“Sentinela, Adverte os Ímpios”
Ezra Taft Benson
O profeta Ezequiel declarou: ¶
“Filho do homem, eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; e tu da minha boca ouvirás a palavra, e os avisarás da minha parte. ¶
“Quando eu disser ao ímpio: Certamente morrerás; e tu não o avisares, nem falares para avisar o ímpio acerca do seu caminho ímpio, para o conservar em vida, aquele ímpio morrerá na sua maldade, mas o seu sangue da tua mão o requererei. ¶
“Porém, se avisares o ímpio, e ele não se converter da sua impiedade e do seu caminho ímpio, ele morrerá na sua maldade, e tu livraste a tua alma.” (Ezequiel 3:17–19.) ¶
Os inspirados profetas do Livro de Mórmon viram nossos dias e nos advertiram da estratégia do adversário. Ouçamos suas palavras: ¶
“Pois eis que nesse dia ele [o diabo] se enfurecerá no coração dos filhos dos homens e incitá-los-á a irarem-se contra o que é bom. ¶
“E a outros pacificará e acalentará com segurança carnal. … ¶
“… ai do que dá ouvidos aos preceitos dos homens e nega o poder de Deus. …” (2 Néfi 28:20–21, 26.) ¶
Por meio de um profeta moderno, Joseph Smith, o Senhor deu esta advertência adicional: “Portanto, a voz do Senhor chega aos confins da Terra, para que ouçam os que quiserem ouvir: ¶
“… e chegará o dia em que aqueles que não ouvirem a voz do Senhor nem a voz de seus servos nem atenderem às palavras dos profetas e apóstolos serão afastados do meio do povo; ¶
“Pois desviaram-se de minhas ordenanças e quebraram meu convênio eterno; ¶
“Não buscam o Senhor para estabelecer sua retidão, mas todo homem anda em seu próprio caminho e segundo a imagem de seu próprio deus, cuja imagem é à semelhança do mundo. … ¶
“O que eu, o Senhor, disse está dito e não me desculpo; e ainda que passem os céus e a Terra, minha palavra não passará, mas será toda cumprida, seja pela minha própria voz ou pela voz de meus servos, é o mesmo.” (D&C 1:11, 14–16, 38.) ¶
Essas advertências foram dadas há 140 anos. O cumprimento é agora. Somos testemunhas vivas, a menos que estejamos cegos por nossa própria complacência e pela astúcia dos homens maus. ¶
Como sentinelas na torre de Sião, é nossa obrigação e direito, como líderes, falar contra os males atuais — males que atingem o próprio alicerce de tudo o que prezamos como a verdadeira igreja de Cristo e como membros de nações cristãs. ¶
Como um desses sentinelas, com amor pela humanidade, aceito humildemente essa obrigação e desafio, e me esforço com gratidão para cumprir meu dever sem temor. Em tempos tão sérios como estes, não devemos permitir que o medo da crítica nos impeça de cumprir nosso dever, mesmo correndo o risco de que nosso conselho seja rotulado de político, à medida que o governo se torna cada vez mais entrelaçado em nossa vida diária. ¶
Na crise pela qual agora passamos, fomos plenamente advertidos. Isso trouxe algumas críticas. Há alguns entre nós que não querem ouvir a mensagem. Ela nos constrange. As coisas que ameaçam nossa vida, nosso bem-estar, nossas liberdades são justamente as coisas que alguns de nós temos tolerado. Muitos não querem ser perturbados enquanto continuam a desfrutar sua confortável complacência. ¶
A Igreja está fundamentada na verdade eterna. Não fazemos concessões de princípio. Não abrimos mão de nossos padrões, independentemente das tendências ou pressões atuais. Nossa lealdade à verdade, como igreja, é inabalável. Falar contra ações imorais ou injustas tem sido o fardo dos profetas e discípulos de Deus desde tempos imemoriais. Foi por esse mesmo motivo que muitos deles foram perseguidos. No entanto, era sua tarefa dada por Deus, como sentinelas na torre, advertir o povo. ¶
Vivemos em uma era de apaziguamento — o sacrifício de princípios. O apaziguamento não é a resposta. Nunca é a resposta certa. ¶
Um desses sentinelas modernos da Igreja fez esta sólida advertência: ¶
“Uma lealdade morna mata; enquanto uma devoção apaixonada dá vida e alma a qualquer causa e a seus adeptos. Os problemas do mundo podem, em grande parte, ser atribuídos àqueles que não são nem quentes nem frios; que sempre seguem a linha de menor resistência; cujos corações tímidos hesitam em tomar partido pela verdade. Assim como no grande Conselho nos céus, também na Igreja de Cristo na terra não pode haver neutralidade. Estamos, ou não estamos, do lado do Senhor. Uma fé inflexível, que despreza toda concessão, conduzirá a Igreja e cada um de seus membros ao triunfo e à realização de nosso elevado destino. ¶
