"E Sempre Nos Lembrarmos Dele"
Henry D. Taylor
Na noite de sua traição, Jesus reuniu-se com seus doze apóstolos num cenáculo em Jerusalém para celebrar a festa anual da Páscoa. ¶
Anteriormente, Judas Iscariotes, um dos Doze, havia negociado com os principais sacerdotes e concordado em trair o Senhor por 30 moedas de prata. Jesus, ciente dessa traição, sentou-se à mesa com os Doze. Disse ele, pesaroso: "Em verdade vos digo que um de vós me há de trair." (Mateus 26:21.) ¶
Depois de terem comido, Jesus abençoou o pão e o vinho e, de maneira simples mas impressionante, instituiu o sacramento da Ceia do Senhor. ¶
O Salvador então proferiu um belo e inspirador discurso, encerrando o sermão com uma oração. Antes de deixarem o cenáculo, cantaram um hino ou salmo. Então Jesus e os 11 apóstolos partiram. Judas já havia deixado o grupo para encontrar-se com os inimigos de Cristo. ¶
Jesus e seus companheiros passaram por um dos vários portões no muro de Jerusalém, atravessaram o ribeiro chamado Cedrom e entraram num olival conhecido como Getsêmani, na encosta do monte das Oliveiras. Este era um dos locais preferidos de encontro do Senhor com seus apóstolos. ¶
Ao entrar no jardim, Jesus pediu a oito dos apóstolos que ficassem para trás; então, com Pedro, Tiago e João, avançou um pouco mais, onde lhes pediu que esperassem e vigiassem. Indo um pouco mais adiante sozinho, ajoelhou-se e orou a seu Pai, dizendo: "Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice [mas veio então esta bela lição]; porém, não seja como eu quero, mas como tu queres." (Mateus 26:39.) ¶
Três vezes ele orou, e lemos: "E posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor fez-se como grandes gotas de sangue, que corriam até o chão." (Lucas 22:44.) ¶
O élder James E. Talmage, membro do Quórum dos Doze em nossa dispensação, fez esta observação: "A agonia de Cristo no jardim é insondável para a mente finita, tanto quanto à sua intensidade como à sua causa. A ideia de que ele sofreu por medo da morte é insustentável. A morte era, para ele, o preliminar da ressurreição e do retorno triunfal ao Pai, de quem viera, e a um estado de glória ainda maior do que o que possuíra antes; e, além disso, estava em seu poder entregar sua vida voluntariamente." Em seguida, o élder Talmage testifica: "De algum modo, real e terrivelmente concreto, embora incompreensível para o homem, o Salvador tomou sobre si o fardo dos pecados da humanidade, desde Adão até o fim do mundo." (Jesus, o Cristo, p. 613.) ¶
Após a crucificação e a ressurreição do Salvador, veio a longa e escura noite da apostasia. Finalmente os céus foram reabertos e a voz do Senhor voltou a ser ouvida na Terra. O evangelho e o sacerdócio foram restaurados, e a igreja de Jesus Cristo foi restabelecida nestes últimos dias. Então, do Senhor veio esta admoestação aos membros da Igreja: "E para que mais plenamente te conserves limpo das manchas do mundo, irás à casa de oração e oferecerás teus sacramentos no meu dia santificado." (D&C 59:9.) ¶
Nessas palavras foi autorizado, em nossos dias — a dispensação da plenitude dos tempos — o sacramento da Ceia do Senhor. O pão e a água, devidamente consagrados por oração, tornam-se emblemas do corpo e do sangue do Senhor, para serem tomados reverentemente e em lembrança dele. ¶
O sacramento é um serviço sagrado e solene. Ao participarmos do sacramento, fazemos convênios com o Senhor. Isso não é incomum, pois os Santos dos Últimos Dias são um povo do convênio. ¶
Há poucas orações fixas na Igreja, e as orações sacramentais, que vieram do Senhor por revelação, são duas delas. Devemos ouvir atentamente as orações à medida que são proferidas e perceber — ¶
Primeiro, que o pão e a água são em lembrança do corpo e do sangue que o Salvador derramou por nós; ¶
Segundo, que nos comprometemos a tomar sobre nós o nome do Senhor Jesus; ¶
