Mestres Familiares — Sentinelas sobre a Igreja
James A. Cullimore
O que preparei para dizer hoje, meus irmãos e irmãs, dirige-se principalmente aos mestres familiares da Igreja e àqueles que dirigem o trabalho deles. ¶
Muito se disse, durante estas sessões da conferência, sobre a família e o lar, e sobre a importância deles, da parte daqueles que discursaram. Foi indicado: "A própria essência do governo divino é a paternidade e o reconhecimento do relacionamento familiar. A própria Igreja existe para exaltar a família." [Hugh B. Brown, em Conference Report, 2 de outubro de 1966, p. 103.] ¶
O Presidente Joseph F. Smith nos disse: "O próprio alicerce do reino de Deus, da retidão, do progresso, do desenvolvimento, da vida eterna e do aumento eterno no reino de Deus está assentado no lar divinamente ordenado." [Gospel Doctrine, p. 304.] ¶
O Presidente Harold B. Lee disse recentemente: "A mais importante obra do Senhor será aquela que fizermos dentro de nossos próprios lares." (Seminário dos Representantes Regionais, 7 de abril de 1972, p. 2.) ¶
Diz-se que cada família na Igreja é, na verdade, um reino ou governo em si mesma. O pai, em virtude do sacerdócio de Deus que lhe foi conferido, é o cabeça desse governo. É isso que constitui o ofício patriarcal na família. Originalmente, era o único governo na terra e foi transmitido de Adão a seus descendentes. Com o tempo, à medida que a sociedade se tornou mais complexa, a maneira de governar os povos da terra teve de mudar, mas, no que diz respeito à Igreja, a mesma ordem existe dentro das famílias tal como Deus a estabeleceu originalmente com o Pai Adão. E essa mesma ordem se estenderá pelas eternidades. (Vide Millennial Star, vol. 14, p. 290.) ¶
A importância da família foi enfatizada ao Profeta Joseph Smith ainda antes de a Igreja ser organizada. O Senhor lhe revelou um plano pelo qual o sacerdócio deveria zelar pela Igreja. Os santos foram instruídos a "visitar a casa de todos os membros, exortando-os a orarem em voz alta e em segredo e a cumprirem todas as obrigações familiares." (D&C 20:47.) Ele disse aos mestres: "O dever do mestre é zelar sempre pela igreja, estar com os membros e fortalecê-los; ¶
"E certificar-se que não haja iniquidade na igreja nem aspereza entre uns e outros nem mentiras, maledicências ou calúnias; ¶
"E certificar-se que a igreja se reúna amiúde e também certificar-se que todos os membros cumpram seus deveres." (D&C 20:53–55.) ¶
Desde então, em certa medida, todos os lares da Igreja passaram a ser visitados mensalmente. Isso ficou conhecido como ensino de ala. ¶
Em setembro de 1963, o ensino familiar foi introduzido na Igreja. Isso difere do ensino de ala porque se dá maior ênfase ao zelar pela família, em vez de simplesmente fazer uma visita mensal. Foram dadas instruções de que o dever do mestre familiar é manter contato com as famílias, zelar por elas, contatá-las da maneira que for necessária, a fim de zelar por elas. Diz-se que o ensino familiar não consiste apenas numa visita por mês, mas que o ensino familiar nunca está concluído. Devemos ter preocupação por essas famílias todos os dias, enquanto elas estiverem designadas a nós. A visita mensal a uma família é importante, mas é apenas um dos meios de contato ao zelarmos por nossas famílias. ¶
Por ocasião da introdução oficial do programa de ensino familiar, o Presidente Marion G. Romney sugeriu alguns dos desafios e oportunidades do ensino familiar, nestas palavras: "Por meio do programa de correlação do sacerdócio, nós, portadores do sacerdócio, devemos aumentar nossos esforços para encorajar, ensinar e inspirar os santos a se tornarem 'participantes da natureza divina', … mediante a obediência aos princípios santificadores do evangelho. ¶
"Estamos desempenhando muito abaixo do nosso potencial nesse aspecto. … Ora, a correlação do sacerdócio, tal como estamos usando o termo aqui, contempla tudo o que atualmente se faz no ensino de ala e muito mais. Ela une sob um único empreendimento muitas atividades. Requer que se dê atenção a cada membro de cada família, particularmente àqueles que precisam de encorajamento especial para viver o evangelho. Significa muito mais do que uma visita superficial uma vez por mês. Inclui: ¶
