A Lei do Jejum
Henry D. Taylor
Em uma reunião recente, o Presidente Marion G. Romney fez uma declaração que muito me impressionou. Primeiro disse: “Tem sido, e agora é, o desejo e o objetivo da Igreja obter, das ofertas de jejum, os recursos necessários para atender às necessidades financeiras do programa de bem-estar.” E disse ainda: “Podemos, devemos e precisamos fazer melhor.” Então, do irmão Romney veio esta reconfortante garantia: “Se dobrarmos nossas ofertas de jejum, aumentaremos nossa prosperidade, tanto espiritual quanto temporalmente. Isto o Senhor prometeu; assim tem sido o registro.” ¶
Há muitos anos, foi escolhido e designado um dia para a observância da lei do jejum. Uma característica muito importante dessa observância era, e ainda é, uma generosa contribuição ao fundo de ofertas de jejum. A política da Igreja atualmente é declarada da seguinte forma: ¶
“O primeiro domingo de cada mês é geralmente designado como dia de jejum e oração, no qual se realiza uma reunião especial de testemunhos. Deve-se conceder tempo adequado para os testemunhos. … ¶
“A observância apropriada do dia de jejum consiste em abster-se de alimentos e bebidas por duas refeições consecutivas, comparecer à reunião de jejum e testemunhos e fazer uma generosa oferta ao bispo para o cuidado dos necessitados. Uma oferta de jejum mínima é definida como o equivalente ao valor de duas refeições.” (Manual Geral de Instruções [1968], p. 40.) ¶
O domingo, contudo, nem sempre foi o dia em que o jejum e os testemunhos foram observados na Igreja. O Presidente Joseph Fielding Smith nos forneceu um relato muito interessante do desenvolvimento dessa lei e desse princípio. Disse ele: ¶
“O jejum e a oração, na presente dispensação, foram transmitidos desde os tempos primitivos. Desde a organização da Igreja, o princípio do jejum em espírito de oração tem sido um mandamento do Senhor. [Vide D&C 59:8–13; 88:76, 119.] Quanto à escolha de um dia fixo do mês, temos este testemunho, vindo do Presidente Brigham Young, num discurso [proferido] no antigo tabernáculo, [em] Salt Lake City, [em] 8 de dezembro de 1867. ¶
“O Presidente Young disse: ‘… Sabeis que na primeira quinta-feira de cada mês realizamos … o dia de jejum. Quantos aqui sabem a origem deste dia? Antes de se pagar o dízimo, os pobres eram sustentados por doações. Vieram a [o Profeta] Joseph … e pediram ajuda, em Kirtland, e ele disse que deveria haver um dia de jejum, o que foi decidido. Seria realizado uma vez por mês, como é agora, e tudo o que se comeria naquele dia, de farinha, carne, manteiga, fruta ou qualquer outra coisa, deveria ser levado à reunião de jejum e posto nas mãos de uma pessoa escolhida com o propósito de cuidar dos pobres. Se fizéssemos isso agora fielmente, [disse o Presidente Young] pensais que aos pobres faltaria farinha, manteiga, queijo, carne, açúcar, ou qualquer coisa de que necessitassem para comer? Não! haveria mais do que poderia ser usado por todos os pobres entre nós. …’” ¶
O Presidente Smith então explicou: ¶
“Este costume de realizar reuniões de jejum às quintas-feiras continuou em Nauvoo e também depois da chegada dos membros da Igreja às Montanhas Rochosas. Lembro-me de uma época em que certas casas comerciais fechavam as portas em cada dia de jejum e colocavam nelas o aviso: ‘Fechado para reunião de jejum.’ … ¶
“A mudança da primeira quinta-feira para o primeiro domingo do mês ocorreu da seguinte maneira. Hyrum M. Smith, que mais tarde se tornou membro do Conselho dos Doze, era missionário em Newcastle, Inglaterra, no ano de 1896. Na quinta-feira da reunião de jejum, os membros da Igreja naquela terra precisavam pedir dispensa de seus empregos, com perda de salário. Alguns deles trabalhavam nas minas de carvão. Ao saírem das minas, precisavam ir para casa, tomar banho e trocar de roupa. Isso representava perda tanto de tempo quanto de remuneração. Hyrum escreveu a seu pai, o Presidente Joseph F. Smith, e perguntou por que, em tais circunstâncias, o dia de jejum tinha de ser uma quinta-feira e não um domingo. O Presidente Smith levou a carta à reunião da Primeira Presidência e dos apóstolos e a apresentou ali. A seguir está um trecho da ata da reunião realizada em 5 de novembro de 1896: ¶
