A Investida de Satanás — a Juventude
Ezra Taft Benson
Já se disse muito bem que “chega um momento em que a degradação geral de uma sociedade se torna tão grande que a nova geração é submetida a uma pressão indevida e não se pode dizer que tenha uma escolha justa entre o Caminho da Luz e o Caminho das Trevas.” (Hugh Nibley, An Approach to the Book of Mormon, 1957.) ¶
Vivemos em um mundo perverso. Nunca, em nossa memória, as forças do mal estiveram dispostas em uma formação tão mortal. O diabo está bem organizado. Nunca, em nossos dias, ele teve tantos emissários trabalhando a seu favor. Por meio de seus muitos agentes, sua majestade satânica proclamou suas intenções de destruir toda uma geração de nossos jovens escolhidos. ¶
As evidências da obra covarde das forças do mal são cada vez mais visíveis. Por toda parte vemos os resultados tristes e dilacerantes. As forças destrutivas inspiradas pelo diabo estão presentes em nossa literatura, em nossa arte, nos filmes, no rádio, em nosso modo de vestir, em nossas danças, na tela da televisão e até mesmo em nossa música moderna, dita popular. Satanás usa muitos instrumentos para enfraquecer e destruir o lar e a família, e especialmente nossos jovens. Hoje, como nunca antes, parece que o ataque do diabo está direcionado à nossa juventude. ¶
Uma carta de um pai preocupado com os efeitos perniciosos de certa música popular é uma entre muitas. Cito este bem informado professor de jovens: ¶
“A música cria atmosfera. A atmosfera cria ambiente. O ambiente influencia o comportamento. Quais são os mecanismos desse processo? ¶
“O ritmo é o elemento mais físico da música. É o único elemento musical que pode existir no movimento corporal sem o benefício do som. Uma mente entorpecida por drogas ou álcool ainda pode responder à batida. ¶
“O volume contribui para confundir a mente. O som ampliado até o limiar da dor tem uma violência física capaz de bloquear os processos superiores do pensamento e da razão. (E baixar o volume dessa música destrutiva não elimina os outros males.) … ¶
“A repetição levada ao extremo é outro recurso primitivo do rock. … ¶
“As gesticulações, irmãs gêmeas do ritmo do rock, são tais que nem mãos limpas nem coração puro podem deixar de perceber suas insinuações. … ¶
“A escuridão [e as luzes tênues] é outra faceta do cenário do rock. É uma missa negra que anestesia a consciência sob uma máscara de anonimato. A identidade perdida na escuridão foge dos sentimentos normais de responsabilidade. ¶
“As luzes estroboscópicas cortam a escuridão em feixes ofuscantes que reduzem a resistência, como as luzes de um interrogatório de terceiro grau ou o pêndulo oscilante do hipnotizador que deseja controlar seu comportamento. … ¶
“Todo o esquema psicodélico [continua esse pai] é uma porta giratória para as drogas, o sexo, a rebeldia e o ateísmo. Combinada com as obscenidades gritantes das letras, essa música hipnotizante tem dado o fruto da imundícia. Os líderes da sociedade do rock proclamam prontamente sua degeneração. … ¶
“E o engano mais diabólico dessa infâmia é que ele nega que o mal seja um absoluto. Nossa religião é uma religião de absolutos e não pode ser racionalizada numa filosofia relativista dos ‘mórmons liberais.’ Não podemos, com segurança, racionalizar a retidão até fazê-la desaparecer. ¶
“O que poderia ser mais equivocado do que o temor de que ‘se a música rock não fosse endossada por nossos líderes, poderíamos perder muitos jovens’? (Comitê de música da AMM.) Já estamos perdendo-os para as canções de Satanás, as drogas, o sexo, o tumulto e a apostasia. Bem nos convém lembrar uma mensagem da encenação Mormon Miracle: ‘Morôni sabia que não se pode transigir com o mal. Se o fizermos, o mal sempre vence.’” (Richard Nibley, trechos de carta.) ¶
Essa carta de um pai, professor de jovens e membro do departamento de música de uma faculdade, embora analítica, expressa a preocupação de muitos outros pais e líderes de jovens. ¶
A Igreja não deve comprometer seus padrões diante das exigências populares. Certamente os usuários de tabaco, café e álcool têm sido afastados por padrões inflexíveis tanto quanto as minissaias do rock de hoje. ¶
Nunca a Igreja teve um grupo melhor de jovens. Eles são espíritos escolhidos — enviados à terra neste período mais desafiador e importante da história do mundo. Encarregados da grande responsabilidade de edificar o reino de Deus na terra, eles têm um desafio imponente. ¶
