Pulpit

Admoestações para o Sacerdócio de Deus

Harold B. Lee

Conferência Geral de Outubro de 1972·Priesthood Session·1972-10-01

Tenho alguns pensamentos — anotações que pensei que poderia ser levado a usar esta noite. Assim, se o Senhor permitir, gostaria de falar-lhes agora por alguns minutos nesta grande conferência.

Anos atrás, tive uma lição a respeito da grandeza do sacerdócio. Teve a ver com o chamado da Primeira Presidência para que eu fosse ao escritório deles num dia que jamais esquecerei — 20 de abril de 1935. Eu era vereador em Salt Lake City. Eu era presidente de estaca.

Estávamos lutando com essa questão do bem-estar. Havia poucos programas governamentais de trabalho; as finanças da Igreja estavam baixas; disseram-nos que não havia muito o que se pudesse fazer no que dizia respeito às finanças da Igreja. E ali estávamos nós, com 4.800 de nossas 7.300 pessoas total ou parcialmente dependentes. Só tínhamos um lugar para onde recorrer, que era aplicar o programa do Senhor, conforme estabelecido nas revelações.

Foi a partir desses humildes esforços que a Primeira Presidência, sabendo que tínhamos alguma experiência, me chamou certa manhã, perguntando se eu poderia ir ao escritório deles. Era sábado de manhã; não havia compromissos em sua agenda, e, por horas naquela manhã, conversaram comigo e me disseram que queriam que eu renunciasse ao cargo de vereador, e que me desobrigariam de presidente de estaca; que desejavam agora que eu chefiasse o movimento de bem-estar, para reverter a maré da assistência governamental, do socorro direto, e ajudar a colocar a Igreja numa posição em que pudesse cuidar de seus próprios necessitados.

Depois daquela manhã, dirigi meu carro (a primavera estava apenas começando) até o alto do Cânion City Creek, ao que então era chamado de Rotary Park; e ali, sozinho, fiz uma das orações mais humildes de minha vida.

Ali estava eu, apenas um jovem na casa dos trinta anos. Minha experiência havia sido limitada. Eu nascera numa pequena cidade rural em Idaho. Mal saíra dos limites dos estados de Utah e Idaho. E agora, colocar-me numa posição em que teria de alcançar todos os membros da Igreja, no mundo inteiro, era uma das contemplações mais assombrosas que eu podia imaginar. Como eu poderia fazer isso com meu entendimento limitado?

Enquanto eu me ajoelhava, minha súplica foi: "Que tipo de organização deveria ser estabelecida para realizar o que a Presidência designou?" E veio a mim, naquela gloriosa manhã, uma das mais celestiais percepções do poder do sacerdócio de Deus. Foi como se algo me dissesse: "Não é necessária nenhuma organização nova para cuidar das necessidades deste povo. Tudo o que é necessário é pôr o sacerdócio de Deus para trabalhar. Não há mais nada de que você precise como substituto."

Com esse entendimento, então, e com a simples aplicação do poder do sacerdócio, o programa de bem-estar tem avançado a passos largos, superando obstáculos que pareciam impossíveis, até que hoje se ergue como um monumento ao poder do sacerdócio, algo que eu só pude vislumbrar naqueles dias a que me referi.

Agora, com esse entendimento do poder do sacerdócio, permitam-me falar de algumas outras questões que me vieram à mente esta noite.

Há duas escrituras que gostaria que vocês considerassem tão aplicáveis hoje quanto o foram no período seguinte ao advento do Salvador, na meridiana dos tempos, no período pós-apostólico. Nos Atos dos Apóstolos, o apóstolo Paulo deu estas instruções aos anciãos de Israel. Ele disse:

"Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus. …

"Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão entre vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho.

"E que dentre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si." (Atos 20:28–30.)

E então o apóstolo Paulo escreveu aos Gálatas:

"Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho,

"Que não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem distorcer o evangelho de Cristo.

