Verdades Reveladas do Evangelho
LeGrand Richards
Regozijo-me, meus irmãos e irmãs, no privilégio de participar desta grande conferência com vocês. Agradeço ao Senhor por, no estabelecimento de seu reino dos últimos dias, ter providenciado estas conferências onde podemos nos reunir e ser alimentados com o pão da vida eterna, e nas palavras do cântico: ¶
Vinde, ouvi a voz de um profeta, ¶
E escutai a palavra de Deus, ¶
E no caminho da verdade regozijai-vos, ¶
E cantai de alegria em alta voz. ¶
—Hinos SUD, nº 46 ¶
Temos ouvido a voz do profeta nesta conferência. Voltaremos aos nossos campos de trabalho fortalecidos em nossa fé e com maior desejo de ajudar a edificar seu reino, e de preparar o caminho para a vinda de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. ¶
O profeta Isaías viu o nosso dia, quando os homens o adorariam pelos preceitos dos homens, e disse que, por causa disso, Ele "continuari[a] a fazer uma obra maravilhosa no meio deste povo, uma obra maravilhosa e um assombro, porque a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá." (Isaías 29:14.) Ora, entendo que essa obra maravilhosa e assombro tinha o propósito de corrigir os preceitos dos homens, pois Isaías indicou que foi por essa razão que Ele faria uma obra maravilhosa e um assombro. ¶
Não há tempo para discutir todas as maravilhosas correções que vieram por meio da restauração do evangelho, essa obra maravilhosa e assombro. No entanto, a primeira e grande correção, penso eu, foi o conhecimento que veio por meio da visão do Pai e do Filho ao Profeta Joseph Smith, que o Presidente Marion G. Romney descreveu tão lindamente nesta manhã. Em vez de ser um Deus que é uma essência onipresente, sem corpo, partes ou paixões (e isso significa que ele não tem olhos, não pode ver; não tem ouvidos, não pode ouvir; não tem voz, não pode falar), eles eram dois seres glorificados, como seremos depois da ressurreição. Que coisa maravilhosa é ter esse compromisso e saber que somos filhos dele — filhos de Deus, o Pai Eterno — e que poderemos viver em sua presença e saber quem ele é, e seu Filho Jesus Cristo, que ressuscitou dos mortos e que expiou os pecados do mundo. ¶
A próxima grande correção, penso eu, veio na grande organização da Igreja. Basta pensar no sacerdócio nesta Igreja, e em todas as organizações auxiliares, às quais se fez referência nesta reunião ao apoiarmos os dirigentes que as presidem. O Presidente Lee apontou que a reunião do sacerdócio desta noite seria transmitida para 850 prédios diferentes. ¶
Onde, em todo o mundo, se pode encontrar uma organização do sacerdócio como essa, em que todo homem e todo filho de homem pode portar o sacerdócio de Deus e ajudar a edificar seu reino na Terra? Assim eles ajuntam tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não corrompem e onde os ladrões não podem arrombar e roubar (ver Mateus 6:19), e onde podem desenvolver seus dons e talentos, porque o reino está aqui exatamente para esse propósito. ¶
Ora, há outro belo princípio da Igreja hoje sobre o qual gostaria de dizer algumas palavras, que é a nossa crença na duração eterna do convênio do casamento e da unidade familiar. Parece inacreditável que, sendo esse princípio ensinado de forma tão clara nas santas escrituras, sejamos a única igreja a assim crer. Alguns anos atrás, um de nossos irmãos escreveu um livro chamado Do Men Believe What Their Churches Prescribe? (Rulon S. Howells, Deseret Book Co., 1932.) Nesse livro, ele mandou preparar um gráfico mostrando diversos princípios doutrinários. Ele havia indagado e obtido comentários em primeira mão das principais igrejas (dez delas, incluindo a nossa própria igreja), e não havia, entre essas outras nove igrejas, uma sequer que cresse na duração eterna do convênio do casamento e da unidade familiar. Elas indicaram que o casamento durava "até que a morte os separe", o que, em substância, é uma carta de divórcio. Se ele deve durar apenas até que a morte nos separe, então o que faremos a partir desse momento? Onde estão os laços que nos unem, especialmente nesta igreja em que nós, os irmãos, trabalhamos no sacerdócio o tempo todo, deixando nossas esposas para criarem nossas famílias por nós, tudo isso apenas para sermos separados quando a morte chegar? ¶
