáveis. Alguns de nós tendem a encerrar seus processos de amor na família quando um membro decepciona, se rebela ou se perde. Às vezes, quando os familiares menos merecem amor, é quando mais precisam dele. O amor não é apropriadamente expresso por meio de ameaças, acusações, expressões de decepção ou retaliação. O amor verdadeiro exige tempo, paciência, ajuda e desempenho contínuo. Penso num élder em perspectiva, completamente inativo por mais de trinta e cinco anos, que agora me apascenta como meu mestre familiar. "O que o trouxe de volta, John?", perguntei. ¶
"Minha esposa simplesmente não desistiu de mim, e meu companheiro de ensino familiar, sentado aqui comigo esta noite, ficou me 'empurrando' gentilmente na direção certa." John está feliz e ansiosamente engajado na obra hoje porque duas pessoas em particular sabem do que se trata o amor. ¶
O amor a Deus leva tempo. O amor à família leva tempo. O amor à pátria leva tempo. O amor ao próximo leva tempo. O amor ao cônjuge leva tempo. O amor no namoro leva tempo. O amor a si mesmo leva tempo. ¶
Seja qual for a nossa condição — um filho pequeno que não quer ouvir falar de amor, mas prefere vê-lo em ação; um prisioneiro; um estudante; uma mãe; um pai; uma filha; ou um estranho — todos precisamos e merecemos mais do que a declaração "eu o amo". Resolvamos dedicar o tempo necessário para nos doarmos, transformando o amor em ação e desempenho apropriados. Deus, também, precisa de mais do que palavras. Ele se alegra com nosso apascentar, nosso guardar e nossa continuidade. ¶
Rogo que nosso Pai Celestial nos ajude a aprender a verdade de que o amor significativo é um processo contínuo, que trará alegria e felicidade a todas as partes envolvidas. Que dediquemos o tempo necessário para demonstrar às nossas famílias, aos nossos amigos, ao estranho, ao nosso profeta e ao nosso Deus que nossas declarações de amor são respaldadas pelo desempenho de nossa vida diária, sabendo que, para que o amor seja aceitável a Deus e ao homem, precisa ser contínuo e originar-se de dentro. ¶
Rogo a nosso Pai Celestial que nos ajude a lembrar que o verdadeiro amor realmente leva tempo. Que Deus nos ajude a dedicar o tempo necessário para desfrutar das bênçãos de apascentar, guardar e cuidar. Deixo-lhes meu testemunho de que esta Igreja, da qual vocês e eu somos membros, é verdadeira. Ela foi restaurada e preservada por meio do amor eterno de um Pai Celestial vivo e de nosso Salvador Jesus. Isto digo em nome digno de Jesus Cristo. Amém. ¶