“‘O Presidente Joseph F. Smith apresentou o assunto das reuniões de jejum, sugerindo que uma mudança do horário da primeira quinta-feira para o primeiro domingo de cada mês provavelmente seria benéfica. Isso foi apoiado pelo Presidente George Q. Cannon, e, depois que outros irmãos se manifestaram sobre o assunto, decidiu-se que os cultos no Tabernáculo seriam dispensados no primeiro domingo de cada mês, e que os santos desta cidade, bem como das alas do interior, teriam o privilégio de se reunir em suas casas de reunião às 14 horas para observar o dia de jejum.’” (Improvement Era, dez. de 1956, p. 895.) ¶
Além da mudança no dia de realizar a reunião de jejum e observar a lei do jejum, deve-se notar outro desenvolvimento. Quando o Profeta Joseph estabeleceu o programa em Kirtland, nos primeiros dias da Igreja, os santos eram aconselhados a levar à reunião de jejum os alimentos dos quais haviam se abstido. Posteriormente, esse método foi modificado, de modo que atualmente os diáconos da Igreja visitam mensalmente os lares que lhes são designados, e a contribuição da oferta de jejum é feita em dinheiro. ¶
Milagres são realizados por meio do jejum e da oração sincera. Em 1850, Lorenzo Snow, que mais tarde se tornou presidente da Igreja, trabalhava na Itália como missionário, procurando abrir aquele país ao evangelho do Senhor Jesus Cristo. Ele era um tanto tímido e reservado, mas, espiritualmente, era um gigante. Uma família que se tornara sua amiga tinha um filho gravemente enfermo. De fato, o Élder Snow percebeu que somente por meio de jejum sincero, oração poderosa, fé inabalável e do poder do sacerdócio aquela criança de três anos poderia ser salva. Ele sabia o quanto a cura daquele menino significaria para o povo daquela pequena vila italiana. ¶
Subindo com seu companheiro a um lugar isolado nas encostas dos Alpes, logo acima da vila, em espírito de jejum e oração, ele pediu e suplicou fervorosamente ao Senhor, durante seis longas e angustiantes horas, o privilégio de usar o poder divino para curar aquele menino. Finalmente, a resposta veio: era sim, o privilégio lhe seria concedido. ¶
Como humilde servo do Senhor, ele desceu a montanha com fé perfeita de que a vida da criança moribunda seria poupada. O menino recebeu então uma bênção e a promessa de que viveria. Poucas horas depois, quando o Élder Snow e seu companheiro retornaram à casa, encontraram a criança muito melhorada e bem encaminhada para a recuperação. O Élder Snow percebeu que seu jejum e sua oração haviam alcançado o trono de um Pai Celestial benevolente. Ele disse aos pais agradecidos: “O Deus dos céus fez isto por vós.” (Vide Eliza R. Snow, Biography of Lorenzo Snow, pp. 128–29.) ¶
Certamente a lei do jejum é um programa inspirado, e sua observância traz muitas virtudes. O Presidente David O. McKay as resumiu nestas palavras: ¶
“A palavra jejum é usada para significar uma restrição autoimposta quanto à ingestão de alimentos. Os historiadores nos dizem que o costume do jejum remonta aos primórdios da história da raça humana. … ¶
“Seja qual for sua origem, é significativo notar que várias virtudes estão associadas à observância desse costume. … Todos os princípios associados ao jejum parecem apontar para o fato de que ele produz, primeiro, bem-estar físico; [depois, domínio próprio; em seguida, uma oportunidade de ajudar os outros e, finalmente,] força espiritual. ¶
“Mas o maior de todos os benefícios [do jejum] é a força espiritual derivada da sujeição do apetite físico à vontade do indivíduo.” (Vide David O. McKay, Gospel Ideals, Improvement Era, 1953, pp. 208–213.) ¶
Um fator extremamente importante da observância do dia de jejum é comparecer à reunião de jejum e testemunhos e reconhecer e expressar gratidão a nosso Pai Celestial por Suas muitas bênçãos. ¶
Parece-me que há quatro fatores envolvidos na observância apropriada do dia de jejum, a saber: primeiro, abster-se; depois, orar; em seguida, testificar; e, finalmente, contribuir. ¶
Estou confiante de que cada um de nós tem uma necessidade contínua de bênçãos adicionais. Um dedicado servo do Senhor, membro da Primeira Presidência, deu-nos a fórmula que, se seguida, aumentará nossas bênçãos. Permitam-me repetir mais uma vez sua inspirada promessa: “Se dobrarmos nossas ofertas de jejum, aumentaremos nossa prosperidade, tanto espiritual quanto temporalmente.” ¶
Creio firmemente que o pagamento das ofertas de jejum resulta em ricas bênçãos. E disso testifico em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém. ¶