Pulpit

Por Que Meu Filho Está Errante Esta Noite?

N. Eldon Tanner

Conferência Geral de Outubro de 1974·Sunday Morning Session·1974-10-01

Ao falar-vos nesta bela manhã de sábado, oro humildemente para que o Espírito e as bênçãos do Senhor nos acompanhem e estejam sempre conosco.

Lembro-me bem, e alguns de vós talvez também se lembrem, de cantar a canção “Onde Está Meu Filho Errante Esta Noite?” Nosso amado presidente e profeta, Spencer W. Kimball, costumava cantar essa canção com tanto sentimento que muitos se comoviam até as lágrimas. Permiti-me ler as palavras:

Onde está meu filho errante esta noite, o filho do meu mais terno cuidado:

O filho que outrora foi minha alegria e minha luz, a criança do meu amor e da minha oração?

Outrora ele era puro como o orvalho da manhã, quando se ajoelhava aos pés de sua mãe;

Nenhum rosto era tão radiante, nenhum coração mais fiel, e ninguém era tão doce quanto ele.

Ah, onde está meu filho esta noite? onde está meu filho esta noite?

Meu coração transborda, pois eu o amo, ele sabe,

Ah, onde está meu filho esta noite?

Anônimo

Nesta manhã, gostaria de reformular essa pergunta e indagar: “Por que meu filho está errante esta noite?” e aplicá-la a todos os que possam estar errantes.

Segundo o dicionário, errar significa falar, mover-se ou viajar sem destino, plano ou propósito fixo; vagar ou perambular; seguir casualmente ou por um caminho indireto; desviar-se em conduta ou opinião; extraviar-se.

É tendo essas definições em mente que desejo discutir a questão: “Por que tantos estão errantes hoje?”

Parece que, através dos tempos, as pessoas têm errado de um lado para outro na terra, e muitas jamais encontram o caminho para sair do deserto em que estão perdidas. O dicionário descreve deserto como uma área ou região vazia ou sem trilhas, um ermo sem caminho de qualquer espécie, uma multidão ou massa confusa. E assim, aqueles que erram sem rumo pela vida, confusos e inseguros, desperdiçam o precioso tempo que lhes foi dado para provarem a si mesmos nesta importante etapa de sua existência.

Suponho que, em algum momento de nossas vidas, cada um de nós já se sentiu um pouco perdido, um tanto inseguro quanto ao rumo que tomava, ou, em certo sentido, errante num deserto. Consideremos algumas das razões para se errar.

Satanás e seus cúmplices, incluindo homens maus e ardilosos, estão decididos a manter o homem errante no deserto para que, por fim, ele seja destruído e a obra do Senhor seja frustrada. Adão e Eva foram os primeiros errantes de que se tem registro, quando deram ouvidos a Satanás em vez de ao Senhor. Foram expulsos do Jardim do Éden e passaram por um período de vida errante até se comprometerem a guardar os mandamentos de Deus.

Caim optou por seguir Satanás e, em consequência, matou seu irmão Abel. Ele também foi expulso e obrigado a errar no deserto de suas transgressões, assim como muitos outros indivíduos e até grupos maiores de pessoas de quem lemos nas escrituras. Sodoma e Gomorra foram destruídas por causa da maldade do povo, e não havia justos suficientes para salvar aquelas cidades. Todos conhecem a história de Noé e da arca, na qual encontramos que todas as pessoas do mundo, com exceção de oito almas, foram destruídas porque se recusaram a ouvir ou aceitar os ensinamentos ou as advertências do Senhor.

Alguns erram porque não compreendem e se recusam a aprender os ensinamentos e a importância de guardar os mandamentos de Deus, que assegurarão uma passagem segura pela vida e o retorno ao reino de nosso Pai, de onde viemos. Eles são enganados e deixam de perceber, como disse Pedro:

“Mas também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos mestres, que introduzirão encobertamente heresias destruidoras, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.

“E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade.” (2 Pedro 2:1–2.)

Alguns estão errando por caminhos proibidos porque buscam popularidade entre seus colegas, a ponto de fazerem coisas que sabem ser erradas. Não suportam a crítica ou o ridículo e não tomam uma posição firme contra o erro. Há sempre, além disso, grandes pressões exercidas por certos colegas e adultos errantes, bem como por homens maus e ardilosos que trabalham em tempo integral promovendo os caminhos astutos de Satanás.