Falei numa reunião em Quitman, na Geórgia, quando eu era presidente da missão de lá, e citei a afirmação a que me referi, do gráfico preparado nesse livro, e, ao final da reunião, fiquei junto à porta para cumprimentar as pessoas ao saírem. Um homem se aproximou e se apresentou como pastor batista, e eu disse: "Eu o citei incorretamente esta noite?" ¶
"Não, Sr. Richards", ele disse. "É exatamente como o senhor disse. Nós não acreditamos em tudo o que nossas igrejas ensinam." ¶
Eu disse: "O senhor também não acredita nelas. Por que não volta e ensina a verdade ao seu povo? Eles a aceitarão do senhor, e ainda não estão prontos para aceitá-la dos élderes mórmons." ¶
Ele disse: "Vou vê-lo novamente." ¶
Da próxima vez que fui até lá, cerca de quatro meses depois, ao me aproximar daquela pequena igreja, ali estava aquele pastor batista. Ao apertarmos as mãos, eu disse: "Eu certamente gostaria de saber o que o senhor achou do meu último sermão aqui." Ele disse: "Sr. Richards, tenho pensado nisso desde então. Acredito em cada palavra que o senhor disse, só gostaria de ter ouvido o resto." Sabem, nunca nos cansamos de falar quando começamos a falar sobre esses belos princípios que o Senhor nos deu por meio da restauração do evangelho, por meio do surgimento desta maravilhosa obra e assombro. ¶
Enquanto eu era presidente da missão em Atlanta, na Geórgia, fui ao escritório do Dr. Peter Marshall. Ele era o pastor da Igreja Presbiteriana de lá, e passamos uma ou duas horas juntos. Quando morreu, ele era o capelão do Senado dos Estados Unidos. Vocês podem ter lido seu livro, A Man Called Peter, ou podem ter visto o filme retratando sua vida. Muitas das coisas que ele defendia, ele aprendeu conosco lá em Atlanta. Ele costumava mandar buscar no escritório da missão os livros da AMM e outros materiais da Igreja para seus jovens, porque sentia que estávamos roubando todos eles dele. ¶
Enquanto estava sentado com ele em seu escritório, perguntei-lhe qual era a atitude de sua igreja em relação ao princípio do casamento eterno e à duração eterna do convênio do casamento. Ele disse: "Bem, Sr. Richards, não nos é permitido ensinar isso em nossa igreja, mas em minha mente eu tenho algumas objeções persistentes." Ele continuou: "Quando se tira o gatinho da gata, em poucos dias a gata se esqueceu completamente do gatinho; quando se tira o bezerro da vaca, em poucos dias a vaca se esqueceu completamente do bezerro; mas quando se tira a criança do colo da mãe, ainda que ela viva cem anos, ela nunca se esquece da criança de seu colo." Ele acrescentou: "Acho difícil crer que Deus tenha criado um amor assim para perecer na sepultura." Graças a Deus sabemos que ele não criou um amor assim para perecer na sepultura. O amor é eterno. ¶
Ora, embora as outras igrejas não ensinem esse princípio, há pessoas que nele acreditam. Por exemplo, Anderson M. Baten escreveu um pequeno verso para sua esposa Beulah sobre os mistérios da vida, dizendo que a desposava para sempre e não apenas por agora, não pela fingida brevidade dos anos terrenos, mas para a vida além das lágrimas, além da dor e da fronte nublada -- pois o amor não conhece túmulo, e há de guiá-los quando as velas gastas da vida enfim tremularem e se apagarem. ¶
Pois bem, isso é o que acreditamos. Acreditamos que o laço do casamento é eterno. ¶
Temos ouvido citada, na conferência de hoje, a afirmação feita pelo Senhor quando Adão foi colocado no jardim. Ele disse que "não era bom que o homem estivesse só"; e ele lhe fez uma auxiliadora, e disse que "eles serão uma só carne" (Moisés 3:18, 24), não duas metades, mas uma só carne, porque ele não poderia ter povoado esta Terra sem o homem e a mulher, e foram necessários os dois para formar uma pessoa completa nesse sentido. Então digo isto: se não era bom que o homem estivesse só antes de a morte entrar no mundo, certamente não será bom que o homem esteja só depois de sermos ressuscitados dos mortos e restaurados à condição em que Adão se encontrava antes da queda. ¶
Foi isso que Paulo quis dizer quando declarou: "... assim como todos morrem em Adão, assim também em Cristo todos serão vivificados." (1 Coríntios 15:22.) Se não era bom estar sem uma esposa antes da queda, certamente não será bom estar sem uma companheira depois da ressurreição, e quem repudia isso na verdade repudia a grande expiação, pois nesse caso o Salvador teria expiado apenas em parte a perda ocorrida por meio da queda de Adão e Eva. ¶
