Pedra de Toque da Verdade
John H. Vandenberg
Conversando com alguns membros da Igreja na conferência de Munique, no verão passado, uma jovem, uma recém-conversa, perguntou: "Já que somos membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, por que nos chamamos mórmons?" ¶
Joseph Fielding Smith, ao responder a uma pergunta semelhante, disse: "Os nefitas criam em Cristo; escreveram e profetizaram a respeito dele e de sua missão, e embora não haja opróbrio algum que possa ser justamente atribuído a quem crê no Livro de Mórmon, não há razão válida para que os Santos dos Últimos Dias se autodenominem 'mórmons' ou chamem a Igreja de 'Igreja Mórmon.' … A missão [da Igreja é] persuadir as pessoas a crer em Cristo, o Filho de Deus, e a se tornarem membros de Sua Igreja — a [verdadeira] igreja de Jesus Cristo [dos Santos dos Últimos Dias]." (Joseph Fielding Smith, Answers to Gospel Questions, Deseret Book Co., 1971, vol. 4, pp. 174–75.) ¶
Uma lembrança me veio à memória, de um incidente em que dois conhecidos de negócios entraram em meu escritório e me cumprimentaram dizendo: "Você é mórmon; diga-nos, de onde vem a palavra Mórmon e qual é o seu significado?" Minha resposta foi: "A palavra Mórmon era o nome de um antigo profeta de Deus. Ele viveu no continente americano poucas centenas de anos depois do advento de Cristo. Ele tinha à sua disposição um registro religioso e histórico contínuo do povo que havia migrado para os continentes americanos e ali vivido por centenas de anos. Mórmon fez um resumo desses registros, que continha a plenitude do evangelho de Jesus Cristo. O registro foi gravado em placas de ouro e depositado numa colina conhecida como Cumorá, localizada no que hoje sabemos ser o estado de Nova York. Nestes últimos dias, sob orientação divina, Joseph Smith obteve as placas e as traduziu pelo poder de Deus. Esse resumo recebeu o título de Livro de Mórmon. O significado da palavra, segundo Joseph Smith, é 'mais bom.'" (Vide Teachings of the Prophet Joseph Smith, p. 300.) Os cavalheiros pareceram interessados, agradeceram e partiram sem mais comentários. ¶
Em retrospecto, tenho relembrado essa experiência e refletido sobre as palavras mais bom, que sem dúvida significam "uma extensão do bem." Joseph Smith, ao comentar o assunto, referiu-se à Bíblia como sendo "boa." Quanto ao Livro de Mórmon, ele declarou: "Convém observar aqui que o Senhor grandemente encorajou e fortaleceu a fé de seu pequeno rebanho, que havia abraçado a plenitude do evangelho eterno, conforme lhes foi revelado no Livro de Mórmon, dando-lhes algumas informações mais amplas sobre as escrituras. …" (Documentary History of the Church, vol. 1, pp. 131–32.) ¶
A história religiosa confirma, por meio da Bíblia, que as verdades mais básicas — (1) a natureza da Trindade e (2) a revelação por meio dos profetas — essenciais à salvação da humanidade, estavam disponíveis aos líderes religiosos ao longo dos séculos antes e depois do advento do Salvador. Contudo, devido a transgressões, houve um afastamento dessas verdades, e cumpriu-se a predição do apóstolo Paulo, que disse: "Ora, rogamo-vos, irmãos, com respeito à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e à nossa reunião com ele, ¶
"que não vos movais facilmente do vosso entendimento, e não vos perturbeis, nem por espírito, nem por palavra, nem por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto. ¶
"Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição." (2 Tessalonicenses 2:1–3.) ¶
O Presidente Joseph Fielding Smith bem resumiu o que havia ocorrido, ao dizer: "Deve-se lembrar que todo o mundo cristão, em 1820, havia perdido a verdadeira doutrina a respeito de Deus. A verdade simples, tão claramente compreendida pelos apóstolos e santos de antigamente, havia se perdido nos mistérios de um mundo apóstata. Todos os antigos profetas e os apóstolos de Jesus Cristo tinham clara compreensão de que o Pai e o Filho eram personagens separados, conforme nossas escrituras tão claramente ensinam. Por meio da apostasia, esse conhecimento se perdeu, e no ano 325 d.C. uma doutrina estranha foi introduzida e logo se espalhou por todo o mundo cristão. Essa doutrina confundiu as pessoas da Trindade e distorceu a verdadeira doutrina de Deus." (Joseph Fielding Smith, Answers to Gospel Questions, vol. 3, p. 117.) ¶