Havia errantes assim nos dias em que nosso Salvador andou sobre a terra. João registra:

“Contudo, até muitos dos chefes creram nele; mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga:

“Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus.” (João 12:42–43.)

Eles erram por fraqueza de caráter. O espírito está pronto, mas a carne é fraca. (Ver Mateus 26:41.) Esses errantes estão no deserto da frustração e do descontentamento. Conhecem a lei, mas sucumbem à tentação por um breve momento de prazer, para satisfazer seus apetites e paixões.

Temos também o deserto da hipocrisia, que reclama muitas vítimas. Os hipócritas, ao professarem uma coisa e fazerem outra, estão eles mesmos se afastando da senda estreita e apertada, levando consigo muitas almas jovens e inocentes que, ao verem tanta desonestidade e desconfiança grassando no mundo, tendem a perder a fé na humanidade e a se perguntar para onde recorrer.

Devemos ler com frequência o capítulo 23 de Mateus, que é a denúncia do Salvador aos escribas e fariseus como hipócritas. Lemos no versículo 13:

“Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque fechais aos homens o reino dos céus; porque nem vós entrais nem deixais entrar os que estão entrando.”

Muitos estão no deserto por seguirem o mau exemplo dado por líderes em seus lares e comunidades. O tráfego nessa área é dos mais congestionados e confusos. A pornografia, a fornicação, o adultério e a homossexualidade são permitidos e praticados no mundo hoje a tal ponto que estamos realmente seguindo os caminhos de Sodoma e Gomorra. Há corrupção demais no mundo. Precisamos de líderes fortes e de bom caráter em todos os lugares — líderes que sejam exemplos de integridade, confiabilidade e retidão.

Quebrar a Palavra de Sabedoria, que nos foi dada por revelação, leva muitos a errar por outros caminhos tristes e proibidos. Um pecado leva a outro, a cada vez mais emoções e sensações, e assim à destruição. Quando todos nós conhecemos os muitos malefícios do álcool, do tabaco e das drogas, pergunto-me por que tantos se deixam desviar.

O exemplo impróprio dos pais no lar é uma das principais causas de os jovens se afastarem dos princípios ensinados no evangelho de Jesus Cristo. O uso de álcool e tabaco no lar dá aos filhos licença para fazerem o mesmo e para se entregarem a outras drogas e entorpecentes, o que resulta, muitas vezes, em deixarem o lar e errarem como caroneiros, com mochilas nas costas, sem propósito, sem destino determinado, exceto afastar-se da senda estreita e apertada da verdade e da retidão. Na realidade, já não são livres, mas, ao alegarem que buscam a liberdade, tornam-se escravos de seus próprios maus hábitos, e é muito difícil para eles saírem do deserto e voltarem à luz e ao amor de que tanto precisam.

A imoralidade, embora grasse no mundo, é denunciada pelo Senhor e é uma das formas mais seguras de nos perdermos no deserto. O Senhor disse: “Não adulterarás.” (Êxodo 20:14.) Não apenas aquele que comete esse pecado e outras transgressões, mas também a vítima e muitos outros são afetados e carregarão grandes fardos de tristeza e dor.

Recentemente, li no jornal este relato, que mostra o pesar e a angústia de uma mãe que, sem dúvida, passara muitas horas infelizes vigiando, esperando e orando por seu filho errante.

“A polícia informou que a mãe de um jovem de 16 anos, acusado de estuprar uma mulher, agradeceu aos policiais depois que um deles atirou e matou seu filho armado.

“O jovem … foi morto ao apontar uma pistola calibre .38 para o rosto do policial na quinta-feira, informou a polícia.

“Sua mãe … disse aos policiais, depois do tiroteio: ‘Fico contente que vocês o tenham pegado. Não vou mais ter que me preocupar com ele.’” (Deseret News, 26 de julho de 1974.)

Sim, há coisas piores do que a morte.

