Usando Nosso Livre-Arbítrio
Delbert L. Stapley
Meus irmãos, minhas irmãs e amigos, um dos dons mais preciosos de Deus ao homem é o princípio do livre-arbítrio — o privilégio de escolha que foi apresentado por Deus, o Pai Eterno, a todos os Seus filhos espirituais no estado pré-mortal. Isso ocorreu no grande conselho no céu, antes de esta terra ser povoada. Os filhos de Deus foram dotados de liberdade de escolha enquanto ainda eram apenas seres espirituais. O plano divino previa que nascessem livres na carne e se tornassem herdeiros do direito de nascença inalienável da liberdade de escolher e agir por si mesmos na mortalidade. Era essencial, para seu progresso eterno, que fossem sujeitos às influências tanto do bem quanto do mal. ¶
Leí, um dos primeiros profetas nefitas americanos, ensinou: ¶
"Porque é necessário que haja uma oposição em todas as coisas. Se assim não fosse... não haveria retidão nem iniquidade, nem santidade nem miséria, nem bem nem mal." (2 Néfi 2:11.) ¶
Como filhos e filhas de nosso Pai Celestial, temos este dom do livre-arbítrio para usar em nossa vida mortal. Precisamos ser provados, testados e comprovados, para ver se escolheremos o certo e faremos tudo o que o Senhor nosso Deus nos ordenar. Como filhos espirituais de Deus, possuímos poderes inatos de consciência suficientes para desenvolver nosso livre-arbítrio em escolhas corretas e para adquirir qualidades de bondade, humildade e integridade de propósito. ¶
O Élder Bruce R. McConkie fez esta declaração sobre o livre-arbítrio: ¶
"Quatro grandes princípios devem estar em vigor para que haja arbítrio: 1. Devem existir leis, leis ordenadas por um poder onipotente, leis que podem ser obedecidas ou desobedecidas; 2. Devem existir opostos — o bem e o mal, a virtude e o vício, o certo e o errado — isto é, deve haver uma oposição, uma força puxando... a outra. 3. Aqueles que hão de desfrutar do arbítrio devem ter conhecimento do bem e do mal, isto é, devem conhecer a diferença entre os opostos; e 4. Deve prevalecer um poder de escolha desimpedido. ¶
"O arbítrio é dado ao homem como parte essencial do grande plano de redenção." (Mormon Doctrine, Bookcraft, Inc., ed. de 1966, p. 26.) ¶
Todas as coisas boas vêm de Deus. Todas as coisas más vêm de Satanás. Brigham Young explicou isso desta forma: ¶
"Há apenas dois partidos na terra, um a favor de Deus e o outro a favor do mundo ou do Maligno. Não importa quantos nomes o mundo cristão ou pagão ostente, nem quantas seitas e credos possam existir; há apenas dois partidos, um a favor do céu e de Deus, e o outro irá para algum outro reino que não o reino celestial de Deus." (Discourses of Brigham Young, comp. John A. Widtsoe, ed. de 1966, Deseret Book Co., p. 70.) ¶
O livre-arbítrio é um princípio eterno que existe com Deus desde toda a eternidade. É um dom que Ele nos dá com a esperança de que o apliquemos sabiamente na condução de nossa vida pessoal. A liberdade de escolha é um arbítrio moral que devemos manter sempre em primeiro lugar em nossa mente, em todas as nossas atividades e decisões. "Em virtude deste arbítrio, eu e vós e toda a humanidade nos tornamos seres responsáveis, responsáveis pelo rumo que seguimos, pela vida que vivemos, pelos atos que praticamos no corpo." (Wilford Woodruff, Discourses of Wilford Woodruff, Bookcraft, Inc., 1969, pp. 8–9.) ¶
Não podemos usar nosso livre-arbítrio como justificativa para fazer o mal. O homem é livre para escolher o bem ou o mal na vida, e para obedecer ou desobedecer aos mandamentos do Senhor, conforme optar. Ele pode escolher agir sem compulsão nem restrição. ¶
O livre-arbítrio não sugere que façamos o mal ou infrinjamos os direitos e privilégios alheios. Frequentemente ouvimos uma pessoa que transgride consolar-se dizendo: "Estou apenas prejudicando a mim mesma." Se um homem opta por cometer adultério, deve pagar uma penalidade por seu pecado. Por causa de sua transgressão, ele infringe os direitos de sua esposa e de sua família, desconsiderando aqueles que o amam e que dele esperam orientação, bom exemplo e as bênçãos eternas da unidade e da convivência familiar. Ele prejudica outros no processo de fazer o que chama de "exercer meu livre-arbítrio." ¶
