Pulpit

Os Caminhos que Jesus Andou

Thomas S. Monson

Conferência Geral de Abril de 1974·Saturday Morning Session·1974-04-01

Meus amados irmãos e irmãs, meu coração transborda de alegria. Neste dia memorável, vós e eu fomos participantes do Espírito do Senhor Jesus Cristo. Esta é a Sua igreja. Ela traz o Seu nome. Seu profeta elevou cada um de nós além das cadeias desta terra até os altos céus. Nossas mãos levantadas são sustentadas por nossos corações comprometidos. O reino de Deus avança em seu curso inabalável e eterno.

Num dia frio de dezembro passado, reunimo-nos neste histórico Tabernáculo para prestar honra e tributo a um homem que amamos, honramos e seguimos — o Presidente Harold B. Lee. Profético em sua palavra, poderoso em sua liderança, devotado em seu serviço, o Presidente Lee inspirou em todos nós o desejo de alcançar a perfeição. Ele nos aconselhou: "Guardai os mandamentos de Deus. Segui a senda do Senhor."

Um dia depois, numa sala muito sagrada, num andar superior do Templo de Salt Lake, seu sucessor foi escolhido, sustentado e mandado separar para seu sagrado chamado. Incansável em seu labor, humilde em suas maneiras, inspirador em seu testemunho, o Presidente Spencer W. Kimball convidou-nos a continuar o curso traçado pelo Presidente Lee. Ele proferiu as mesmas palavras penetrantes: "Guardai os mandamentos de Deus. Segui a senda do Senhor. Andai em Suas pisadas."

Mais tarde, naquela mesma noite, aconteceu de eu olhar para um folheto de viagens que chegara à minha casa alguns dias antes. Era impresso em cores deslumbrantes e escrito com hábil poder de persuasão. O leitor era convidado a visitar os fiordes da Noruega e os Alpes da Suíça, tudo num único pacote de viagem. Uma outra oferta acenava ao leitor rumo a Belém — a própria Terra Santa — berço do cristianismo. As linhas finais da mensagem do folheto continham o apelo simples, porém poderoso: "Venha e ande por onde Jesus andou."

Meus pensamentos voltaram ao conselho que os profetas de Deus — o Presidente Lee e o Presidente Kimball — haviam dado: "Segui a senda do Senhor. Andai em Suas pisadas." Refleti sobre as palavras escritas pelo poeta:

Andei hoje por onde Jesus andou,

Em dias há muito passados;

Percorri cada senda que Ele conheceu,

Com passo reverente e lento.

Essas pequenas veredas não mudaram —

Uma doce paz preenche o ar.

Andei hoje por onde Jesus andou,

E senti Sua presença ali.

Meu caminho me levou por Belém,

Ah, lembranças sempre doces;

As pequenas colinas da Galileia,

Que conheceram aqueles pés de criança;

O Monte das Oliveiras: cenas sagradas

Que Jesus já conhecera.

Vi o poderoso Jordão correr

Como nos dias de outrora.

Ajoelhei-me hoje onde Jesus se ajoelhou,

Onde, sozinho, Ele orou;

O Jardim do Getsêmani —

Meu coração não sentiu medo!

Tomei meu pesado fardo,

E com Ele a meu lado,

Subi o Monte do Calvário,

Onde, na cruz, Ele morreu!

Andei hoje por onde Jesus andou

E senti-O perto de mim!

—Daniel S. Twohig

Não precisamos visitar a Terra Santa para senti-lo perto de nós. Não precisamos caminhar pelas margens da Galileia ou pelas colinas da Judeia para andar por onde Jesus andou.

Em sentido muito real, todos podem andar por onde Jesus andou quando, com Suas palavras em nossos lábios, Seu espírito em nosso coração e Seus ensinamentos em nossa vida, percorremos a jornada da mortalidade.

Espero que andemos como Ele andou — com confiança no futuro, com fé permanente em Seu Pai e com amor genuíno pelo próximo.

Jesus andou pelo caminho da decepção.

Podemos avaliar o Seu lamento sobre a Cidade Santa? "Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das suas asas, e não quiseste?" (Lucas 13:34.)

Jesus andou pelo caminho da tentação.

Aquele maligno, reunindo sua maior força, sua sofística mais sedutora, tentou aquele que jejuara quarenta dias e quarenta noites e tinha fome. Veio o escárnio: "… Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se façam pães." A resposta: "Nem só de pão viverá o homem. …" Outra vez: "… Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Ele aos seus anjos ordenará a respeito de ti. …" A resposta: "… Não tentarás o Senhor teu Deus." Ainda outra vez: "… os reinos do mundo, e a glória deles … te darei, se, prostrado, me adorares. …" O Mestre respondeu: "Vai-te, Satanás: porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás." (Mateus 4:3–4, 6–10.)

Jesus andou pelo caminho da dor.

