Pulpit

Discurso Proferido pelo Presidente Marion G. Romney na Reunião dos Serviços de Bem-Estar, Sábado, 6 de Abril de 1974

Marion G. Romney

Conferência Geral de Abril de 1974·Welfare Session·1974-04-01

Irmãos e irmãs, sinto-me humilde ao estar diante desta imensa plateia. Espero que vocês orem ao Senhor para que nos abençoe enquanto falo.

Já se passaram quase quarenta anos desde que fui ordenado bispo. Durante os anos em que presidi como bispo, o Programa de Bem-Estar foi iniciado sob seu nome atual. Os princípios do Programa de Bem-Estar, é claro, têm sido fundamentais na Igreja desde o início. Pelo que já foi dito aqui hoje, vocês sabem, e sem dúvida já sabiam, que agora temos o que chamamos de Serviços de Bem-Estar da Igreja, não apenas o Programa de Bem-Estar. Vocês também ouviram o Irmão Ashton falar dos Serviços de Saúde e dos Serviços Sociais. A origem desses três departamentos foi o Programa de Bem-Estar, o antigo Programa de Bem-Estar por meio do qual a Igreja se comprometeu a cumprir sua responsabilidade, dada por Deus, de cuidar dos pobres da Igreja, e é sobre isso que vou falar nesta manhã. Caso eu não chegue a isso, vocês podem se lembrar de que eu ia falar sobre o Programa de Bem-Estar, o cuidado com os pobres.

No momento presente, precisamos dar ênfase a este programa. Por muitos anos após a inauguração do programa, um representante de Bem-Estar, membro do Comitê Geral de Bem-Estar da Igreja, esteve presente em todas as conferências de estaca. Percorremos a Igreja quatro vezes por ano, ensinando o programa. O Presidente Lee, naquela época, como vocês se lembram, era o diretor administrativo; o Presidente Moyle era o presidente do programa; e o Presidente Clark, o membro da Primeira Presidência designado para levar adiante aquele trabalho. Houve um programa intensivo, um programa de treinamento, por quase vinte anos. Durante quinze anos, percorremos a Igreja todos os anos, visitando cada presidente de estaca em reuniões regionais, e apresentamos este programa. Nos últimos anos não tivemos aquele programa intensivo de treinamento, e suponho que há muitos bispos aqui hoje que nunca foram treinados nos fundamentos do Programa de Bem-Estar. Dedicarei, portanto, o que tenho a dizer nesta manhã aos fundamentos. O que digo pode ser familiar para muitos de vocês, mas não fará mal lembrá-los. Alguém disse: "É mais importante ser lembrado do que ser ensinado." Nunca me canso de ensinar a verdade. Ao ler as escrituras, vejo que o Senhor ensinou Adão na mesma linguagem com que ensinou o Profeta Joseph Smith, e em todas as dispensações intermediárias.

De início, gostaria de alertar vocês, bispos, que têm a responsabilidade de implementar e administrar o programa, para que sejam cuidadosos e sensatos ao ajudar pessoas em trânsito. Recebemos relatos de que certos indivíduos, e às vezes famílias, viajaram por todos os Estados Unidos e pela Europa, apresentando-se a presidentes de ramo nas missões e a bispos nas alas como Santos dos Últimos Dias dignos e necessitados de ajuda. Recomendamos que vocês se certifiquem de que as pessoas em trânsito que pedem assistência de bem-estar se identifiquem devidamente. Uma boa prática é pedir-lhes o nome do bispo de sua ala natal e então ligar para ele. Não queremos ser ásperos com os filhos do nosso Senhor, nem tampouco queremos ser enganados. Por favor, atentem para este assunto.

Voltemos agora nossa atenção para a obrigação da Igreja de cuidar dos pobres do Senhor. A Igreja tinha pouco menos de nove meses de existência quando o Senhor deu a instrução de que ela deveria cuidar dos pobres. Em 2 de janeiro de 1831, na revelação registrada na Seção 38 de Doutrina e Convênios, o Senhor disse:

"E para vossa salvação dou-vos um mandamento, pois ouvi vossas orações; e os pobres têm-se queixado perante mim e os ricos fiz eu; e toda carne é minha e não faço acepção de pessoas.

"E fiz rica a Terra e eis que é o meu escabelo; portanto, sobre ela tornarei a ficar de pé.

"E vos ofereço e considero apropriado dar-vos maiores riquezas, sim, uma terra de promissão, uma terra que mana leite e mel, …

"E dá-la-ei a vós, como terra de vossa herança, se a buscardes de todo o coração.

