Nossa Obrigação Fundamental: O Sacerdócio
Robert L. Simpson
Esta noite nos reunimos no que é possivelmente o maior ajuntamento de portadores do sacerdócio na história deste mundo. Permitam-nos parabenizar cada um de vocês por estarem aqui, onde o Senhor gostaria que estivessem. A própria presença de vocês é uma indicação de sua fé e de seu desejo de ser parte vital do reino de Deus. ¶
Nossa mensagem ao mundo é que ele vive, que os céus foram abertos, que a autoridade do sacerdócio foi restaurada e que um profeta vivo está à nossa frente. ¶
Consideramos como escritura aquele capítulo da Pérola de Grande Valor que registra os preciosos pensamentos e palavras do Profeta Joseph Smith ao relatar os acontecimentos surpreendentes ocorridos na primavera de 1820. Ele disse que o fez para "elucidar a mente pública e apresentar, aos que buscam a verdade, os fatos tal como sucederam..." (JS—História 1:1.) Ele afirma ainda: "...apresentarei... com verdade e em retidão..." (JS—História 1:2.) ¶
Vocês devem se lembrar de que, depois de relatar um pouco da história de sua família e comentar sobre a inquietação religiosa na comunidade, o Profeta conta que foi impressionado pela escritura encontrada em Tiago, capítulo 1, versículo 5, que diz: "E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, sem repreensão, e ser-lhe-á dada." Então o Profeta disse: ¶
"Jamais uma passagem de escritura penetrou com mais poder no coração de um homem do que essa, naquele momento, no meu. Pareceu entrar com grande força em cada fibra de meu coração... ¶
"...Finalmente cheguei à conclusão de que teria de pedir a Deus, concluindo que, se ele dava sabedoria aos que tinham falta dela, e concedia-a liberalmente, sem censura, eu podia aventurar-me. ¶
"Assim, seguindo minha determinação de pedir a Deus, retirei-me para um bosque a fim de fazer a tentativa. Foi na manhã de um belo e claro dia, no início da primavera de mil oitocentos e vinte. Era a primeira vez na vida que fazia tal tentativa, pois em meio a todas as ansiedades que tivera, jamais havia experimentado orar em voz alta." (JS—História 1:12–14.) ¶
Isso soa como as palavras de um menino de 14 anos e meio? Então ele disse: ¶
"Depois de me haver retirado para o lugar que previamente escolhera, tendo olhado ao redor e encontrando-me só, ajoelhei-me e comecei a oferecer a Deus os desejos de meu coração. Apenas iniciara, imediatamente se apoderou de mim uma força que me dominou por completo; e tão assombrosa foi sua influência que se me travou a língua, de modo que eu não podia falar. Uma densa escuridão formou-se ao meu redor e pareceu-me, por um momento, que eu estava condenado a uma destruição súbita. ¶
"Mas usando todas as forças para clamar a Deus que me livrasse do poder desse inimigo que me subjugara, no momento exato em que estava prestes a sucumbir ao desespero e abandonar-me à destruição — não a uma ruína imaginária, mas ao poder de algum ser real do mundo invisível, que possuía uma força tão assombrosa como eu jamais sentira em qualquer ser — exatamente nesse momento de grande alarme, vi um pilar de luz acima de minha cabeça, mais brilhante que o sol, que descia gradualmente sobre mim. ¶
"Assim que apareceu, senti-me livre do inimigo que me sujeitava. Quando a luz pousou sobre mim, vi dois Personagens cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição, pairando no ar, acima de mim. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!" (JS—História 1:15–17.) ¶
Agora, irmãos, acabamos de relembrar juntos o acontecimento singular mais significativo do mundo desde a ressurreição do Senhor e Salvador Jesus Cristo. A Primeira Visão é o próprio fundamento desta Igreja, e é minha convicção que cada membro desta Igreja cumpre seu dever na razão direta de seu testemunho pessoal e fé na Primeira Visão. Quão bem vocês creem nessa história? Nenhum homem que ouviu o testemunho de Joseph Smith pode, em sã consciência, permanecer em terreno neutro. ¶