"Mas, ainda que nós mesmos, ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho, além do que já vos anunciamos, seja anátema.

"Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo: Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.

"Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens.

"Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo." (Gálatas 1:6–12.)

Hoje, esses avisos são tão aplicáveis quanto o eram naquele dia em que foram dados.

Há alguns entre nós que são como lobos. Com isso, quero dizer alguns que professam ser membros desta igreja e que não estão poupando o rebanho. E, entre nossos próprios membros, estão se levantando homens que falam coisas perversas. Ora, perverso significa desviar-se do que é certo ou correto, e ser obstinado no erro, deliberadamente, a fim de atrair os membros fracos e incautos da Igreja para segui-los.

E, como disse o apóstolo Paulo, é igualmente uma maravilha para nós hoje, como o foi naquele dia, que alguns membros se afastem tão depressa daqueles que lhes ensinaram o evangelho e se afastem dos verdadeiros ensinamentos do evangelho de Cristo, sendo desviados para algo que corrompe as verdadeiras doutrinas do evangelho de Cristo em práticas e condutas viciosas e perversas.

Esses, como foi evidenciado por eventos chocantes entre alguns desses grupos dissidentes, foram amaldiçoados, como os profetas advertiram; e estão obviamente sob o poder daquele maligno que alimenta os crédulos com todas as sofisticarias que Satanás tem empregado desde o princípio dos tempos.

Gostaria agora de fazer referência a alguns deles. O primeiro é a disseminação de boatos e fofocas (já mencionamos isso antes), que, uma vez iniciados, ganham força à medida que cada narrativa se torna mais fantasiosa, até que, inadvertidamente, aqueles que gostam de se deter no sensacionalismo os repetem em serões, em aulas, em reuniões da Sociedade de Socorro e em classes dos quóruns do sacerdócio, sem antes verificar a fonte, tornando-se assim parte de algo que causa especulação e discussões que roubam o tempo que poderia ser proveitoso, benéfico e esclarecedor para a alma.

Apenas um exemplo: sei que há uma história amplamente divulgada segundo a qual eu teria recebido uma bênção patriarcal (não sei se algum de vocês já ouviu falar disso) que teria a ver com a vinda do Salvador e das dez tribos de Israel.

Em primeiro lugar, uma bênção patriarcal é um documento sagrado para a pessoa que a recebeu, e nunca é dada para publicação e, como todas as bênçãos patriarcais, deve ser mantida como posse particular de quem a recebeu.

E, em segundo lugar, no que se refere àquilo que eu supostamente teria recebido, basta dizer que tal citação é incorreta e sem fundamento nos fatos.

Há uma coisa que me choca: aprendi que, em alguns casos, aqueles que ouviram esses boatos ficam desapontados quando lhes digo que não são verdadeiros. Parecem ter gostado de acreditar num boato sem substância nos fatos. Exorto seriamente que nenhuma fofoca ociosa como essa seja divulgada sem que primeiro se certifique se é verdadeira ou não.

A Primeira Presidência, em agosto de 1913, emitiu um aviso aos membros da Igreja que bem poderia ser repetido hoje. Deixem-me ler para vocês algumas das coisas que foram ditas naquela época:

"Aos oficiais e membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias:

"Desde os dias de Hiram Page (Doutrina e Convênios, Seção 28), houve, em diferentes períodos, manifestações de espíritos ilusórios a membros da Igreja. Às vezes, essas vieram a homens e mulheres que, por causa da transgressão, se tornaram presa fácil do Grande Enganador. Em outras ocasiões, pessoas que se orgulham de sua estrita observância das regras, ordenanças e cerimônias da Igreja são desviadas por espíritos falsos, que exercem uma influência tão imitativa daquela que procede de uma fonte divina que até mesmo essas pessoas, que pensam ser 'os verdadeiros eleitos,' têm dificuldade de discernir a diferença essencial. O próprio Satanás se transforma aparentemente em 'anjo de luz.'