"Portanto, ouvi a minha voz e segui-me, …

"E que todo homem estime a seu irmão como a si mesmo e pratique a virtude e a santidade diante de mim.

"E novamente vos digo: Que todo homem estime a seu irmão como a si mesmo.

"Pois qual é o homem entre vós que, tendo doze filhos que o servem obedientemente e não faz acepção deles, diz a um: Veste-te com mantos e senta-te aqui; e ao outro: Veste-te com trapos e senta-te acolá — e, olhando para seus filhos, diria: Sou justo?

"Eis que isto vos dei como parábola e é como eu sou. Digo-vos: Sede um; e se não sois um, não sois meus." (D&C 38:16–19, 22, 24–27.)

Eu sei que citamos esta escritura em muitos sentidos, aplicando-a a diferentes circunstâncias, e com razão; mas, quando foi dada, o Senhor estava falando sobre a igualdade econômica que ele desejava que prevalecesse entre seu povo.

"E agora dou à igreja, nesta região, o mandamento de designar certos homens; e serão designados pela voz da igreja;

"E eles cuidarão dos pobres e necessitados e ministrar-lhes-ão auxílio para que não sofram; …" (D&C 38:34–35.)

Esta revelação, como já foi dito, foi dada no segundo dia de janeiro de 1831. Na semana seguinte, apenas sete dias depois, em outra revelação, o Senhor disse:

"Se me amares, servir-me-ás e guardarás todos os meus mandamentos.

"E eis que te lembrarás dos pobres e consagrarás de tuas propriedades, para sustento deles …" (D&C 42:29–30.)

E então ele acrescentou esta grande verdade:

"E se deres de teus bens aos pobres, a mim o farás; [Então ele explicou como as contribuições deveriam ser tratadas.] e eles serão entregues ao bispo de minha igreja e seus conselheiros, …" (D&C 42:31.)

No mês seguinte, o Senhor voltou a tratar deste assunto. Evidentemente, os irmãos haviam sido um tanto negligentes. Não haviam agido com a devida rapidez.

"Eis que vos digo que deveis visitar os pobres e os necessitados e ministrar-lhes auxílio, …" (D&C 44:6.)

Quatro meses depois, o Senhor chamou alguns dos irmãos para irem de Kirtland ao Condado de Jackson, no Missouri. O Profeta foi com eles. Tiveram que percorrer entre 1.000 e 1.200 milhas. Percorreram parte do caminho a pé. O próprio Profeta caminhou quase toda a distância de St. Louis até o Condado de Jackson — cerca de 300 milhas. Na revelação que os instruía a ir, o Senhor disse:

"E em todas as coisas lembrai-vos dos pobres e necessitados, dos doentes e dos aflitos, porque aquele que não faz estas coisas não é meu discípulo." (D&C 52:40.)

Tenho pensado muitas vezes sobre este mandamento. Esses homens que iam partir naquela jornada eram homens pobres e novos na Igreja. Mas, mesmo nessas circunstâncias, o Senhor lhes disse que, se não cuidassem dos pobres, não seriam seus "discípulos".

Como já citado, o Senhor nos disse como pretende que cuidemos dos pobres. Como já mencionei, a escritura diz que os meios para cuidar dos pobres devem ser colocados nas mãos do bispo. Na Seção 104 de Doutrina e Convênios, o Senhor nos diz que devemos obter os meios humilhando os ricos, e que devemos distribuí-los de tal maneira que exaltem os pobres.

"Eu, o Senhor", diz ele, "estendi os céus e formei a Terra, obra de minhas mãos; e todas as coisas que neles há são minhas." (D&C 104:14.)

Tudo o que vocês têm e eu tenho, e que toda outra pessoa neste mundo tem, nós detemos como mordomos. Todas as coisas pertencem ao Senhor, e ele está nos dizendo como espera que as utilizemos.

"E é meu propósito suprir a meus santos", continua ele, "pois todas as coisas são minhas.

"Mas é necessário que seja feito a meu modo; e eis que este é o modo que eu, o Senhor, decretei para suprir meus santos, para que os pobres sejam aumentados naquilo que os ricos são diminuídos.

"Pois a Terra está repleta e há bastante e de sobra; …" (D&C 104:15–17.)

Não precisamos dar ouvidos à falsa doutrina de que devemos limitar a população desta terra. A terra foi feita pelo Senhor, e ele fez o suficiente para todos. O que nós, seus filhos, precisamos é seguir sua orientação ao usá-la.