“Os conquistadores finais do mundo serão os homens e mulheres, poucos ou muitos, não importa, que se apeguem sem medo e sem vacilar à verdade, e que sejam capazes de dizer não, assim como sim, em cujo estandarte elevado está inscrito: Nenhuma concessão ao erro. … ¶
“Tolerância não é conformidade com as opiniões e práticas do mundo. Não devemos entregar nossas crenças para nos darmos bem com as pessoas, por mais amadas ou influentes que sejam. Preço alto demais pode ser pago pela posição social ou até mesmo pela harmonia. … O Evangelho repousa sobre a verdade eterna; e a verdade nunca pode ser abandonada com segurança.” (John A. Widtsoe, Conference Report, abril de 1941, pp. 117, 116.) ¶
Bem se disse que “nosso maior problema nacional é a erosão. Não a erosão do solo, mas a erosão da moralidade nacional.” ¶
Os Estados Unidos da América foram grandes porque foram livres. Foram livres porque confiaram em Deus e se fundaram sobre os princípios de liberdade estabelecidos na palavra de Deus. Esta nação tem um fundamento espiritual. Para mim, esta terra tem uma história profética. ¶
No ano de 1831, Alexis de Tocqueville, o famoso historiador francês, veio ao nosso país a pedido do governo francês para estudar nossas instituições penais. Ele também fez um estudo minucioso de nossas instituições políticas e sociais. Em menos de dez anos, de Tocqueville se tornara mundialmente famoso, em razão da obra em quatro volumes que escreveu, intitulada A Democracia na América. Eis sua própria comovente explicação da grandeza da América: ¶
“Busquei a grandeza e o gênio da América em seus portos espaçosos e seus amplos rios, e não estavam lá; em seus campos férteis e pradarias sem limites, e não estavam lá; em suas ricas minas e seu vasto comércio mundial, e não estavam lá. Somente quando fui às igrejas da América e ouvi seus púlpitos inflamados de retidão é que compreendi o segredo de seu gênio e poder. A América é grande porque é boa, e se a América um dia deixar de ser boa, a América deixará de ser grande.” (Prophets, Principles and National Survival, compilado por Jerreld L. Newquist [Salt Lake City, Publishers Press, 1964], p. 60.) ¶
Quão forte é nossa vontade de permanecer livres — de sermos bons? Pensamentos falsos e ideologias falsas, vestidos das formas mais agradáveis, silenciosamente — quase sem que percebamos — buscam reduzir nossas defesas morais e cativar nossas mentes. Eles seduzem com promessas brilhantes de segurança, garantias de todo tipo do berço ao túmulo. Disfarçam-se sob vários nomes, mas todos podem ser reconhecidos por uma coisa — uma coisa que todos têm em comum: corroer o caráter e a liberdade do homem de pensar e agir por si mesmo. ¶
Far-se-á esforço para nos ninar em uma falsa segurança. Propostas serão oferecidas e estão sendo oferecidas, e programas patrocinados que têm amplo apelo. Rótulos atraentes costumam ser afixados aos programas mais perigosos, muitas vezes em nome do bem-estar público e da segurança pessoal. Mais uma vez, não nos deixemos enganar. ¶
A liberdade pode ser morta pela negligência tanto quanto por um ataque direto. ¶
Por tempo demais, americanos demais, e pessoas do mundo livre em geral, ficaram como cúmplices silenciosos dos crimes de assalto contra a liberdade — assalto contra os princípios e tradições econômicos e espirituais básicos que tornaram fortes as nações. ¶
Esforcemo-nos pelo progresso no caminho da bondade e da liberdade. Com a ajuda e as bênçãos do Senhor, o povo livre dos Estados Unidos e do mundo livre pode enfrentar e enfrentará o amanhã sem medo, sem dúvida e com plena confiança. Não tememos a falsa explosão populacional, nem tememos a escassez de alimentos, se pudermos ser livres e bons. O Senhor declarou: “… a Terra está repleta e há bastante e de sobra. …” (D&C 104:17.) Podemos aceitar essa promessa com confiança. ¶
O Presidente Calvin Coolidge identificou o problema há alguns anos com estas palavras: ¶