Alguns erram porque são orgulhosos e soberbos e confiam em sua própria autossuficiência. Ainda não aprenderam qual é o seu relacionamento com Deus, nem sua dependência dEle. Somos advertidos nas escrituras:

“Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento.

“Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.” (Provérbios 3:5–6.)

Possivelmente o mais perdido de todos é o errante que fracassou por falta de desejo ou de determinação para se disciplinar. Seu deserto é, de fato, escuro e desolado, e ele tropeçará e cairá repetidas vezes até emergir como senhor de si mesmo.

Da Vinci certa vez disse: “Jamais tereis domínio maior ou menor do que aquele sobre vós mesmos. A grandeza do sucesso do homem mede-se por seu autodomínio; a profundidade de seu fracasso, por seu autoabandono … e essa lei é a expressão da justiça eterna.”

Citando Salomão: “Melhor é o longânimo do que o valente, e o que governa o seu espírito do que o que toma uma cidade.” (Provérbios 16:32.)

Cristo nos deu, talvez, a melhor resposta sobre como não errar quando disse:

“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ele;

“Porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que o encontrem.” (Mateus 7:13–14.)

É tão verdadeiro que aqueles que permanecem na senda estreita e apertada, e reconhecem que os desvios são muito perigosos, são os que triunfam na vida e desfrutam de autorrealização e êxito. Os que se afastam e seguem por desvios acabam em caminhos que levam ao fracasso e à destruição.

Ouvi recentemente duas histórias de errantes que gostaria de relatar. A primeira era sobre um jovem que vinha de uma família de posses e posição em sua comunidade. Tinha mente brilhante, saía-se bem na escola, destacava-se em engenharia e tinha todas as promessas de uma boa carreira e a esperança de uma boa vida. Em algum ponto do caminho, à maneira dos livres-pensadores de hoje, ele escolheu a companhia de alguns que “faziam o que bem entendiam”, suponho que assim o chamavam.

Embora advertido dos perigos que o aguardavam, ele continuou pelos caminhos proibidos, experimentando álcool, drogas e a vida boêmia. Por fim, deixou seu lar e sua família, viajou pelo país e passou a residir numa comunidade composta de nômades, ou errantes, poderíamos dizer. Não prestavam contas a ninguém; eram livres para ir e vir como bem entendessem; não tinham responsabilidades e, aparentemente, levavam o tipo de vida despreocupada que julgavam desejar.

Quase toda história que já ouvi sobre os que se afastam da senda estreita e apertada tem um final triste. Uma tragédia assim encerrou a vida do jovem a que me refiro. Sob a influência de drogas e álcool, andando de motocicleta com seus companheiros tarde da noite, ele atravessou o guarda-corpo de uma ponte sobre um rio turvo e morreu. Em conformidade com um suposto pacto jocoso que fizera com os amigos, estes, sem consultar os pais dele, realizaram seu serviço fúnebre, cremaram o corpo e espalharam as cinzas sobre o local onde ele morrera.

Imaginem o pesar de seus pais e entes queridos, que nem puderam reclamar seu corpo para um sepultamento condigno. Pensem apenas nos muitos e muitos pais e familiares que sofrem diariamente pela ausência de um dos seus, que escolheu errar e desperdiçar a vida em busca de nem ele mesmo sabe o quê.

Assisti outra noite a um filme na televisão em que um pai implorava à filha que voltasse ao convívio familiar e abandonasse a companhia daqueles que a levavam pelo mau caminho da destruição eventual. Quando ela se esquivou do abraço que ele tentava dar-lhe e disse: “Tenho o direito de viver minha própria vida”, ele respondeu: “Você está machucando toda a família, além de você mesma.”

Assim como Cristo sofreu e morreu uma vez para nos salvar de nossos pecados, certamente Ele sofre novamente, por seu grande amor por nós, quando rejeitamos seus ensinamentos e seu plano para o nosso bem-estar, tanto aqui quanto no porvir. Por que não conseguimos compreender que Ele nos prometeu riquezas incalculáveis se apenas escolhermos o seu caminho, em vez de seguirmos Satanás, cujo rumo nos levará à destruição?

