Pulpit

O Evangelho de Jesus Cristo É a Porta Dourada

Vaughn J. Featherstone

Conferência Geral de Outubro de 1973·Priesthood Session·1973-10-01

Em uma entrevista coletiva em Cidade do México, depois da conferência de área, um jornalista convidou o Presidente Marion G. Romney a responder a uma pergunta. A pergunta foi esta: O senhor tem um programa de bem-estar em sua igreja? E o Presidente Romney respondeu: “Sim, e se o senhor se filiar à Igreja, também poderá contribuir para ele.”

Esse é um verdadeiro princípio de bem-estar, e é um que devemos compreender. Bem-estar, na Igreja de Jesus Cristo, significa literalmente dar, e não receber.

Na 107ª seção de Doutrina e Convênios, lemos: “... o ofício de um bispo é administrar todas as coisas materiais;” e também ser juiz em Israel, “cuidar dos negócios da igreja, julgar transgressores. …” (D&C 107:68, 72.)

E, na 72ª seção, lemos que a ele cabe manter o armazém dos bispos. (D&C 72:10.)

Ora, na Igreja, para abastecer o armazém dos bispos, temos um orçamento de mercadorias, que designamos às regiões; estas, por sua vez, o designam às estacas e às alas. Em alguns casos, é em mercadorias, e em outros, em dinheiro, em substituição às mercadorias. E, à medida que esses fundos chegam à Igreja, nós os utilizamos para suprir as necessidades dos pobres em todas as regiões da Igreja.

Ora, irmãos, durante o último ano não recolhemos o suficiente para o armazém dos bispos a fim de termos um estoque para um ano completo. Temos um estoque de aproximadamente oito meses e meio. Isso se deve, em parte, ao índice de preços das mercadorias, que subiu de 0,185 em 1º de janeiro para 0,285 em 1º de agosto de 1973, no índice de atacado. Como podem ver, tivemos de usar fundos em substituição às mercadorias para comprar produtos que não são produzidos no armazém. Usamos muitos desses fundos para esse fim, e isso tem sido um fator na redução de nosso estoque para oito meses e meio. Até o final deste ano, vamos reconstituí-lo para um estoque de um ano completo.

O armazém deve fornecer alimentos para aproximadamente 3 por cento da Igreja. Cerca de 96 mil pessoas recebem mercadorias do armazém. Temos um estoque de um ano para suprir as necessidades desses 3 por cento que retiram do armazém. Irmãos, bispos, vocês que administram esses grandes fundos e mercadorias, gostaria de recordar com vocês alguns princípios que considero urgentes.

Por exemplo, no armazém dos bispos temos alimentos que vão para os lares de nossos santos menos afortunados. Sentimos que, talvez, ao lidarem com essas mercadorias, vocês precisem fazer alguns pequenos ajustes. Sentimos que as melhores mercadorias produzidas em nossos projetos deveriam ser levadas aos armazéns, e não os refugos da lavoura, dos rebanhos ou das manadas de gado. Achamos que deveria ser sempre o melhor, pois não nos lembramos da escritura: “... quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”? (Mateus 25:40.) Creio que essa é uma espada de dois gumes, e que, se dermos ao Senhor, ou dermos a esses excelentes santos que recebem do armazém dos bispos, os refugos, creio então que o Senhor poderá nos tratar com igual justiça.

Há também alguns outros princípios que precisamos compreender. Um deles é este: quando presidentes de estaca e bispos contribuem para o comitê geral com produtos de seus projetos, gostaríamos que considerassem que devemos ter sempre o melhor. Por exemplo, tivemos o caso de um presidente de estaca, numa estaca vizinha, a quem o armazém central telefonou e disse: “Precisamos de algumas cabeças de gado.” O índice de atacado com que a Igreja trabalhava estava um pouco abaixo do que representava o mercado no momento. Ele disse: “Não, não vamos fornecer o gado. Vamos vendê-lo e depois lhes daremos o valor em dinheiro”, o que ele fez. Eles nos deram o dinheiro, irmãos. Tivemos então de ir ao mercado atacadista e comprar carne já abatida a um preço mais alto. Pensem nisso. É tudo dinheiro do Senhor. Não creio que ele ficaria satisfeito com esse tipo de transação. Não gostaria de ofender ninguém. Apenas penso que devemos dar o melhor que temos ao armazém do Senhor.

