Pulpit

Cremos em Tudo o que Deus Revelou

Boyd K. Packer

Conferência Geral de Abril de 1974·Sunday Morning Session·1974-04-01

Fui inspirado, como certamente também o foram vocês, pelas palavras de nosso amado Presidente Romney, ao abrir-nos esta manhã as revelações sobre o tema do Espírito Santo.

Num mundo que é instável, agradeço a Deus pelo fluxo constante de revelação para a Igreja. Nesta conferência, sustentamos um novo profeta, vidente e revelador. Sou tão grato por termos um profeta autorizado a receber revelação de Deus.

Sou grato, também, por a revelação não se restringir ao profeta. Ela é compartilhada pelas Autoridades Gerais. E, em todo o mundo, os líderes locais constantemente relatam a orientação que recebem quando têm decisões a tomar ou quando precisam de mais luz e conhecimento.

Pais e mães também podem receber inspiração, revelação, de fato, por meio daquele instrumento mencionado pelo Irmão Romney, para ajudá-los a guiar suas famílias. E, é claro, cada um de nós, se vivermos de acordo, pode ser receptor de comunicações espirituais para nossa própria orientação pessoal.

Os profetas do passado registraram suas revelações. E, junto com a história sagrada que envolve a maneira como foram dadas, elas constituem as escrituras. A Bíblia é, naturalmente, o exemplo mais conhecido. Na Igreja fazemos algo que muito poucos ainda fazem: lemos a Bíblia.

E somos abençoados com outras escrituras, também livros de revelação: o Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e Pérola de Grande Valor.

Quando anunciamos que temos escrituras além da Bíblia, naturalmente nos perguntam: “Bem, onde vocês conseguiram essas revelações? De onde vieram esses livros?”

Em resposta a essas perguntas, falamos de imediato da tradução, pelo uso do Urim e Tumim, de registros preparados por profetas antigos; falamos de visões; falamos de visitas de mensageiros angélicos vindos da presença de Deus; e falamos, sem hesitação, de entrevistas com o próprio Senhor.

Muitos consideram essas explicações histórias estranhas e hesitam até mesmo em parecer levá-las a sério. Rejeitam a ideia de que os processos de revelação, que eram tidos como corriqueiros nos tempos bíblicos, operem hoje.

Temos, no entanto, essas escrituras. Nós as obtivemos de algum lugar. Dizemos: “Manuseiem-nas; leiam-nas; testem-nas. Vejam por si mesmos.” Infelizmente, a maioria dos homens reluta até mesmo em examiná-las.

Eles me fazem lembrar as personagens de uma parábola escrita há alguns anos pelo Dr. Hugh Nibley. E gostaria de citar parte de sua parábola:

“Um rapaz certa vez, há muito tempo, afirmou ter encontrado um grande diamante em seu campo enquanto arava. Ele colocou a pedra em exposição ao público, gratuitamente, e todos tomaram partido. Um psicólogo demonstrou, citando alguns estudos de caso famosos, que o rapaz sofria de uma forma bem conhecida de delírio. Um historiador demonstrou que outros homens também já haviam afirmado ter encontrado diamantes em campos e haviam sido enganados. Um geólogo provou que não havia diamantes na região, apenas quartzo: o rapaz fora enganado por um quartzo. Quando convidado a inspecionar a própria pedra, o geólogo recusou-se, com um sorriso cansado e tolerante, e um gentil balançar de cabeça. Um professor de inglês demonstrou que o rapaz, ao descrever sua pedra, usara exatamente a mesma linguagem que outros haviam usado para descrever diamantes brutos: ele estava, portanto, simplesmente falando a linguagem comum de seu tempo. Um sociólogo demonstrou que apenas três em cada 177 assistentes de floristas em quatro grandes cidades acreditavam que a pedra fosse genuína. Um clérigo escreveu um livro para demonstrar que não fora o rapaz, mas outra pessoa, quem encontrara a pedra.

“Finalmente, um joalheiro pobre … apontou que, uma vez que a pedra ainda estava disponível para exame, a resposta à pergunta de saber se era ou não um diamante nada tinha a ver com quem a havia encontrado, ou se quem a encontrou era honesto ou são, ou quem acreditava nele, ou se ele saberia distinguir um diamante de um tijolo, ou se diamantes já haviam sido encontrados em campos, ou se as pessoas já haviam sido enganadas por quartzo ou vidro, mas deveria ser respondida simples e unicamente submetendo a pedra a certos testes bem conhecidos para diamantes. Especialistas em diamantes foram chamados. Alguns deles a declararam genuína. Os outros fizeram piadas nervosas a respeito e declararam que não poderiam bem arriscar sua dignidade e reputação parecendo levar o assunto a sério demais. Para esconder a má impressão assim causada, alguém apresentou a teoria de que a pedra era, na verdade, um diamante sintético, muito habilmente feito, mas ainda assim uma farsa. A objeção a isso é que a produção de um bom diamante sintético, para o rapaz da fazenda, teria sido um feito ainda mais notável do que a descoberta de um diamante verdadeiro.” (Lehi in the Desert and the World of the Jaredites, Bookcraft, 1952, pp. 136–37.)

