Pelo Amor, Servi-vos Uns aos Outros
Victor L. Brown
O apóstolo Tiago disse: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se imaculado do mundo.” (Tiago 1:27.) ¶
O apóstolo Paulo disse: “… servi-vos uns aos outros pela caridade. Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” (Gálatas 5:13–14.) ¶
Ele disse ainda: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. ¶
“E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse caridade, nada seria. ¶
“Agora, pois, permanecem estas três: a fé, a esperança e a caridade; porém a maior destas é a caridade.” (1 Coríntios 13:1–2, 13.) ¶
Com essas escrituras como pano de fundo, gostaria de compartilhar com vocês algumas experiências de alguns grupos maravilhosos de trabalhadores anônimos que fizeram esses ensinamentos viverem em sua vida. Permitam-me apresentar-lhes o primeiro grupo. São conhecidos como missionários da saúde, médicos e enfermeiras que responderam ao mesmo chamado missionário que milhares de missionários proselitistas, não apenas sem receber um centavo de compensação, mas pagando suas próprias despesas. Em cada caso, trabalham sob a direção do presidente de missão. ¶
Da Guatemala, uma missionária da saúde relata: “As crianças da Primária receberam uma lição sobre os três grupos básicos de alimentos. Depois da lição com o gráfico, jogamos um jogo com elas. Foi pedido que colocassem os alimentos nos grupos a que pertenciam. Depois, demos a elas um prato e pedimos que preparassem uma refeição para nós — café da manhã, almoço ou jantar — usando alimentos dos três grupos básicos. Essa mesma lição de saúde foi dada tanto a famílias de pesquisadores quanto a famílias de membros.” ¶
Vocês ficarão interessados em saber que cerca de 50 por cento das crianças nessas aldeias indígenas morrem antes de completar cinco anos de idade. A desnutrição, agravada por infecções respiratórias e diarreia, é a causa subjacente. ¶
Falando sobre lições de parteira, essa missionária da saúde diz: “Daremos aulas sobre esse assunto [o parto de bebês] na Sociedade de Socorro, para que nossas irmãs possam se beneficiar disso. Trabalhando com a Sociedade de Socorro, podemos desenvolver ainda mais o programa de saúde. As irmãs podem contar umas com as outras para se ajudar. Damos a elas conceitos de saúde; depois elas podem ensinar suas famílias, as irmãs da Igreja e seus vizinhos. Sabemos que o programa de saúde funcionará por meio dessas organizações, como planejado. Também esperamos trabalhar com as famílias por meio do programa de noite familiar.” ¶
De Apia, Samoa Ocidental, chega o relato de um médico, outro missionário da saúde: “Em nossas conferências desta vez, estamos novamente enfatizando a importância da alimentação e da limpeza, mas, além disso, estamos incentivando cada família a manter um suprimento de alimentos em constante crescimento. Indicamos a elas que cada família deve manter uma certa quantidade de vários alimentos crescendo, e que, à medida que forem consumidos, devem ser repostos. Também as estamos incentivando a tentar cultivar seus próprios vegetais e, como demonstração, plantamos um pequeno canteiro em cada conferência com tomates, repolho etc., e o deixamos para que o ramo continue cuidando dele. Mudas extras são dadas aos membros interessados em cultivar as suas próprias.” ¶
Das Filipinas, chega um relato sobre os problemas da recente enchente catastrófica e a ajuda que os missionários da saúde prestaram. ¶
E assim segue, do Peru, de Tonga, da Guatemala, do Uruguai, do Paraguai, da Colômbia, da Bolívia, da Nicarágua, de Honduras, do México, do Brasil e, no futuro, de Hong Kong, da Coreia, de Taiwan e de muitos outros países do mundo. ¶
Vejamos agora o que está acontecendo na vida das pessoas por causa de um segundo grupo de trabalhadores, aqueles envolvidos na fase de serviços sociais desta obra. ¶