"Quando visões, sonhos, línguas, profecias, impressões ou algum dom extraordinário ou inspiração transmitem algo em desarmonia com as revelações aceitas pela Igreja ou contrário às decisões de suas autoridades constituídas, os Santos dos Últimos Dias podem saber que isso não procede de Deus, por mais plausível que possa parecer. Também devem compreender que as diretrizes para a orientação da Igreja virão, por revelação, por meio do cabeça. Todos os membros fiéis têm direito à inspiração do Espírito Santo para si mesmos, para suas famílias e para aqueles sobre os quais são designados e ordenados a presidir. Mas nada que esteja em discordância com o que vem de Deus, por meio do cabeça da Igreja, deve ser aceito como autoritativo ou confiável. Tanto nos assuntos seculares quanto nos espirituais, os santos podem receber orientação e revelação divina que lhes digam respeito, mas isso não confere autoridade para dirigir outros, e não deve ser aceito quando contrário aos convênios, à doutrina ou à disciplina da Igreja, ou a fatos conhecidos, verdades demonstradas ou bom senso comum. Ninguém tem o direito de induzir seus companheiros membros da Igreja a se envolverem em especulações ou a investirem em empreendimentos de qualquer tipo sob a alegação especiosa de revelação, visão ou sonho divino, especialmente quando isso se opõe à voz da autoridade reconhecida, local ou geral. A Igreja do Senhor 'é uma casa de ordem.' Ela não é governada por dons ou manifestações individuais, mas pela ordem e pelo poder do Santo Sacerdócio, sustentado pela voz e voto da Igreja em suas conferências designadas.

"A história da Igreja registra muitas pretensas revelações alegadas por impostores ou zelotes que acreditavam nas manifestações que procuravam levar outras pessoas a aceitar, e, em todos os casos, resultaram daí decepção, tristeza e desastre. Perdas financeiras e, às vezes, ruína completa se seguiram."

Isso é algo que se repete vez após vez, e apelamos a vocês, portadores do sacerdócio, para que erradiquem qualquer coisa desse tipo e ponham em fuga todas essas coisas que vão se infiltrando, pessoas que se levantam aqui e ali, que tiveram algum tipo "maravilhoso" de manifestação, como alegam, e que tentam conduzir o povo por um caminho que não foi ditado pelos cabeças da Igreja.

Como já disse, nunca deixa de me surpreender a credulidade de alguns de nossos membros ao divulgar essas histórias sensacionalistas, sonhos ou visões, alguns alegadamente dados a líderes da Igreja, passados ou presentes, supostamente extraídos do diário particular de alguma pessoa, sem antes verificar o relato junto às devidas autoridades da Igreja.

Se nosso povo deseja ser guiado com segurança durante estes tempos turbulentos de engano e falsos boatos, deve seguir seus líderes e buscar a orientação do Espírito do Senhor, a fim de evitar cair na armadilha de hábeis manipuladores que, com astuciosa sofisticaria, procuram chamar a atenção e conquistar seguidores para servir a suas próprias ideias e, às vezes, a motivos sinistros.

O Senhor estabeleceu de forma muito clara um teste pelo qual qualquer pessoa pode questionar todos os que vierem alegando, clandestinamente, ter recebido algum tipo de autoridade do sacerdócio. Ora, foi isso que o Senhor disse na seção 42 de Doutrina e Convênios, versículo 11:

"E também vos digo que a ninguém será permitido sair a pregar meu evangelho ou estabelecer minha igreja, a não ser que tenha sido ordenado por alguém que tenha autoridade; e que a igreja saiba que tem autoridade e foi apropriadamente ordenado pelos dirigentes da igreja."