Joseph Smith era um menino comum, com um nome bastante comum, mas estava agora prestes a se tornar um profeta extraordinário. Por nove longos anos após a Primeira Visão, Joseph se preparou para o privilégio do sacerdócio. Como vocês devem se lembrar, foi João Batista quem apareceu nas margens do rio Susquehanna em resposta a uma oração fervorosa oferecida por Joseph Smith e Oliver Cowdery. Quão simples foram as palavras para uma ocasião tão histórica: ¶
"A vós, meus conservos, em nome do Messias, eu confiro o Sacerdócio de Aarão, que possui as chaves do ministério de anjos e do evangelho do arrependimento e do batismo por imersão para remissão dos pecados; e este nunca mais será tirado da Terra, até que os filhos de Levi tornem a fazer, em retidão, uma oferta ao Senhor. ¶
"Disse que esse Sacerdócio Aarônico não tinha o poder de imposição de mãos para o dom do Espírito Santo, mas que isso nos seria conferido mais tarde; e mandou que nos batizássemos, dando instruções para que eu batizasse Oliver Cowdery e depois ele me batizasse. ¶
"Assim," continua o Profeta, "fomos batizados. Eu batizei-o primeiro e, em seguida, ele batizou-me — após o que, coloquei as mãos sobre sua cabeça e ordenei-o ao Sacerdócio Aarônico; e em seguida ele pôs as mãos sobre minha cabeça e ordenou-me ao mesmo sacerdócio — pois assim nos fora mandado." (JS—História 1:69–71.) ¶
Foi apenas algumas semanas depois que Pedro, Tiago e João apareceram para conferir o Sacerdócio de Melquisedeque e o apostolado a esses mesmos dois homens. Essa autoridade do sacerdócio permanece hoje em uma cadeia ininterrupta. Quão reconfortante é saber que a casa de Deus é uma casa de ordem, e que os mesmos grandes líderes de 2.000 anos atrás tiveram o privilégio de restabelecer a verdadeira autoridade do sacerdócio na terra. A sequência lógica dos acontecimentos e as personagens envolvidas ajudam a confirmar a natureza divina de tudo o que se passou naquela ocasião histórica. ¶
Foi no ano seguinte, 1830, que a Igreja foi organizada. Finalmente a verdade foi estabelecida e a revelação contínua foi assegurada. ¶
Então, quase seis anos depois, no Templo de Kirtland, numa tarde de sábado, o próprio Senhor apareceu em visão gloriosa a Joseph e Oliver. Nesse mesmo dia, Moisés, Elias e Elias [o Profeta] também apareceram, cada antigo profeta restaurando uma função importante do evangelho. Ouçam novamente a gloriosa descrição da aparição do Salvador, tal como relatada pelo Profeta Joseph Smith: ¶
"Retirou-se o véu de nossa mente e abriram-se os olhos de nosso entendimento. ¶
"Vimos o Senhor de pé no parapeito do púlpito, diante de nós; e sob seus pés havia um calçamento de ouro puro, da cor de âmbar. ¶
"Os seus olhos eram como uma labareda de fogo; os cabelos de sua cabeça eram brancos como a pura neve; o seu semblante resplandecia mais do que o brilho do sol; e a sua voz era como o ruído de muitas águas, sim, a voz de Jeová..." (D&C 110:1–3.) ¶
O Salvador então proferiu uma mensagem que todos deveríamos ler de vez em quando. Ela está registrada na 110ª seção de Doutrina e Convênios. ¶
Nós, que comparecemos a esta reunião esta noite, aceitamos a obrigação do sacerdócio. O compromisso foi assumido, e realmente não há desculpa para o fracasso, porque "...o Senhor não dá mandamento algum [ou missão] aos filhos dos homens, sem que lhes prepare um caminho para que cumpram aquilo que lhes ordena." (1 Néfi 3:7.) Com uma promessa como essa, realmente não há desculpa para que fracassemos. ¶
Agora, irmãos do sacerdócio, depois de rever essas manifestações divinas — Deus, o Pai; Jesus Cristo, seu Filho; João Batista; Pedro, Tiago e João; e outros antigos profetas —, isso não os deixa entusiasmados com esta grande obra? ¶
Sabendo que esses acontecimentos de fato ocorreram, se eu fosse novamente um jovem diácono, distribuiria o sacramento como se fosse uma das coisas mais importantes que tivesse a fazer durante toda a semana. Cada um dos meus atos e minha aparência estariam em estrita harmonia com a dignidade e a honra da posição confiada a mim pelo Salvador. ¶