Estas são grandes verdades eternas que o Senhor compreendia, e por isso o Salvador disse: "Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e unir-se-á a sua mulher; E serão os dois uma só carne; assim já não serão dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem." (Marcos 10:7–9.) Não poderia ter sido escrito de forma mais clara, não é mesmo? O que ele realmente quis dizer, ao afirmar que seriam uma só carne e jamais seriam separados, senão que o laço do casamento se projetaria para além da sepultura? ¶
Paulo disse: "... nem o homem é sem a mulher, nem a mulher, sem o homem, no Senhor." (1 Coríntios 11:11.) Eles podem passar bem aqui na mortalidade um sem o outro, mas não nas eternidades que virão. ¶
Pedro disse que o marido deveria viver com sua esposa "com entendimento, ... dando honra à mulher, como a vaso mais fraco; como aqueles que juntamente com elas sois herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações." (1 Pedro 3:7.) Ora, o que significa "herdeiros juntamente da graça da vida"? Que vida? Eles já tinham suas vidas aqui na mortalidade, mas se tornariam herdeiros juntos das bênçãos da vida eterna. Como poderia ter sido escrito de forma mais clara? ¶
Lembramo-nos também de quando Isaías viu o novo céu e a nova Terra, quando o cordeiro e o lobo se apascentariam juntos, e "o leão comerá palha como o boi..." (Isaías 65:25.) Ele viu que os homens "edificarão casas, e as habitarão; e plantarão vinhas, e comerão o seu fruto. ¶
"Não edificarão para que outros habitem; não plantarão para que outros comam; ... e os meus eleitos desfrutarão das obras das suas mãos ... porque são a semente dos benditos do Senhor, e os seus descendentes com eles." (Isaías 65:21–23.) Como poderia ficar mais claro do que isso, que eles e seus descendentes com eles habitariam as casas que construíssem? ¶
Ora, esse grande princípio eterno é uma das grandes verdades que foi revelada por meio da restauração do evangelho. Pessoalmente, prefeririria acreditar que a morte era uma completa aniquilação tanto do corpo quanto do espírito a pensar que teria de viver para sempre sem a continuação dos laços de amor que unem minha esposa e eu, e nossa família e nossos entes queridos aqui nesta vida. O céu será apenas uma projeção de nossa vida aqui. ¶
Isso nos ajuda a entender a afirmação, o conselho e a orientação do Presidente [David O.] McKay quando disse que nenhum sucesso na vida pode compensar o fracasso no lar. O Presidente Lee tem enfatizado a mesma coisa ao dizer que nossa maior responsabilidade está dentro das paredes de nosso próprio lar, não apenas porque esses lares devem ser bons até que a morte os separe, mas porque estamos construindo o alicerce de um reino sobre o qual teremos o privilégio de presidir ao longo das eternidades que virão, se formos verdadeiros e fiéis. E esse é um dos gloriosos princípios do evangelho que veio por meio da restauração em nossos dias e em nosso tempo. ¶
Já lemos nos jornais, no passado, sobre crianças sequestradas, cujos pais, em alguns casos, ofereceram centenas de milhares de dólares para tê-las de volta, apenas para poderem desfrutar delas durante este período de mortalidade. No entanto, por meio do novo e eterno convênio e das ordenanças de selamento do santo sacerdócio nos santos templos de Deus, podemos ter nossos filhos ao longo das incontáveis eras da eternidade. O Senhor indicou, por meio do Profeta Joseph, que eles viriam na manhã da primeira ressurreição e "crescerão sem pecado para a salvação." (D&C 45:58.) Para aqueles de nós que sepultaram filhos em sua infância, basta pensar na alegria e na felicidade que isso traz, comparado ao sentimento de que não haveria relacionamento familiar no mundo eterno. ¶
Irmãos e irmãs, agradeço a Deus por essa grande verdade que nos veio pela restauração de seu evangelho. Isso é apenas o começo. E a esta grande audiência aqui presente hoje, e a todos que estão ouvindo pelo rádio e aos que ouvirão esta noite, e àqueles em cujos corações Deus plantou uma testemunha e um testemunho da divindade desta obra, deixo meu testemunho. Sei que é a obra maravilhosa e o assombro que nosso Pai prometeu, por meio de seu grande profeta, que nos enviaria, e deixo com vocês meu amor, minha bênção e meu testemunho, em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém. ¶