“Não precisamos de mais desenvolvimento material, precisamos de mais desenvolvimento espiritual. Não precisamos de mais poder intelectual, precisamos de mais poder moral. Não precisamos de mais conhecimento, precisamos de mais caráter. Não precisamos de mais governo, precisamos de mais cultura. Não precisamos de mais leis, precisamos de mais religião. Não precisamos de mais das coisas que se veem, precisamos de mais das coisas que não se veem. É desse lado da vida que é desejável colocar a ênfase no momento presente. Se esse lado for fortalecido, o outro lado cuidará de si mesmo. É esse lado que é o alicerce de tudo o mais. Se o alicerce for firme, a superestrutura permanecerá de pé.” (Prophets, Principles and National Survival, p. 35.) ¶
Como povo livre, estamos seguindo muito de perto, em muitos aspectos, o padrão que levou à queda do grande Império Romano. Um grupo de historiadores conhecidos resumiu essas condições que levaram à queda de Roma nestas palavras: ¶
“… Roma conhecera um começo pioneiro não muito diferente de nossa própria herança pioneira, e então entrou em dois séculos de grandeza, atingindo seu ápice no segundo desses séculos, entrando em declínio e colapso no terceiro. Contudo, os sinais de decadência já se tornavam aparentes nos últimos anos daquele segundo século. ¶
“Está registrado que houve grandes aumentos no número de ricos ociosos e de pobres ociosos. Estes últimos (os pobres ociosos) foram colocados em uma assistência permanente, um sistema de bem-estar não muito diferente do nosso. À medida que esse sistema se tornava permanente, os beneficiários da generosidade pública (bem-estar) aumentavam em número. Organizaram-se em um bloco político de considerável poder. Não hesitavam em fazer suas exigências conhecidas. Nem o governo hesitava em atender a essas exigências … com frequência cada vez maior. Aspirantes a imperador cortejavam-nos. A grande e sólida classe média — a força de Roma então, como a nossa hoje — era cada vez mais taxada para sustentar uma burocracia que continuava crescendo, e cada vez mais poderosa. Sobretaxas eram impostas sobre a renda para atender a emergências. O governo se engajava em gastos deficitários. O denário, uma moeda de prata semelhante à nossa moeda de meio dólar, começou a perder seu tom prateado. Assumiu uma cor de cobre à medida que o governo reduzia o teor de prata. ¶
“Mesmo assim, a lei de Gresham estava em ação, pois a verdadeira moeda de prata logo desapareceu. Foi escondida. ¶
“O serviço militar era uma obrigação altamente honrada pelos romanos. De fato, um estrangeiro podia conquistar a cidadania romana simplesmente se voluntariando para servir nas legiões de Roma. Mas, com o aumento da riqueza e da opulência, os jovens de Roma começaram a evitar esse serviço, encontrando desculpas para permanecer na vida branda e sórdida da cidade. Passaram a usar cosméticos e a usar penteados e roupas afeminados, até que se tornou difícil, contam-nos os historiadores, distinguir os sexos. ¶
“Entre os professores e sábios havia um grupo chamado os cínicos, cujos membros deixavam crescer o cabelo e a barba, vestiam-se de forma desleixada e professavam indiferença aos bens materiais enquanto lançavam desprezo sobre o que chamavam de ‘valores de classe média’. ¶
“A moral declinou. Tornou-se inseguro caminhar pelo campo ou pelas ruas da cidade. Motins eram comuns, e às vezes bairros inteiros de cidades e vilas eram incendiados. ¶
“E, o tempo todo, as duas doenças gêmeas da taxação confiscatória e da inflação rastejante esperavam para desferir o golpe fatal. ¶
“Por fim, todas essas forças venceram a energia e a ambição da classe média. ¶
“Roma caiu. ¶
“Estamos agora nos aproximando do fim de nosso segundo século.” (Discurso do governador Ronald Reagan, da Califórnia, no Eisenhower College, Nova York, 1969.) ¶
Em 1787 Edward Gibbon concluiu sua nobre obra The Decline and Fall of the Roman Empire [O Declínio e a Queda do Império Romano]. Eis como ele explicou a queda: ¶
O solapamento da dignidade e da santidade do lar, que é a base da sociedade humana. ¶
Impostos cada vez mais altos e o gasto de dinheiro público com pão gratuito e circo para o povo. ¶
A louca ânsia pelo prazer, com os esportes tornando-se, ano após ano, mais empolgantes e brutais. ¶
A construção de armamentos gigantescos, quando o verdadeiro inimigo estava dentro, na decadência do povo. ¶