Penso que há outra coisa que precisamos considerar: os hábitos alimentares de vocês mudaram um pouco no último ano? Os nossos mudaram, e muito. Costumávamos comer batatas regularmente, mas, quando o preço subiu para US$ 1,69 por dez libras, decidimos não comer tanto desse produto como antes. Passamos a comer mais arroz. Nosso consumo de carne diminuiu consideravelmente. A composição de nossas compras em casa mudou. Entretanto, entendemos que aqueles que recebem mercadorias do armazém continuam recebendo tanta carne quanto antes. Ora, não queremos que sejam tratados nem melhor nem pior do que qualquer outra pessoa na Igreja. Queremos apenas que sejam tratados com dignidade, e por isso talvez seja bom que vocês ajustem um pouco essa composição, como estão fazendo em seus próprios lares.

Deixem-me dar um exemplo melhor. No mundo dos negócios, todo comerciante de mantimentos sabe que, numa determinada seção, para aumentar o lucro bruto, não é necessário aumentar o preço. É possível aumentar o lucro bruto simplesmente mudando a composição dos produtos. Um exemplo matemático bem simples mostrará como isso funciona. Tomemos, por exemplo, uma seção em que a margem de lucro sobre 60 por cento dos produtos fosse zero. Sessenta por cento vezes zero é zero. Isso não contribui em nada para a margem bruta geral. Se a margem sobre os 40 por cento restantes fosse de 20 por cento, quarenta por cento vezes vinte é igual a oito por cento; portanto, essa parte contribuiu com oito pontos para a margem bruta geral daquela seção.

Agora, irmãos, suponhamos que invertêssemos a situação e colocássemos os itens de margem alta, de 20 por cento, nas pontas de gôndola de grande movimento, onde os clientes têm mais probabilidade de comprar, e tirássemos os itens de margem baixa dessas pontas, colocando-os numa posição menos favorável na prateleira; assim, mudaríamos a composição dos produtos. Digamos, então, que obtivéssemos 20 por cento de margem sobre 60 por cento do nosso volume, e 0 por cento sobre os 40 por cento restantes. Quarenta por cento vezes zero continua sendo zero; sessenta por cento vezes vinte é doze pontos de margem bruta; assim, aumentamos nosso lucro bruto em quatro pontos apenas mudando a composição, sem termos aumentado o preço.

Irmãos, esse é um grande princípio no bem-estar. Nossa conta de mantimentos em casa não é maior do que era há seis meses ou há um ano. Tivemos de mudar a composição. Sentimos, bispos, que vocês bem poderiam mudar a composição para aqueles que se alimentam do armazém dos bispos. Quando as batatas custam US$ 1,69 por dez libras, vamos trocar por arroz. Quando a carne está tão cara quanto está, não façamos como fez certo bispo, que continuou dando a uma família 67 libras de carne por mês. Não creio que haja muitas famílias aqui que estejam comendo 67 libras de carne por mês. Os santos que recebem mercadorias por meio do armazém dos bispos não deveriam receber mais do que vocês próprios consomem em seus lares. Espero que este seja um princípio que nos lembremos e usemos com muita sabedoria.

Agora, aos que criam gado e cultivam batatas, por favor não se desencantem com a Igreja. Quem está falando é apenas Vaughn Featherstone, não o profeta. Estamos apenas tentando gastar da melhor maneira possível os fundos sagrados do Senhor. Contem com a presidente da Sociedade de Socorro, à medida que ela visita os lares, para ajudar a determinar quanto deve ser usado.

Em Isaías, capítulo 58, versículo 6, o Senhor faz uma grande promessa àqueles que contribuem para o bem-estar dos santos. Ele disse: “Porventura não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as cordas do jugo, e que deixes livres os quebrantados, e despedaces todo o jugo?

“Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desterrados, e vendo o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?”

Se fizerdes isso, ele promete o seguinte: “Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará; e a tua justiça irá adiante da tua face; a glória do Senhor será a tua retaguarda; então clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás, e ele dirá: Eis-me aqui.” (Isaías 58:6–9.)

Ora, irmãos, se eu contribuísse para um fundo de ofertas de jejum ou para um projeto de produção de bem-estar, quero lhes dizer que, mesmo que não houvesse outro motivo além de saber que, quando eu clamasse, o Senhor diria: “Eis-me aqui”, isso já seria motivação suficiente.