Não há dúvida de que Jesus ensinou a própria natureza de Deus, o Pai, Deus, o Filho, e Deus, o Espírito Santo — três personagens de forma e substância, individuais e distintos. Ele ensinou que o verdadeiro conhecimento da Trindade era essencial à vida eterna. Incluiu, em uma oração a seu Pai celestial: "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (João 17:3.) Outras referências nas escrituras confirmam a individualidade do Espírito Santo. (Vide Mateus 3:16.) ¶
Contudo, à luz dessa verdade, foi introduzida uma "doutrina estranha", de credos feitos pelo homem. Diz um deles: "Há um só Deus, Criador dos céus e da terra, o ser supremo, incorpóreo, incriado, que existe por si mesmo e é infinito em todos os seus atributos. …" Diz outro: "Há um só Deus vivo e verdadeiro, eterno, sem corpo, partes ou paixões; de poder, sabedoria e bondade infinitos." Ainda outro diz: "Deus é como ele se revela. Ele é realidade criativa … Ele é ato expressivo … Ele é poder responsivo … Ele é um só Deus experimentado de forma trinitária." (Alvin R. Dyer, The Meaning of Truth, Deseret Book Co., 1961, p. 50.) ¶
Estes são apenas alguns exemplos da extensão do afastamento dos verdadeiros ensinamentos das escrituras. Ora, o Livro de Mórmon nos dá uma extensão e reafirmação da verdadeira natureza corpórea de um membro da Trindade. Jesus fala ao irmão de Jarede, dizendo: "… portanto mostro-me a vós. … ¶
"… Eis que eu sou Jesus Cristo … ¶
"E nunca me mostrei ao homem que criei, pois nunca homem algum creu em mim como tu tens crido. Não vês que fostes criados à minha própria imagem? … ¶
"Eis que este corpo, que agora vedes, é o corpo de meu espírito; … e assim como te apareço em espírito, também aparecerei a meu povo na carne." (Éter 3:13–16.) ¶
Dois mil anos depois, esse mesmo Jesus veio à terra na mesma forma e disse: "… quem me vê a mim vê o Pai. …" (João 14:9.) ¶
Essa individualidade corpórea foi confirmada pelo Profeta Joseph Smith, que teve a reveladora experiência de ver o Pai e o Filho em forma corpórea e conversar com eles. Ele afirma especificamente: "O Pai tem um corpo de carne e ossos tão tangível como o do homem; o Filho também; mas o Espírito Santo não tem um corpo de carne e ossos, mas é um personagem de Espírito. …" (D&C 130:22.) ¶
Outra verdade básica das escrituras é que Jesus ensinou que sua igreja foi fundada sobre a rocha da revelação (vide Mateus 16:16–18), em harmonia com as palavras do profeta Amós, que declarou: "Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas." (Amós 3:7.) ¶
Parece haver, de modo geral, espanto entre a humanidade de que Deus voltasse a falar nestes últimos dias. "Os céus estão fechados", declaram. Foi um dia sombrio quando os líderes religiosos declararam que a revelação havia cessado e quando presumiram que a humanidade poderia trilhar seu caminho por sua própria sabedoria, apoiando-se no braço da carne. Mas "'o mundo, por sua sabedoria, não conheceu a Deus', de modo que o mundo, por especulação, está destituído de revelação. …" (DHC, vol. 5, p. 400.) Foi um dia glorioso quando a doutrina da revelação foi novamente restaurada à humanidade nestes últimos dias. ¶
Novamente o Livro de Mórmon nos dá essa expansão dessa doutrina: ¶
"Eis que grandes e maravilhosas são as obras do Senhor. Quão insondáveis são as profundezas de seus mistérios! É impossível ao homem descobrir todos os seus caminhos. E nenhum homem conhece os seus caminhos, a não ser que lhe sejam revelados; portanto, irmãos, não desprezeis as revelações de Deus. ¶
"Portanto, irmãos, não procureis aconselhar o Senhor, mas recebei conselho de sua mão. Pois eis que vós mesmos sabeis que ele aconselha com sabedoria, e com justiça, e com grande misericórdia, sobre todas as suas obras." (Jacó 4:8, 10.) ¶