Pessoas demais têm a atitude errada em relação ao livre-arbítrio. Usam-no como força negativa em sua vida, em vez de positiva. Talvez vocês já tenham ouvido esta afirmação: "Posso fumar e beber se eu quiser. Tenho meu livre-arbítrio." Mas por que não pensar em termos de valores eternos e dizer: "Posso fumar e beber se eu quiser. Tenho meu livre-arbítrio, mas escolho usar meu arbítrio para melhorar minha vida — escolhendo o certo, e não o errado."? Isso pode aplicar-se a qualquer vício na vida de alguém. Tenham a atitude correta, e um vício pode transformar-se em virtude, e a virtude tem sua própria recompensa. Para usarmos nosso arbítrio para o bem, precisamos deixar de lado a atitude defensiva, arrogante e soberba do transgressor. ¶
Brigham Young ensinou: "Não se deve permitir que os homens façam o que bem entenderem em todas as coisas; pois há regras que regulam todas as boas sociedades..., cuja violação não pode ser tolerada nem pelos costumes civis nem pelos religiosos. ... Os homens... não devem ser livres para pecar contra Deus ou contra o homem sem sofrer as penalidades que seus pecados merecem." (Discourses of Brigham Young, p. 65.) ¶
Até onde se estende nosso arbítrio? Brigham Young respondeu a esta pergunta dizendo: "Há limites para o arbítrio, e para todas as coisas e todos os seres, e nosso arbítrio não deve infringir essa lei. Um homem deve escolher a vida ou a morte... o arbítrio que lhe é dado está de tal forma vinculado que ele não pode exercê-lo em oposição à lei sem se sujeitar a ser corrigido e punido pelo Todo-Poderoso. ¶
"Convém que sejamos cuidadosos, e não percamos o arbítrio que nos é dado. A diferença entre o justo e o pecador, entre a vida e a morte eternas, entre a felicidade e a miséria, é esta: para os que são exaltados não há limites nem fronteiras para seus privilégios; suas bênçãos têm continuidade... aumentam por toda a eternidade; ao passo que aqueles que rejeitam a oferta, que desprezam as misericórdias oferecidas pelo Senhor, e se preparam para serem banidos de sua presença e se tornarem companheiros dos demônios, têm seu arbítrio imediatamente reduzido, e limites e fronteiras são postos às suas operações." (Discourses of Brigham Young, pp. 63–64.) ¶
Deus deu mandamentos com a promessa de bênçãos para o cumprimento de suas leis, e penalidades para a sua violação. O falecido James E. Talmage disse: "A obediência à lei é o hábito dos homens livres. O transgressor teme a lei, pois traz sobre si mesmo privação e restrição, não por causa da lei que o teria protegido em sua liberdade, mas por causa de seu antagonismo à lei. Não faz mais parte do plano de Deus compelir os homens a praticar a retidão do que é seu propósito permitir que poderes malignos forcem Seus filhos a pecar." (The Great Apostasy, Deseret Book Co., 1958, pp. 34–35.) ¶
A liberdade de uma pessoa nunca deve ser suprimida pelos homens, por Satanás, nem por nosso Senhor. Os homens nunca devem estar em servidão uns aos outros. Embora Satanás quisesse nos ter sob seu controle, Deus não controla as ações dos homens. Ele nos deu nosso arbítrio para combater as provações, tentações e males de toda espécie. Contudo, Ele nos dá certos princípios que, se seguidos, nos conduzirão de volta à Sua presença. O reino de Deus está fundado na liberdade perfeita. Todo homem, mulher e criança tem o direito de adorar a Deus segundo os ditames de sua própria consciência. Cada pessoa, por si só, é responsável perante seu Criador por seus atos individuais. ¶
Deus nos deu o evangelho eterno, os princípios de vida e salvação, e deixou a critério de cada um de nós escolher ou rejeitá-lo, com o entendimento de que nos tornamos responsáveis perante Ele pelos resultados de nossos atos. O Senhor não força ninguém a abraçar o evangelho, nem forçará ninguém a vivê-lo depois de o ter abraçado. "Eles agem por si mesmos, e agem por escolha própria." (Discourses of Brigham Young, p. 57.) ¶