Agora, o grande e puro de coração Rei Benjamim disse: “... não permitireis que o mendigo vos peça em vão, afastando-o para que pereça.

“Talvez digais: O homem trouxe sobre si sua miséria; portanto, deterei minha mão e não lhe darei do meu sustento nem repartirei com ele meus bens a fim de que ele não padeça, porque seus castigos são justos —

“Digo, porém, ó homem, que quem faz isto tem grande necessidade de arrepender-se; e a menos que se arrependa do que fez, perece para sempre e não tem lugar no reino de Deus.

“Pois eis que não somos todos mendigos?” (Mosias 4:16–19.)

Creio que o Rei Benjamim foi bem direto conosco, irmãos. Pensem nesse princípio. Creio que, se usarmos sabedoria ao lidar com o armazém dos bispos, o Senhor ficará satisfeito. Usemos sabedoria ao distribuir esses fundos sagrados, essas mercadorias sagradas, e mudemos a composição se necessário; mas façamos isso com retidão e com toda a sabedoria com que o Senhor nos abençoou.

Agora, gostaria de passar a um assunto que considero voltado ao serviço de bem-estar. Como o Presidente Lee discorreu, em seu discurso, sobre a grande transigência em muitas áreas diferentes, quero lhes contar o que está acontecendo na área do trabalho. O assunto que gostaria de tratar com os rapazes da Igreja é o trabalho. Irmãos, não há substituto para o trabalho. Vocês não podem ser preguiçosos. As empresas que dizem: “Venham trabalhar conosco; os salários são altos e o trabalho é fácil; a semana de trabalho foi consideravelmente reduzida”, só têm vergonha a oferecer. Vocês destroem sua alma e seu caráter ao aceitarem tal oferta. O Senhor espera que sejamos diligentes; espera que sejamos ambiciosos, mental e fisicamente, com todo o coração e toda a alma. E prometo isto: essa atitude transigente em relação ao trabalho jamais foi o que o Senhor pretendeu.

O Presidente J. Reuben Clark disse: “Devemos purificar nosso coração do amor à comodidade; devemos afastar de nossa vida a maldição da ociosidade.” E o Presidente Lee disse: “A maior pobreza é a pobreza do desejo.” O Presidente Kimball disse: “Somente a pessoa medíocre está sempre em seu melhor.” E o Irmão Thomas S. Monson disse, em sua fórmula do W: “O trabalho vencerá quando o desejo hesitante não vencer.” Dorothea Brande, em seu livro Wake Up and Live (Cornerstone Library, Inc., Nova York, 1968), diz que devemos “agir como se fosse impossível fracassar.” Isso é verdade, irmãos, na Igreja. O Senhor deseja que sejamos bem-sucedidos, e isso é especialmente verdadeiro aqui.

Há uma versão moderna de “A Pequena Galinha Vermelha” que gostaria de deixar com vocês. Acho que é muito impressionante. É simplesmente esta:

“Disse o grande galo branco: ‘Puxa, isso é sério; as coisas estão mesmo difíceis,

Parece que as minhocas estão cada vez mais raras, e eu não consigo achar o suficiente;

O que aconteceu com todas aquelas minhocas gordas é um mistério para mim;

Havia milhares delas naquela época de fartura, mas agora, onde será que estão?’

“A pequena galinha vermelha, que o ouviu, não resmungou nem se queixou,

Ela já havia passado por muitas secas, já havia sobrevivido a enchentes;

Então ela voou até a pedra de amolar e afiou bem suas garras,

E disse: ‘Nunca vi uma época em que não houvesse minhocas para se conseguir.’

Ela escolheu um lugar novo, ainda não cavado — a terra era dura e firme,

O grande galo branco zombou: ‘Terra nova! Esse não é lugar para minhoca.’

“A pequena galinha vermelha apenas espalmou os pés e cavou rápido e livremente,

‘Eu tenho que ir até as minhocas’, disse ela, ‘as minhocas não virão até mim.’

“O galo passou o dia inteiro em vão, por hábito, pelos caminhos

Onde bandos de minhocas gordas haviam passado, nos tempos de chuva.