O fato é que temos esses livros de escritura. Nós os obtivemos, repito, de algum lugar.

Ao longo dos anos, tem havido muitas explicações e teorias sobre a origem deles. Essas teorias, apresentadas, em sua maioria, por pessoas que nunca sequer leram os livros, geralmente se agrupam em torno da ideia de que Joseph Smith os produziu; que o próprio Joseph Smith os escreveu. A ele, então, caberia a culpa.

Isso, porém, atribui-lhe crédito demais e o superestima em muito. Isso não posso aceitar, pois isso faria dele um gênio além de qualquer medida. Não creio que ele fosse isso. Supor que ele os produziu sem ajuda e sem inspiração é absurdo.

A verdade é, simplesmente, que ele era um profeta de Deus — nada mais, e nem um pouco menos!

As escrituras não vieram tanto de Joseph Smith quanto vieram através dele. Ele foi um conduto por meio do qual as revelações foram dadas. Fora isso, ele era um homem comum, como o eram os profetas nos tempos antigos e como o são os profetas em nossos dias.

Alguns têm alegado que esses livros de revelação são falsos, e apresentam como prova as mudanças ocorridas nos textos dessas escrituras desde sua publicação original. Citam essas mudanças, das quais há muitos exemplos, como se eles próprios estivessem anunciando uma revelação. Como se fossem os únicos a saber delas.

É claro que houve mudanças e correções. Qualquer um que tenha feito até mesmo uma pesquisa limitada sabe disso. Quando devidamente analisadas, tais correções tornam-se um testemunho a favor, e não contra, a veracidade dos livros.

O Profeta Joseph Smith era um rapaz de fazenda sem instrução escolar. Ler algumas de suas primeiras cartas no original revela que ele era um tanto rude na ortografia, na gramática e na expressão.

Que as revelações viessem por meio dele com qualquer grau de refinamento literário nada mais é que um milagre. Que algum aperfeiçoamento continue a ocorrer fortalece meu respeito por elas.

Agora, acrescento com ênfase que tais mudanças têm sido basicamente pequenos ajustes de gramática, expressão, pontuação e clareza. Nada fundamental foi alterado.

Por que não se fala delas do púlpito? Simplesmente porque, em comparação, são tão insignificantes e sem importância a ponto de literalmente não valer a pena falar sobre elas. Afinal, não têm absolutamente nada a ver com a veracidade dos livros.

Depois de compilar algumas das revelações, o antigo profeta Morôni disse: “… se há falhas, serão falhas de um homem. Mas eis que não conhecemos falha alguma; não obstante, Deus conhece todas as coisas; portanto, aquele que condena, que tenha cuidado para não se expor ao perigo do fogo do inferno.” (Mórmon 8:17.) “E aqueles que receberem este registro e não o condenarem por causa das imperfeições que contém, conhecerão coisas maiores do que estas. …” (Mórmon 8:12.)

Um homem poderia pegar uma pedra e, para verificar precisamente o que ela é, submetê-la a um teste para identificar ardósia ou arenito. Depois de realizar esses testes, ele pode concluir sua pesquisa com a afirmação: “Não descobri que fosse um diamante.”

Sua conclusão, embora precisa, nada tem a ver com o fato de ser ou não um diamante. Tampouco será jamais verificada usando-se a fórmula errada. Pode haver mil testes que ele aplique e chegue à mesma conclusão.

Depois, e somente depois, de submeter a pedra à fórmula correta é que ele poderá saber com certeza. Até lá, sua conclusão, “Não descobri que fosse um diamante”, é uma informação relativamente inútil.

Ao longo dos anos, tem havido uma interminável procissão daqueles que examinariam essas revelações por toda fórmula, exceto a certa. Cada um deles se torna prova, como disse Paulo, de que “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porquanto se discernem espiritualmente.” (1 Coríntios 2:14.)

Esses diamantes das escrituras, como os descrevemos, resistirão ao teste. Assim como um homem pode determinar se um suposto diamante é genuíno submetendo-o a testes bem conhecidos para diamantes, as escrituras podem ser submetidas a testes bem conhecidos para escrituras.

Existe uma fórmula muito precisa. Para aplicá-la, é necessário passar da crítica para a investigação espiritual.

Há aqueles que fizeram um esforço casual, até mesmo insincero, para testar as escrituras e saíram sem nada ter recebido, o que é precisamente o que ganharam e o que merecem. Se vocês pensam que isso cederá a uma investigação casual, a uma curiosidade ociosa, ou mesmo a uma busca bem-intencionada, porém temporária, estão enganados. Tampouco cederá ao excessivamente zeloso ou ao fanático.

É quando uma vida inteira é dedicada, silenciosamente, com sinceridade e humildade, que se pode saber com certeza. Muitos elementos da verdade vêm somente após uma vida inteira de preparação.