Essa grande e momentosa responsabilidade e desafio surgem em um momento dificílimo. Nunca as forças do mal foram tão insidiosas, generalizadas e sedutoras. Por toda parte parece haver um aviltamento, um enfraquecimento, uma degradação de tudo o que é fino, bom e edificante — tudo direcionado à nossa juventude, enquanto muitos de seus pais são embalados numa falsa segurança, desfrutando de sua confortável complacência. ¶
Nem tudo vai bem em Sião. Os inspirados profetas do Livro de Mórmon viram este dia e, como vigias nas torres, emitiram graves advertências. Cito: ¶
“Pois eis que nesse dia ele [o diabo] se enfurecerá no coração dos filhos dos homens e incitá-los-á a irarem-se contra o que é bom. ¶
“E a outros pacificará e acalentará com segurança carnal, de modo que dirão: Tudo vai bem em Sião; sim, Sião prospera. Tudo vai bem — e assim o diabo engana suas almas e os conduz cuidadosamente ao inferno. ¶
“E eis que a outros ele lisonjeia, dizendo-lhes que não há inferno; e diz: Eu não sou o diabo, porque ele não existe — e assim lhes sussurra aos ouvidos até agarrá-los com suas terríveis correntes, das quais não há libertação. … ¶
“Portanto, ai do que está sossegado em Sião! ¶
“Ai do que clama: Tudo vai bem! ¶
“Sim, ai do que dá ouvidos aos preceitos dos homens e nega o poder de Deus e o dom do Espírito Santo!” (2 Néfi 28:20–22, 24–26.) ¶
O Senhor, por meio de um profeta moderno, deu-nos uma solene incumbência: ¶
Amamos a juventude da Igreja e sabemos que o Senhor a ama. Não há nada certo que a Igreja não faça para ajudar nossos jovens — para salvá-los. Eles são o nosso futuro. Temos fé neles. Queremos que sejam felizes. Queremos que tenham êxito em suas áreas escolhidas. Queremos que sejam exaltados no reino celestial. ¶
Dizemos a eles: vocês são seres eternos. A vida é eterna. Vocês não podem fazer o errado e se sentir bem com isso. Compensa viver uma vida boa, sadia e repleta de alegria. Vivam de modo a não terem sérios arrependimentos — nem angústias. Vivam de modo que possam alcançar e recorrer àquele Poder invisível, sem o qual nenhum homem ou mulher pode dar o melhor de si. ¶
É necessário que haja oposição em todas as coisas. A liberdade de escolha é um princípio eterno dado por Deus. Escapar das armadilhas e ciladas de Satanás seguindo o Senhor é nossa incumbência. Não é uma tarefa fácil. ¶
Usando a vida como um laboratório, podemos observar e estudar a vida de outras pessoas quase como por meio de um microscópio. Observem que o homem de Deus é um homem feliz. O hedonista, que proclama “Faça o que você quiser”, que vive para o pecaminoso e assim chamado prazer, jamais é feliz. Por trás de sua máscara de falsa alegria, espreita a inevitável tragédia da morte eterna. Assombrado por essa sombra negra, ele troca a vida útil e feliz pelo triste esquecimento das drogas, do álcool, do sexo e do rock. ¶
O estudo dos métodos de Satanás pode nos alertar contra suas seduções. Em sua astúcia, ele sabe onde e como atacar. É na juventude que suas vítimas estão mais vulneráveis. A juventude é a primavera da vida, quando tudo é novo. A juventude é o espírito da aventura e do despertar. É um tempo de emergência física, quando o corpo pode alcançar o vigor e a boa saúde que talvez desprezem a cautela da temperança. A juventude é um tempo atemporal, quando os horizontes da idade muitas vezes parecem distantes demais para serem notados. Assim, a geração do “agora” esquece que o presente logo será o passado, que olhará para uma vida desperdiçada ou para um passado rico em boas obras. Estes são os ingredientes na juventude que tornam tão irresistível o plano de Satanás de “brincar agora e pagar depois.” Sim, o diabo usa muitos instrumentos. ¶
“Um estado de confusão é um ambiente eficaz para Satanás. Há muita confusão hoje em dia. Ele emprega vários métodos para criá-la. Um deles é a distorção das definições. Para descrever uma experiência com drogas, ele usa o termo ‘expansão da mente’, em vez da descrição mais precisa de ‘encolhimento da realidade.’ ¶
“A liberdade, palavra de nobre tradição, é uma confusora predileta. Tumultos, atentados a bomba, incêndios criminosos e assassinatos são cometidos em nome da liberdade. As obscenidades testam a liberdade de expressão. Alega-se que a pornografia, as drogas e a imoralidade são manifestações da liberdade pessoal, assim como as minissaias e a nudez. A libertinagem e a anarquia são produtos dessas falsas liberdades. ¶
