Pulpit

Pedra de Toque da Verdade

John H. Vandenberg

Conferência Geral de Abril de 1974·Friday Morning Session·1974-04-01

Conversando com alguns membros da Igreja na conferência de Munique, no verão passado, uma jovem, uma recém-conversa, perguntou: "Já que somos membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, por que nos chamamos mórmons?"

Joseph Fielding Smith, ao responder a uma pergunta semelhante, disse: "Os nefitas criam em Cristo; escreveram e profetizaram a respeito dele e de sua missão, e embora não haja opróbrio algum que possa ser justamente atribuído a quem crê no Livro de Mórmon, não há razão válida para que os Santos dos Últimos Dias se autodenominem 'mórmons' ou chamem a Igreja de 'Igreja Mórmon.' … A missão [da Igreja é] persuadir as pessoas a crer em Cristo, o Filho de Deus, e a se tornarem membros de Sua Igreja — a [verdadeira] igreja de Jesus Cristo [dos Santos dos Últimos Dias]." (Joseph Fielding Smith, Answers to Gospel Questions, Deseret Book Co., 1971, vol. 4, pp. 174–75.)

Uma lembrança me veio à memória, de um incidente em que dois conhecidos de negócios entraram em meu escritório e me cumprimentaram dizendo: "Você é mórmon; diga-nos, de onde vem a palavra Mórmon e qual é o seu significado?" Minha resposta foi: "A palavra Mórmon era o nome de um antigo profeta de Deus. Ele viveu no continente americano poucas centenas de anos depois do advento de Cristo. Ele tinha à sua disposição um registro religioso e histórico contínuo do povo que havia migrado para os continentes americanos e ali vivido por centenas de anos. Mórmon fez um resumo desses registros, que continha a plenitude do evangelho de Jesus Cristo. O registro foi gravado em placas de ouro e depositado numa colina conhecida como Cumorá, localizada no que hoje sabemos ser o estado de Nova York. Nestes últimos dias, sob orientação divina, Joseph Smith obteve as placas e as traduziu pelo poder de Deus. Esse resumo recebeu o título de Livro de Mórmon. O significado da palavra, segundo Joseph Smith, é 'mais bom.'" (Vide Teachings of the Prophet Joseph Smith, p. 300.) Os cavalheiros pareceram interessados, agradeceram e partiram sem mais comentários.

Em retrospecto, tenho relembrado essa experiência e refletido sobre as palavras mais bom, que sem dúvida significam "uma extensão do bem." Joseph Smith, ao comentar o assunto, referiu-se à Bíblia como sendo "boa." Quanto ao Livro de Mórmon, ele declarou: "Convém observar aqui que o Senhor grandemente encorajou e fortaleceu a fé de seu pequeno rebanho, que havia abraçado a plenitude do evangelho eterno, conforme lhes foi revelado no Livro de Mórmon, dando-lhes algumas informações mais amplas sobre as escrituras. …" (Documentary History of the Church, vol. 1, pp. 131–32.)

A história religiosa confirma, por meio da Bíblia, que as verdades mais básicas — (1) a natureza da Trindade e (2) a revelação por meio dos profetas — essenciais à salvação da humanidade, estavam disponíveis aos líderes religiosos ao longo dos séculos antes e depois do advento do Salvador. Contudo, devido a transgressões, houve um afastamento dessas verdades, e cumpriu-se a predição do apóstolo Paulo, que disse: "Ora, rogamo-vos, irmãos, com respeito à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e à nossa reunião com ele,

"que não vos movais facilmente do vosso entendimento, e não vos perturbeis, nem por espírito, nem por palavra, nem por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto.

"Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição." (2 Tessalonicenses 2:1–3.)

O Presidente Joseph Fielding Smith bem resumiu o que havia ocorrido, ao dizer: "Deve-se lembrar que todo o mundo cristão, em 1820, havia perdido a verdadeira doutrina a respeito de Deus. A verdade simples, tão claramente compreendida pelos apóstolos e santos de antigamente, havia se perdido nos mistérios de um mundo apóstata. Todos os antigos profetas e os apóstolos de Jesus Cristo tinham clara compreensão de que o Pai e o Filho eram personagens separados, conforme nossas escrituras tão claramente ensinam. Por meio da apostasia, esse conhecimento se perdeu, e no ano 325 d.C. uma doutrina estranha foi introduzida e logo se espalhou por todo o mundo cristão. Essa doutrina confundiu as pessoas da Trindade e distorceu a verdadeira doutrina de Deus." (Joseph Fielding Smith, Answers to Gospel Questions, vol. 3, p. 117.)