Ora, se alguém vier alegando ter autoridade, perguntem-lhe: "Onde você obteve sua autoridade? Você foi ordenado por alguém que tem autoridade, que é conhecido pela Igreja, de que você tem autoridade e foi regularmente ordenado pelos dirigentes da Igreja?" Se a resposta for não, vocês podem saber que ele é um impostor. Este é o teste que nosso povo deve sempre aplicar quando algum impostor vier tentando desviá-los.

Ora, há outro perigo que enfrentamos. Parece haver, entre nós, alguns que são como lobos entre o rebanho, tentando conduzir alguns membros fracos e incautos da Igreja, segundo relatos que chegaram até nós, que estão tomando a lei em suas próprias mãos, recusando-se a pagar seu imposto de renda por terem algum desacordo político com as autoridades constituídas.

Outros têm tentado mobilizar civis, sem autoridade policial, e armar-se para combater possíveis perigos, sem perceber que, ao fazê-lo, tornam-se eles próprios, ao obstruir a autoridade constituída, sujeitos a prisão e detenção.

Já ouvimos até falar de alguém que, alegando ser membro da Igreja, em protesto contra imagens pornográficas exibidas em cinemas, plantou bombas, tornando-se, portanto, sujeito à punição da lei e, posteriormente, ao julgamento perante os órgãos disciplinares da Igreja.

Embora devamos apoiar firmemente aqueles que procuram erradicar a exibição imunda e provocante dos assim chamados materiais pornográficos, temos apenas uma resposta para todos os que tomam medidas tão radicais, e esta é a palavra do Senhor:

"Que ninguém se julgue governante; mas que governe Deus o que julga, de acordo com sua própria vontade ou, em outras palavras, o que aconselha ou se assenta na cadeira de juiz.

"Que ninguém quebre as leis do país … até que reine aquele cujo direito é reinar; e subjugue todos os inimigos sob seus pés." (Doutrina e Convênios 58:20–22.)

Quero advertir este grande corpo de sacerdócio contra aquele grande pecado de Sodoma e Gomorra, que tem sido classificado como um pecado de gravidade inferior somente ao pecado de assassinato. Refiro-me ao pecado de adultério, que, como vocês sabem, foi o nome usado pelo Mestre ao se referir tanto aos pecados sexuais ilícitos de fornicação quanto ao adultério; e, além disso, ao pecado igualmente grave da homossexualidade, que parece estar ganhando força com aceitação social na Babilônia do mundo, da qual os membros da Igreja não devem fazer parte.

Embora estejamos no mundo, não devemos ser do mundo. Quaisquer tentativas feitas por escolas ou locais de entretenimento de exibir perversões sexuais, que nada podem fazer além de incitar à experimentação, devem encontrar, entre o sacerdócio desta igreja, uma defesa vigorosa e incansável, por meio de todos os recursos legais que puderem ser empregados.

Os juízes comuns de Israel, nossos bispos e presidentes de estaca, não devem ficar de braços cruzados e deixar de aplicar medidas disciplinares dentro de sua jurisdição, conforme claramente estabelecido nas leis do Senhor e nos procedimentos estabelecidos em instruções claras e simples que não podem ser mal interpretadas. Jamais devemos permitir que uma suposta misericórdia para com o pecador impenitente roube a justiça sobre a qual se baseia o verdadeiro arrependimento das práticas pecaminosas.

Mais um assunto: há entre nós muitos escritos duvidosos que predizem as calamidades prestes a nos sobrevir. Alguns deles têm sido divulgados como se fossem necessários para despertar o mundo para os horrores prestes a nos atingir. Muitos deles vêm de fontes nas quais não se pode confiar sem questionamento.

Vocês, portadores do sacerdócio, estão cientes de que não precisamos de tais publicações para sermos advertidos, se apenas estivéssemos familiarizados com o que as escrituras já nos disseram claramente?

Deixem-me dar-lhes a palavra segura de profecia na qual vocês devem confiar como guia, em vez dessas fontes estranhas que podem ter grandes implicações políticas.

Leiam o capítulo 24 de Mateus — particularmente aquela versão inspirada contida na Pérola de Grande Valor. (Joseph Smith—Mateus 1.)