Este é o caso de uma mãe solteira de dezessete anos. Essa jovem vinha de uma boa família mórmon ativa. As linhas de comunicação haviam se rompido entre pais e filha. Ela estava em sérios problemas por causa de uma gravidez e estava à beira de agravar o problema de tal forma que comprometeria ainda mais qualquer possibilidade de uma vida feliz e bem-sucedida, quando um dos dedicados funcionários se envolveu no caso. Por meio de esforço extra e de aconselhamento sábio, ele foi instrumental em salvá-la de cair no precipício. Ajudou a abrir o canal de comunicação entre mãe e filha, e agora, alguns anos depois, essa mesma jovem, por meio do arrependimento, do perdão e de sábios conselhos, está feliz e casada com um bom marido, fazendo a sua parte para ajudar seus vizinhos. Em vez do fracasso, ela agora experimenta alegria e paz de espírito, vivendo uma vida útil e gratificante. ¶
Sob a direção dos serviços sociais, homens e mulheres na prisão são visitados por mestres familiares. Eles realizam uma noite familiar regular, com a participação da família do mestre familiar, da família do prisioneiro e do próprio detento. O exemplo de amor demonstrado pela família que faz o ensino familiar, junto com a evidência de interesse sincero, tem realizado milagres na vida de muitos desses homens. ¶
Casais de mestres familiares estão dedicando centenas de horas a visitas não apenas em prisões, mas também em centros de reabilitação de dependentes de drogas e álcool. Eles têm entrado em apartamentos de um só cômodo, solitários, para ajudar um alcoólatra a ficar sóbrio, e têm feito muito mais para ajudar em sua reabilitação. ¶
Outra área importante desse serviço diz respeito aos lares adotivos temporários. Mais de 4.000 famílias abriram suas casas a estudantes indígenas. Como essas famílias dão livremente, esse serviço carrega consigo o ingrediente mais importante de um lar — o amor. ¶
Vejamos agora o que acontece na vida das pessoas quando o terceiro grupo se envolve. Eles se preocupam, em grande parte, com o bem-estar temporal ou financeiro. Este é um grande grupo de homens e mulheres dedicados. Poder-se-ia dizer que esse grupo é composto por todos os membros da Igreja que participam de alguma forma do programa de serviços de bem-estar. ¶
De um de nossos colegas, profundamente envolvido em ajudar as pessoas, aprendemos o que acontece quando a Igreja intervém para ajudar. ¶
Há cerca de doze anos, Roger entrou pela porta lateral da Praça do Bem-Estar. Levou pelo menos quinze minutos para dizer aos supervisores quem era e de onde vinha. Embora fosse um jovem de dezoito anos, tinha grande dificuldade em se expressar. Parte de sua juventude fora passada em uma instituição num estado vizinho. Agora, aos dezoito anos, estava por conta própria. ¶
Esse jovem viveu algum tempo sozinho nas montanhas. Finalmente, conseguiu uma carona até Salt Lake City. Não sabia ler nem escrever, e falar era quase impossível para ele. ¶
Os irmãos da Praça do Bem-Estar encontraram um lugar para Roger ficar. Logo ele tinha um bispo e, aos poucos, tornou-se ativo na Igreja. Colegas de trabalho na Praça do Bem-Estar ajudaram-no a aprender a falar, para que pudesse se comunicar. Ainda tem grande dificuldade, mas seus amigos e colegas conseguem, com um pouco de paciência, conversar razoavelmente bem com ele. Trabalhou em vários empregos diferentes no armazém e, hoje, é um élder ativo na Igreja. Roger tem agora um emprego numa grande empresa comercial e, atualmente, é totalmente autossuficiente. ¶
Roger conheceu Janey na Praça do Bem-Estar. Deixem-me contar a vocês sobre Janey. ¶
Ela nasceu com paralisia cerebral. Era muito deficiente, mas conseguira frequentar a escola e recentemente havia se formado no ensino médio. Essa foi uma conquista tremenda; mas agora, depois de vários meses de busca, sua família não conseguira encontrar emprego para ela. O bispo perguntou se havia algo que Janey pudesse fazer. Ela precisava se manter ocupada. Em resposta a esse desafio, o encarregado do armazém sugeriu que Janey fosse levada ao armazém na manhã seguinte. ¶
