Um Testemunho de Cristo
Joseph Anderson
A maior necessidade da humanidade hoje é uma convicção sincera de que Jesus Cristo foi e é, em verdade, o Salvador e Redentor do mundo; que ele é o Filho do Pai, o primogênito no espírito e o Unigênito na carne; que era necessário e fazia parte do plano de Deus, antes que o mundo fosse criado, que ele viesse à terra e tomasse sobre si a mortalidade, reparasse a lei transgredida por Adão e Eva, e provesse para nós o plano pelo qual pudéssemos ressuscitar da sepultura e retornar à presença de nosso Pai Celestial, de onde viemos. ¶
Lemos, no primeiro capítulo do evangelho segundo João: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus." (João 1:1–2.) Isso indicaria que Cristo, Jeová, o Grande EU SOU, estava com o Pai naquele estado inicial de existência; ele era o primogênito de seus filhos espirituais. Foi ensinado pelo Pai durante aquele tempo incalculável. ¶
Antes de virmos para cá, vivíamos nos céus, no estado de espírito, como filhos de nosso Pai Celestial. O poeta Wordsworth captou um lampejo do sinal eterno quando escreveu: ¶
Nosso nascimento é apenas um sono e um esquecimento: ¶
A alma que se ergue conosco, estrela de nossa vida, ¶
Teve alhures o seu poente, ¶
E vem de muito longe: ¶
Não em total esquecimento, ¶
Nem em completa nudez, ¶
Mas envoltos em nuvens de glória vimos ¶
De Deus, que é o nosso lar. ¶
"Ode: Pressentimentos de Imortalidade Tirados de Lembranças da Primeira Infância" ¶
Conhecíamos o Pai de nossos espíritos tão bem quanto conhecemos aqui nosso pai terreno. Conhecíamos nosso irmão mais velho, Jeová, e também conhecíamos Lúcifer, que igualmente era um filho da manhã. Vivíamos, naquele tempo, pela vista. Esse conhecimento visual, a lembrança daquele estado, foi tirado de nossa mente, e agora nos é exigido viver pela fé. Como se declara no hino: ¶
Com um propósito sábio e glorioso ¶
me puseste aqui na Terra ¶
e ocultaste a lembrança ¶
de nossos amigos e nascimento anteriores. ¶
Hinos, nº 138 ¶
É um programa e plano glorioso, instituído nos conselhos do céu, pelo qual poderíamos ter o abençoado privilégio de tomar sobre nós a mortalidade, seus desafios e suas experiências. ¶
Naquela existência anterior, tínhamos nosso arbítrio. Nos conselhos em que se considerou a criação e o povoamento desta terra, o Pai apresentou um plano altruísta. Ele já havia sido usado em outros mundos. Jeová disse: "Pai, faça-se a tua vontade, e seja tua a glória para sempre." (Moisés 4:2.) ¶
Lúcifer, porém, disputou por uma emenda ao plano, pela qual todos seríamos salvos por compulsão. Isso era contrário ao arbítrio. A dele foi uma proposta ambiciosa, que envolvia conceder a ele, Lúcifer, a honra que pertence ao Pai. As escrituras nos dizem que ele disse: "Eis-me aqui, envia-me; serei teu filho e redimirei a humanidade toda, de modo que nenhuma alma se perca; e sem dúvida eu o farei; portanto, dá-me a tua honra." (Moisés 4:1.) Isso destruiria o direito ao arbítrio e a oportunidade de crescimento e desenvolvimento. Seria contrário ao propósito do Pai de dar a seus filhos a oportunidade de se tornarem semelhantes a ele por meio de sua própria fidelidade e esforço. Foi uma proposta egoísta e presunçosa. ¶
Entendemos que, embora na pré-existência, naquele estado espiritual, os espíritos tivessem seu arbítrio, havia diferentes graus de obediência, vários graus de retidão. Lúcifer exerceu seu arbítrio quando se rebelou contra o Pai, mas teve de pagar a pena por aquela rebelião, e ainda a está pagando, assim como os espíritos que o seguiram. Foi-lhes negado o privilégio de tomar sobre si a mortalidade, e isso tem sido, para eles, uma grande maldição e um grande desapontamento. ¶
"Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! … ¶
"E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono: … ¶
"Subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. ¶
"E contudo derrubado serás no inferno, nas profundezas do abismo." (Isaías 14:12–15.) ¶
Quando os espíritos que seguiram Jeová foram enviados à terra para tomar sobre si a mortalidade, eles não eram, de modo algum, de capacidade igual nem de disposições semelhantes. Havia diferentes graus de fidelidade entre os que receberam a oportunidade e a bênção de tomar sobre si a vida mortal. Foram, porém, considerados suficientemente dignos de receber essa experiência da vida terrena, a fim de provarem se fariam tudo quanto o Senhor seu Deus lhes ordenasse. Ao assim procederem, ao prestarem obediência ao plano de vida e salvação, receberiam a vida eterna, retornariam à presença de seu Pai Celestial e receberiam seu louvor e a recompensa dos fiéis. ¶
Deus, com sua presciência e seu conhecimento de seus filhos em seu estado pré-mortal, sabia que alguns sucumbiriam às artimanhas e tentações de Lúcifer, que muitos cairiam pelo caminho. Também era sabido pelo Pai, antes de virmos para cá, que Adão e Eva, por sua própria vontade e escolha livres, participariam do fruto proibido, o que abriria caminho para que os filhos espirituais de Deus tomassem sobre si a mortalidade. Consequentemente, compreendia-se a necessidade de um Redentor e de uma redenção. ¶