Satanás exerce seu maior poder quando Deus tem uma obra a realizar entre Seus filhos na terra. Toda dispensação do evangelho, desde o princípio dos tempos, chegou ao fim, não porque Deus tenha falhado, mas porque o homem falhou para com Deus pelo uso impróprio de seu livre-arbítrio. ¶
É bastante evidente, no mundo de hoje, que Satanás enfurece-se no coração dos homens. É um dia, segundo o Senhor, em que Satanás terá poder sobre seus próprios domínios. Ele começou suas artimanhas enganosas com nossos primeiros pais, Adão e Eva, e desde então tem continuado constantemente com suas práticas sedutoras e enganadoras. Isso está sendo feito de maneira mais eficaz e alarmante em nossa geração atual. ¶
Ninguém está imune ao poder de Satanás. Até mesmo o Salvador foi seriamente tentado por ele três vezes diferentes, e em cada uma delas recusou-se a submeter-se às suas tentações enganosas. ¶
Como parte de nosso teste, também podemos ser sujeitos à tentação, assim como Cristo o foi, pois o Senhor disse: ¶
"E é necessário que o diabo tente os filhos dos homens, ou eles não poderiam ser seus próprios árbitros; porque, se nunca tivessem o amargo, não poderiam conhecer o doce —" (Doutrina e Convênios 29:39.) ¶
Estejam atentos e advertidos quanto às obras sutis de Satanás, pois ele jamais deixa de tentar desviar-nos. Ele é um especialista em fazer as coisas parecerem atraentes e corretas, quando na verdade podem provocar nossa destruição moral. Ele não crê no livre-arbítrio, e gostaria de controlar nossa mente, nossos pensamentos e nossos atos. Podemos ver suas obras cada vez mais nos filmes, nos programas de televisão, nas revistas e nas ações dos homens e das nações. Se nossos pensamentos se voltarem para coisas sensuais, seremos fortemente tentados a usar mal nosso livre-arbítrio. ¶
Uma vez que uma pessoa cede ao pecado, fica sob o controle de Satanás, e não é fácil livrar-se disso. ¶
Desconfiem daqueles que quiserem colocá-los numa posição comprometedora. Nunca transijam com o certo, pois a transigência pode levar ao pecado, o pecado ao arrependimento, e o arrependimento pode doer imensamente. ¶
Nenhum homem é livre se não é senhor de si mesmo. A verdadeira liberdade de arbítrio existe com a observância das leis de Deus. Tenham em mente que o bem e o mal jamais podem amalgamar-se num só. Estão em extremos opostos. Não permanecem em harmonia dentro de uma pessoa. Uma tendência prevalecerá sobre a outra, pois, como Jesus ensinou: ¶
"Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom." (Mateus 6:24.) ¶
Não há meio-termo. Nossa posição deve ser de firmeza, a fim de vencermos o mal que Satanás gostaria que fizéssemos. ¶
O homem não pode receber a exaltação que Deus lhe preparou sem exercer seu livre-arbítrio em retidão e em obediência às Suas leis e mandamentos. ¶
O livre-arbítrio, se usado de maneira adequada e sábia, pode trazer oportunidades de serviço no reino de Deus. Proporcionar-nos-á muitas bênçãos celestiais escolhidas e uma vida celestial eterna de alegria e felicidade. ¶
O Presidente Wilford Woodruff declarou: ¶
"Estamos numa grande escola; e é uma escola proveitosa, na qual recebemos lições muito importantes dia após dia. Somos ensinados a cultivar nossa mente, a controlar nossos pensamentos, a colocar todo o nosso ser em plena sujeição ao espírito e à lei de Deus, para que aprendamos a ser um só e a agir como o coração de um só homem, a fim de que possamos realizar os propósitos de Deus sobre a terra." (Discourses of Wilford Woodruff, pp. 10–11.) ¶
Cristo é nosso mestre; Ele mostrou, por exemplo, a maneira de usarmos nosso livre-arbítrio para obtermos a vida eterna. ¶
O que estamos fazendo com nosso arbítrio? Estamos nos aproximando de Deus, ou nos afastando dele? Estamos satisfeitos e felizes com o que estamos fazendo com esta dádiva concedida por Deus? Podemos melhorar em seu uso? ¶
Pensem cuidadosamente nas promessas e nos benefícios que estão à nossa disposição ao usarmos nosso livre-arbítrio para obedecer e guardar as leis de Deus, em contraste com o fracasso em fazê-lo. ¶
Que Deus nos abençoe a todos, para que tenhamos o desejo e a coragem de exercer nosso livre-arbítrio em retidão e em verdade, oro humildemente em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