Integridade
Marion G. Romney
Meus amados irmãos do sacerdócio, considero este convite para dizer-vos algumas palavras uma grande honra e uma grande responsabilidade. Confio que o Senhor nos abençoará enquanto vos falo. Espero ter algo a dizer que seja útil tanto ao Sacerdócio Aarônico quanto ao Sacerdócio de Melquisedeque. ¶
Decidi dizer algumas palavras sobre integridade. ¶
Uma das definições de integridade diz: "A qualidade ou estado de ter princípios morais sadios; retidão, honestidade e sinceridade." ¶
Ao distinguir entre os sinônimos de integridade — honestidade, honra, probidade e veracidade —, o Webster's New World Dictionary diz que "integridade implica uma incorruptível solidez de caráter moral, especialmente quando demonstrada no cumprimento das responsabilidades que nos são confiadas." ¶
Não preciso insistir no fato de que o mundo, no momento presente, tem uma necessidade desesperada de homens de integridade. A prova dessa afirmação pode ser lida em toda publicação, ouvida em todo rádio, e vista e ouvida em toda produção visual e sonora. ¶
"Dai-nos o homem de integridade", diz A. P. Stanley, "aquele em quem sabemos que podemos confiar plenamente; que permanecerá firme quando outros falharem; o amigo, fiel e verdadeiro; o conselheiro, honesto e destemido; o adversário, justo e cavalheiresco; tal homem é um fragmento da Rocha dos Séculos." ¶
A nossa própria civilização está em perigo. Se ela há de ser salva, isso terá de ser feito por homens de integridade. ¶
Para realizar essa tremenda tarefa, o Senhor chamou o seu sacerdócio. Isso significa vós e eu, e todos os nossos companheiros portadores do sacerdócio, Aarônico e de Melquisedeque. ¶
O Senhor depositou em nós a mais sagrada confiança já dada aos homens. Não devemos falhar-lhe. Devemos ser meninos e homens de integridade. Nossa exaltação individual depende de provarmos ao Senhor que, em todos os riscos e sob todas as circunstâncias, cumpriremos fielmente a confiança que ele depositou em nós. (Vide History of The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints, 3:380.) ¶
O Profeta Joseph Smith ensinou que a integridade absoluta deve preceder a promessa da vida eterna. Disse ele: ¶
"Depois que uma pessoa tem fé em Cristo, arrepende-se de seus pecados e é batizada para a remissão de seus pecados e recebe o Espírito Santo, … que continue então a humilhar-se diante de Deus, tendo fome e sede de retidão e vivendo por toda palavra de Deus, e o Senhor logo lhe dirá: Filho, tu serás exaltado." ¶
Essa promessa, contudo, só se cumprirá depois que "o Senhor o tiver provado plenamente, e verificar que esse homem está determinado a servi-lo em todos os riscos". (History of the Church, 3:380.) ¶
Temos, entre nossos líderes na Igreja, em todos os chamados do sacerdócio, desde diáconos até apóstolos, exemplos de irmãos cujo desempenho demonstra essa integridade. ¶
O Presidente Kimball, por exemplo. Ao longo dos anos, ele tem sido um padrão de integridade. Ninguém duvida de que ele cumpriria a sagrada confiança que o Senhor depositou sobre ele, ainda que isso lhe custasse a própria vida. ¶
O Presidente Tanner, da mesma forma. Na verdade, seu desempenho ao longo de distintas carreiras nos negócios e no governo tem sido tão circunspecto e corajoso que seus colegas o chamam de "Sr. Integridade." ¶
Passo agora a chamar a atenção para algumas circunstâncias em que essa questão da integridade está envolvida. Eis um relato sobre o qual vós, portadores do Sacerdócio Aarônico, podeis refletir: ¶
"Quatro rapazes Santos dos Últimos Dias partiram de uma cidade de Utah para uma viagem através do país. Eles haviam economizado todo o seu dinheiro durante o último ano do colégio para esse fim, e agora que a formatura havia terminado, arrumaram as malas no porta-malas do carro e se despediram dos pais preocupados e dos amigos invejosos. Foi motivo de considerável comemoração quando cruzaram a fronteira do estado de Utah e entraram em outro estado. Pararam à beira da rodovia e desceram para sentir como era estar em novos lugares. Cada um dos jovens viajantes sentiu certo frêmito de emoção, e um espírito de aventura os levou a grandes especulações. ¶
"Haviam combinado enviar aos pais um cartão-postal a cada dois dias para indicar onde estavam, e haviam prometido enviar um telegrama a cobrar caso tivessem algum problema. Um dos rapazes comentou que era muito bom estar por conta própria e não precisar de aprovação prévia de ninguém para cada movimento que fizesse. Outro sugeriu que deviam agir como viajantes experientes e não dar a impressão, a outras pessoas, de serem rapazes do interior em sua primeira excursão para longe de casa. Em seguida, esse mesmo rapaz propôs aos amigos que esquecessem completamente que eram mórmons durante toda a aventura. Quando os outros três, intrigados, perguntaram por quê, ele disse que agora podiam 'soltar-se um pouco' e experimentar parte da agitação de que desfrutavam outras pessoas que não eram da Igreja Mórmon. 'De qualquer forma', argumentou ele, 'que diferença fará isso? Ninguém, aqui fora, no mundo, nos conhece nem se importa com nossas ligações religiosas.' ¶