Depois leiam a seção 45 de Doutrina e Convênios, onde o Senhor, não o homem, documentou os sinais dos tempos.

Agora, voltem-se para a seção 101 e a seção 133 de Doutrina e Convênios e ouçam o relato passo a passo dos acontecimentos que antecedem a vinda do Salvador.

Por fim, voltem-se para as promessas que o Senhor faz àqueles que guardam os mandamentos quando esses juízos descerem sobre os iníquos, conforme estabelecido em Doutrina e Convênios, seção 38.

Irmãos, esses são alguns dos escritos com os quais vocês deveriam se preocupar, em vez de comentários que possam vir de pessoas cujas informações talvez não sejam as mais confiáveis e cujos motivos podem ser questionáveis. E permitam-me dizer, entre parênteses, que a maioria desses escritores não é prejudicada por possuir qualquer informação autêntica em seus escritos.

Como o Senhor tem admoestado os portadores do sacerdócio desde o princípio: "Portanto, cingi vossos lombos e preparai-vos. Eis que o reino é vosso e o inimigo não prevalecerá.

"Em verdade vos digo que sois limpos, mas não todos; e ninguém mais há com quem me compraza;

"Pois toda carne está corrompida diante de mim; e os poderes das trevas prevalecem na Terra, entre os filhos dos homens, na presença de todas as hostes do céu —

"Pelo que reina o silêncio e toda a eternidade está aflita. …" (Doutrina e Convênios 38:9–12.)

Agora, irmãos, falei-lhes claramente nesta sessão do sacerdócio. Que o que foi dito por todos os irmãos esta noite, e nesta conferência, não caia em ouvidos surdos. Que estas admoestações sejam recebidas como o Senhor determinou que deveriam ser recebidas, numa revelação antiga, à qual o Presidente Tanner já fez referência: "como de minha própria boca, com toda paciência e fé." (Doutrina e Convênios 21:5.)

Somente assim podemos ser verdadeiramente um só corpo de sacerdócio, seguindo a liderança que o Senhor estabeleceu em nossos dias para que possamos ser um. E ele nos adverte que, se não formos um, não somos dele, como declarou em Doutrina e Convênios.

Há uma ou duas coisas que gostaria de dizer a respeito de mim mesmo e desta atual responsabilidade. Nunca pensei em mim mesmo como alguém que um dia se tornaria Presidente da Igreja. Quando menino, em minha comunidade rural, eu costumava ouvir os irmãos falarem de um "pilar" na Igreja. Eu me perguntava o que aquilo significava. Devia ser algo grandioso ser um pilar na Igreja. Bem, agora, talvez eu esteja começando a perceber algo do que isso significa, mas sei disto: aqueles que tentam adivinhar de antemão quem será o próximo Presidente da Igreja estão apenas apostando, como numa corrida de cavalos, porque somente o Senhor conhece o cronograma.

Lembro-me de certa vez em que o Élder Charles A. Callis estava numa reunião do Conselho dos Doze. Havia uma discussão bastante animada sobre certas questões. Um dos irmãos disse: "É melhor vocês escutarem o Irmão George Albert Smith, o Presidente dos Doze, porque ele pode ser o próximo Presidente da Igreja."

O Irmão Callis sorriu e disse: "Ah, eu não teria tanta certeza. Três vezes em minha vida escolhi o próximo Presidente da Igreja, e os três morreram antes de chegar à presidência." Somente o Senhor sabe, e especular ou presumir não agrada aos olhos do Senhor.

Tenho mais um pensamento que gostaria de expressar. Brigham Young foi um grande defensor do Profeta Joseph Smith. Havia Judas entre as fileiras naquela época, assim como havia nos dias do Salvador, e assim como temos hoje, alguns que são membros da Igreja e que nos estão minando, que estão traindo a confiança depositada neles. Ficamos chocados quando vemos de onde vêm algumas dessas coisas.