"1. Visitas periódicas a cada família por dois portadores do sacerdócio; ¶
"2. Trabalhar com os portadores do Sacerdócio de Melquisedeque [os pais] para edificar 'força' espiritual e temporal; ¶
"3. Trabalhar com membros inativos e com idade avançada do Sacerdócio Aarônico com menos de 21 anos; ¶
"4. Ativar e trazer para a plena participação na igreja membros mais velhos do Sacerdócio Aarônico e suas famílias [hoje conhecidos como élderes potenciais]; ¶
"5. Acolher e trazer para a plena atividade os conversos recentes, os recém-chegados e todos os membros inativos da igreja; ¶
"6. Encorajar todos os pais e outros chefes de família a manter verdadeiros lares de Santos dos Últimos Dias, nos quais se pratiquem e se ensinem os princípios santificadores do evangelho. … ¶
"Será responsabilidade deles [dos mestres familiares]", continua o Presidente Romney, "certificar-se de que os bebês sejam abençoados; de que as crianças sejam batizadas aos oito anos de idade; e de que os rapazes sejam dignos e qualificados para serem ordenados ao sacerdócio aos 12 anos de idade e de que sejam de fato ordenados; que avancem pelos graus do sacerdócio na ordem devida; que os candidatos ao casamento sejam devidamente ensinados quanto à importância e à santidade do casamento no templo e quanto às normas da igreja que os qualificarão para isso, a fim de que sejam casados no templo. ¶
"Será responsabilidade dos dois irmãos visitantes conhecer as atividades disponíveis na igreja para cada membro da família e encorajá-lo a delas se valer — tais atividades, por exemplo, como as reuniões sacramentais, as conferências de estaca e outras atividades; atividades proporcionadas pelos quóruns do sacerdócio, pelas organizações auxiliares, … o trabalho genealógico e do templo, e assim por diante." (Improvement Era, dezembro de 1962, pp. 938–39.) ¶
Isso é, de fato, zelar pela Igreja. Depois de nove anos de ensino familiar, contudo, receio que ainda estejamos, em sua maior parte, apenas fazendo o ensino de ala. Ainda estamos incitando os mestres familiares do sacerdócio a "apressarem-se e concluírem seu ensino familiar — o mês está quase terminando." Até hoje se ouve o mestre familiar dizer: "Se eu realmente tivesse uma mensagem para levar às minhas famílias, poderia fazer meu ensino." ¶
Essas coisas indicam que, na verdade, não temos a visão de "zelar pela Igreja." Podemos ter um excelente registro da porcentagem de lares visitados a cada mês, mas o verdadeiro teste é: estamos afetando para o bem a vida de cada membro individual da família por meio de nossos contatos? Estamos respeitando a natureza sagrada da unidade familiar ao trabalharmos com e por meio do pai? Sentamo-nos com o pai com a frequência necessária? Nós o escutamos? Nós o encorajamos, o elogiamos e, de outras formas, o edificamos? ¶
Nosso chamado e nossa oportunidade como mestres familiares é zelar pelos pais de família e fortalecê-los; o Senhor espera que os pais e mães, em primeiro lugar, ensinem o evangelho a suas famílias em noites familiares regulares e diariamente, à medida que surgirem oportunidades de ensino. Os mestres familiares podem ser solicitados a auxiliar em ocasiões especiais. ¶
Fomos aconselhados de que a família, presidida pelo portador do sacerdócio, é a unidade básica da igreja. Sabemos, como mestres familiares, que a ordem do sacerdócio requer que trabalhemos com uma família por meio da autoridade presidente dentro da família, o pai. O pai deve ser reconhecido em sua posição. O Senhor o considera responsável pelas funções corretas de sua família em relação às demais unidades da igreja e por conduzir sua família à vida eterna. O mestre familiar que trabalha com e por meio do pai fortalece seu papel e sua responsabilidade. ¶
Nosso pensamento como mestres familiares deve ser sempre: como posso ajudar os pais sob meus cuidados a magnificarem seu sacerdócio, aceitando plenamente suas responsabilidades como patriarcas de suas famílias? ¶