“Uma confusão de definições inclui a pornografia. Uma criança consegue identificá-la, mas algumas das supostamente grandes mentes jurídicas de nossa época não conseguem defini-la. ¶
“Tolerância é uma palavra valiosa a serviço de Satanás. Alexander Pope advertiu, há duzentos anos, que: ¶
‘O vício é um monstro de aspecto tão hediondo ¶
Que, para ser odiado, basta ser visto; ¶
Mas, visto com demasiada frequência, familiarizados com seu rosto, ¶
Primeiro o suportamos, depois o compadecemos, depois o abraçamos.’ ¶
“An Essay on Man.” ¶
“O ridículo funciona bem em conjunto com a confusão. Para confundir a juventude em seus anos de busca, o cínico defende sua degeneração ridicularizando seus críticos com metáforas confusas. As palavras da gravação de rock ‘I Couldn't Get High’ [Eu não consegui ficar chapado], substituindo ‘High on the Mountain Top’ [No alto da montanha], devem ser riscadas de nossos hinários. Zombar dessa maneira pode provocar uma risada fácil e a garantia de que tudo vai bem em Sião, mas é diabolicamente desonesto. ¶
“A filosofia do relativismo ataca os princípios eternos da verdade. O relativista dirá: ‘Se alguém vê implicações imorais em uma canção popular, é porque tem a mente suja.’ A lógica dessa filosofia encontra sua falácia na palavra implicações. Em muitas letras, nada de imoral é implícito. É proclamado abertamente. ¶
“Se houver alguma dúvida quanto ao mal insidioso do rock, podemos julgá-lo por seus frutos. As perversões amplamente divulgadas de seus praticantes já bastam para condenar sua influência. Sua realização máxima é aquele fenômeno contemporâneo, o gigantesco festival de música rock. À medida que essas celebrações doentias se multiplicam às centenas, elas infectam a juventude às centenas de milhares. E onde há hoje um festival de rock que não seja também um festival de drogas, um festival de sexo e um festival de rebeldia?” (Richard Nibley.) ¶
O Espírito do Senhor abençoa aquilo que edifica e conduz os homens a Cristo. Será que seu Espírito abençoaria com sua presença esses festivais purulentos de degradação humana, curados em LSD, maconha e anfetaminas? Será que ele se agradaria da exibição vulgar de nudez e imoralidade sem pudor? A linguagem do festival de rock é muitas vezes obscena. Sua música, esmagando a sensibilidade num estrondo de idolatria primitiva, glorifica o físico em detrimento do espírito. No longo panorama da história humana, esses festivais juvenis de música rock estão entre os maiores êxitos de Satanás. As lendárias orgias da Grécia e de Roma não se comparam às obscenidades monumentais encontradas nesses focos de drogas, imoralidade, rebeldia e som pornofônico. O famoso festival de Woodstock foi uma manifestação gigantesca de uma nação doente. No entanto, o filme sórdido e as gravações de rock de sua imundície sem precedentes foram um grande negócio em nosso próprio lar montanhoso. ¶
O Senhor disse: “Porque minha alma se deleita com o canto do coração; sim, o canto dos justos é uma prece a mim. …” (D&C 25:12.) Isso foi agradável ao Senhor, como lemos em Terceiro Néfi, no grande Livro de Mórmon: “… em uníssono, romperam em cânticos e louvores a seu Deus. …” (3 Néfi 4:31.) Foi agradável a Satanás quando, em Primeiro Néfi, os filhos de Leí e os “filhos de Ismael e também suas esposas começaram a ficar alegres a tal ponto que começaram a dançar e a cantar e a falar com muita vulgaridade. …” (1 Néfi 18:9.) ¶
E agora um estudioso de música aponta para “uma nova direção na cultura do rock e das drogas, [a qual é] saudada por muitos pastores e pela indústria musical como um raio de esperança em meio a nuvens de ouro. O rock religioso está subindo nas paradas dos ‘Top Ten’. A crescente resistência ao cenário do rock e das drogas está sendo desviada por essa retirada de aparência sadia da nova moralidade. Mas uma análise dos materiais do rock religioso desmascara um anticristo insidiosamente disfarçado. Ao reduzir a religião revelada a mera mitologia, o rock assume o manto da retidão enquanto rejeita a realidade do pecado. Sem o pecado, a nova moralidade pode continuar em sua orgia ímpia sob o pretexto de vestes religiosas. Ao inverter os papéis de Jesus e de Judas, um álbum de venda rápida se encaixa perfeitamente na advertência de Isaías [Isaías 5:20]: ‘Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal; que fazem das trevas luz, e da luz, trevas.’” (Richard Nibley.) ¶