"Pois a Terra está repleta e há bastante e de sobra; sim, preparei todas as coisas e permiti que os filhos dos homens fossem seus próprios árbitros." (D&C 104:17.)

Aqui está outra declaração digna de profunda reflexão por parte de todo membro desta Igreja, e do mundo:

"Portanto, se algum homem tomar da abundância que fiz e não repartir sua porção com os pobres e os necessitados, de acordo com a lei de meu evangelho, ele, com os iníquos, erguerá seus olhos no inferno, estando em tormento." (D&C 104:18.)

Há alguma dúvida em sua mente sobre a seriedade que o Senhor atribui a este princípio de cuidar dos pobres? Por esta escritura, fica claro que os ricos devem ser diminuídos, trazidos à humildade em igualdade com os pobres, dando de seus bens para o cuidado dos pobres. Hoje, a lei da Igreja quanto ao que devemos dar para o cuidado dos pobres inclui o dízimo, as ofertas de jejum e a produção de bem-estar. No início da década de 1830, o Senhor revelou e orientou os santos a viverem a Ordem Unida. Isso exigia que todo homem transferisse sua propriedade para a Igreja. O bispo, por sua vez, devolvia a cada homem sua herança, para que ele pudesse cuidar de si mesmo e entregar o excedente à Igreja. Os santos, porém, não conseguiram viver essa lei, e por isso perderam sua herança em Sião, no Condado de Jackson, Missouri. Foram expulsos. Depois disso, o Senhor substituiu essa lei pelo grande princípio do dízimo. O dízimo não é uma contribuição voluntária, irmãos e irmãs. O dízimo é uma lei de Deus para este povo. Ele diz que aqueles que não guardarem a lei do dízimo não permanecerão no dia de sua vinda. O Presidente Brigham Young gravou este fato em minha mente — ao menos, fiquei impressionado quando li sua declaração:

"Dizem que excluímos as pessoas da Igreja por não pagarem o dízimo; nunca fizemos isso, mas deveriam ser excluídas. Deus não as tem em comunhão." (Discourses of Brigham Young, ed. 1954, p. 177.)

Era assim que costumavam pregar sobre o dízimo nos primeiros dias da Igreja. Tenho a impressão de que estavam bastante certos.

Depois veio a lei do jejum. Já ouvimos falar sobre isso hoje. Devemos ser honestos ao pagar o dízimo e devemos ser generosos ao contribuir com ofertas de jejum para o cuidado dos pobres.

Depois há a produção de bem-estar. Por toda esta Igreja temos projetos de produção. Houve um tempo em que, comissionado pela Primeira Presidência, percorri a Igreja todos os anos, por quinze anos ou mais. Minha incumbência era assegurar que toda ala da Igreja tivesse um projeto de bem-estar, ou participação em um projeto, no qual pudessem ser produzidas as necessidades da vida.

Vocês, bispos e presidentes de ramo aqui presentes, poderiam levantar as mãos? [Um mar de mãos se levantou.] Isso é bastante bom. Quantos de vocês têm um projeto de bem-estar? Quantos de vocês poderiam, com seu projeto de bem-estar, sustentar seu povo por seis meses ou um ano se não houvesse transporte? Ouvi essa pergunta feita ao povo há vinte e cinco anos pelo Presidente Clark. O tempo para o qual este Programa de Bem-Estar foi estabelecido ainda não chegou. Pode ser que, em algum momento futuro, sobrevivamos ou passemos fome com o que pudermos produzir por nós mesmos. Quero que vocês levem este assunto a sério. Todo bispo desta Igreja, exceto nas estacas recém-estabelecidas em lugares do mundo onde ainda não organizamos plenamente a Igreja, deveria ter participação em um projeto de bem-estar, um projeto de produção onde vocês possam produzir alimentos e outras necessidades da vida com as quais possamos sustentar nosso povo. Quantos de vocês, bispos, sabem quantos membros de sua ala têm em seu armazenamento o suficiente para atravessar um período de necessidade, quando não pudessem obter coisas na mercearia? Estes são tempos sérios, como sabe todo homem com um mínimo de visão. Se vocês lerem a Seção 45 de Doutrina e Convênios, poderão ler sobre os sinais que precederão a vinda do Mestre. Ele está dando orientação nesta obra, que devemos seguir para estarmos preparados. Devemos ser independentes de toda outra criatura abaixo do reino celestial.

Bem, agora é melhor eu voltar às minhas anotações, ou não direi exatamente as coisas que devo dizer. Mas estou falando sério sobre isso. Fui inoculado com o Programa de Bem-Estar por quarenta anos. Ouvi seu anúncio deste púlpito quando foi iniciado.