Podemos dedicar muito esforço ao trabalho com indivíduos de uma família e, eventualmente, alcançar uma criança, mas nosso verdadeiro desafio é trabalhar com o pai, fortalecendo-o para que possa conduzir toda a família à glória celestial. ¶
O Presidente Joseph F. Smith disse, a respeito do direito do pai: "Não há autoridade mais alta em assuntos relacionados à organização familiar, especialmente quando essa organização é presidida por alguém que possui o Sacerdócio Superior, do que a do pai. … A ordem patriarcal é de origem divina e continuará por todo o tempo e por toda a eternidade. Há, então, uma razão particular pela qual homens, mulheres e crianças devem compreender essa ordem e essa autoridade no lar do povo de Deus, e procurar torná-la aquilo que Deus pretendia que fosse: uma qualificação e uma preparação para a mais elevada exaltação de Seus filhos. No lar, a autoridade presidente está sempre investida no pai, e em todos os assuntos domésticos e familiares não há outra autoridade superior." (The Juvenile Instructor, março de 1902, p. 146.) ¶
Há grande necessidade de examinarmos a nós mesmos com um novo olhar como mestres familiares. Como podemos realizar mais fielmente aquilo que o Senhor pretendia na revelação dada ao Profeta Joseph Smith? ¶
Creio que o Presidente Lee deu o tom aos Representantes Regionais dos Doze em abril passado, quando disse: ¶
"Talvez o mestre familiar devesse ser incumbido, com mais clareza, de descrever sua missão como a de zelar e fortalecer, a fim de garantir que os membros cumpram seu dever. … Eles se veem apenas como instrutores da mensagem do evangelho. Talvez devêssemos chamá-los de guardiões domésticos ou sentinelas, e fazê-los relatar sua mordomia aos pais da ala. Precisamos fazer algo para mudar a ênfase de ensinar para guardar — o conceito de 'zelar pela igreja'. Até que isso se fixe em nossa mente, não faremos o tipo de ensino familiar capaz de gerar resultados." ¶
Precisamos, desde já, captar o espírito daquilo que o Presidente Lee disse e nos tornar guardiões do sacerdócio, sentinelas do sacerdócio, e não apenas instrutores do evangelho. Precisamos garantir que os mestres familiares não incorram, depois de terem feito a única visita mensal a cada família, no erro de relaxar, sentir-se satisfeitos com isso e declarar concluído o ensino familiar do mês. Lembrem-se: o ensino familiar nunca está concluído. ¶
O irmão Rex Reeve, um dos Representantes Regionais dos Doze, deu-nos uma orientação maravilhosa ao dizer: "Os mestres familiares do sacerdócio devem pensar em termos das necessidades da família, e não apenas em levar uma mensagem. Quando o mestre familiar do sacerdócio consegue ver almas — e não apenas mais um lar para visitar — e quando consegue sentir as necessidades dos indivíduos e, em seu coração, consegue amá-los e tem o anseio de ajudar, ele pode dar coragem a almas que lutam para subir de volta ao lar nestes tempos perigosos. ¶
"O ensino familiar do sacerdócio não é apenas mais um programa da Igreja, algo a ser cumprido para que se possa enviar o relatório. É um princípio de ação — o veículo pelo qual todos os programas da Igreja são levados à família e ao indivíduo, e, além disso, tem o poder de abençoar, guiar e fortalecer almas." (Seminário dos Representantes Regionais, 12 de dezembro de 1970.) ¶
Quando os presidentes de estaca, bispos e líderes do sacerdócio em geral compreenderem o verdadeiro conceito e o verdadeiro sentimento do ensino familiar e permitirem que ele seja o veículo pelo qual todos os programas da Igreja são levados à família e aos indivíduos, quando as famílias e os indivíduos passarem a reconhecer devidamente os mestres familiares e a trabalhar com eles, poderemos prestar contas muito melhores de nosso zelo pela Igreja. ¶
A Primeira Presidência declarou, há muitos anos: "O lar [é] a base de uma vida reta, e nenhum outro meio pode tomar o seu lugar ou cumprir as suas funções essenciais." (Citado pelo Élder Harold B. Lee, em CR, 30 de setembro de 1961, p. 79.) ¶
Que possamos cumprir melhor nossa incumbência como mestres familiares, tornando-nos guardiões e sentinelas sobre as famílias da Igreja, fortalecendo-as assim, é minha oração, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