"O frêmito da nova experiência pesou sobre o julgamento deles, e o grupo concordou em experimentar. Decidiram anunciar-se ao mundo como estudantes do Leste que haviam estudado por pouco tempo em Utah. As placas do carro, de Utah, tornavam essa explicação necessária. ¶
"Ao anoitecer do primeiro dia da viagem, encontravam-se em um famoso ponto turístico, e providenciaram para acampar perto do resort. Depois da refeição da noite, reuniram-se no grande hotel para o entretenimento noturno. Mal haviam chegado quando o líder do grupo sugeriu que começassem, ali mesmo e naquele instante, a experimentar as coisas que lhes haviam sido tão longamente negadas por pais e professores rigorosos. A primeira coisa que lhes chamou a atenção foi um grande letreiro de néon no fundo do salão. Dizia: 'Bar — cerveja, coquetéis.' Pensando que seria apenas um moderado deslize na direção de 'pecar só um pouquinho', concordaram em entrar no bar e pedir um copo de cerveja para cada um. Havia um ar de nervosismo entre eles ao entrarem no bar, iluminado de forma vistosa, e observarem os balcões carregados de garrafas de bebida que despertavam a curiosidade. O rapaz encarregado de fazer o pedido perdeu a voz na primeira tentativa e teve de engolir em seco para conseguir dizer, de modo compreensível: 'Quatro copos de cerveja, por favor.' ¶
"O que faltava à cerveja em sabor, o ambiente e a emoção compensavam de sobra. Eles foram ficando mais ousados e começaram a falar da próxima aventura que empreenderiam. A conversa estava ficando cada vez mais picante quando, de repente, um homem bem-vestido entrou no bar e caminhou direto para a mesa deles. A expressão no rosto do desconhecido e o passo decidido com que se aproximou deixaram os rapazes completamente perturbados. ¶
"Quando o homem chegou à mesa em que os rapazes estavam sentados, estendeu a mão a um deles e disse: 'Perdoe-me, mas você não é o filho de George Redford, de Utah?' O rapaz ficou mudo e apavorado. Os dedos se congelaram em torno da base do copo de cerveja, e ele respondeu, com voz vacilante: 'Sim, senhor, sou eu.' 'Achei que o reconheci quando você entrou no saguão do hotel', continuou o desconhecido. 'Sou Henry Paulsen, vice-presidente da empresa em que seu pai trabalha, e conheci você e sua mãe no inverno passado, num jantar da empresa no Hotel Utah. Nunca esqueci como você explicou seu sacerdócio mórmon a um dos outros executivos de nossa empresa, que lhe perguntou o que significava ser um rapaz mórmon. Devo dizer que fiquei um pouco surpreso ao vê-lo dirigir-se ao bar, mas suponho que, tanto entre mórmons quanto entre não mórmons, rapazes são rapazes quando saem de casa.' ¶
"Esses rapazes ouviram um sermão que nunca ouviriam repetido do púlpito. Sentiram-se enjoados, envergonhados e abatidos. Ao deixarem os copos meio cheios e saírem pelo saguão do hotel, tiveram a sensação de que todos os olhavam. O manto da escuridão foi bondoso enquanto voltavam para o acampamento. 'Vocês simplesmente não conseguem vencer', disse o rapaz que havia proposto que abandonassem sua verdadeira identidade, tentando aliviar a tensão. 'Não tenho tanta certeza', respondeu o rapaz a quem o desconhecido havia falado. 'Se ainda temos algum bom senso, podemos transformar essa experiência na lição mais proveitosa de nossa vida.'" ¶
Eis outra experiência — uma experiência do Presidente Joseph F. Smith, relatada pelo falecido Presidente Charles W. Nibley, sobre a qual vós, jovens élderes, podeis refletir para vosso proveito: ¶
"Outro incidente que eu o ouvi relatar", diz o Irmão Nibley, referindo-se ao Presidente Joseph F. Smith, que foi presidente da Igreja e pai do nosso falecido presidente Joseph Fielding Smith, "e que mostra sua coragem e integridade, ocorreu quando ele voltava de sua missão nas Ilhas Sandwich, no outono de 1857. Voltou para casa pela via de Los Angeles, pelo que se chamava a Rota do Sul. Naquele ano, o Exército de Johnston estava em marcha rumo a Utah, e, naturalmente, havia muita agitação e amargura de sentimento a respeito dos 'mórmons'. No sul da Califórnia, logo depois que o pequeno comboio de carroças havia percorrido apenas uma curta distância e feito o acampamento, vários rufiões anti-'mórmons' entraram a cavalo no acampamento, praguejando, blasfemando e ameaçando o que fariam aos 'mórmons'. Joseph F. estava a pouca distância do acampamento, recolhendo lenha para a fogueira, mas viu que os poucos membros de seu próprio grupo haviam se embrenhado cautelosamente no mato, ao longo do riacho, fora de vista. Quando viu isso, ele me contou", diz o Irmão Nibley, "veio-lhe o pensamento: 'Devo fugir desses homens? Por que haveria de temê-los?' Com isso, marchou de volta, com os braços cheios de lenha, até a fogueira do acampamento, onde um dos rufiões, ainda com a pistola na mão, gritando e praguejando a respeito dos 'mórmons', disse em voz alta a Joseph F.: ¶