A outra história que gostaria de contar é sobre outro filho pródigo, em circunstâncias semelhantes, que também se envolveu com companheiros que o persuadiram a deixar o lar e a família em busca da chamada liberdade das amarras daquilo que chamam de “o sistema”. Ele também percorreu todo o trajeto — álcool, tabaco, drogas, imoralidade.

A diferença está nos finais dessas histórias. Algo profundo dentro dele manteve o rapaz em contato com sua família. Algo despertou em sua memória os ensinamentos aprendidos na juventude, e, à medida que sua família se esforçava ao limite para alcançá-lo e expressar seu amor nas ocasiões em que ele entrava em contato com eles, ele acabou por consentir, ainda que relutante, em comparecer a uma reunião de família, realizada durante uma de suas idas para casa. Sem se barbear, desgrenhado, de cabelo comprido e tudo o mais, ele foi.

Embora reprovando sua conduta, a família lhe estendeu as boas-vindas e o amor. O rapaz sentiu o profundo afeto deles e soube que isso era melhor do que as demonstrações superficiais de amizade de seus outros companheiros. Mais tarde, acompanhou sua família à igreja e ali conheceu uma jovem doce que demonstrou interesse por ele. Em pouco tempo, estava banhado, barbeado, devidamente arrumado e vivendo como deveria.

É honrando os próprios pais e ajustando-se aos padrões de decência de uma sociedade bem-ordenada e temente a Deus que a pessoa se manterá longe de errar por alguns dos caminhos proibidos. De modo geral, comportamo-nos de acordo com nossa aparência e nossa fala. Se quisermos fazer parte de um grupo ou organização limpo e refinado, devemos aceitar suas regras e padrões.

O castigo e o remorso, de uma forma ou de outra, virão a todos os que se afastam do caminho da verdade e da retidão, ao passo que a obediência às leis de Deus traz bênçãos e felicidade. É simples assim: o que semearmos, isso também colheremos. (Ver Gálatas 6:7.)

Quão importante é não esperarmos até que um filho ou outro ente querido erre por caminhos proibidos antes de fazermos tudo o que for possível para tornar esses caminhos pouco atraentes e pouco convidativos, e o caminho da retidão irresistível. Devemos fazer isso por meio do amor, do preceito e do exemplo adequado.

Conhecer, compreender e guardar os mandamentos, e aprender e viver os ensinamentos do evangelho de Jesus Cristo manterão a pessoa caminhando na senda estreita e apertada, em vez de errar triste e solitária pelo deserto. Recebemos uma promessa gloriosíssima:

“E todos os santos que se lembrarem de guardar e fazer estas coisas, obedecendo aos mandamentos, receberão saúde para o umbigo e medula para os ossos;

“E encontrarão sabedoria e grandes tesouros de conhecimento, sim, tesouros ocultos;

“E correrão e não se cansarão; e caminharão e não desfalecerão.

“E eu, o Senhor, faço-lhes uma promessa de que o anjo destruidor passará por eles, como os filhos de Israel, e não os matará.” (D&C 89:18–21.)

A todos os errantes que buscam encontrar o caminho para sair do deserto sem trilhas e entrar nos jardins floridos e ensolarados, onde a senda é reta e o caminho leva à vida eterna, eu suplicaria que olhassem para a fonte de toda luz e conhecimento, a saber, Deus e Seu Filho Jesus Cristo; que aprendam a respeito dEles e guardem os mandamentos que Eles deram; pois testifico que Eles vivem, que a palavra deles é a verdade, e que não há outro caminho para a felicidade e a vida eterna senão por meio dEles.

Também presto meu solene testemunho de que Jesus Cristo restabeleceu Sua igreja com o evangelho em sua plenitude aqui sobre a terra hoje, com um profeta de Deus como seu presidente. Ela nos oferece um caminho seguro para sair do deserto e entrar na luz. Convidamos todos os homens, em toda parte, a investigar e a se juntar a outros em Sua igreja, que oferece a vida eterna. Assim oro, humildemente, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoN. Eldon Tanner, “Por Que Meu Filho Está Errante Esta Noite?”, Conferência Geral de Outubro de 1974, Sunday Morning Session (1974-10-01). Pulpit Vault, 1974-10-tanner-why-is-my-boy-wandering-tonight. Tradução desta edição, por método de glossário, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).