Quando a noite chegou e ele ainda estava sem jantar, resmungou com voz áspera:

‘Estou com tanta fome quanto uma ave pode estar — as coisas realmente estão difíceis.’

Ele então se virou para a pequena galinha vermelha e disse: ‘Com você é pior ainda,

‘Pois você não está só com fome, deve estar cansada também.

‘Eu descansei enquanto esperava pelas minhocas, então me sinto bastante disposto,

‘Mas e você? Sem minhocas, ainda por cima? E depois de todo esse trabalho.’

“A pequena galinha vermelha pulou para o seu poleiro e fechou os olhos para dormir,

E murmurou, sonolenta: ‘Meu jovem, ouça bem isto e chore,

Estou cheia de minhocas e feliz, pois jantei longa e bem,

As minhocas estão sempre lá — mas eu tive que cavar pra valer.’

“Ah, aqui e ali, galos brancos ainda ocupam cargos de vendedores,

Não conseguem fazer muitos negócios agora, por causa das condições ruins,

Mas assim que as coisas melhorarem, eles venderão uma centena de firmas —

Enquanto isso, as pequenas galinhas vermelhas estão lá fora, devorando as minhocas.”

Sou grato a um bom amigo meu, Aldin Porter, por uma história que gostaria de compartilhar com vocês. Ele a compartilhou comigo há cerca de dois anos.

“Ninguém em nossa cidade de Utah sabia de onde a Condessa tinha vindo; seu inglês cuidadosamente preciso indicava que ela não era americana de nascença. Pelo tamanho de sua casa e de seus empregados, sabíamos que ela devia ser rica, mas ela nunca recebia visitas e deixava claro que, quando estava em casa, era completamente inacessível. Somente quando saía é que ela se tornava, de alguma forma, uma figura pública — e isso, principalmente, para a garotada da cidade, que vivia amedrontada por ela.

“A condessa sempre carregava uma bengala, não só para se apoiar, mas também como meio de repreender qualquer garoto que ela julgasse precisar de disciplina. E, em algum momento ou outro, quase todas as crianças de nossa vizinhança pareciam demonstrar essa necessidade. Correndo rápido e ficando sempre alerta, eu tinha conseguido me manter fora de seu alcance. Mas, um dia, quando eu tinha uns treze anos, ao atravessar sua cerca-viva como atalho, ela conseguiu se aproximar o bastante para me acertar a cabeça com sua bengala.

“‘Ai!’, gritei, dando um pulo.

“‘Meu jovem, quero falar com você’, disse ela. Eu esperava um sermão sobre os males de invadir propriedade alheia, mas, ao olhar para mim, meio sorrindo, ela pareceu mudar de ideia.

“‘Você não mora naquela casa verde com os salgueiros, no quarteirão ao lado?’

“‘Sim, senhora.’ …

“‘Ótimo. Perdi meu jardineiro. Esteja em minha casa na quinta-feira de manhã, às sete horas, e não me diga que tem outra coisa para fazer; já vi você vadiando por aí às quintas-feiras.’

“Quando a Condessa dava uma ordem, ela era cumprida. Eu não ousei deixar de comparecer na quinta-feira seguinte. Passei o cortador de grama pelo gramado inteiro três vezes até que ela ficasse satisfeita, e depois ela me pôs de quatro, procurando ervas daninhas, até que meus joelhos ficaram tão verdes quanto a grama. Por fim, ela me chamou até a varanda.

“‘Muito bem, meu jovem, quanto você quer pelo seu trabalho de hoje?’

“‘Não sei. Cinquenta centavos, talvez.’

“‘É esse o valor que você acha que merece?’

“‘Sim, senhora. Mais ou menos isso.’

“‘Muito bem. Aqui estão os cinquenta centavos que você diz que merece, e aqui está mais um dólar e meio que eu ganhei para você, por tê-lo estimulado. Agora vou lhe dizer uma coisa sobre como você e eu vamos trabalhar juntos. Há tantas maneiras de cortar um gramado quanto há pessoas, e elas podem valer de um centavo a cinco dólares. Digamos que um trabalho de três dólares seria exatamente o que você fez hoje, exceto que você teria de ser um tanto tolo para gastar tanto tempo num gramado. Um gramado de cinco dólares é... bem, é impossível, então vamos esquecer isso. Agora, toda semana vou pagá-lo de acordo com a sua própria avaliação do seu trabalho.’