Não é de admirar que a liderança da Igreja se sentisse impelida a se manifestar contra esse sacrílego e apóstata engano, chamando a atenção dos membros da Igreja para essa maldade em um item especial do Church Priesthood Bulletin de agosto de 1971. ¶
Sim, vivemos nos melhores dos tempos, quando o evangelho restaurado de Jesus Cristo traz esperança a todo o mundo. E nos piores dos tempos, pois Satanás está enfurecido. Com vigor implacável, ele se lança na colheita. ¶
Como podemos frustrar seus desígnios? A recitação de escrituras da AMM do ano passado nos dá um padrão a seguir. A Décima Terceira Regra de Fé da Igreja contém uma chave importante: “… Se houver qualquer coisa virtuosa, amável, de boa fama ou louvável, nós a procuraremos.” ¶
Mas será que realmente procuraremos? Procurar exige esforço. ¶
As prateleiras de discos que atraem nossos jovens com suas capas coloridas e muitas vezes indecentes sepultam muitas obras-primas virtuosas ou amáveis sob uma vasta massa de comercialismo grosseiro. ¶
O magnetismo da televisão e do rádio está na acessibilidade de sua mediocridade. Amável não é um adjetivo que descreva a maioria de seus produtos. Os inventores dessas maravilhas foram inspirados pelo Senhor. Mas, uma vez que suas boas obras foram apresentadas ao mundo, os poderes das trevas começaram a empregá-las para nossa destruição. Em cada meio de comunicação — o fonógrafo, o cinema, o rádio e a televisão — é fácil traçar a evolução do declínio a partir das intenções de seus inventores. ¶
Permitam-me citar um músico que, por muitos anos, observou a influência da música sobre o comportamento: ¶
“Satanás sabe que a música tem encantos para acalmar ou agitar a fera selvagem. Que a música tem o poder de criar atmosfera já era conhecido antes do início de Hollywood. A atmosfera cria ambiente, e o ambiente influencia o comportamento — o comportamento da Babilônia ou o de Enoque. ¶
“Os pais que se enojam com o rádio e os discos que reverberam em revolta psicodélica fariam bem em fazer um inventário de sua própria coleção de discos antes de reclamar. Se ela for pequena, pouco diversificada e sem uso, a reclamação deve recair sobre o próprio pai. As sementes da cultura são mais bem semeadas no solo fértil da imitação infantil. Nenhuma quantidade de críticas na adolescência pode substituir os anos de infância, quando o exemplo, uma vez perdido, não se recupera. O pai que perdeu sua chance de ser uma imagem heroica deixou uma lacuna para um herói adolescente.” (Richard Nibley.) ¶
A maioria desses heróis que hoje são glamourizados já não são nobres, talentosos, humildes ou retos. Por relatos em livros, revistas e jornais — especialmente nas seções voltadas para os jovens — sabemos que são lascivos, obscenos, imorais, avarentos e, em alguns casos, até cruéis. É justamente o estilo de vida que estamos aqui para evitar que é exibido diante de nossos jovens por seus colegas famosos. Para desviar a admiração da juventude desses exemplos de vida degradante, devemos começar cedo. O cuidado e a criação dos filhos devem incluir igual atenção à sua vida emocional, assim como à sua vida física, espiritual e intelectual. ¶
Para os jovens, estar no mundo, mas não ser do mundo, nunca foi tão difícil como hoje. Mas esse fardo deve ser compartilhado pelos pais. A noite familiar é uma importante barreira contra as obras de Satanás. O programa da AMM deve proteger nossa juventude contra toda influência maligna e deve preencher o vazio deixado ao rejeitarem as seduções do mundo. E, é claro, uma grande panaceia para todos os problemas e dúvidas pessoais: a oração — a oração particular e a oração familiar, de noite e de manhã. ¶
O adulto crítico e queixoso será menos eficaz do que aquele que é interessado e compreensivo. E o amor e a compreensão só são eficazes quando são genuínos. E, para serem genuínos, devem ser motivados pelo amor. Devemos amar nossos jovens, estejam eles na retidão ou no erro. Dessa forma, podemos dar-lhes a chance de discernir e de aprender. Mas também devemos dar-lhes uma escolha justa. Hoje, muitos não estão tendo êxito. ¶
Sim, “chega um momento em que a degradação geral de uma sociedade se torna tão grande que a nova geração é submetida a uma pressão indevida e não se pode dizer que tenha uma escolha justa entre o Caminho da Luz e o Caminho das Trevas.” ¶
Que Deus conceda que nós, como pais e líderes da juventude, tenhamos o poder e o bom senso de dar-lhes “uma escolha justa”, oro humildemente em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