Um testemunho delas, contudo, pode vir muito rapidamente. Não subestimem a possibilidade de que muitas pessoas humildes, jovens e idosas, possuam tal testemunho. Muitas possuem um testemunho que transcende o conhecimento a ser obtido nos campos acadêmico e científico. Quando um homem humilde presta testemunho baseado em investigação espiritual e vida reta, tenham cuidado antes de repudiar seu testemunho só porque ele é, de outra forma, iletrado.

Muito gigante acadêmico é, ao mesmo tempo, um pigmeu espiritual e, sendo assim, costuma ser também um fraco moral. Tal homem pode facilmente tornar-se membro autonomeado de uma equipe de demolição decidida a destruir as obras de Deus.

Cuidado com o testemunho de quem é intemperante, ou irreverente, ou imoral, que derruba e não tem nada para pôr em seu lugar.

O profeta Néfi disse: “… os culpados consideram, portanto, a verdade dura, porque penetra-lhes até o âmago.” (1 Néfi 16:2.)

Esse antigo profeta disse que não era “poderoso no escrever como o sou no falar; porque quando um homem fala pelo poder do Espírito Santo, o poder do Espírito Santo leva as suas palavras ao coração dos filhos dos homens.

“Mas eis que muitos há que endurecem o coração contra o Santo Espírito, de modo que neles não encontra espaço; portanto, lançam fora muitas coisas que estão escritas e consideram-nas sem importância.” (2 Néfi 33:1–2.)

Ele disse ainda que as palavras que havia escrito tinham o propósito de persuadir os homens a fazer o bem e “falam de Jesus, persuadindo-os a acreditar nele e a perseverar até o fim, que é vida eterna.

“E falam asperamente contra o pecado, segundo a clareza da verdade; portanto, nenhum homem se zangará com as palavras que escrevi, a não ser que ele seja do espírito do diabo.” (2 Néfi 33:4–5.)

Há uma advertência no Novo Testamento digna de nossa atenção. Pedro e os demais apóstolos foram presos pelo Sinédrio. Foram libertados por um anjo, mas compareceram uma segunda vez diante daquele conselho. Deram testemunho de que “… somos testemunhas acerca dessas palavras, e também o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem.” (Atos 5:32.)

Alguns do Sinédrio buscavam matar os apóstolos, mas Gamaliel, um mestre da lei, sabiamente disse: “Homens israelitas, acautelai-vos quanto ao que haveis de fazer acerca desses homens.” (Atos 5:34–35.) Ele então citou dois exemplos de pregadores que “também pereceram; e todos, tantos quantos lhes obedeceram, foram dispersos.

“… Afastai-vos desses homens, e deixai-os”, advertiu Gamaliel, “… porque, se esse desígnio, ou essa obra, é de homens, se desfará:

“Mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la; para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus.” (Atos 5:37–39.)

A revelação continua na Igreja: o profeta a recebendo para a Igreja; o presidente para sua estaca, sua missão ou seu quórum; o bispo para sua ala; o pai para sua família; o indivíduo para si mesmo.

Muitas revelações foram recebidas e se encontram evidenciadas na obra sempre crescente do Senhor. Talvez um dia outras revelações que foram recebidas e registradas venham a ser publicadas, e vivemos na expectativa de que “… Ele ainda revelará muitas coisas grandiosas e importantes relativas ao Reino de Deus.” (Regras de Fé 1:9.)

Concluo com um versículo de Doutrina e Convênios que contém em si uma fórmula e uma promessa:

“Em verdade, assim diz o Senhor: Acontecerá que toda alma que abandonar os seus pecados e vier a mim, e invocar o meu nome, e obedecer à minha voz, e guardar os meus mandamentos verá a minha face e saberá que eu sou.” (D&C 93:1.)

Não convido ninguém a tornar-se um buscador de sinais, mas a preparar uma mente, um coração e um corpo que sejam puros.

“Portanto”, disse o Senhor, “santificai-vos, para que vossa mente concentre-se em Deus; e dias virão em que o vereis, porque ele vos desvendará sua face; e será em seu próprio tempo e a seu próprio modo e de acordo com sua própria vontade.” (D&C 88:68.)

Presto testemunho de que as revelações são verdadeiras. Eu as testei. Sentam-se diante de nós, nesta conferência, as Autoridades Gerais da Igreja, quinze homens dentre elas chamados e ordenados apóstolos, como testemunhas especiais do Senhor Jesus Cristo. Presto testemunho de que ele vive. Tenho esse testemunho, e testifico que o evangelho de Jesus Cristo é o poder para a salvação, e que cada um de nós, ao buscar, pode saber que esses diamantes são genuínos, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoBoyd K. Packer, “Cremos em Tudo o que Deus Revelou”, Conferência Geral de Abril de 1974, Sunday Morning Session (1974-04-01). Pulpit Vault, 1974-04-packer-we-believe-all-that-god-has-revealed. Tradução desta edição, por método de glossário, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).