Não há dúvida de que Jesus ensinou a própria natureza de Deus, o Pai, Deus, o Filho, e Deus, o Espírito Santo — três personagens de forma e substância, individuais e distintos. Ele ensinou que o verdadeiro conhecimento da Trindade era essencial à vida eterna. Incluiu, em uma oração a seu Pai celestial: "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (João 17:3.) Outras referências nas escrituras confirmam a individualidade do Espírito Santo. (Vide Mateus 3:16.)

Contudo, à luz dessa verdade, foi introduzida uma "doutrina estranha", de credos feitos pelo homem. Diz um deles: "Há um só Deus, Criador dos céus e da terra, o ser supremo, incorpóreo, incriado, que existe por si mesmo e é infinito em todos os seus atributos. …" Diz outro: "Há um só Deus vivo e verdadeiro, eterno, sem corpo, partes ou paixões; de poder, sabedoria e bondade infinitos." Ainda outro diz: "Deus é como ele se revela. Ele é realidade criativa … Ele é ato expressivo … Ele é poder responsivo … Ele é um só Deus experimentado de forma trinitária." (Alvin R. Dyer, The Meaning of Truth, Deseret Book Co., 1961, p. 50.)

Estes são apenas alguns exemplos da extensão do afastamento dos verdadeiros ensinamentos das escrituras. Ora, o Livro de Mórmon nos dá uma extensão e reafirmação da verdadeira natureza corpórea de um membro da Trindade. Jesus fala ao irmão de Jarede, dizendo: "… portanto mostro-me a vós. …

"… Eis que eu sou Jesus Cristo …

"E nunca me mostrei ao homem que criei, pois nunca homem algum creu em mim como tu tens crido. Não vês que fostes criados à minha própria imagem? …

"Eis que este corpo, que agora vedes, é o corpo de meu espírito; … e assim como te apareço em espírito, também aparecerei a meu povo na carne." (Éter 3:13–16.)

Dois mil anos depois, esse mesmo Jesus veio à terra na mesma forma e disse: "… quem me vê a mim vê o Pai. …" (João 14:9.)

Essa individualidade corpórea foi confirmada pelo Profeta Joseph Smith, que teve a reveladora experiência de ver o Pai e o Filho em forma corpórea e conversar com eles. Ele afirma especificamente: "O Pai tem um corpo de carne e ossos tão tangível como o do homem; o Filho também; mas o Espírito Santo não tem um corpo de carne e ossos, mas é um personagem de Espírito. …" (D&C 130:22.)

Outra verdade básica das escrituras é que Jesus ensinou que sua igreja foi fundada sobre a rocha da revelação (vide Mateus 16:16–18), em harmonia com as palavras do profeta Amós, que declarou: "Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas." (Amós 3:7.)

Parece haver, de modo geral, espanto entre a humanidade de que Deus voltasse a falar nestes últimos dias. "Os céus estão fechados", declaram. Foi um dia sombrio quando os líderes religiosos declararam que a revelação havia cessado e quando presumiram que a humanidade poderia trilhar seu caminho por sua própria sabedoria, apoiando-se no braço da carne. Mas "'o mundo, por sua sabedoria, não conheceu a Deus', de modo que o mundo, por especulação, está destituído de revelação. …" (DHC, vol. 5, p. 400.) Foi um dia glorioso quando a doutrina da revelação foi novamente restaurada à humanidade nestes últimos dias.

Novamente o Livro de Mórmon nos dá essa expansão dessa doutrina:

"Eis que grandes e maravilhosas são as obras do Senhor. Quão insondáveis são as profundezas de seus mistérios! É impossível ao homem descobrir todos os seus caminhos. E nenhum homem conhece os seus caminhos, a não ser que lhe sejam revelados; portanto, irmãos, não desprezeis as revelações de Deus.

"Portanto, irmãos, não procureis aconselhar o Senhor, mas recebei conselho de sua mão. Pois eis que vós mesmos sabeis que ele aconselha com sabedoria, e com justiça, e com grande misericórdia, sobre todas as suas obras." (Jacó 4:8, 10.)