Falamos sobre como os ricos são diminuídos. Eles se tornam humildes, submissos e obedientes aos mandamentos do Senhor ao darem de seus bens generosamente — ao darem ao bispo para o cuidado dos pobres. Como se exaltam os pobres à medida que recebem? Bem, há apenas uma maneira de fazer isso, e é tornando-os autossuficientes. Nenhum homem tem respeito próprio quando é receptor de esmola. Se há algo que ele possa fazer, ele quer fazê-lo. Este programa não foi criado apenas para alimentar, abrigar e vestir pessoas; foi criado para formar pessoas que sejam Santos dos Últimos Dias merecedores de respeito próprio. A Primeira Presidência disse, naquela época,

"Nosso propósito primordial [Isso disseram lá em 1936, referindo-se ao Programa de Bem-Estar.] era estabelecer, na medida do possível, um sistema pelo qual a maldição da ociosidade fosse eliminada, os males da esmola fossem abolidos, e a independência, a diligência, a economia e o respeito próprio fossem restabelecidos entre nosso povo. O objetivo da Igreja é ajudar as pessoas a ajudarem a si mesmas. O trabalho deve ser reentronizado como o princípio governante das vidas dos membros de nossa Igreja." (Welfare Plan Handbook of Instructions, 1952.)

Como as nações do mundo se afastaram dessa posição! "Consiga de graça se puder" é amplamente aceito no mundo, mas em A Igreja de Jesus Cristo a responsabilidade recai sobre todo homem, sob o mandato de Deus, de sustentar a si mesmo e sua família em toda a extensão de sua capacidade. A realização deste objetivo é a tarefa mais urgente que temos em nosso Programa de Bem-Estar. Produzir as necessidades da vida é simples e fácil comparado com distribuir essas necessidades de maneira a exaltar os pobres. Uma das principais razões para o estabelecimento de projetos de produção de bem-estar, no início deste programa, foi proporcionar emprego àqueles que estavam desempregados. Devemos enfatizar e reenfatizar este aspecto de nosso trabalho de bem-estar. Na medida do possível, os projetos de produção de bem-estar devem ser planejados de modo que possam, em grande parte, ser operados por aqueles que utilizarão a sua produção. Nossos edifícios e nossos terrenos, nosso gado, toda a nossa propriedade podem proporcionar oportunidade de trabalho às pessoas necessitadas. Nosso objetivo, repito, é formar pessoas e cumprir o propósito para o qual o programa foi estabelecido. Prover para pessoas que são capazes de trabalhar, sem lhes proporcionar a oportunidade de trabalhar, é uma prática ruim. Sobre este assunto, chamo a atenção de vocês para estas palavras do Presidente Brigham Young.

"Minha experiência me ensinou", diz ele, "e tornou-se um princípio para mim, que nunca é benéfico dar, simplesmente, a um homem ou mulher, dinheiro, alimento, roupa, ou qualquer outra coisa, se são capazes fisicamente e podem trabalhar e ganhar o que precisam, quando há algo na terra para eles fazerem. Este é o meu princípio, e procuro agir de acordo com ele. Seguir um caminho contrário arruinaria qualquer comunidade no mundo e faria dela ociosos." (Discourses of Brigham Young, ed. 1954, 274.)

E, em outra ocasião, disse ele:

"Dar ao ocioso é tão perverso quanto qualquer outra coisa. Nunca dê nada ao ocioso." (Ibid., 275.)

Esse é o homem que não trabalha quando tem oportunidade.

Concordo, no entanto, com a declaração do Presidente Clark:

"Estamos convencidos de que nosso povo não é ocioso e não tem desejo de conseguir algo de graça, de nenhuma fonte; que, ao contrário, eles não apenas desejam, mas acolhem a oportunidade de trabalhar por aquilo que recebem."

Nenhum esforço deve ser poupado para encontrar trabalho para os desempregados, em troca da assistência que lhes é concedida. Todo esforço possível deve ser feito para preservar a força moral do nosso povo.

Que Deus os abençoe; oro em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoMarion G. Romney, “Discurso Proferido pelo Presidente Marion G. Romney na Reunião dos Serviços de Bem-Estar, Sábado, 6 de Abril de 1974”, Conferência Geral de Abril de 1974, Welfare Session (1974-04-01). Pulpit Vault, 1974-04-romney-address-given-by-president-marion-g-romney-at-the-welfare-services-meeting-saturday-april-6-1974. Tradução desta edição, por método de glossário, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).