“Saí com meus dois dólares, mais rico do que jamais me lembrava de ter sido em toda a minha vida, e decidido a conseguir quatro dólares dela na semana seguinte. Mas nem sequer cheguei à marca dos três dólares. Minha vontade começou a fraquejar na segunda vez em que trabalhei em seu quintal.

“‘De novo dois dólares, hein? Esse tipo de trabalho o coloca bem à beira de ser dispensado, meu jovem.’

“‘Sim, senhora. Mas farei melhor na próxima semana.’

“E, de alguma forma, consegui. Na última volta pelo gramado, eu estava exausto, mas descobri que podia me impulsionar. Na euforia daquele sentimento novo, não hesitei em pedir três dólares à Condessa.

“Todas as quintas-feiras, pelas quatro ou cinco semanas seguintes, oscilei entre um trabalho de três dólares e um de três dólares e meio. Quanto mais eu ia me familiarizando com o gramado dela — os lugares onde o terreno era um pouco mais alto ou mais baixo, os lugares onde era preciso aparar bem curto ou deixar mais comprido nas bordas para fazer uma curva mais agradável ao longo do jardim —, mais eu percebia exatamente do que consistiria um gramado de quatro dólares. E, toda semana, eu me propunha a fazer exatamente esse tipo de trabalho. Mas, quando eu já havia atingido a marca dos três ou três dólares e meio, estava cansado demais até para me lembrar de que tivera a ambição de ir além disso.

“‘Você parece ser um homem confiável de três dólares e cinquenta’, ela dizia, enquanto me entregava o dinheiro.

“‘Acho que sim’, eu dizia, feliz demais ao ver o dinheiro para me lembrar de que tinha almejado algo maior.

“‘Bem, não se sinta tão mal’, ela me consolava. ‘Afinal, há apenas um punhado de pessoas no mundo capazes de fazer um trabalho de quatro dólares.’

“E as palavras dela eram, sim, um consolo no início, mas depois, sem que eu percebesse o que estava acontecendo, esse consolo se transformou num incômodo que me fez decidir fazer aquele trabalho de quatro dólares, nem que isso me matasse. No fervor de minha decisão, eu já me via expirando no gramado dela, com a Condessa debruçada sobre mim, entregando-me os quatro dólares com uma lágrima nos olhos, implorando meu perdão por ter pensado que eu não seria capaz.

“Foi no meio desse fervor, numa noite de quinta-feira, quando eu tentava esquecer a derrota do dia e conseguir dormir, que a verdade me atingiu com tanta força que me sentei de repente na cama, quase sufocado de emoção. Era o trabalho de cinco dólares que eu tinha de fazer, não o de quatro! Eu tinha de fazer o trabalho que ninguém conseguia fazer, justamente porque era impossível.

“Eu conhecia bem as dificuldades à minha frente. Tinha, por exemplo, o problema de fazer algo a respeito dos montículos de minhoca no gramado. A Condessa talvez nem os tivesse notado ainda, tão pequenos que eram; mas, com meus pés descalços, eu sabia deles e tinha de fazer algo a respeito. E eu poderia continuar aparando as bordas do jardim com a tesoura, mas sabia que um gramado de cinco dólares exigia que eu alinhasse cada borda exatamente com uma trena e depois a aparasse com precisão, usando o aparador de bordas. E havia outros problemas que só eu e meus pés descalços conhecíamos.

“Comecei na quinta-feira seguinte alisando os montículos de minhoca com um rolo pesado. Depois de duas horas nisso, eu já estava pronto para desistir por aquele dia. Nove horas da manhã, e minha força de vontade já tinha ido embora! Foi só por acaso que descobri como recuperá-la. Sentado por alguns minutos debaixo de uma nogueira, depois de terminar de passar o rolo, acabei adormecendo. Quando acordei, minutos depois, o gramado estava tão bonito e tão agradável sob meus pés que fiquei ansioso para continuar o trabalho.