"'Você é um 'mórmon'?' ¶
"E a resposta veio direta: 'Sim, senhor; da gema; leal e verdadeiro, dos pés à cabeça.' ¶
"Diante disso, o rufião agarrou-lhe a mão e disse: ¶
"'Bem, você é o homem mais ---- ---- simpático que já conheci! Aperte minha mão, meu jovem, fico contente de ver um homem que defende suas convicções.'" (Joseph F. Smith, Gospel Doctrine, Deseret Book Co., ed. 1939, p. 518.) ¶
Abraham Lincoln demonstrou sua grande integridade em seu famoso discurso da "casa dividida". John Wesley Hill, em seu livro Abraham Lincoln—Man of God, diz: "Lincoln demonstrou sua independência e tenacidade de propósito quando escreveu seu discurso de aceitação da indicação para Senador dos Estados Unidos. … Esse é conhecido como o discurso 'A Casa Dividida Contra Si Mesma'. Encerrava a histórica declaração de que a União não poderia existir 'meio escrava e meio livre'. A seu amigo Jesse K. Dubois, Lincoln disse: ¶
"'Recusei-me a ler para você a passagem sobre a casa dividida contra si mesma, porque sabia que você me pediria para mudá-la ou modificá-la, e eu estava determinado a não fazer isso. Assim eu quis que fosse, e estava disposto, se necessário, a perecer com ela. Prefiro ser derrotado com essa expressão no discurso … a ser vitorioso sem ela.'" (Abraham Lincoln—Man of God, Nova York e Londres: G. P. Putnam's Sons, 1927, p. 151.) ¶
Ora, foi preciso verdadeira coragem para Lincoln manter aquela frase — "meio escrava e meio livre" — em seu discurso. Ele era ambicioso, e parecia que o caminho para a presidência passava pelo Senado, mas o clima político da época ainda não estava pronto para a posição que ele tomou naquela questão. A probabilidade era de que a declaração significaria derrota em sua candidatura ao Senado, e foi exatamente isso que aconteceu. Lincoln sabia bem de tudo isso; ainda assim, teve a integridade de agir em harmonia com suas convicções. Embora seu procedimento tenha fechado a porta do Senado, felizmente para o país, mais tarde abriu-lhe a porta da presidência. ¶
O Presidente J. Reuben Clark Jr. foi um homem de igual integridade. Quando jovem, presidiu por um curto período o Ramo Sul do State Normal College, em Cedar City, Utah. Desenvolveu grande interesse por essa instituição. ¶
"Dois anos depois … pediram sua ajuda para incentivar os membros da assembleia legislativa a fornecer os recursos que haviam sido solicitados pela instituição." ¶
Respondendo por carta, ele "explicou, com total franqueza e sinceridade, que não poderia apoiar o … pedido" de 100 mil dólares. ¶
"'… Franca e livremente', disse ele, 'creio que vocês estão pedindo demais. … ¶
"'… Pensei cuidadosamente sobre o assunto, e não consegui ver com clareza como recomendar honestamente a seus representantes a verba … que vocês pedem. … ¶
"'Se vocês disserem que abrirão mão dos 100 mil dólares e trabalharão pelos 54 mil, podem contar com minha cooperação ativa até o limite de minha pobre capacidade; mas se ainda assim buscarem a quantia maior, logo verão que será melhor eu ficar em silêncio; e prometo a vocês que é isso que farei.' ¶
"A franqueza dessa carta viria a se tornar uma característica marcante da correspondência e do trato do [Presidente] Clark com os homens ao longo de sua longa carreira. Embora suas recomendações muitas vezes não contivessem o que outros esperavam receber, mesmo assim sua franqueza e completa honestidade contribuíram grandemente para a confiança que os homens depositavam nele, pois sabiam que podiam contar com ele para dizer o que realmente pensava." (David H. Yarn Jr., Young Reuben, Brigham Young University Press, Provo, Utah, pp. 113–14.) ¶
Quão glorioso seria, homens do sacerdócio, se todos nós possuíssemos a integridade de um Presidente Kimball, de um Nathan Eldon Tanner, de um Joseph F. Smith, de um Abraham Lincoln ou de um J. Reuben Clark Jr. O Senhor espera isso de nós, seus portadores do sacerdócio. ¶
Que Deus nos ajude a refletir sobre essa grande qualidade da integridade e a viver vidas de integridade, é minha humilde oração, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