Brigham Young foi convidado por alguns desses homens que tentavam depor o Profeta Joseph de sua posição de Presidente da Igreja; mas cometeram um erro ao convidar o Presidente Brigham Young para seu círculo. E, depois de ouvir quais eram seus motivos, ele disse algo como: "Quero dizer uma coisa a vocês, homens. Vocês não podem destruir a nomeação de um profeta de Deus, mas podem cortar o fio que os liga ao profeta de Deus, e afundar-se no inferno."

Havia ali um pugilista chamado Jacob Bump, segundo consta a história, que cerrou os punhos e avançou em direção ao Presidente Young, que respondeu às ameaças desse homem: "Eu gostaria de pôr as mãos num homem como você em defesa do Profeta Joseph Smith."

Lembrem-se disso, irmãos. Vocês não podem destruir as nomeações dos profetas de Deus. O Senhor sabe quem ele quer que presida em sua igreja, e às vezes é preciso muita prática, orientação e provação, antes que ele saiba se um de nós está ou não preparado para a atribuição presente.

Ora, penso que é tolice comparar um Presidente da Igreja com outro. Ninguém toma o lugar de outro Presidente da Igreja. Cada Presidente tem seu próprio lugar. Aprendi uma lição há alguns anos quando, em companhia de um dos irmãos, reorganizei a presidência da Estaca Ensign. Havíamos designado o bispo de uma das alas como presidente de estaca. Era perto do final do ano, e ele optou por permanecer como bispo, junto com seu primeiro conselheiro, que também era bispo, até que fechassem os livros no final do ano.

Seis semanas depois de serem sustentados, o presidente de estaca faleceu subitamente.

Então comecei a receber uma enxurrada de cartas. Onde estava a inspiração para eu chamar um homem que o Senhor deixaria morrer em seis semanas? Convidaram-me para falar em seu funeral, e alguns pareciam esperar que eu tentasse explicar por que havia designado um homem que o Senhor levaria para casa em seis semanas.

O Presidente Joseph Fielding Smith estava sentado no púlpito e ouviu minha tentativa de satisfazer essas pessoas, e me disse: "Não deixe que isso o incomode. Se você chamou um homem para uma posição nesta igreja, e ele morre no dia seguinte, essa posição terá relação com aquilo para o qual ele será chamado a fazer quando deixar esta terra."

Eu acredito nisso. Acredito que todo Presidente desta igreja, todo apóstolo desta igreja, todo bispo, todo presidente de estaca, toda posição presidente terá relação com aquilo que a pessoa será chamada a fazer quando deixar esta terra.

E assim, quando vocês pensarem que um Presidente toma o lugar de outro, isso não acontece. Aquele Presidente mantém seu próprio lugar. Não devemos tentar comparar um como sendo maior do que este ou maior do que aquele, porque cada um é, aos olhos do Senhor, em seu próprio tempo, o mais necessário para aquele momento específico. Vocês podem ter certeza disso.

Ora, apenas um último pensamento. Certo dia, sentei-me numa aula da Escola Dominical em minha própria ala, e o professor era filho de um patriarca. Ele disse que costumava anotar as bênçãos de seu pai, e notou que seu pai dava o que chamava de bênçãos "condicionais." Ele daria uma bênção, mas ela estava condicionada a "se você não fizer isto" ou "se você deixar de fazer aquilo." E ele disse: "Observei esses homens a quem meu pai dava as bênçãos condicionais, e vi que muitos deles não atenderam ao aviso que meu pai, como patriarca, havia dado, e as bênçãos nunca foram recebidas porque eles não cumpriram."