Era necessário que se fizesse uma expiação pela transgressão de Adão, para que a humanidade não fosse obrigada a sofrer pela transgressão de Adão, pela qual eles, a posteridade de Adão, não eram, de modo algum, responsáveis. A desobediência de Adão foi uma transgressão, visto que ele havia quebrado uma lei, mas tornou-se uma grande bênção, por ter aberto o caminho pelo qual o homem pudesse participar do privilégio da vida terrena e, em conexão com isso, exercer seu arbítrio e trabalhar por sua salvação. ¶
Deus estava disposto a que seu Filho Amado tomasse sobre si a responsabilidade dessa missão, a saber, expiar o pecado de Adão e Eva, que provocou a Queda, e também que a humanidade pudesse receber o perdão de seus pecados individuais, desde que guardasse os mandamentos sobre os quais se baseiam a salvação e a exaltação. ¶
Quando Jesus esteve na terra, na meridiana dos tempos, muito poucos o reconheceram como o Criador dos céus e da terra e o Salvador e Redentor da humanidade. Mesmo seus discípulos não compreenderam plenamente sua missão e — embora ele lhes tivesse dito que entregaria sua vida pela salvação da humanidade, que era e é o autor da salvação para todos os que lhe obedecem, que sairia do sepulcro para uma vida nova, um ser ressuscitado — era difícil para eles compreender essas coisas. ¶
Não dependemos apenas do relato dado por seus apóstolos e outros no Novo Testamento. Temos outros registros e testemunhos. Temos o Livro de Mórmon, que, segundo o prefácio desse registro, foi dado "para mostrar ao remanescente da casa de Israel quão grandiosas coisas o Senhor fez por seus pais; e para que conheçam os convênios do Senhor, que não foram rejeitados para sempre — e também para convencimento do judeu e do gentio de que Jesus é o Cristo, o Deus Eterno, manifestando-se a todas as nações." (Página de rosto do Livro de Mórmon.) ¶
Esse registro relata o aparecimento do Salvador, depois de sua ressurreição, a seu povo neste continente, ocasião em que lhes ensinou o evangelho, o plano de vida e salvação, semelhante ao que deu ao povo do continente oriental. O registro do Livro de Mórmon também relata as condições que existiam neste hemisfério na época do nascimento de Jesus em Belém e na época de sua morte. ¶
Ao aparecer aos nefitas, ele estendeu a mão e falou ao povo, dizendo: ¶
"Eis que sou Jesus Cristo, de quem os profetas testificaram que viria ao mundo. ¶
"E eis que sou a luz e a vida do mundo; e bebi daquele cálice amargo que o Pai me deu, e glorifiquei o Pai, tomando sobre mim os pecados do mundo, nos quais sofri a vontade do Pai em todas as coisas desde o princípio." (3 Néfi 11:10–11.) ¶
A Igreja possui ainda a escritura sobre o Unigênito e sua missão, contida na Pérola de Grande Valor. Que afortunados somos por termos o relato bíblico, o relato do Livro de Mórmon, e os relatos dados a Abraão, a Enoque e a Moisés, conforme relacionados na Pérola de Grande Valor, a respeito do nascimento e da morte do Salvador e de sua grande missão. ¶
Esse mesmo Jesus, o Cristo ressuscitado, tem aparecido ao homem, nesta dispensação, em várias ocasiões. ¶
Temos ainda o testemunho da veracidade dessas manifestações e do evangelho restaurado em sua plenitude, em virtude dos sussurros e incitamentos do Espírito Santo, pois o dom do Espírito Santo nos foi conferido pela autoridade restaurada do céu por aqueles que detinham esse poder e autoridade na meridiana dos tempos — a saber, Pedro, Tiago e João — e esse conhecimento é certo e não pode ser refutado com êxito. ¶
Em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, adoramos o Cristo vivo. Sabemos que ele saiu do sepulcro, que é um ser ressuscitado, que é nosso advogado junto ao Pai, e que somente por meio dele e pela obediência ao evangelho que nos deu podemos retornar à sua presença e à do Pai. ¶
Jesus Cristo é nosso Redentor e Salvador. Foi gerado pelo Pai no espírito, o Primogênito do Pai, e é o Unigênito do Pai na carne. Ele é nosso irmão mais velho. Ele é o segundo membro da Trindade. Foi o Criador dos céus e da terra sob a direção do Pai. Ele é o Jeová do Velho Testamento. Ele é Jesus de Nazaré. ¶
Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Ele é a Luz do mundo. Ele é o Autor de nossa salvação. Foi escolhido antes da fundação do mundo para ser o Cordeiro imolado como oferenda por nossos pecados. Por fim, todo joelho se dobrará e toda língua confessará que ele é o Cristo. Ele morreu na cruz para expiar o pecado de Adão, para que pudéssemos receber o perdão de nossos pecados, se o aceitássemos e guardássemos os mandamentos que nos deu, o plano de vida e salvação. Ele ressurgiu do sepulcro, as primícias da ressurreição, tornando assim possível que toda a humanidade viva novamente em estado ressuscitado após a morte mortal. Sim, "Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (João 3:16.) ¶
É a sua obra e a sua glória levar a efeito a imortalidade e a vida eterna do homem, o que é a salvação e a exaltação na presença de Deus, o Pai, e de seu Filho Jesus Cristo. (Ver Moisés 1:39.) ¶
É nossa missão e nossa responsabilidade levar esta mensagem ao mundo. É nossa obra e nossa glória auxiliar nosso Salvador na realização da missão que ele aceitou no conselho dos céus antes que a terra fosse criada. ¶
Ele virá novamente à terra, conforme predisseram os profetas, desta vez com poder e grande glória, para reinar e governar mil anos em paz e retidão. ¶
Testifico da veracidade destas coisas. Sei que nosso Redentor vive, e presto este testemunho com fé e toda sinceridade, em nome de nosso Salvador e Redentor, Jesus Cristo. Amém. ¶