Considerem a agonia do Getsêmani: "… Pai, se queres, passa de mim este cálice; porém não se faça a minha vontade, senão a tua. … E posto em agonia, orava mais intensamente; e o seu suor fez-se como grandes gotas de sangue, que corriam até o chão." (Lucas 22:42, 44.)

E quem, entre nós, pode esquecer a crueldade da cruz. Suas palavras: "… Tenho sede. … Está consumado. …" (João 19:28, 30.)

Sim, cada um de nós andará pelo caminho da decepção, talvez por causa de uma oportunidade perdida, de um poder mal utilizado, ou de um ente querido não instruído. O caminho da tentação também será o caminho de cada um. "E é necessário que o diabo tente os filhos dos homens, ou eles não poderiam ser seus próprios árbitros. …" (D&C 29:39.)

Da mesma forma, andaremos pelo caminho da dor. Não podemos ir ao céu numa cama de plumas. O Salvador do mundo nele entrou depois de grande dor e sofrimento. Nós, como servos, não podemos esperar mais do que o Mestre. Antes da Páscoa, é preciso que haja uma cruz.

Enquanto andamos por esses caminhos que trazem amarga tristeza, podemos também andar pelos caminhos que produzem alegria eterna.

Nós, com Jesus, podemos andar pelo caminho da obediência.

Não será fácil. "Ainda que era Filho, todavia aprendeu a obediência pelas coisas que padeceu." (Hebreus 5:8.) Que nosso lema seja a herança que Samuel nos legou: "… Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender é melhor do que a gordura de carneiros." (1 Samuel 15:22.) Lembremo-nos de que o resultado final da desobediência é o cativeiro e a morte, ao passo que a recompensa da obediência é a liberdade e a vida eterna.

Nós, como Jesus, podemos andar pelo caminho do serviço.

Como um refletor resplandecente de bondade é a vida de Jesus enquanto ministrava entre os homens. Ele trouxe força aos membros do coxo, visão aos olhos do cego, audição aos ouvidos do surdo e vida ao corpo do morto.

Suas parábolas pregam poder. Com o bom samaritano, ensinou: "… amai … o vosso próximo. …" (Lucas 10:27.) Por meio de sua bondade para com a mulher apanhada em adultério, ensinou a compreensão compassiva. Em sua parábola dos talentos, ensinou a cada um de nós a se aperfeiçoar e a buscar a perfeição. Bem pode ser que estivesse nos preparando para nossa jornada por Sua senda. Por que outro motivo aconselharia: "… Vai, e faze da mesma maneira."? (Lucas 10:37.)

Por fim, Ele andou pelo caminho da oração.

Três grandes lições de três orações intemporais. Primeira, de seu ministério: "… Quando orardes, dizei: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. …" (Lucas 11:2.)

Segunda, do Getsêmani: "… não se faça a minha vontade, senão a tua." (Lucas 22:42.)

Terceira, da cruz: "… Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. …" (Lucas 23:34.)

É andando pelo caminho da oração que nos comunicamos com o Pai e nos tornamos participantes de Seu poder.

Teremos nós a fé, e até o desejo, de andar por essas sendas que Jesus andou? O profeta, vidente e revelador de Deus nos convidou, neste dia, a fazê-lo. Tudo o que precisamos fazer é segui-lo, pois esta é a senda que ele percorre.

Meu primeiro contato com este líder profético foi há 24 anos, quando eu servia como jovem bispo aqui em Salt Lake City. Certa manhã, ao atender ao telefone, uma voz disse: "Aqui é o Élder Spencer W. Kimball. Tenho um favor a lhe pedir. Em sua ala, escondida atrás de um grande edifício na Rua Fifth South, há uma pequena casa-trailer. Ali mora Margaret Bird, uma viúva navajo. Ela se sente indesejada, desnecessária e perdida. Poderiam você e a presidência da Sociedade de Socorro procurá-la, estender-lhe a mão da irmandade e proporcionar-lhe uma acolhida especial?" Assim o fizemos.

Um milagre resultou disso. Margaret Bird floresceu em seu ambiente recém-descoberto. O desespero desapareceu. A viúva em sua aflição fora visitada. A ovelha perdida fora encontrada. Cada um que participou desse simples drama humano tornou-se uma pessoa melhor.

Na realidade, o verdadeiro pastor foi o apóstolo solícito que, deixando as noventa e nove ovelhas de seu ministério, foi em busca da alma preciosa que se havia perdido. Spencer W. Kimball andara pela senda que Jesus andou. Ele o fez então. Ele o faz agora.