Todo o propósito do evangelho é ensinar aos homens que a coisa mais importante na vida é a própria vida, e que o homem pode buscar a felicidade. "… os homens existem, para que tenham alegria" (2 Néfi 2:25) é o decreto do Senhor. O propósito do Livro de Mórmon é convencer tanto judeus quanto gentios de que Jesus é o Cristo, pois somente por meio dele podem ser obtidos a salvação, a vida eterna e a alegria eterna.

Há grande conforto no conhecimento da verdade, pois a verdade tem a qualidade da certeza e da autoridade. Já se disse que "'nenhum prazer se compara a estar no ponto mais alto da verdade' (uma colina que não se pode dominar, e onde o ar é sempre claro e sereno), 'e ver os erros, os desvios, as brumas e as tempestades no vale abaixo': contanto sempre que essa visão seja acompanhada de compaixão, e não de orgulho soberbo. Certamente é o céu na terra ter a mente do homem movendo-se em caridade, repousando na providência e girando sobre os polos da verdade." (Francis Bacon, "Da Verdade.")

O Profeta Joseph Smith ficou nesse ponto mais alto e falou com autoridade. Ele disse: "… A ousadia de meus planos e medidas pode facilmente ser testada pela pedra de toque da … verdade, pois a verdade é uma questão de fato; e o fato é que, pelo poder de Deus, traduzi o Livro de Mórmon a partir de hieróglifos, cujo conhecimento estava perdido para o mundo; nesse acontecimento maravilhoso, permaneci sozinho, um jovem sem instrução, para combater a sabedoria mundana e a ignorância multiplicada de dezoito séculos com uma nova revelação, que (se aceitassem o evangelho eterno) abriria os olhos de mais de oitocentos milhões de pessoas, e tornaria 'planas as antigas veredas', nas quais, 'se um homem andar em todas as ordenanças de Deus de maneira irrepreensível', herdará a vida eterna. …" (George Q. Cannon, Life of Joseph Smith the Prophet, Deseret Book Co., 1964, p. 460.)

E disse ainda: "Disse aos irmãos que o Livro de Mórmon era o mais correto de todos os livros da terra, e a pedra angular de nossa religião, e que um homem se aproximaria mais de Deus obedecendo aos seus preceitos do que aos de qualquer outro livro." (DHC, vol. 4, p. 461.)

A promessa é para todo homem, de que poderá conhecer a verdade se aceitar o desafio de testá-la pela "pedra de toque da verdade."

Assim também foram as palavras de Jesus: "… A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou.

"Se alguém quiser fazer a vontade dele, saberá se a doutrina é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo." (João 7:16–17.)

Assim também foram as palavras de Mórmon: "… eu vos exorto a perguntardes a Deus, o Pai Eterno, em nome de Cristo, se estas coisas não são verdadeiras; e se perguntardes com um coração sincero e com real intenção, tendo fé em Cristo, ele vos manifestará a verdade delas pelo poder do Espírito Santo." (Morôni 10:4.)

Muitas almas que dirigiram suas indagações dessa maneira podem atestar a verdade.

Com certeza, o Livro de Mórmon é um registro puro e sagrado, tendo sido escrito por profetas sob a orientação de nosso Pai Celestial, tendo sido oculto por centenas de anos para o Senhor, tendo sido revelado e traduzido pelo poder de Deus nestes últimos dias. É um registro imaculado, não perturbado pela sabedoria do homem, incorrompido pelos desígnios dos homens — uma luz sobre uma colina, a acenar para que todos venham a Cristo.

Sim, falamos de Mórmon; nós o respeitamos como homem de Deus. Aceitamos sua doutrina registrada como divina. Ele está entre os grandes homens de Deus. Seu grande livro, escrito por mandado divino, permanece sem mácula. É verdade. Seus ensinamentos dão força e alegria ao coração. Contudo, não é provável que Mórmon desejasse que a igreja verdadeira fosse chamada por seu nome, pois ele testificou de Jesus Cristo e de sua missão.

Que possamos refletir sobre o privilégio de sermos membros da Igreja de Jesus Cristo e viver de acordo com seus preceitos, rogo humildemente, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoJohn H. Vandenberg, “Pedra de Toque da Verdade”, Conferência Geral de Abril de 1974, Friday Morning Session (1974-04-01). Pulpit Vault, 1974-04-vandenberg-touchstone-of-truth. Tradução desta edição, por método de glossário, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).