Todo o propósito do evangelho é ensinar aos homens que a coisa mais importante na vida é a própria vida, e que o homem pode buscar a felicidade. "… os homens existem, para que tenham alegria" (2 Néfi 2:25) é o decreto do Senhor. O propósito do Livro de Mórmon é convencer tanto judeus quanto gentios de que Jesus é o Cristo, pois somente por meio dele podem ser obtidos a salvação, a vida eterna e a alegria eterna. ¶
Há grande conforto no conhecimento da verdade, pois a verdade tem a qualidade da certeza e da autoridade. Já se disse que "'nenhum prazer se compara a estar no ponto mais alto da verdade' (uma colina que não se pode dominar, e onde o ar é sempre claro e sereno), 'e ver os erros, os desvios, as brumas e as tempestades no vale abaixo': contanto sempre que essa visão seja acompanhada de compaixão, e não de orgulho soberbo. Certamente é o céu na terra ter a mente do homem movendo-se em caridade, repousando na providência e girando sobre os polos da verdade." (Francis Bacon, "Da Verdade.") ¶
O Profeta Joseph Smith ficou nesse ponto mais alto e falou com autoridade. Ele disse: "… A ousadia de meus planos e medidas pode facilmente ser testada pela pedra de toque da … verdade, pois a verdade é uma questão de fato; e o fato é que, pelo poder de Deus, traduzi o Livro de Mórmon a partir de hieróglifos, cujo conhecimento estava perdido para o mundo; nesse acontecimento maravilhoso, permaneci sozinho, um jovem sem instrução, para combater a sabedoria mundana e a ignorância multiplicada de dezoito séculos com uma nova revelação, que (se aceitassem o evangelho eterno) abriria os olhos de mais de oitocentos milhões de pessoas, e tornaria 'planas as antigas veredas', nas quais, 'se um homem andar em todas as ordenanças de Deus de maneira irrepreensível', herdará a vida eterna. …" (George Q. Cannon, Life of Joseph Smith the Prophet, Deseret Book Co., 1964, p. 460.) ¶
E disse ainda: "Disse aos irmãos que o Livro de Mórmon era o mais correto de todos os livros da terra, e a pedra angular de nossa religião, e que um homem se aproximaria mais de Deus obedecendo aos seus preceitos do que aos de qualquer outro livro." (DHC, vol. 4, p. 461.) ¶
A promessa é para todo homem, de que poderá conhecer a verdade se aceitar o desafio de testá-la pela "pedra de toque da verdade." ¶
Assim também foram as palavras de Jesus: "… A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. ¶
"Se alguém quiser fazer a vontade dele, saberá se a doutrina é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo." (João 7:16–17.) ¶
Assim também foram as palavras de Mórmon: "… eu vos exorto a perguntardes a Deus, o Pai Eterno, em nome de Cristo, se estas coisas não são verdadeiras; e se perguntardes com um coração sincero e com real intenção, tendo fé em Cristo, ele vos manifestará a verdade delas pelo poder do Espírito Santo." (Morôni 10:4.) ¶
Muitas almas que dirigiram suas indagações dessa maneira podem atestar a verdade. ¶
Com certeza, o Livro de Mórmon é um registro puro e sagrado, tendo sido escrito por profetas sob a orientação de nosso Pai Celestial, tendo sido oculto por centenas de anos para o Senhor, tendo sido revelado e traduzido pelo poder de Deus nestes últimos dias. É um registro imaculado, não perturbado pela sabedoria do homem, incorrompido pelos desígnios dos homens — uma luz sobre uma colina, a acenar para que todos venham a Cristo. ¶
Sim, falamos de Mórmon; nós o respeitamos como homem de Deus. Aceitamos sua doutrina registrada como divina. Ele está entre os grandes homens de Deus. Seu grande livro, escrito por mandado divino, permanece sem mácula. É verdade. Seus ensinamentos dão força e alegria ao coração. Contudo, não é provável que Mórmon desejasse que a igreja verdadeira fosse chamada por seu nome, pois ele testificou de Jesus Cristo e de sua missão. ¶
Que possamos refletir sobre o privilégio de sermos membros da Igreja de Jesus Cristo e viver de acordo com seus preceitos, rogo humildemente, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