Depois que Janey trabalhou sete horas, sua mãe veio buscá-la para levá-la para casa. Janey sorria de orgulho. Havia rotulado uma dúzia de latas. Havia uma pilha de rótulos estragados no chão, mas isso não importava. O importante era o seu sorriso. Ele estava ali porque ela se sentia útil e tinha orgulho de sua realização. Estava disposta e ansiosa para voltar no dia seguinte e continuar tentando. ¶
Dentro de um mês, Janey já fazia um bom trabalho rotulando latas. Quase não desperdiçava rótulos. À medida que sua habilidade com as mãos aumentava, foram-lhe dados desafios maiores. Ao final de três anos, foi encarregada da delicada tarefa de embalar ovos depois de examinados à luz. ¶
Janey e sua família são verdadeiramente felizes, porque ela aprendeu, por meio do programa de bem-estar, a ser um membro contribuinte da sociedade. ¶
Roger e Janey se apaixonaram um pelo outro e se casaram no Templo de Salt Lake por tempo e por toda a eternidade. ¶
No ano passado, oportunidades de trabalho equivalentes a 1.480.000 horas foram disponibilizadas para os Rogers e as Janeys deste mundo. As maravilhosas irmãs da Sociedade de Socorro doaram mais de dois milhões de horas para ajudar os enfermos e os idosos. Prestaram serviço de solidariedade a 15.000 famílias no momento da perda de um ente querido pela morte. Os membros da Igreja contribuíram com quase dois milhões de horas para projetos de bem-estar, armazéns dos bispos etc., e a Igreja distribuiu mais de 17 milhões de dólares em dinheiro e produtos para cuidar dos necessitados. ¶
Tudo isso foi feito por meio do programa de serviços de bem-estar da Igreja. Foi realizado por meio da organização eclesiástica regularmente constituída da Igreja. Não existe uma organização separada para administrar o bem-estar. É parte integrante da Igreja, e assim tem sido desde o início. Para reenfatizar seu propósito e objetivo, vou ler uma declaração da Primeira Presidência dada em 1936: ¶
“Nosso propósito primordial era estabelecer, na medida do possível, um sistema pelo qual a maldição da ociosidade fosse eliminada, os males da esmola abolidos, e a independência, a indústria, a economia e o amor próprio fossem restabelecidos entre o nosso povo. O objetivo da Igreja é ajudar as pessoas a ajudarem a si mesmas. O trabalho deve ser reentronizado como o princípio soberano da vida dos membros de nossa Igreja.” (Heber J. Grant, Conference Report, outubro de 1936, p. 3.) ¶
“Esta é a essência do Programa de Segurança da Igreja — não apenas que os homens sejam alimentados e vestidos, embora isso seja importante — mas que o homem eterno seja edificado pela autossuficiência, pela atividade criativa, pelo trabalho honrado, pelo serviço. Uma geração criada na ociosidade não consegue manter sua integridade.” (Richard L. Evans, “Faith, Work, and Security,” Improvement Era, dezembro de 1936, p. 768.) ¶
“… desde o início, o verdadeiro objetivo a longo prazo do Plano de Bem-Estar é a construção do caráter nos membros da Igreja, tanto os que dão quanto os que recebem, resgatando tudo o que há de mais nobre no íntimo de cada um, e fazendo florescer e frutificar a riqueza latente do espírito, que, afinal, é a missão, o propósito e a razão de ser desta Igreja.” (Albert E. Bowen, The Church Welfare Plan [Gospel Doctrine Course of Study, 1936], p. 44.) ¶
Essas metas elevadas continuam sendo a força motivadora de todos os que estão envolvidos nesta grande obra. E agora, com a aprovação da Primeira Presidência, as funções temporal ou financeira, de saúde e de serviços sociais foram reunidas na organização de serviços de bem-estar da Igreja, preocupada com o bem-estar do homem como um todo. ¶
Presto meu humilde testemunho de que este é o evangelho de Jesus Cristo, de que ele reina à cabeça desta igreja e fala por meio de um profeta vivo, Harold B. Lee. Em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