“Segui esse segredo pelo resto do dia, cochilando por alguns minutos a cada hora para recuperar minha perspectiva e repor minhas forças. Entre os cochilos, cortei a grama quatro vezes — duas no sentido do comprimento, duas na transversal —, até que o gramado parecesse um tabuleiro de veludo verde. Depois cavei ao redor de cada árvore, esfarelando os torrões grandes e alisando a terra com as mãos, e terminei com o aparador de bordas, alinhando cada movimento com todo cuidado, para que o efeito fosse perfeitamente simétrico. E aparei cuidadosamente a grama entre as pedras da calçada da frente. A tesoura deixou meus dedos em carne viva, mas a calçada nunca esteve tão bonita.

“Finalmente, por volta das oito horas daquela noite... tudo estava terminado. Eu estava tão orgulhoso que nem senti cansaço quando fui até a porta dela.

“‘Muito bem, quanto é hoje?’, ela perguntou.

“‘Cinco dólares’, eu disse, tentando parecer um pouco calmo e sofisticado.

“‘Cinco dólares? Você quer dizer quatro dólares, não é? Eu lhe disse que um trabalho de cinco dólares no gramado é impossível.’

“‘É, sim, possível. Acabei de fazê-lo.’

“‘Bem, meu jovem, o primeiro gramado de cinco dólares da história certamente merece uma boa olhada.’

“Caminhamos juntos pelo gramado, à luz do entardecer, e até eu fiquei bastante impressionado com a impossibilidade daquilo que eu tinha feito.

“‘Meu jovem’, disse ela, pondo a mão em meu ombro, ‘o que, em nome do céu, o levou a fazer uma coisa tão louca e maravilhosa?’

“Eu não sabia por quê, mas, mesmo que soubesse, não conseguiria explicar, de tão emocionado que estava ao ouvir que eu tinha conseguido.

“‘Acho que sei’, ela continuou, ‘como você se sentiu quando essa ideia lhe ocorreu pela primeira vez, a de cuidar de um gramado que eu disse ser impossível. Ela o deixou muito feliz quando surgiu, e depois um pouco assustado. Estou certa?’

“Ela pôde perceber que estava certa pelo olhar espantado em meu rosto.

“‘Eu sei como você se sentiu, porque a mesma coisa acontece com quase todos. As pessoas sentem, de repente, um ímpeto de querer fazer algo grandioso. Sentem uma felicidade maravilhosa, mas ela passa, porque dizem: “Não, não posso fazer isso. É impossível.” Sempre que algo dentro de você disser: “É impossível”, lembre-se de olhar com cuidado e ver se não é, na verdade, Deus lhe pedindo para crescer uma polegada, um palmo, ou uma milha, para que você possa chegar a uma vida mais plena.’ …

“Desde aquela época, há uns 25 anos, sempre que me sinto no fim, sem nada à minha frente, de repente, ao surgir aquela palavra, ‘impossível’, sinto um ímpeto inesperado, um salto interior, e sei que o único caminho possível está bem no meio do impossível.” (Richard Thurman, “A Condessa e o Impossível”, Reader’s Digest, junho de 1958.)

Agora, meus irmãos na Igreja, tudo é possível na Igreja. Podemos realizar qualquer coisa. Esta é a obra do Senhor. Quero testificar a vocês que precisamos ser sábios. Não sejam preguiçosos. Façam um bom dia de trabalho. Deem a ele o coração e a alma, e o Senhor os abençoará com sucesso e os prosperará. Este é o reino dele.

Emma Lazarus escreveu palavras que descrevem a grande Estátua da Liberdade. Essas palavras têm um significado especial para nós, na Igreja, pois, na verdade, essas mesmas palavras, que suplicam a todos que venham para a América, bem poderiam aplicar-se à Igreja. Vou apenas citar os últimos versos. Ela disse:

“Dai-me os vossos cansados, os vossos pobres,

As vossas massas amontoadas, ansiando por respirar livres;

Os rejeitados miseráveis de vossas costas fervilhantes,

Enviai-me estes, os sem-lar, açoitados pela tempestade,

Eu ergo minha lâmpada junto à porta dourada.”

O evangelho de Jesus Cristo é a porta dourada, em nome de Jesus Cristo, amém.

Como citar este discursoVaughn J. Featherstone, “O Evangelho de Jesus Cristo É a Porta Dourada”, Conferência Geral de Outubro de 1973, Priesthood Session (1973-10-01). Pulpit Vault, 1973-10-featherstone-the-gospel-of-jesus-christ-is-the-golden-door. Tradução desta edição, por método de glossário, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).