Sabem, isso me fez pensar. Voltei a Doutrina e Convênios e comecei a ler as revelações "condicionais" que foram dadas aos diversos irmãos da Igreja. Se vocês quiserem um exercício que os deixará surpresos, leiam alguns dos avisos que foram dados por meio do Profeta Joseph Smith a Thomas B. Marsh, Martin Harris, alguns dos irmãos Whitmer, William E. McLellin — avisos que, se tivessem sido atendidos, teriam impedido que alguns caíssem pelo caminho. Mas, porque não os atenderam e não puseram suas vidas em ordem, caíram pelo caminho, e alguns tiveram de ser excluídos da Igreja.

Ora, há uma coisa que penso que todos devemos ter em mente. Certo dia, eu estava com um grupo de missionários no templo. Uma das irmãs fez uma pergunta sobre a Palavra de Sabedoria, a respeito da promessa feita de que quem guardasse a Palavra de Sabedoria correria e não se cansaria, e caminharia e não desfaleceria. E ela disse: "Como essa promessa poderia se realizar se a pessoa fosse aleijada? Como ela poderia receber a bênção de correr e não se cansar, e caminhar e não desfalecer, se fosse aleijada?"

Respondi-lhe: "Você já duvidou do Senhor? Foi o Senhor quem disse isso."

O problema conosco hoje é que muitos de nós colocamos pontos de interrogação em vez de pontos finais depois do que o Senhor diz. Quero que pensem sobre isso. Não deveríamos nos preocupar com o motivo pelo qual ele disse algo, ou se isso pode ou não se concretizar. Simplesmente confiem no Senhor. Não devemos tentar encontrar as respostas ou explicações. Não deveríamos tentar gastar tempo explicando aquilo que o Senhor não julgou apropriado explicar. Perdemos tempo inutilmente.

Se vocês ensinassem nosso povo a colocar pontos finais, e não pontos de interrogação, depois do que o Senhor declarou, diríamos: "Basta-me saber que foi isso que o Senhor disse."

O Élder Gordon B. Hinckley contou uma história, depois de ir ao Vietnã, que para mim foi uma grande lição. Havia um jovem, se bem me lembro, que servia nas forças armadas no Vietnã e que se filiara à Igreja, e que agora estava prestes a voltar para seu país natal, no Sudeste Asiático.

O Irmão Hinckley perguntou-lhe: "O que vai acontecer com você quando voltar para casa, agora que se filiou à Igreja?"

"Ah," disse o jovem, "serei expulso. Minha família me renegará. Terei dificuldades na escola. Não terei posto militar algum."

O Élder Hinckley então perguntou: "Não é um preço muito alto a pagar?"

E esse jovem olhou para o Élder Hinckley e disse: "Bem, o evangelho é verdadeiro, não é?"

Aquela foi uma pergunta que tocou a alma do Irmão Hinckley, que respondeu: "Sim, meu filho, com toda a minha alma, o evangelho é verdadeiro."

E então esse jovem disse: "Bem, o que mais importa, então?"

Irmãos do sacerdócio, se o evangelho de Jesus Cristo é verdadeiro — e é verdadeiro — o que mais importa? O Senhor pode nos abençoar com aquele testemunho inabalável que nos guiará por todos os perigos da vida, se apenas continuarmos a dizer a nós mesmos: "Porque sei que o evangelho é verdadeiro, nada mais importa."

Dou-lhes meu solene testemunho de que isso é verdade, de que o Senhor está em seus céus; ele está mais próximo de nós do que vocês possam imaginar. Vocês perguntam quando o Senhor deu a última revelação a esta igreja. O Senhor está dando revelações dia após dia, e vocês testemunharão e olharão para trás, para este período, e verão algumas das poderosas revelações que o Senhor deu em seus dias e em sua época. Disso dou-lhes o meu testemunho, e deixo com vocês meu testemunho nesta noite, em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoHarold B. Lee, “Admoestações para o Sacerdócio de Deus”, Conferência Geral de Outubro de 1972, Priesthood Session (1972-10-01). Pulpit Vault, 1972-10-lee-admonitions-for-the-priesthood-of-god. Tradução desta edição, por método de glossário, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).