Ao andarmos, você e eu, pela senda que Jesus andou, escutemos o som de pés calçados de sandálias. Estendamos a mão em busca da mão do Carpinteiro. Então viremos a conhecê-lo. Ele pode vir a nós como alguém desconhecido, sem nome, como antigamente, à beira do lago, veio àqueles homens que não o conheciam. Ele nos diz as mesmas palavras: "… segue-me tu …" (João 21:22), e nos designa a tarefa que Ele tem a cumprir para o nosso tempo. Ele ordena, e àqueles que o obedecem, sejam sábios ou simples, Ele se revelará nas labutas, nos conflitos, nos sofrimentos pelos quais passarão em Sua companhia; e aprenderão, por experiência própria, quem Ele é.

Descobrimos que Ele é mais do que o menino de Belém, mais do que o filho do carpinteiro, mais do que o maior mestre que já viveu. Passamos a conhecê-lo como o Filho de Deus. Ele nunca esculpiu uma estátua, pintou um quadro, escreveu um poema, ou liderou um exército. Ele nunca usou uma coroa, empunhou um cetro, ou lançou sobre os ombros um manto púrpura. Seu perdão era ilimitado, sua paciência inesgotável, sua coragem sem limites. Jesus mudava os homens. Mudava seus hábitos, suas opiniões, suas ambições. Mudava seu temperamento, sua disposição, sua natureza. Mudava o coração dos homens.

Pensa-se no pescador chamado Simão, mais conhecido, para você e para mim, como Pedro, o principal entre os apóstolos. O duvidoso, incrédulo e impetuoso Pedro haveria de lembrar-se da noite em que Jesus foi levado ao sumo sacerdote. Presentes estavam os sacerdotes cuja ganância e egoísmo o Mestre reprovara, os anciãos cuja hipocrisia Ele denunciara, os escribas cuja ignorância Ele expusera. E havia também os saduceus, considerados os oponentes mais cruéis e perigosos. Foi nessa noite que a multidão "… começou a cuspir n['O Salvador], e a cobrir-lhe o rosto, … a dar-lhe socos, … e os servidores davam-lhe bofetadas." (Marcos 14:65.)

Onde estava Pedro, que prometera morrer com Ele e nunca negá-lo? O registro sagrado revela: "… Pedro o seguiu de longe até dentro do pátio do sumo sacerdote, e estava assentado com os servidores, e aquentando-se ao fogo." (Marcos 14:54.) Foi nessa noite que Pedro, em cumprimento da profecia do Mestre, de fato o negou três vezes. Em meio aos empurrões, às zombarias e aos golpes, o Senhor, na agonia de sua humilhação, na majestade de seu silêncio, voltou-se e olhou para Pedro.

Como um cronista descreveu essa mudança: "Foi suficiente. Pedro não conheceu mais perigo algum, não temeu mais a morte. Lançou-se noite adentro ao encontro da aurora. Esse penitente de coração partido ficou diante do tribunal de sua própria consciência, e ali sua vida antiga, sua vergonha antiga, sua fraqueza antiga, seu antigo eu foram condenados àquela morte de tristeza segundo Deus que haveria de resultar em um novo e mais nobre nascimento." (Frederic W. Farrar, The Life of Christ, Portland, Oregon: Farrar Publications, 1964, p. 604.)

Havia também Saulo de Tarso, um erudito, familiarizado com os escritos rabínicos nos quais certos estudiosos modernos encontram tais tesouros. Por algum motivo, esses escritos não atendiam à necessidade de Paulo, que continuava a clamar: "… Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?" (Romanos 7:24.) E então, certo dia, ele encontrou Jesus, e eis que todas as coisas se tornaram novas. Daquele dia até o dia de sua morte, Paulo exortou os homens a que "… se despojassem … do velho homem …" e "… se vestissem do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade." (Efésios 4:22, 24.)

A passagem do tempo não alterou a capacidade do Redentor de mudar a vida dos homens. Como Ele disse ao morto Lázaro, assim Ele nos diz, a você e a mim: "… sai para fora." (João 11:43.) Saia do desespero da dúvida. Saia da tristeza do pecado. Saia da morte da incredulidade. Saia para uma vida nova. Saia.

Ao fazermos isso, e dirigirmos nossos passos pelas sendas que Jesus andou, lembremo-nos do testemunho que Jesus deu: "Eis que eu sou Jesus Cristo, cuja vinda ao mundo foi testificada pelos profetas. … Eu sou a luz e … a vida do mundo. …" (3 Néfi 11:10–11.) "Eu sou o primeiro e o último; sou o que vive, sou o que foi morto; eu sou o vosso advogado junto ao Pai." (D&C 110:4.)

A esse testemunho acrescento o meu: Ele vive. Seu profeta foi sustentado neste dia — o Presidente Spencer W. Kimball. Assim testifico, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoThomas S. Monson, “Os Caminhos que Jesus Andou”, Conferência Geral de Abril de 1974, Saturday Morning Session (1974-04-01). Pulpit Vault, 1974-04-monson-the-paths-jesus-walked. Tradução desta edição, por método de glossário, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).