A coleta das ofertas de jejum assumiria um significado rico e novo, e eu me lembraria, ao me aproximar de cada lar, de que era o representante pessoal do bispo, de que os pobres e necessitados seriam abençoados mais abundantemente como resultado dos meus esforços para participar do que Tiago descreveu como "religião pura e imaculada." (Ver Tiago 1:27.) ¶
Se eu fosse novamente um jovem mestre ou sacerdote, esforçar-me-ia para ser realmente útil ao meu companheiro de ensino familiar. Tentaria com mais afinco cimentar amizades com os membros que visitamos. Tentaria erguer as pessoas como o Salvador fazia. Minha responsabilidade quanto ao sacramento seria considerada uma rica experiência espiritual, jamais a ser tomada de ânimo leve. Participar de uma ordenança sagrada com algo que não seja nosso mais alto respeito e melhor esforço é um desserviço ao povo da ala e uma traição ao verdadeiro Espírito de Cristo. ¶
Se eu fosse um de vocês, jovens adultos com mais de 25 anos e ainda solteiros, começaria a procurar alguém que tivesse potencial para a perfeição, em vez de alguém que já a tivesse alcançado. Só para constar, e de maneira bastante confidencial, sei que só existe uma moça perfeita produzida a cada século, e eu já a encontrei; ela é toda minha. ¶
Se eu fosse um jovem pai apenas começando, praticaria a bondade, a paciência e o amor não fingido. Verificaria constantemente meu sistema de prioridades apenas para ter certeza de que meu rumo era verdadeiro e de que a vida eterna era o meu destino. ¶
Se eu fosse um élder em perspectiva, dedicar-me-ia a algum tipo de serviço na Igreja e, ao mesmo tempo, procuraria aperfeiçoar diariamente meus conhecimentos do evangelho, para que minha família pudesse ser selada a mim por toda a eternidade. ¶
Se eu fosse um portador ativo do Sacerdócio de Melquisedeque, membro do sumo conselho, membro da presidência de estaca, membro de um bispado, e especialmente se tivesse filhos em casa, sabendo tudo o que sei sobre a eternidade, eu me lembraria acima de tudo do sábio conselho do passado: que, se dedicarmos todos os nossos dias e salvarmos o mundo inteiro, mas perdermos a nossa própria família, seremos considerados servos infrutíferos. ¶
Irmãos, deixo com vocês quatro grandes declarações para que ponderem. Primeiro, as palavras de Deus, o Pai Eterno: "Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!" (JS—História 1:17.) Não há 2.000 anos, mas em nosso tempo. ¶
Em seguida, as memoráveis palavras de João Batista, que declarou com autoridade: "A vós, meus conservos, em nome do Messias, eu confiro o Sacerdócio de Aarão..." (D&C 13) em nossos dias. ¶
Terceiro, a declaração do Salvador sobre: "Pedro e Tiago e João, que vos enviei, por intermédio de quem vos ordenei e confirmei..." (D&C 27:12) ocorrendo em nosso tempo na história do mundo. ¶
E, quarto, de Kirtland, conforme registrado pelo Profeta Joseph: "Vimos o Senhor de pé no parapeito do púlpito, diante de nós; e sob seus pés havia um calçamento de ouro puro, da cor de âmbar." (D&C 110:2.) ¶
De fato, companheiros portadores do sacerdócio, essas declarações não são palavras vãs de homens. Vivemos em uma época notável. O Senhor falou em nossos dias. Vocês e eu recebemos a mensagem. Nossa obrigação fundamental é para com o sacerdócio de Deus, o qual não pode ser tratado com descaso, como se fosse um clube feito por homens ou uma mera organização fraternal. ¶
Testifico, com toda a sobriedade de meu coração e de minha alma, que estamos comprometidos, que dependem de nós. Todas as coisas são possíveis no Senhor; o Presidente Lee deixou isso absolutamente claro esta manhã, em seu magistral discurso na reunião de serviços de bem-estar. À medida que nos unirmos em nossa fé e determinação, Sua obra será realizada. Que esta obrigação arda dentro de nós. Que jamais se apague. Que fiquemos entusiasmados com a oportunidade que é nossa, ao avançarmos com determinação, em humildade e com constante preparação, e façamos o que temos de fazer. E o rogo em nome de Jesus Cristo, o Mestre. Amém. ¶