Terceiro, que guardaremos os mandamentos que ele nos deu; e, ¶
Quarto, que prometemos que sempre nos lembraremos dele. ¶
Há uma parte da oração que gostaria de destacar. É esta: "que sempre nos lembraremos dele." ¶
Em que pensamos quando nos lembramos de Jesus Cristo, o Salvador? ¶
Pensamos ou nos lembramos de que ele é membro da Trindade, junto com Deus, nosso Pai Eterno, e o Espírito Santo, as três pessoas que compõem o grande conselho presidente do universo? ¶
Recordamo-nos de que Jesus foi o Criador deste mundo e o principal executor na realização dos desejos do Pai? João, o Amado, que se referiu ao Salvador como "o Verbo", dá este testemunho: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. ¶
"Ele estava no princípio com Deus. ¶
"Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez." (João 1:1–3.) ¶
Lembramo-nos de que, no grande conselho nos céus, do qual participamos como seres espirituais pré-existentes, ele apresentou um plano no qual ofereceu sua vida e se dispôs a sofrer a morte para expiar os pecados que viriam ao mundo? Ao fazer isso, ele nos asseguraria a ressurreição dos mortos e tornaria possível a salvação para nós, seus irmãos e irmãs, tornando-se assim nosso Salvador. ¶
Lembramo-nos de sua intensa agonia e sofrimento no Jardim do Getsêmani, quando tomou sobre si os pecados da humanidade? ¶
Ao participarmos do sacramento, lembramo-nos de que desfrutamos da associação na igreja restaurada que traz seu nome; resolvemos que nos esforçaremos por demonstrar nossa gratidão respondendo aos chamados e às tarefas designadas por nossos líderes; e nos comprometemos a fazer tudo o que estiver em nosso poder para ajudar a edificar sua igreja? ¶
E, finalmente, lembramo-nos das promessas e garantias que o Salvador nos deu, de que ele retornará novamente, no que se chama sua segunda vinda? Lembramo-nos de que os que forem fiéis e guardarem seus mandamentos poderão ter novamente o privilégio de entrar em sua presença e na presença de nosso Pai Celestial? ¶
Aprendemos, então, com as belas orações sacramentais, que, primeiro, o pão e a água são tomados em lembrança do corpo e do sangue que o Salvador derramou por nós; segundo, que nos comprometemos a tomar sobre nós o nome do Senhor Jesus Cristo; e terceiro, que prometemos que sempre nos lembraremos dele e que guardaremos os mandamentos que ele nos deu. E, se fizermos essas coisas, estaremos então em condição de concretizar a promessa significativa: "que sempre tenhamos conosco o seu Espírito." ¶
Que maravilhosa bênção seria se pudéssemos ter sempre em nossa vida o Espírito do Salvador para nos guiar e nos dirigir! ¶
Enquanto Wilford Woodruff atravessava o oceano em sua última missão para a Grã-Bretanha, ele testificou que o profeta mártir Joseph Smith e seu irmão Hyrum lhe apareceram em sua cabine a bordo do navio. O navio fora colhido por uma terrível tempestade, que amainou como resultado das orações dos irmãos. Ouçam as próprias palavras do irmão Woodruff sobre o que aconteceu: "Na noite seguinte [à tempestade], Joseph e Hyrum me visitaram, e o profeta expôs diante de mim uma grande quantidade de coisas. Entre outras coisas, ele me disse para obter o Espírito de Deus, pois todos nós precisávamos dele." ¶
Muitos anos depois, Brigham Young, já falecido, também apareceu ao irmão Woodruff e disse praticamente a mesma coisa — a importância de obter e manter o Espírito do Senhor em nossa vida. ¶
Uma das formas mais seguras de obter e reter o Espírito do Senhor é vivermos de tal maneira, mantendo-nos limpos dos pecados do mundo, que possamos participar dignamente da Ceia do Senhor a cada semana em que comparecemos à nossa reunião sacramental. ¶
Que possamos fazer isso e assim obter as bênçãos condicionadas a esta lei, é minha humilde oração, que faço em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém. ¶