A decadência da religião — a fé se desvanecendo em mera forma, perdendo contato com a vida e tornando-se impotente para advertir e guiar o povo. ¶
Haverá um paralelo para nós, na América de hoje? Poderiam as mesmas razões que destruíram Roma destruir a América e, possivelmente, outros países do mundo livre? ¶
Durante oito anos em Washington tive esta oração escrita em minha mesa: “Ó Deus, dá-nos homens com um mandato mais elevado do que a urna eleitoral.” ¶
As lições da história, muitas delas muito sóbrias, deveriam ser lembradas nesta hora de nossas grandes conquistas, porque é durante a hora de nosso sucesso que corremos maior perigo. Mesmo durante a hora de nossa grande prosperidade, uma nação pode semear as sementes de sua própria destruição. A história revela que raramente uma grande civilização é conquistada de fora, a menos que já tenha se enfraquecido ou destruído por dentro. ¶
As lições da história permanecem como marcos que nos ajudam a traçar com segurança o rumo para o futuro. ¶
Como cidadãos americanos, como cidadãos das nações do mundo livre, precisamos nos mobilizar diante dos problemas que enfrentamos como grandes nações cristãs. Precisamos reconhecer que esses princípios fundamentais e básicos — morais e espirituais — estão na própria base de nossas conquistas passadas. Para continuarmos a desfrutar das bênçãos presentes, precisamos retornar a esses princípios básicos e fundamentais. Economia e moral fazem parte de um único corpo indissociável de verdade. Precisam estar em harmonia. Precisamos alinhar nossas ações com essas verdades eternas. ¶
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias permanece firme em apoio aos grandes princípios espirituais e morais que têm sido as tradições básicas do mundo livre. Opomo-nos a todo esforço maligno de rebaixar ou desafiar as verdades eternas que sustentaram a civilização desde o princípio. ¶
Usaremos todos os meios honrados para fortalecer o lar e a família; para incentivar a obediência ao primeiro e grande mandamento de multiplicar-nos e encher a terra por meio de uma paternidade nobre; e para fortalecer o caráter mediante a adesão a elevados princípios espirituais e morais. ¶
Na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, a castidade jamais estará fora de moda. Temos um único padrão para homens e mulheres, e esse padrão é a pureza moral. Opomo-nos e abominamos a prática condenável do aborto em massa e todo outro ato profano e impuro que atinja o próprio alicerce do lar e da família, nossas instituições mais básicas. ¶
A continuação dessas práticas imorais certamente trará sobre nós a ira e os julgamentos do Todo-Poderoso. ¶
Em nossa concentração no materialismo e nas aquisições materiais, estaremos esquecendo o fundamento espiritual sobre o qual repousam nossa prosperidade, segurança e liberdade? Que Deus nos ajude a nos arrepender de nossos maus caminhos e a nos humilhar perante o poder ofendido. ¶
Há grande segurança em uma nação de joelhos. ¶
Que segurança traria das tão necessárias bênçãos do Senhor se o povo americano, e o povo em toda parte, pudesse ser encontrado diariamente — de manhã e à noite — de joelhos, expressando gratidão pelas bênçãos já recebidas, reconhecendo nossa dependência de Deus e buscando sua orientação divina. ¶
O espetáculo de uma nação orando é mais impressionante, mais poderoso, do que a explosão de uma bomba atômica. A força da oração é maior do que qualquer combinação possível de poderes controlados pelo homem, porque “a oração é o maior meio do homem de acessar os recursos de Deus”. Os Pais Fundadores aceitaram essa verdade eterna. Aceitamos nós? Aceitaremos? ¶
Sim, é do nosso próprio interesse esclarecido praticar esse simples costume, essa poderosa prática da oração. Roger Babson disse, há muitos anos: “O que este país mais precisa é da antiga oração familiar.” Sim, nossa maior necessidade é um retorno às antigas e comprovadas verdades. ¶
Que Deus nos ajude, como homens livres, a reconhecer a fonte de nossas bênçãos, a ameaça à nossa liberdade e aos nossos padrões morais e espirituais, e a necessidade de uma ação humilde, porém corajosa, para preservar essas inestimáveis e comprovadas bênçãos, oro humildemente em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